Atalho: 6GHV4ZA
Gostou do artigo? Compartilhe!

O que são glomerulonefrites?

A+ A- Alterar tamanho da letra
Avalie este artigo

O que são glomerulonefrites?

Glomerulonefrites são afecções1 inflamatórias não infecciosas que acometem os glomérulos renais2. Glomérulos3 são emaranhados capilares4 microscópicos5 dos rins6, que filtram o sangue7, retendo substâncias necessárias ao organismo e eliminando outras sob a forma de urina8.

As glomerulonefrites são ditas primárias se aparecem isoladamente e secundárias quando são consequência de doenças sistêmicas, como hipertensão arterial9, lúpus10 ou diabetes11, por exemplo, ou do uso de determinadas medicações. Cada uma delas comporta, ainda, várias formas histológicas12.

Esta patologia13 pode ser aguda ou crônica, afetar somente alguns glomérulos3 ou a totalidade deles e em cada um deles pode haver um comprometimento total ou parcial. Embora possa haver várias formas de glomerulonefrites, todas têm em comum o fato de prejudicarem a filtração da urina8.

Quais são as causas das glomerulonefrites?

As glomerulonefrites são consequência da deposição de substâncias fabricadas como uma resposta anormal do sistema de defesa do organismo nos glomérulos3, alterando a sua morfologia e o seu funcionamento. Essas substâncias se formam em partes distantes do corpo como, por exemplo, um antígeno14 liberado por alguma bactéria15 e são transportadas pela corrente sanguínea até os rins6. Assim, mesmo infecções16 simples, como as de garganta17, podem causar a doença.

As glomerulonefrites também podem ser consequência de outros distúrbios imunológicos, de doenças vasculares18 ou metabólicas ou de algumas condições hereditárias.

Quais são os sinais19 e sintomas20 das glomerulonefrites?

Algumas glomerulonefrites permanecem assintomáticas por algum tempo e quando os sintomas20 aparecem, eles podem variar muito. A agressão glomerular pode levar à perda de proteínas21 (proteinúria22) e sangue7 (hematúria23) pela urina8, queda da filtração glomerular (oligúria24), retenção de sódio e hipertensão arterial9.

Essas condições se combinam de maneira variada dando origem a uma das duas situações:

  • Síndrome nefrítica25: caracterizada pelo aparecimento de edema26, hipertensão arterial9 e hematúria23.
  • Síndrome nefrótica27: caracterizada por proteinúria22, edema26, hipoalbuminemia28 e hipercolesterolemia29.

Nas glomerulonefrites secundárias, em consequência da proteinúria22, a urina8 se torna espumosa.

Como o médico diagnostica as glomerulonefrites?

Uma história clínica bem feita é o primeiro passo na direção de um diagnóstico30 correto. Ela deve ser complementada por exames laboratoriais de urina8 e de sangue7. Exames de imagens, como radiografia, tomografia e ultrassonografia31 podem ser úteis. A certeza diagnóstica só é dada por meio da biópsia32 renal33, a qual deverá ser realizada quando muito necessária. Um nefrologista34 pode avaliar a indicação da biópsia32 e dos demais exames.

Como é o tratamento das glomerulonefrites?

Em alguns casos, o tratamento pode ser feito sem o uso de medicamentos. Em outros, aconselha-se diuréticos35, anti-inflamatórios e imunossupressores inespecíficos. Em ambos os casos, deve-se diminuir a ingestão de proteínas21, de sal e de líquidos e manter a pressão arterial36 sob controle.

Os medicamentos para o tratamento das enfermidades de base devem ser rigorosamente usados.

Como evolui a glomerulonefrite37?

A evolução da doença varia muito, desde a remissão espontânea até uma evolução rápida, agressiva, que acaba por levar à insuficiência renal38 e exigir diálise peritoneal39 ou transplante de rins6.

Vários fatores interferem no prognóstico40. Algumas dessas nefropatias41 são naturalmente mais benignas. A glomerulonefrite37 lúpica e as glomerulonefrites secundárias geralmente evoluem mal, se não tratadas a tempo.

