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Homossexualidade: identidade sexual, orientação sexual, tipos de homossexualismo

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A homossexualidade (ou homossexualismo) corresponde a uma das possibilidades de atração sexual. Ela é a atração física, emocional e estética por indivíduos do mesmo sexo. Ela depende, em parte, do que se chama identidade sexual e orientação sexual. Por identidade sexual compreende-se uma sensação interna de ser homem ou mulher, independentemente do sexo anatômico e por orientação sexual o sistema de preferências e desejos sexuais. Embora o sufixo sexualidade ponha ênfase no aspecto sexual, muitos homossexuais se ligam uns a outros por fortes laços emocionais não sexuais. Para algumas parelhas1 do mesmo sexo o aspecto sexual deixa inclusive de ser dominante e, por isso, costuma-se chamá-las preferentemente de homoafetivos. Além disso, a identidade e a orientação sexuais podem ser independentes e até mesmo contraditórias. Considerando-se o gênero dos indivíduos envolvidos, pode-se falar de quatro orientações sexuais:

  1. Assexualidade.
  2. Bissexualidade.
  3. Heterossexualidade.
  4. Homossexualidade (ou homossexualismo).

Dessas, a homossexualidade (ou homossexualismo) é a mais intrigante e a que tem gerado maiores movimentos sociais, contra e a favor. Não se pode dizer que ela seja exatamente uma “opção” porque a ninguém é dado escolher ter desejos heterossexuais, homossexuais ou bissexuais. As pesquisas indicam que esses desejos existem independentemente da vontade e se estabilizam desde muito cedo e tendem a permanecer por toda a vida, promovidos tanto por fatores biológicos quanto psicológicos, sociais e religiosos.

Ao longo do tempo e em diferentes culturas o homossexualismo passou por momentos diversos, indo desde ser um privilégio só concedido à nobreza até a execração pública radical. Mas como em cada época e local o homossexualismo assumiu feições muito particulares torna-se muito difícil fazer um estudo comparativo do fenômeno ao longo do tempo. Dos pontos de vista médico e psicológico as entidades profissionais oficiais do Ocidente têm se manifestado no sentido de que "a homossexualidade não constitui doença, nem distúrbio e nem perversão" (Conselho Federal de Psicologia - Brasil) e desde 1991 a Anistia Internacional passou a considerar a discriminação contra homossexuais uma violação aos direitos humanos. Contudo, em diferentes meios sociais o assunto tem recebido diferentes tratamentos, desde aqueles que tornam legalizadas as uniões entre homossexuais até outros que as proíbem. As religiões de um modo geral não aceitam e até combatem a homossexualidade (ou homossexualismo), considerando-a como pecado, embora nem sempre conseguem evitá-la em suas próprias hostes2. Em países onde não há uma nítida separação entre a religião e o estado laico3 esse comportamento chega mesmo a ser criminalizado, punido às vezes com a pena de morte. Contudo, como a homossexualidade (ou homossexualismo) parece existir latentemente em muitos indivíduos, as proibições ou tolerâncias (ou mesmo incentivos implícitos) sociais determinam em muito os casos de homossexualidade (ou homossexualismo) em cada meio social.

A alegação de que as relações sexuais têm como escopo a procriação e que a homossexualidade (ou homossexualismo) é, pois, antinatural, fica combalida pela observação de que a construção de um mundo humano consiste precisamente em superar, e por vezes transgredir, a natureza. Ademais, a homossexualidade (ou homossexualismo) não é exclusividade da espécie humana, existindo entre muitas outras espécies animais, embora não tenha nelas as características de preferência e exclusividade que podem adquirir entre os homens. Por outro lado, só se conhece entre os animais a homossexualidade (ou homossexualismo) masculina e não a feminina, a não ser que ela seja concebida de forma tão ampla como entre as fêmeas do albatroz de laysan que se unem para criar seus filhotes. Entre animais, homossexualidade (ou homossexualismo) parece mais ser fruto de privação do objeto sexual feminino ou de uma falha no reconhecimento dele que de uma escolha deliberada.

Tipos de homossexualidade (ou homossexualismo)

Quanto ao gênero

Quanto ao gênero, podemos falar de homossexualidade (ou homossexualismo) masculina e feminina, consistindo a primeira em que um homem se sinta atraído por outro homem e a segunda em que uma mulher se sinta atraída por outra mulher. Essa segunda modalidade é comumente chamada lesbianismo, por referência à ilha grega de Lesbos, onde nasceu a poetisa Safo, cuja poesia tinha muitos conteúdos dirigidos a outras mulheres. Num certo número de parelhas1 homossexuais o comportamento sexual cede lugar a uma forte vinculação afetiva como a motivação que as une.

Homossexualidade (ou homossexualismo) masculina

Além do sexo anal, os homens homossexuais geralmente praticam também a felação4 e a masturbação5 recíprocas como formas de prazer. Alguns sexólogos pensam que essas duas últimas formas são usualmente preferidas ao sexo anal. Ainda assim, o sexo anal continua sendo a forma sexual mais praticada pelos homossexuais homens. Ademais, podem praticar também todas as outras estimulações comuns aos heterossexuais (beijos, abraços, carícias, anilíngua6, fantasias sexuais, etc.). É comum usar-se o termo “ativo” para o homem que realiza a penetração e “passivo” para aquele que é penetrado, embora cada um dos dois indivíduos possa exercer alternativamente ambos os papeis. Não há dados que confirmem que os homossexuais obtêm mais prazer sexual anal que os heterossexuais. Muitos homens heterossexuais mantêm a crença errônea de que se suas parceiras sexuais mulheres estimularem seu ânus7 isso lhes conferiria certa "feminilidade" e teria uma conotação homossexual.

