AbcMed

Sofrimento fetal ou hipóxia neonatal: como é?

Friday, December 20, 2013
Avalie este artigo
Sofrimento fetal ou hipóxia neonatal: como é?

O que é sofrimento fetal?

Sofrimento fetal (ou hipóxia neonatal) é a diminuição ou ausência do oxigênio que deve ser recebido pelo feto através da placenta. Pode ocorrer antes ou durante o parto e indica que o feto não está bem. No primeiro caso é um sofrimento crônico; no segundo, agudo. Quando o sofrimento fetal é logo identificado e solucionado a recuperação do feto costuma ser rápida e não deixar sequelas, mas se é prolongado pode levar a lesões irreversíveis, principalmente no sistema nervoso, como lesões cerebrais de baixa severidade ou lesões encefálicas extensas.

Quais são as causas do sofrimento fetal?

A hipóxia neonatal pode ser aguda ou crônica. Os casos crônicos em geral devem-se a alguma patologia materna que ocasiona redução na concentração do oxigênio que transita entre mãe e feto como, por exemplo, uma anemia significativa, um problema respiratório ou cardíaco, baixa irrigação placentária ou diabetes gestacional. Mesmo que estes problemas não levem a alterações evidentes da oxigenação do feto ao longo da gestação, podem ocasioná-los no momento do parto, quando há uma redução da irrigação placentária provocada pelas contrações uterinas. Podem ocorrer problemas agudos no momento do parto que podem resultar em problemas mais severos na oxigenação do feto, como acontece em casos de placenta prévia e descolamento prematuro da placenta. Outros problemas que causam a diminuição da oxigenação fetal são: mau posicionamento do feto; desproporção entre as dimensões da pelve da mãe e as dimensões do feto; gemiparidade; ruptura uterina; anomalias do cordão umbilical.

Quais são os principais sinais e sintomas do sofrimento fetal?

Um dos sinais de sofrimento fetal é a expulsão intrauterina de mecônio (fezes do feto que normalmente só são evacuadas após o nascimento). Outros sinais são a diminuição de motilidade do bebê, alterações das respostas fetais aos estímulos, alterações no perfil biofísico da circulação do feto, alterações na frequência cardíaca dele.

Como o médico diagnostica o sofrimento fetal?

Alguns sinais e sintomas clínicos como diminuição dos movimentos fetais e alterações na frequência cardíaca fetal fazem levantar uma primeira suspeita. O diagnóstico do sofrimento fetal é feito por meio da monitorização da reserva respiratória fetal. A amnioscopia, um exame que pode evidenciar a expulsão do mecônio pelo feto, auxilia no diagnóstico de sofrimento fetal. O exame do sangue fetal mostrará a redução de oxigênio e a elevação da acidez sanguínea. Um teste da vitalidade fetal, feito antes do nascimento, que associe a análise do ritmo cardíaco do bebê com a atividade uterina da mãe, ajuda a diagnosticar o sofrimento fetal, quando é o caso.

Como o médico trata o sofrimento fetal?

Quando o sofrimento fetal ocorre durante a gestação e o feto já é viável, deve-se apressar o parto, se possível, recorrendo à cesariana, e os tratamentos cabíveis devem ser realizados logo após o nascimento. Numa gravidez ainda longe do termo deve-se realizar procedimentos intrauterinos para tratar o feto em sofrimento.

Como evolui o sofrimento fetal?

Se o sofrimento fetal for constatado, o parto deve ser finalizado o mais prontamente possível para não resultar em lesões irreversíveis no feto.

Quais são as complicações possíveis do sofrimento fetal?

Se o problema for solucionado rapidamente, o feto costuma recuperar sem que se produzam complicações. Do contrário, as complicações mais dramáticas do sofrimento fetal são as lesões cerebrais. Elas podem ser difusas e de pouca severidade e ocasionar problemas de comportamento e atraso no desenvolvimento psicomotor do indivíduo ou serem mais extensas e mais severas e ocasionar paralisia cerebral infantil, epilepsia e retardo mental.

As lesões encefálicas graves podem levar à morte do feto durante o parto ou logo após o nascimento.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Comentários