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Engasgo - como é? Quais as causas? O que fazer?

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O que é engasgo?

O engasgo é o fenômeno que ocorre durante a deglutição1 ou a regurgitação2, quando a traqueia3 é bloqueada por líquidos, alimentos ou qualquer tipo de objeto, dificultando ou impedindo a respiração. Em alguns casos, o engasgo é considerado uma emergência4 médica, podendo até mesmo levar a pessoa à morte por asfixia5. Para entendê-lo bem, portanto, é necessária uma compreensão da fisiologia6 da deglutição1.

Saiba mais sobre "Asfixia5".

Breve resumo da fisiologia6 da deglutição1

A deglutição1 é o fenômeno fisiológico7 pelo qual o alimento é levado da boca8 à faringe9 e ao esôfago10 e daí ao estômago11. Esse fenômeno, em parte voluntário e em parte reflexo, na maioria das vezes funciona plenamente bem, embora dependa de delicadas, complexas e bem coordenadas operações.

A primeira fase da deglutição1 se dá na boca8, onde depois de mastigado o alimento é impulsionado para a faringe9. Logo em seguida, a epiglote12 fecha a entrada da traqueia3 e dirige o alimento para o esôfago10 e daí para o estômago11. Na respiração, ao inverso, a epiglote12 se movimenta de modo a deixar aberta a traqueia3 para a passagem do ar.

Quais são as causas do engasgo?

O engasgo se dá quando a epiglote12, por qualquer motivo, falha em executar corretamente seu papel e o alimento ou o líquido é extraviado pela laringe13 impedindo o ar de chegar até os pulmões14.

O engasgo fortuito pode acontecer a qualquer pessoa e geralmente é um incômodo que só dura alguns segundos ou uns poucos minutos. O engasgo constante, no entanto, pode ser um sintoma15 de condições gastrointestinais, pneumológicas ou neurológicas graves. A causa mais comum desses engasgos costuma ser uma lesão16 na mucosa17 da faringe9, causada por um refluxo gastroesofágico18 constante devido a uma falha do esfíncter19 que liga o esôfago10 e o estômago11.

Outra causa comum de engasgo é a apneia obstrutiva do sono20, que ao provocar o inchaço21 de laringe13 pelo ronco e ao ressecá-la, dificulta a deglutição1. Na área neurológica, a causa mais comum são os acidentes vasculares22 cerebrais e as doenças degenerativas23, que podem afetar os nervos e produzir uma incoordenação no funcionamento da glote24.

Leia sobre "Refluxo", "Apneia25 do sono", "Roncos", "Acidente vascular cerebral26" e "Doenças degenerativas23".

Quais são as principais características clínicas do engasgo?

O engasgo pode apresentar riscos de vida, por provocar asfixia5 e sufocamento.

Uma pele27 arroxeada é sinal28 de que o engasgo está impedindo a passagem de ar, o que pode fazer com que uma pessoa tenha uma parada respiratória, um desmaio ou levar a situações ainda mais graves. Além disso, pode observar-se dificuldade de respirar e mesmo um sibilo típico, quando a passagem do ar é dificultada, mas não totalmente impedida, dependendo do objeto que está produzindo o engasgo.

Como o médico trata o engasgo?

Deve-se distinguir o que é o tratamento do ato habitual e repetitivo de engasgar, do socorro imediato ao engasgado.

Neste último caso, é importante não estimular a pessoa engasgada a empurrar o objeto do engasgo ainda mais para baixo, mas, ao contrário, fazê-la tossir e induzir o vômito29. Quando isso ocorre, o organismo automaticamente libera jatos de ar para expelir o objeto do engasgo. A pessoa que socorrer o engasgado deve colocar-se por trás da pessoa engasgada, estando essa de pé, e abraçá-la de modo a que possa pressionar suas mãos30 na altura entre o umbigo31 e as costelas32 do engasgado, comprimindo, de maneira rítmica mas incisivamente, a parte superior do abdômen contra os pulmões14. Isso faz com que o ar seja expulso em jatos, forçando o objeto que obstrui a passagem do ar a ser expulso.

No outro caso, de engasgos habituais, deve-se tratar a causa do engasgo.

O bebê engasgado

Um caso especial de engasgo é quando ele acontece em bebês33. A criança pequena engasga com mais frequência que os adultos, mesmo não tendo nenhuma doença que justifique isso, pelo simples fato de seus comandos fisiológicos ainda não estarem devidamente amadurecidos. A isso deve ser acrescido, como algo de grande importância, o hábito que têm de levar à boca8 os objetos que consigam manusear. Mas crianças podem engasgar mesmo com a alimentação normal, inclusive com o leite materno.