Homossexualidade (ou homossexualismo) feminina

Ao longo da história a homossexualidade (ou homossexualismo) feminina tem despertado as mais diferentes e controversas reações individuais e sociais. Ainda hoje, a maioria de homens heterossexuais possui uma espécie de fascínio por ela, enquanto outros se sentem feridos em seu "orgulho masculino" e desprezam as mulheres que dispensam o pênis8 numa relação sexual. Na realidade, muitas mulheres lésbicas valem-se de seus atributos femininos para dar e receber prazer (mãos9, vulva10, clitóris, seios11, lábios, etc.), mas outras procuram imitar ou substituir atributos masculinos (instrumentos que imitam o pênis8, penetrações com os dedos ou as mãos9, etc.). Aqui também se poderia distinguir aquela que exerce uma atividade sexual predominantemente “masculina”, da outra, predominantemente “feminina”, embora geralmente ambas se revezem alternativamente nesses papeis. Uma coisa diferente disso é o fato de uma delas assumir a liderança da dupla em todos os assuntos, coisa que também acontece com as duplas heterossexuais.

Talvez o sexo oral seja a forma sexual preferida pelas parceiras homossexuais, principalmente visando a estimulação do clitóris. Também é muito apreciada por elas a fricção de uma vulva10 contra outra (tribadismo) e a estimulação dos mamilos12. Outras práticas sexuais menos comuns incluem o sexo anal, realizado manualmente ou com apetrechos que imitam o pênis8.

As práticas sadomasoquitas são muito raras entre mulheres homossexuais, assim como entre homossexuais masculinos.

Outros tipos de homossexualismo

Alguns homossexuais adotam uma conduta típica, que logo os evidencia como tais (tom da voz, gesticulações, exacerbações emocionais, etc.) e outros mantêm uma conduta que em nada difere daquela dos heterossexuais. Existem os homossexuais estritos, que só mantêm práticas homossexuais, e outros que mantêm outras práticas sexuais (hetero ou bissexuais etc.). Existe o homossexualismo desde o início da vida sexual, o intermitente13 e aqueles que iniciam a prática a partir de certo momento da vida sexual, até então hetero ou bissexual.

ABCMED, 2013. Homossexualidade: identidade sexual, orientação sexual, tipos de homossexualismo. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/337139/homossexualidade-identidade-sexual-orientacao-sexual-tipos-de-homossexualismo.htm>. Acesso em: 16 jul. 2019.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Parelhas: 1. Indivíduo, animal ou objeto muito semelhante a outro. 2. Pessoa ou coisa que emparelha com outra ou lhe é semelhante. 3. Conjunto de dois animais, especialmente de carga; junta. 4. Na carpintaria, é uma espécie de plaina com um par de ferros para abrir o sulco em que uma tábua vai emparelhar com outra. 5. Número igual de pontos no jogo de dados. 6. Por extensão de sentido, grupo de cavalos na mesma situação. 7. Em versificação, mesmo que dístico.
2 Hostes: 1. Substantivo masculino. Diacronismo: antigo. Inimigo, adversário. 2. Substantivo feminino. Força armada; tropa, exército. 3. Por extensão de sentido, ajuntamento de pessoas; bando, chusma, multidão.
3 Laico: 1. Que ou aquele que não pertence ao clero nem a uma ordem religiosa; leigo. 2. Que ou aquele que é hostil à influência, ao controle da Igreja e do clero sobre a vida intelectual e moral, sobre as instituições e os serviços públicos. 3. Que é independente em face do clero e da Igreja, e, em sentido mais amplo, de toda confissão religiosa. 4. Relativo ao mundo profano ou à vida civil.
4 Felação: Ação de excitar o pênis com a boca.
5 Masturbação: 1. Estimulação manual dos órgãos genitais que geralmente leva ao orgasmo. 2. No sentido figurado, inutilidade de tratar os mesmos temas (considerados infecundos), numa discussão ou pesquisa intelectual ou artística, de modo repetitivo, complacente e inconcludente.
6 Anilíngua: Também denominada anilingus, significa literalmente o intercurso da língua de alguém com o ânus de outra pessoa.
7 Ânus: Segmento terminal do INTESTINO GROSSO, começando na ampola do RETO e terminando no ânus.
8 Pênis: Órgão reprodutor externo masculino. É composto por uma massa de tecido erétil encerrada em três compartimentos cilíndricos fibrosos. Dois destes compartimentos, os corpos cavernosos, ficam lado a lado ao longo da parte superior do órgão. O terceiro compartimento (na parte inferior), o corpo esponjoso, abriga a uretra.
9 Mãos: Articulação entre os ossos do metacarpo e as falanges.
10 Vulva: Genitália externa da mulher, compreendendo o CLITÓRIS, os lábios, o vestíbulo e suas glândulas.
11 Seios: Em humanos, uma das regiões pareadas na porção anterior do TÓRAX. As mamas consistem das GLÂNDULAS MAMÁRIAS, PELE, MÚSCULOS, TECIDO ADIPOSO e os TECIDOS CONJUNTIVOS.
12 Mamilos: Órgãos cônicos os quais usualmente fornecem passagem ao leite proveniente das glândulas mamárias.
13 Intermitente: Nos quais ou em que ocorrem interrupções; que cessa e recomeça por intervalos; intervalado, descontínuo. Em medicina, diz-se de episódios de febre alta que se alternam com intervalos de temperatura normal ou cujas pulsações têm intervalos desiguais entre si.
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