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Tonometria: como é realizada? Quem deve fazer? Para que serve?

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O que é tonometria?

Tonometria é a medição da pressão interna do globo ocular1. As variações da pressão intraocular2 são devidas ao humor aquoso3, um líquido que fica contido entre a íris4 e a córnea5, constituído por 98% de água e 2% de sais, o qual é continuamente produzido e eliminado pelo organismo. É a quantidade desse líquido que dá a pressão intraocular2. Se houver um desequilíbrio no mecanismo de produção/eliminação dele a pressão intraocular2 varia, geralmente aumentando.

Quem deve medir a pressão intraocular2?

A tonometria deve ser feita de rotina em toda consulta oftalmológica, especialmente em:

  • Pacientes idosos.
  • Pessoas com tendência hereditária à pressão intraocular2 elevada.

E a qualquer momento em:

  • Pacientes com suspeita de glaucoma6 e outras enfermidades como tumores de íris4, por exemplo, nas quais a pressão intraocular2 costuma ser elevada.
  • Períodos pré e pós-operatórios de cirurgias oculares como catarata7, glaucoma6, transplante de córnea5, descolamento de retina8, vitrectomia (cirurgia do humor vítreo9), etc.
  • Distúrbios da pressão ocular pós-traumática.

Outra indicação obrigatória é o caso de sangramentos intraoculares.

Como é realizada a tonometria?

Há mais de um método de realizar a tonometria. Não há necessidade de preparativos para o exame, mas em alguns casos os globos oculares devem receber um colírio10 anestésico. Se o paciente usar lentes de contato elas devem ser retiradas antes do exame e podem ser recolocadas logo depois. Se o paciente tem alguma infecção11 ocular ou úlcera12 de córnea5 isso deve ser informado ao médico para que ele adote os cuidados especiais necessários.

Em um dos métodos, chamado método da aplanação, mede-se a força necessária para achatar-se a córnea5 com o tonômetro de Goldmann (tonômetro acoplado à lâmpada de fenda) encostado a ela. O paciente deve repousar o queixo e a testa em suportes do aparelho oftalmológico apropriado, o tonômetro é encostado no olho13 e levemente forçado contra ele. Esse tipo de medição é feito com a aplicação local de um colírio10 anestésico. Uma variante desse método é medir a pressão intraocular2 com um aparelho semelhante a um lápis, que toca o exterior do olho13 e efetua a medição.

A tonometria a ar é realizada por meio da propulsão de um jato de ar contra o globo ocular1, o qual após encontrar a superfície do olho13 é recaptado e a pressão ocular é automaticamente fornecida. Aqui também o paciente deve repousar o queixo e a testa em suportes próprios do aparelho oftalmológico. Esse método não necessita anestesia14 e o que o paciente sente é apenas uma leve sensação de contato. Se o paciente, por qualquer motivo, não permite esses tipos de exames, o médico pode realizar a manobra de colocar os dois dedos indicadores sobre a pálpebra superior, com o paciente de olhos15 fechados e olhando para baixo e pressionar o globo ocular1, para ter uma noção da pressão intraocular2. Embora pouco preciso, esse método pode ser o único exequível em determinadas circunstâncias.

O exame é simples, rápido e indolor, não durando mais do que cinco minutos. O desconforto causado por ele é mínimo, mas é necessária colaboração do paciente em manter fixo o olhar, pelo que pode ser mais difícil de ser executado em crianças pequenas. Não há nenhuma restrição pós-exame e o paciente pode voltar de imediato às suas atividades normais. O resultado do exame é fornecido em milímetros de mercúrio (mmHg). A pressão normal varia entre 10 e 20 mmHg. Se o exame indicar pressão muito alta, isso requererá providências médicas urgentes porque as células nervosas16 receptoras da retina8 podem ser danificadas por compressão e deixarem de funcionar, levando à cegueira. 

ABCMED, 2014. Tonometria: como é realizada? Quem deve fazer? Para que serve?. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/saude-dos-olhos/544547/tonometria-como-e-realizada-quem-deve-fazer-para-que-serve.htm>. Acesso em: 2 dez. 2020.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Globo ocular: O globo ocular recebe este nome por ter a forma de um globo, que por sua vez fica acondicionado dentro de uma cavidade óssea e protegido pelas pálpebras. Ele possui em seu exterior seis músculos, que são responsáveis pelos movimentos oculares, e por três camadas concêntricas aderidas entre si com a função de visão, nutrição e proteção. A camada externa (protetora) é constituída pela córnea e a esclera. A camada média (vascular) é formada pela íris, a coroide e o corpo ciliar. A camada interna (nervosa) é constituída pela retina.
2 Pressão intraocular: É a medida da pressão dos olhos. É a pressão do líquido dentro do olho.
3 Humor aquoso: Fluido aquosa e claro que preenche as câmaras anterior e posterior do olho. Apresenta um índice de refração menor que o cristalino, o qual está envolvido pelo humor aquoso, e está relacionado com o metabolismo da córnea e do cristalino.
4 Íris: Membrana arredondada, retrátil, diversamente pigmentada, com um orifício central, a pupila, que se situa na parte anterior do olho, por trás da córnea e à frente do cristalino. A íris é a estrutura que dá a cor ao olho. Ela controla a abertura da pupila, regulando a quantidade de luz que entra no olho.
5 Córnea: Membrana fibrosa e transparente presa à esclera, constituindo a parte anterior do olho.
6 Glaucoma: É quando há aumento da pressão intra-ocular e danos ao nervo óptico decorrentes desse aumento de pressão. Esses danos se expressam no exame de fundo de olho e por alterações no campo de visão.
7 Catarata: Opacificação das lentes dos olhos (opacificação do cristalino).
8 Retina: Parte do olho responsável pela formação de imagens. É como uma tela onde se projetam as imagens: retém as imagens e as traduz para o cérebro através de impulsos elétricos enviados pelo nervo óptico. Possui duas partes: a retina periférica e a mácula.
9 Humor vítreo: É uma substância gelatinosa e viscosa, formada por substância amorfa semilíquida, fibras e células. Faz parte do corpo vítreo do olho. Está situado entre o cristalino e a retina.
10 Colírio: Preparação farmacológica líquida na qual se encontram dissolvidas diferentes drogas que atuam na conjuntiva ocular.
11 Infecção: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
12 Úlcera: Ferida superficial em tecido cutâneo ou mucoso que pode ocorrer em diversas partes do organismo. Uma afta é, por exemplo, uma úlcera na boca. A úlcera péptica ocorre no estômago ou no duodeno (mais freqüente). Pessoas que sofrem de estresse são mais susceptíveis a úlcera.
13 Olho: s. m. (fr. oeil; ing. eye). Órgão da visão, constituído pelo globo ocular (V. este termo) e pelos diversos meios que este encerra. Está situado na órbita e ligado ao cérebro pelo nervo óptico. V. ocular, oftalm-. Sinônimos: Olhos
14 Anestesia: Diminuição parcial ou total da sensibilidade dolorosa. Pode ser induzida por diferentes medicamentos ou ser parte de uma doença neurológica.
15 Olhos:
16 Células Nervosas: Unidades celulares básicas do tecido nervoso. Cada neurônio é formado por corpo, axônio e dendritos. Sua função é receber, conduzir e transmitir impulsos no SISTEMA NERVOSO.
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