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Holter: o que é? Como se realiza? Para que serve?

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O que é o Holter1?

O Holter1 é um monitor portátil que registra a atividade elétrica do coração2 e suas variações durante as 24 horas do dia ou mais e pode, assim, detectar alterações que em geral não aparecem num exame de tempo mais limitado, como num eletrocardiograma3 simples, por exemplo. Na verdade, o Holter1 é um eletrocardiograma3 gravado para ser lido posteriormente. O monitor recebeu este nome em homenagem a Norman J. Holter1, que o inventou, em 1949. Desde então, o Holter1 evoluiu muito. O primeiro aparelho pesava quarenta quilos e tinha que ser levado dentro de uma mochila! As viagens interespaciais levaram a NASA a aperfeiçoar os mecanismos de gravação do eletrocardiograma3 para análise posterior. Hoje em dia, o aparelho mais moderno é um minigravador digital do tamanho de um cartão de crédito e da altura de uma caixa de fósforos e pesa apenas noventa gramas, o qual registra os dados em um cartão semelhante ao de uma câmera fotográfica. Os aparelhos mais evoluídos permitem a transmissão dos dados via internet, possibilitando uma avaliação deles à distância e em tempo real.

Como se realiza o Holter1?

A pele4 do corpo deve estar limpa, sem cremes e será livrada de seu engorduramento natural com álcool antes da colocação dos eletrodos. De três a oito eletrodos, conforme o modelo do aparelho, são aderidos ao corpo em posições determinadas pelo médico. O número e a posição deles pode variar de acordo o tipo de aparelho utilizado. Estes eletrodos são conectados por fios a um receptor, preso ao cinto do paciente ou levado no bolso da sua camisa, o qual registra a atividade elétrica cardíaca durante todo o período em que está conectado. A pessoa monitorada deve fazer normalmente todas as suas atividades cotidianas, menos tomar banho. Geralmente os pacientes são solicitados a registrar suas atividades, bem como os horários em que possam ter ocorrido os sintomas5, para que esses eventos sejam cotejados com os dados do Holter1. Normalmente os eletrodos levam de dez a quinze minutos para serem colocados e cinco minutos para serem retirados. Quando o aparelho é retirado, os dados captados por ele são analisados por um computador, indicando os componentes que devem merecer um melhor estudo posterior.

Para que serve o Holter1?

Os registros eletrocardiográficos contínuos fornecidos pelo Holter1 permitem informações sobre ocorrências eventuais e momentâneas do coração2 e são utilizadas pelos médicos e técnicos para selecionar as áreas de interesse para análise do traçado eletrocardiográfico. O Holter1 é muito utilizado para diagnosticar alterações nos batimentos cardíacos, nas síncopes6 ou outras alterações paroxísticas, que muitas vezes não ocorrem durante uma consulta médica. Assim, ele está indicado para pacientes7 com arritmias8 cardíacas, palpitações9 ou perda de consciência. Utiliza-se também o Holter1 para monitorar o coração2 depois de um infarto do miocárdio10 ou de uma cirurgia cardíaca. Os portadores de marca-passo11 e de desfibriladores têm esses aparelhos ajustados e programados a partir de informações do Holter1. O procedimento não comporta riscos e não tem qualquer contraindicação. Alguns pacientes podem ser sensíveis aos adesivos dos eletrodos, mas as reações, nas raras ocasiões em que acontecem, são muito brandas. A pele4 onde estavam colocados os eletrodos não deve ser exposta ao sol durante três a cinco dias. 

ABCMED, 2014. Holter: o que é? Como se realiza? Para que serve?. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/exames-e-procedimentos/543782/holter-o-que-e-como-se-realiza-para-que-serve.htm>. Acesso em: 19 jan. 2019.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Holter: Dispositivo portátil, projetado para registrar de forma contínua, diferentes variáveis fisiológicas ou atividade elétrica durante um período pré-estabelecido de tempo. Os mais utilizados são o Holter eletrocardiográfico e o Holter de pressão.
2 Coração: Órgão muscular, oco, que mantém a circulação sangüínea.
3 Eletrocardiograma: Registro da atividade elétrica produzida pelo coração através da captação e amplificação dos pequenos potenciais gerados por este durante o ciclo cardíaco.
4 Pele: Camada externa do corpo, que o protege do meio ambiente. Composta por DERME e EPIDERME.
5 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
6 Síncopes: Perda breve e repentina da consciência, geralmente com rápida recuperação. Comum em pessoas idosas. Suas causas são múltiplas: doença cerebrovascular, convulsões, arritmias, doença cardíaca, embolia pulmonar, hipertensão pulmonar, hipoglicemia, intoxicações, hipotensão postural, síncope situacional ou vasopressora, infecções, causas psicogênicas e desconhecidas.
7 Para pacientes: Você pode utilizar este texto livremente com seus pacientes, inclusive alterando-o, de acordo com a sua prática e experiência. Conheça todos os materiais Para Pacientes disponíveis para auxiliar, educar e esclarecer seus pacientes, colaborando para a melhoria da relação médico-paciente, reunidos no canal Para Pacientes . As informações contidas neste texto são baseadas em uma compilação feita pela equipe médica da Centralx. Você deve checar e confirmar as informações e divulgá-las para seus pacientes de acordo com seus conhecimentos médicos.
8 Arritmias: Arritmia cardíaca é o nome dado a diversas perturbações que alteram a frequência ou o ritmo dos batimentos cardíacos.
9 Palpitações: Designa a sensação de consciência do batimento do coração, que habitualmente não se sente. As palpitações são detectadas usualmente após um exercício violento, em situações de tensão ou depois de um grande susto, quando o coração bate com mais força e/ou mais rapidez que o normal.
10 Infarto do miocárdio: Interrupção do suprimento sangüíneo para o coração por estreitamento dos vasos ou bloqueio do fluxo. Também conhecido por ataque cardíaco.
11 Marca-passo: Dispositivo implantado no peito ou no abdômen com o por objetivo de regular os batimentos cardíacos.
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