Gostou do artigo? Compartilhe!

Dor na canela - será canelite?

A+ A- Alterar tamanho da letra
Avalie este artigo

O que é canelite?

A canelite é o nome popular da síndrome1 de estresse do músculo medial da tíbia2 ou periostite medial de tíbia2, uma inflamação3 que acomete esse osso da perna ou os tendões4 e músculos5 que o cercam. A tíbia2 é o principal osso da perna e a canelite é muito comum, afetando principalmente atletas e dançarinos.

Qual é o mecanismo fisiopatológico da canelite?

A musculatura da tíbia2 trabalha de encontro aos grandes músculos5 da panturrilha6 e é a última musculatura a aquecer e a primeira a esfriar durante atividades físicas. Portanto, ela é a que mais sofre com o aquecimento e desaquecimento. Já que os músculos5 da região da tíbia2 são os últimos a aquecer, vestir meias de cano longo pode ajudar no aquecimento.

Quais são as causas da canelite?

As canelites frequentemente afetam os corredores iniciantes, que se empolgam com os treinos e começam a aumentar rapidamente a intensidade dos mesmos. Elas podem ser causadas simplesmente por músculos5 irritados e inchados, em razão do uso excessivo; por pequeninas rachaduras nos ossos inferiores da perna (fraturas por estresse); por “pés chatos” ou fraqueza nos músculos5 estabilizadores do quadril.

Outras causas, no entanto, podem levar ao desenvolvimento de canelites: inchaço7 ou inflamação3 da camada fina de tecido8 que cobre a tíbia2 e síndrome1 do compartimento anterior, que afeta a parte externa frontal da perna. Alguns fatores que podem contribuir para desencadear a síndrome1 são a pronação dos pés, a prática de esportes em terreno muito rígido, o uso de calçados inadequados e fatores genéticos.

Quais são as principais características clínicas da canelite?

A canelite é um problema bastante comum nas pessoas que praticam exercício físico sem proteger-se corretamente. É caracterizada principalmente pela dor que provoca. Essa dor pode ocorrer após uma corrida diária ou simplesmente após uma corridinha para pegar o ônibus, por exemplo.

canelite

Como o médico diagnostica a canelite?

O diagnóstico9 pode ser feito a partir do histórico clínico do paciente. Muitas vezes, nem envolve um médico, mas se você precisar de um, ele pode pedir radiografia ou cintilografia10 óssea para detectar eventuais fraturas.

Como o médico trata a canelite?

Um primeiro recurso do tratamento é o repouso, pois suas canelas precisam de tempo para cicatrizar as lesões11 existentes. Muitas vezes, as dores nas canelas curam por sua própria conta. A aplicação de gelo, 20 a 30 minutos a cada 3 ou 4 horas, durante 2 a 3 dias (ou até que os sintomas12 cessem), pode aliviar a dor e o inchaço7. Os analgésicos13 e anti-inflamatórios não esteroides também ajudam a aliviar a dor e o inchaço7.

O uso de órteses14 para os pés, feitas sob medida, também pode ajudar a tornar os exercícios ou as caminhadas mais confortáveis. Você deve fazer também os exercícios de alongamento que seu médico recomendar.

Um fisioterapeuta pode ajudar a identificar e tratar problemas que possam estar causando as dores e tratá-las por meio da prescrição correta do uso do calor e do frio e pela aplicação de recursos como o ultrassom terapêutico e o laser, bem como ajudar no seu retorno ao esporte. Raros casos podem precisar de cirurgia.

Saiba mais sobre "Como é a fisioterapia15".

Como evolui a canelite?

Não há como predizer exatamente quanto tempo suas dores vão durar porque isso depende do que as esteja causando. As durações, contudo, costumam ficar entre 3 a 6 meses.

Como prevenir a canelite?

Para prevenir a canelite, use calçados com bom estofamento, aqueça-se antes do treino, procure melhorar a mobilidade em seus tornozelos e quadris, alongue os músculos5 das pernas e pare de se exercitar logo que você sentir dor nas pernas. Se você tem a chance de correr em pisos de terra batida ou grama16, dê preferência a eles. Correr na grama16 ou na terra batida diminui o risco de lesões11.

Leia os artigos com temas relacionados: "Entorses17", "Luxações", "Dor nos pés? Pode ser fasceíte plantar." e "Torção18 no tornozelo".

