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Pesadelos - por que eles ocorrem?

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O que são pesadelos?

Pesadelos são sonhos ruins vívidos, apavorantes e/ou angustiantes, que terminam por um despertar sobressaltado ou agitado, geralmente com ansiedade, sensação de opressão torácica e dispneia1. Quase sempre acontecem nas fases finais do sono, próximo ao acordar.

Saiba mais sobre "Ciclos do sono", "Neurose2 de angústia" e "Ansiedade".

Quais são as causas dos pesadelos?

Como acontece com os sonhos, não se consegue determinar as causas de um pesadelo. Contudo, na maior parte das vezes, eles têm uma raiz psicoafetiva.

Por volta do ano 1600, atribuia-se a eles uma razão mística e acreditava-se que eram devidos a um demônio que vinha e sufocava as pessoas enquanto dormiam. Ideia há tempos abandonada.

Dois fatores estão muito ligados tanto à maior frequência, quanto à maior intensidade dos pesadelos. O primeiro é preocupar-se com o futuro ou em cometer algum erro, este tipo de pensamento antes de dormir pode alimentar negativamente o conteúdo dos sonhos e facilitar a ocorrência de pesadelos. O segundo é a prática de dormir mais de nove horas por noite, pois isso aumenta a quantidade de sono REM (inglês: rapid eyes moviments = movimentos rápidos dos olhos3) e os pesadelos costumam acontecer durante esta fase mais profunda do sono. Esse estágio dura cerca de 25 minutos e pode se repetir até seis vezes em cada noite.

Algumas medicações são reconhecidas como capazes de induzirem pesadelos, como antidepressivos e medicamentos para tratar a hipertensão arterial4, a compulsão e a doença de Parkinson5. Já foram associados aos pesadelos os seguintes fatores: estresse, ansiedade, eventos traumáticos, sono irregular, histórias assustadoras, abuso de substâncias e doenças físicas ou mentais.

Leia sobre "Antidepressivos" e "Estresse".

Quais são as principais características clínico-psicológicas dos pesadelos?

Os pesadelos são mais comuns na infância e tendem a se reduzir a partir da puberdade, no entanto, adolescentes e adultos também podem tê-los em ocasiões menos frequentes. Eles são uma perturbação qualitativa do sono, uma espécie de parassonia, portanto.

Quando o indivíduo acorda, experimenta um grande alívio ao perceber que tudo aquilo que até então lhe parecera real, na verdade não passava de um sonho ruim. Algumas sensações vividas durante o pesadelo podem ter sido tão angustiantes e intensas e terem tido uma tal vivacidade que continuam existindo e fazendo efeito por algum tempo depois do indivíduo ter acordado.

Qualquer pessoa pode ter pesadelos esporádicos. Isso é considerado normal. No entanto, eles às vezes são tão frequentes e angustiantes, chegando a ocasionar no indivíduo um medo de dormir, que requer uma abordagem médica ou psicológica. Também uma intervenção profissional deve ser providenciada se os pesadelos impedirem o descanso noturno do indivíduo ou se prejudicarem outras pessoas, acordadas repentinamente com gritos e choros.

Ao contrário dos sonhos, dos quais em geral não nos recordamos com muita precisão (às vezes não nos recordamos nada, apenas sabemos que sonhamos alguma coisa), dos pesadelos guardamos vivas lembranças, as quais continuam nos incomodando ao acordarmos. Alguns temas de pesadelos são comuns a muitas pessoas, como estar caindo, estar perdendo os dentes, estar se afogando, etc. Outros temas são individuais a aleatórios e, por isso, impossíveis de serem catalogados.

Tal como os sonhos, não se consegue saber exatamente o que significam os pesadelos, principalmente os do primeiro grupo, que normalmente não se relacionam a nenhum evento externo. Os do segundo grupo quase sempre guardam relação com algum acontecimento externo. Os significados popularmente atribuídos aos sonhos e pesadelos não têm qualquer base científica e não são verdadeiros.

Veja mais sobre "Como é o sono", "Polissonografia6" e "Melatonina".

Como prevenir os pesadelos?

Se uma pessoa é predisposta a ter pesadelos, algumas providências podem ser adotadas com vista a diminui-los, tais como:

  • Evitar histórias fantásticas ou angustiantes antes de dormir.
  • Evitar assistir filmes ou ler histórias de terror.
  • Evitar fazer ameaças aterrorizantes, principalmente a uma criança, próximo ao horário de sono.
  • Uma crença popular que parece ter algum fundo de veracidade é de que comer exageradamente antes de dormir favorece a ocorrência de pesadelos. Por isso, a última refeição do dia, que precede o adormecer, deve ser uma refeição mais leve.
Veja também sobre "Pavor noturno", "Insônia", "Distúrbios do sono" e "Hipersonia".

 

ABCMED, 2017. Pesadelos - por que eles ocorrem?. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/psicologia-e-psiquiatria/1305878/pesadelos-por-que-eles-ocorrem.htm>. Acesso em: 16 jan. 2019.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Dispnéia: Falta de ar ou dificuldade para respirar caracterizada por respiração rápida e curta, geralmente está associada a alguma doença cardíaca ou pulmonar.
2 Neurose: Doença psiquiátrica na qual existe consciência da doença. Caracteriza-se por ansiedade, angústia e transtornos na relação interpessoal. Apresenta diversas variantes segundo o tipo de neurose. Os tipos mais freqüentes são a neurose obsessiva, depressiva, maníaca, etc., podendo apresentar-se em combinação.
3 Olhos:
4 Hipertensão arterial: Aumento dos valores de pressão arterial acima dos valores considerados normais, que no adulto são de 140 milímetros de mercúrio de pressão sistólica e 85 milímetros de pressão diastólica.
5 Doença de Parkinson: Doença degenerativa que afeta uma região específica do cérebro (gânglios da base), e caracteriza-se por tremores em repouso, rigidez ao realizar movimentos, falta de expressão facial e, em casos avançados, demência. Os sintomas podem ser aliviados por medicamentos adequados, mas ainda não se conhece, até o momento, uma cura definitiva.
6 Polissonografia: Exame utilizado na avaliação de algumas das causas de insônia.
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