Não tente retirar o eventual objeto com as suas mãos30, ao menos que você consiga vê-lo ao abrir a boca8 da criança, porque há o risco de acabar empurrando ainda mais para baixo. Em casos de bebês33 com menos de um ano, o procedimento deve ser feito com a criança deitada no antebraço34, de forma que sua cabeça35 fique mais baixa que o corpo e, então, aplicando palmadas em suas costas36 para que o objeto se locomova.

A mãe ou cuidadora da criança deve pedir ao pediatra da criança que lhe instrua, com mais detalhes, sobre o que deve fazer no caso de passar por essa eventualidade. Previna-se e não pense que isto nunca vai lhe acontecer!

Veja também sobre "Aspiração de corpo estranho".

 

ABCMED, 2017. Engasgo - como é? Quais as causas? O que fazer?. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/sinais.-sintomas-e-doencas/1299058/engasgo-como-e-quais-as-causas-o-que-fazer.htm>. Acesso em: 23 mai. 2019.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Deglutição: Passagem dos alimentos desde a boca até o esôfago; ação ou efeito de deglutir; engolir. É um mecanismo em parte voluntário e em parte automático (reflexo) que envolve a musculatura faríngea e o esfíncter esofágico superior.
2 Regurgitação: Presença de conteúdo gástrico na cavidade oral, na ausência do reflexo de vômito. É muito freqüente em lactentes.
3 Traqueia: Conduto músculo-membranoso com cerca de 22 centímetros no homem e de 18 centímetros na mulher. Da traqueia distingue-se uma parte que faz continuação direta à laringe (porção cervical) e uma parte que está situada no tórax (porção torácica). Possui anéis cartilaginosos em número variável de 12 a 16, unidos entre si por tecido fibroso. Destina-se à passagem do ar. A traqueia é revestida com epitélio ciliar que auxilia a filtração do ar inalado.
4 Emergência: 1. Ato ou efeito de emergir. 2. Situação grave, perigosa, momento crítico ou fortuito. 3. Setor de uma instituição hospitalar onde são atendidos pacientes que requerem tratamento imediato; pronto-socorro. 4. Eclosão. 5. Qualquer excrescência especializada ou parcial em um ramo ou outro órgão, formada por tecido epidérmico (ou da camada cortical) e um ou mais estratos de tecido subepidérmico, e que pode originar nectários, acúleos, etc. ou não se desenvolver em um órgão definido.
5 Asfixia: 1. Dificuldade ou impossibilidade de respirar, que pode levar à anóxia. Ela pode ser causada por estrangulamento, afogamento, inalação de gases tóxicos, obstruções mecânicas ou infecciosas das vias aéreas superiores, etc. 2. No sentido figurado, significa sujeição à tirania; opressão e/ou cobrança de posições morais ou sociais que dão origem à privação de certas liberdades.
6 Fisiologia: Estudo das funções e do funcionamento normal dos seres vivos, especialmente dos processos físico-químicos que ocorrem nas células, tecidos, órgãos e sistemas dos seres vivos sadios.
7 Fisiológico: Relativo à fisiologia. A fisiologia é estudo das funções e do funcionamento normal dos seres vivos, especialmente dos processos físico-químicos que ocorrem nas células, tecidos, órgãos e sistemas dos seres vivos sadios.
8 Boca: Cavidade oral ovalada (localizada no ápice do trato digestivo) composta de duas partes
9 Faringe: Canal músculo-membranoso comum aos sistemas digestivo e respiratório. Comunica-se com a boca e com as fossas nasais. É dividida em três partes: faringe superior (nasofaringe ou rinofaringe), faringe bucal (orofaringe) e faringe inferior (hipofaringe, laringofaringe ou faringe esofagiana), sendo um órgão indispensável para a circulação do ar e dos alimentos.
10 Esôfago: Segmento muscular membranoso (entre a FARINGE e o ESTÔMAGO), no TRATO GASTRINTESTINAL SUPERIOR.
11 Estômago: Órgão da digestão, localizado no quadrante superior esquerdo do abdome, entre o final do ESÔFAGO e o início do DUODENO.
12 Epiglote: Cartilagem delgada em forma de folha, recoberta por uma membrana mucosa. Está situada atrás da raiz da língua e dobra-se para trás sobre o ádito da laringe, fechando-o durante a deglutição.
13 Laringe: É um órgão fibromuscular, situado entre a traqueia e a base da língua que permite a passagem de ar para a traquéia. Consiste em uma série de cartilagens, como a tiroide, a cricóide e a epiglote e três pares de cartilagens: aritnoide, corniculada e cuneiforme, todas elas revestidas de membrana mucosa que são movidas pelos músculos da laringe. As dobras da membrana mucosa dão origem às pregas vocais.