 

ABCMED, 2016. Dor na canela - será canelite?. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/ortopedia-e-saude/1273103/dor+na+canela+sera+canelite.htm>. Acesso em: 9 dez. 2019.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Síndrome: Conjunto de sinais e sintomas que se encontram associados a uma entidade conhecida ou não.
2 Tíbia: Osso localizado no lado ântero-medial da perna. Ela apresenta duas epífises e uma diáfise e articula-se proximalmente com o fêmur e a fíbula e distalmente com o tálus e a fíbula.
3 Inflamação: Conjunto de processos que se desenvolvem em um tecido em resposta a uma agressão externa. Incluem fenômenos vasculares como vasodilatação, edema, desencadeamento da resposta imunológica, ativação do sistema de coagulação, etc.Quando se produz em um tecido superficial (pele, tecido celular subcutâneo) pode apresentar tumefação, aumento da temperatura local, coloração avermelhada e dor (tétrade de Celso, o cientista que primeiro descreveu as características clínicas da inflamação).
4 Tendões: Tecidos fibrosos pelos quais um músculo se prende a um osso.
5 Músculos: Tecidos contráteis que produzem movimentos nos animais.
6 Panturrilha: 1. Proeminência muscular, situada na face posterossuperior da perna, formada especialmente pelos músculos gastrocnêmio e sóleo; sura, barriga da perna. 2. Por extensão de sentido, enchimento usado por baixo das meias, para melhorar a aparência das pernas.
7 Inchaço: Inchação, edema.
8 Tecido: Conjunto de células de características semelhantes, organizadas em estruturas complexas para cumprir uma determinada função. Exemplo de tecido: o tecido ósseo encontra-se formado por osteócitos dispostos em uma matriz mineral para cumprir funções de sustentação.
9 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
10 Cintilografia: Procedimento que permite assinalar num tecido ou órgão interno a presença de um radiofármaco e acompanhar seu percurso graças à emissão de radiações gama que fazem aparecer na tela uma série de pontos brilhantes (cintilação); também chamada de cintigrafia ou gamagrafia.
11 Lesões: 1. Ato ou efeito de lesar (-se). 2. Em medicina, ferimento ou traumatismo. 3. Em patologia, qualquer alteração patológica ou traumática de um tecido, especialmente quando acarreta perda de função de uma parte do corpo. Ou também, um dos pontos de manifestação de uma doença sistêmica. 4. Em termos jurídicos, prejuízo sofrido por uma das partes contratantes que dá mais do que recebe, em virtude de erros de apreciação ou devido a elementos circunstanciais. Ou também, em direito penal, ofensa, dano à integridade física de alguém.
12 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
13 Analgésicos: Grupo de medicamentos usados para aliviar a dor. As drogas analgésicas incluem os antiinflamatórios não-esteróides (AINE), tais como os salicilatos, drogas narcóticas como a morfina e drogas sintéticas com propriedades narcóticas, como o tramadol.
14 Órteses: Quaisquer aparelhos externos usados para imobilizar ou auxiliar os movimentos dos membros ou da coluna vertebral.
15 Fisioterapia: Especialidade paramédica que emprega agentes físicos (água doce ou salgada, sol, calor, eletricidade, etc.), massagens e exercícios no tratamento de doenças.
16 Grama: 1. Designação comum a diversas ervas da família das gramíneas que formam forrações espontâneas ou que são cultivadas para criar gramados em jardins e parques ou como forrageiras, em pastagens; relva. 2. Unidade de medida de massa no sistema c.g.s., equivalente a 0,001 kg . Símbolo: g.
17 Entorses: É a torção de uma articulação, com lesão dos ligamentos (estrutura que sustenta as articulações).
18 Torção: 1. Ato ou efeito de torcer. 2. Na geometria diferencial, é a medida da derivada do vetor binormal em relação ao comprimento de arco. 3. Em física, é a deformação de um sólido em que os planos vizinhos, transversais a um eixo comum, sofrem, cada um deles, um deslocamento angular relativo aos outros planos. 4. Em medicina, é o mesmo que entorse. 5. Na patologia, é o movimento de rotação de um órgão sobre si mesmo. 6. Em veterinária, é a cólica de alguns animais, especialmente a do cavalo.
Gostou do artigo? Compartilhe!

Tem alguma dúvida sobre Ortopedia e Traumatologia?

Pergunte diretamente a um especialista

Sua pergunta será enviada aos especialistas do CatalogoMed, veja as dúvidas já respondidas.