ABCMED, 2012. O que são glomerulonefrites?. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/sinais.-sintomas-e-doencas/299560/o+que+sao+glomerulonefrites.htm>. Acesso em: 16 jun. 2019.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Afecções: Quaisquer alterações patológicas do corpo. Em psicologia, estado de morbidez, de anormalidade psíquica.
2 Glomérulos Renais: Grupo de capilares enovelados (sustentados pelo tecido conjuntivo) que se iniciam em cada túbulo renal. Taxa de Filtração Glomerular; Fluxo Sanguíneo Renal Efetivo; Fluxo Plasmático Renal Efetivo;
3 Glomérulos: 1. Pequeno tufo ou novelo de fibras nervosas ou vasos sanguíneos, especialmente de capilares. 2. Rede de capilares recoberta por células epiteliais nos rins, é o local onde o sangue é filtrado e os produtos de excreção são removidos. 3. Inflorescência cimosa na qual as flores são subsésseis e muito próximas entre si, formando um aglomerado de aspecto globoso.
4 Capilares: Minúsculos vasos que conectam as arteríolas e vênulas.
5 Microscópicos: 1. Relativo à microscopia ou a microscópio. 2. Que se realiza com o auxílio do microscópio. 3. Visível somente por meio do microscópio. 4. Muito pequeno, minúsculo.
6 Rins: Órgãos em forma de feijão que filtram o sangue e formam a urina. Os rins são localizados na região posterior do abdômen, um de cada lado da coluna vertebral.
7 Sangue: O sangue é uma substância líquida que circula pelas artérias e veias do organismo. Em um adulto sadio, cerca de 45% do volume de seu sangue é composto por células (a maioria glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). O sangue é vermelho brilhante, quando oxigenado nos pulmões (nos alvéolos pulmonares). Ele adquire uma tonalidade mais azulada, quando perde seu oxigênio, através das veias e dos pequenos vasos denominados capilares.
8 Urina: Resíduo líquido produzido pela filtração renal no organismo, estocado na bexiga e expelido pelo ato de urinar.
9 Hipertensão arterial: Aumento dos valores de pressão arterial acima dos valores considerados normais, que no adulto são de 140 milímetros de mercúrio de pressão sistólica e 85 milímetros de pressão diastólica.
10 Lúpus: 1. É uma inflamação crônica da pele, caracterizada por ulcerações ou manchas, conforme o tipo específico. 2. Doença autoimune rara, mais frequente nas mulheres, provocada por um desequilíbrio do sistema imunológico. Nesta patologia, a defesa imunológica do indivíduo se vira contra os tecidos do próprio organismo como pele, articulações, fígado, coração, pulmão, rins e cérebro. Essas múltiplas formas de manifestação clínica, às vezes, podem confundir e retardar o diagnóstico. Lúpus exige tratamento cuidadoso por médicos especializados no assunto.
11 Diabetes: Nome que designa um grupo de doenças caracterizadas por diurese excessiva. A mais frequente é o Diabetes mellitus, ainda que existam outras variantes (Diabetes insipidus) de doença nas quais o transtorno primário é a incapacidade dos rins de concentrar a urina.
12 Histológicas: Relativo à histologia, ou seja, relativo à disciplina biomédica que estuda a estrutura microscópica, composição e função dos tecidos vivos.
13 Patologia: 1. Especialidade médica que estuda as doenças e as alterações que estas provocam no organismo. 2. Qualquer desvio anatômico e/ou fisiológico, em relação à normalidade, que constitua uma doença ou caracterize determinada doença. 3. Por extensão de sentido, é o desvio em relação ao que é próprio ou adequado ou em relação ao que é considerado como o estado normal de uma coisa inanimada ou imaterial.
14 Antígeno: 1. Partícula ou molécula capaz de deflagrar a produção de anticorpo específico. 2. Substância que, introduzida no organismo, provoca a formação de anticorpo.
15 Bactéria: Organismo unicelular, capaz de auto-reproduzir-se. Existem diferentes tipos de bactérias, classificadas segundo suas características de crescimento (aeróbicas ou anaeróbicas, etc.), sua capacidade de absorver corantes especiais (Gram positivas, Gram negativas), segundo sua forma (bacilos, cocos, espiroquetas, etc.). Algumas produzem infecções no ser humano, que podem ser bastante graves.
16 Infecções: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
17 Garganta: Tubo fibromuscular em forma de funil, que leva os alimentos ao ESÔFAGO e o ar à LARINGE e PULMÕES. Situa-se posteriormente à CAVIDADE NASAL, à CAVIDADE ORAL e à LARINGE, extendendo-se da BASE DO CRÂNIO à borda inferior da CARTILAGEM CRICÓIDE (anteriormente) e à borda inferior da vértebra C6 (posteriormente). É dividida em NASOFARINGE, OROFARINGE e HIPOFARINGE (laringofaringe).
18 Vasculares: Relativo aos vasos sanguíneos do organismo.
19 Sinais: São alterações percebidas ou medidas por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida.
20 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
21 Proteínas: Um dos três principais nutrientes dos alimentos. Alimentos que fornecem proteína incluem carne vermelha, frango, peixe, queijos, leite, derivados do leite, ovos.
22 Proteinúria: Presença de proteínas na urina, indicando que os rins não estão trabalhando apropriadamente.