14 Pulmões: Órgãos do sistema respiratório situados na cavidade torácica e responsáveis pelas trocas gasosas entre o ambiente e o sangue. São em número de dois, possuem forma piramidal, têm consistência esponjosa e medem cerca de 25 cm de comprimento. Os pulmões humanos são divididos em segmentos denominados lobos. O pulmão esquerdo possui dois lobos e o direito possui três. Os pulmões são compostos de brônquios que se dividem em bronquíolos e alvéolos pulmonares. Nos alvéolos se dão as trocas gasosas ou hematose pulmonar entre o meio ambiente e o corpo, com a entrada de oxigênio na hemoglobina do sangue (formando a oxiemoglobina) e saída do gás carbônico ou dióxido de carbono (que vem da célula como carboemoglobina) dos capilares para o alvéolo.
15 Sintoma: Qualquer alteração da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. O sintoma é a queixa relatada pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
16 Lesão: 1. Ato ou efeito de lesar (-se). 2. Em medicina, ferimento ou traumatismo. 3. Em patologia, qualquer alteração patológica ou traumática de um tecido, especialmente quando acarreta perda de função de uma parte do corpo. Ou também, um dos pontos de manifestação de uma doença sistêmica. 4. Em termos jurídicos, prejuízo sofrido por uma das partes contratantes que dá mais do que recebe, em virtude de erros de apreciação ou devido a elementos circunstanciais. Ou também, em direito penal, ofensa, dano à integridade física de alguém.
17 Mucosa: Tipo de membrana, umidificada por secreções glandulares, que recobre cavidades orgânicas em contato direto ou indireto com o meio exterior.
18 Refluxo gastroesofágico: Presença de conteúdo ácido proveniente do estômago na luz esofágica. Como o dito órgão não está adaptado fisiologicamente para suportar a acidez do suco gástrico, pode ser produzida inflamação de sua mucosa (esofagite).
19 Esfíncter: Estrutura muscular que contorna um orifício ou canal natural, permitindo sua abertura ou fechamento, podendo ser constituído de fibras musculares lisas e/ou estriadas.
20 Apnéia obstrutiva do sono: Pausas na respiração durante o sono.
21 Inchaço: Inchação, edema.
22 Vasculares: Relativo aos vasos sanguíneos do organismo.
23 Degenerativas: Relativas a ou que provocam degeneração.
24 Glote: Aparato vocal da laringe. Consiste das cordas vocais verdadeiras (pregas vocais) e da abertura entre elas (rima da glote).
25 Apnéia: É uma parada respiratória provocada pelo colabamento total das paredes da faringe que ocorre principalmente enquanto a pessoa está dormindo e roncando. No adulto, considera-se apnéia após 10 segundos de parada respiratória. Como a criança tem uma reserva menor, às vezes, depois de dois ou três segundos, o sangue já se empobrece de oxigênio.
26 Acidente vascular cerebral: Conhecido popularmente como derrame cerebral, o acidente vascular cerebral (AVC) ou encefálico é uma doença que consiste na interrupção súbita do suprimento de sangue com oxigênio e nutrientes para o cérebro, lesando células nervosas, o que pode resultar em graves conseqüências, como inabilidade para falar ou mover partes do corpo. Há dois tipos de derrame, o isquêmico e o hemorrágico.
27 Pele: Camada externa do corpo, que o protege do meio ambiente. Composta por DERME e EPIDERME.
28 Sinal: 1. É uma alteração percebida ou medida por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida. 2. Som ou gesto que indica algo, indício. 3. Dinheiro que se dá para garantir um contrato.
29 Vômito: É a expulsão ativa do conteúdo gástrico pela boca. Pode ser classificado como: alimentar, fecalóide, biliar, em jato, pós-prandial. Sinônimo de êmese. Os medicamentos que agem neste sintoma são chamados de antieméticos.
30 Mãos: Articulação entre os ossos do metacarpo e as falanges.
31 Umbigo: Depressão no centro da PAREDE ABDOMINAL, marcando o ponto onde o CORDÃO UMBILICAL entrava no feto. OMPHALO- (navel)
32 Costelas:
33 Bebês: Lactentes. Inclui o período neonatal e se estende até 1 ano de idade (12 meses).
34 Antebraço:
35 Cabeça:
36 Costas:
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