23 Hematúria: Eliminação de sangue juntamente com a urina. Sempre é anormal e relaciona-se com infecção do trato urinário, litíase renal, tumores ou doença inflamatória dos rins.
24 Oligúria: Clinicamente, a oligúria é o débito urinário menor de 400 ml/24 horas ou menor de 30 ml/hora.
25 Síndrome nefrítica: É uma afecção renal caracterizada pelo aparecimento de edema, hipertensão arterial e hematúria (geralmente macroscópica). Caracteristicamente a proteinúria é discreta, sendo menor que 3,0 gramas ao dia. Pode ser causada por vários tipos de glomerulonefrites.
26 Edema: 1. Inchaço causado pelo excesso de fluidos no organismo. 2. Acúmulo anormal de líquido nos tecidos do organismo, especialmente no tecido conjuntivo.
27 Síndrome nefrótica: Doença que afeta os rins. Caracteriza-se pela eliminação de proteínas através da urina, com diminuição nos níveis de albumina do plasma. As pessoas com síndrome nefrótica apresentam edema, eliminação de urina espumosa, aumento dos lipídeos do sangue, etc.
28 Hipoalbuminemia: Queda da albumina no sangue.
29 Hipercolesterolemia: Aumento dos níveis de colesterol do sangue. Está associada a uma maior predisposição ao desenvolvimento de aterosclerose.
30 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
31 Ultrassonografia: Ultrassonografia ou ecografia é um exame complementar que usa o eco produzido pelo som para observar em tempo real as reflexões produzidas pelas estruturas internas do organismo (órgãos internos). Os aparelhos de ultrassonografia utilizam uma frequência variada, indo de 2 até 14 MHz, emitindo através de uma fonte de cristal que fica em contato com a pele e recebendo os ecos gerados, os quais são interpretados através de computação gráfica.
32 Biópsia: 1. Retirada de material celular ou de um fragmento de tecido de um ser vivo para determinação de um diagnóstico. 2. Exame histológico e histoquímico. 3. Por metonímia, é o próprio material retirado para exame.
33 Renal: Relacionado aos rins. Uma doença renal é uma doença dos rins. Insuficiência renal significa que os rins pararam de funcionar.
34 Nefrologista: Médico especialista em tratar pessoas com doenças ou problemas renais.
35 Diuréticos: Grupo de fármacos que atuam no rim, aumentando o volume e o grau de diluição da urina. Eles depletam os níveis de água e cloreto de sódio sangüíneos. São usados no tratamento da hipertensão arterial, insuficiência renal, insuficiência cardiaca ou cirrose do fígado. Há dois tipos de diuréticos, os que atuam diretamente nos túbulos renais, modificando a sua atividade secretora e absorvente; e aqueles que modificam o conteúdo do filtrado glomerular, dificultando indiretamente a reabsorção da água e sal.
36 Pressão arterial: A relação que define a pressão arterial é o produto do fluxo sanguíneo pela resistência. Considerando-se a circulação como um todo, o fluxo total é denominado débito cardíaco, enquanto a resistência é denominada de resistência vascular periférica total.
37 Glomerulonefrite: Inflamação do glomérulo renal, produzida por diferentes mecanismos imunológicos. Pode produzir uma lesão irreversível do funcionamento renal, causando insuficiência renal crônica.
38 Insuficiência renal: Condição crônica na qual o corpo retém líquido e excretas pois os rins não são mais capazes de trabalhar apropriadamente. Uma pessoa com insuficiência renal necessita de diálise ou transplante renal.
39 Diálise peritoneal: Ao invés de utilizar um filtro artificial para “limpar“ o sangue, é utilizado o peritônio, que é uma membrana localizada dentro do abdômen e que reveste os órgãos internos. Através da colocação de um catéter flexível no abdômen, é feita a infusão de um líquido semelhante a um soro na cavidade abdominal. Este líquido, que chamamos de banho de diálise, vai entrar em contato com o peritônio, e por ele será feita a retirada das substâncias tóxicas do sangue. Após um período de permanência do banho de diálise na cavidade abdominal, este fica saturado de substâncias tóxicas e é então retirado, sendo feita em seguida a infusão de novo banho de diálise. Esse processo é realizado de uma forma contínua e é conhecido por CAPD, sigla em inglês que significa diálise peritoneal ambulatorial contínua. A diálise peritoneal é uma forma segura de tratamento realizada atualmente por mais de 100.000 pacientes no mundo todo.
40 Prognóstico: 1. Juízo médico, baseado no diagnóstico e nas possibilidades terapêuticas, em relação à duração, à evolução e ao termo de uma doença. Em medicina, predição do curso ou do resultado provável de uma doença; prognose. 2. Predição, presságio, profecia relativos a qualquer assunto. 3. Relativo a prognose. 4. Que traça o provável desenvolvimento futuro ou o resultado de um processo. 5. Que pode indicar acontecimentos futuros (diz-se de sinal, sintoma, indício, etc.). 6. No uso pejorativo, pernóstico, doutoral, professoral; prognóstico.
41 Nefropatias: Lesões ou doenças dos rins.
Gostou do artigo? Compartilhe!

Tem alguma dúvida sobre Clínica Médica?

Pergunte diretamente a um especialista

Sua pergunta será enviada aos especialistas do CatalogoMed, veja as dúvidas já respondidas.