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Dieta de Atkins ou dieta da proteína: o que é? Como funciona? Existem efeitos colaterais ou complicações à saúde?

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O que é a dieta de Atkins?

A dieta de Atkins tem como meta mudar o metabolismo1 do corpo, limitando o consumo de carboidratos e mudando-o da queima de glicose2 para queima de gordura3 como fonte de energia. O cardiologista4 norte-americano, Dr. Robert Atkins, criou essa dieta nos anos 60, a partir da observação dos hábitos alimentares dos esquimós. Eles quase não consomem carboidratos e tem sua alimentação baseada na ingestão de proteína e gordura3 animal e quase não têm doenças coronárias e vasculares5, apresentando alta expectativa de vida6. Ao pesquisar as doenças coronarianas, ele descobriu que o aumento das doenças cardiovasculares7 coincidiu historicamente com a introdução do açúcar8 nas bebidas e com o aumento do seu consumo no século XX. Teve então a ideia de criar uma dieta que consiste basicamente em reduzir a ingestão de carboidratos na alimentação e tirar 98% da ingestão de calorias9 diárias de proteínas10 e gorduras animais. A sua dieta ficou conhecida como a dieta da proteína. Sua principal meta é restringir severamente a ingestão do carboidrato11 em todas as refeições e priorizar o consumo de proteínas10, para que o organismo, sem carboidratos, passe a utilizar as gorduras como fonte de energia.

Como funciona a dieta de Atkins?

A dieta de Atkins compreende quatro fases:

  • Fase de indução: a ingesta de carboidratos é limitada a um mínimo. Esta fase toma no mínimo quinze dias e coloca rapidamente o indivíduo no estado de cetose, devido à metabolização massiva das gorduras, gerando corpos cetônicos. A pessoa deve consumir apenas vinte gramas de carboidratos por dia e ingerir pelo menos oito copos/dia de água.
  • Fase de perda de peso: nesta fase os carboidratos são reintroduzidos aos poucos. A cada semana podendo ser adicionados cinco gramas deles. A meta é que a pessoa continue a perder peso enquanto é encontrado o equilíbrio entre a perda de peso e a ingestão de alimentos.
  • Fase de pré-manutenção: nesta etapa os carboidratos podem ser aumentados em dez gramas a cada semana, até o ponto em que a pessoa para de perder peso, mas também não ganha peso.
  • Fase de manutenção: o objetivo é manter os hábitos aprendidos nas fases anteriores e manter o peso.

Privado de carboidratos, o corpo inicia um processo de modificação do metabolismo1 e começa a usar a gordura3 corporal como energia, poupando um pouco de glicose2 para o cérebro12, que é o seu principal dependente. Nesse processo o indivíduo é induzido a não sentir fome, já que não há limite para o consumo de alimentos. A restrição quantitativa de alimentos ajuda a explicar o alto índice de fracasso de outras dietas, porque elas não conseguem deter a compulsão a se alimentar. As pessoas acabam abandonando-as e engordam ainda mais depois, e têm de voltar às dietas, num verdadeiro “efeito sanfona”.

Entre as pessoas que fazem a dieta de Atkins, mesmo comendo gordura3 animal em alta quantidade, não há registros de aumento de doenças coronarianas entre seus usuários. Como dito, ela gera um estado metabólico conhecido como cetose, um estágio do metabolismo1 em que o fígado13, na falta de carboidratos, converte gorduras em corpos cetônicos, que podem ser usados pelo corpo como fonte de energia. Quando o organismo está em cetose, ele não sente fome e tem tendência a se alimentar menos, o que leva a uma perda de peso mais rápida.

Em que consiste a Dieta de Atkins?

Nos primeiros quinze dias (fase de indução) a alimentação deve ficar restrita a vinte gramas de carboidratos por dia e se compor principalmente de proteínas10 animais (ovos, peixes, frutos do mar, bacons, embutidos, etc.). Se a pessoa optar por vegetais, deve dar preferência ao salsão, pepino, pimentão, cogumelos e alface americana, que contêm menos carboidratos. Esta é a fase mais restritiva da dieta, mas o seu tempo é curto.

Na etapa de perda de peso, Atkins aconselha fazer um perfil lipídico14 para saber como está o colesterol15. Caso haja aumento de colesterol15 total e do LDL16, o autor sugere a substituição de gordura saturada17 por insaturada. Nesta fase, podem ser introduzidos com moderação, queijos amarelos, creme de leite, alguns tipos de nozes, alguma ingestão de sucos de vegetais e legumes, evitar a cafeína e o aspartame18 (café, coca-cola zero, etc.). Sucralose e estévia são os adoçantes permitidos na dieta de Atkins. Quando o peso desejado for atingido, o limite de carboidratos pode subir para 100 gramas e o indivíduo pode comer pequenas doses de pães e leguminosas.

A fase de pré-manutenção é uma etapa de teste da tolerância do seu corpo aos carboidratos. Durante esta fase, você vai descobrir o nível crítico de ingestão de carboidratos para o seu organismo, ou seja, é a hora de encontrar o ponto em que você não ganha e nem perde peso.

No período de manutenção, cada pessoa deve saber o quanto pode ingerir de carboidratos, geralmente um valor que varia entre 200 e 500 gramas. Se o peso se mantém, mais carboidratos poderão ser ingeridos, com a prática de exercícios físicos regulares.

Assim, a pessoa deve retirar das refeições os alimentos ricos em carboidratos. No café da manhã ficam liberados queijos, presuntos e ovos e uma xícara de café com leite ou de chá. No almoço e no jantar podem ser consumidos carnes, ovos, embutidos, bacon, aves, peixe e verduras. A ingestão de multivitamínicos e selênio deve ser sempre observada, de modo a evitar as carências decorrentes da dieta.

De início, a dieta foi duramente criticada pelas instituições médicas e elas chegaram a recomendar que as pessoas não a fizessem, mas um estudo controlado posterior comprovou a sua validade.

Como evolui a dieta de Atkins?

Um dos efeitos colaterais19 mais comuns da dieta de Atkins, nos estágios iniciais, é a fadiga20. Afinal, a mudança do metabolismo1 para utilizar as gorduras como fonte de energia leva certo tempo para se processar. Nesse tempo, o organismo pode ficar desprovido de energias. É importante prestar atenção à quantidade de sal ingerido, pode ser necessário aumentar a ingestão de sal. Outro ponto que deve ser observado é a ingestão de pelo menos oito copos de água ao dia.

As mudanças em seu metabolismo1 podem causar mau hálito e constipação21 intestinal, coisas que podem ser aliviadas com o uso de enxaguatório bucal e laxantes22.

Quais são as possíveis complicações da dieta de Atkins?

Ao longo do tempo a dieta de Atkins pode levar ao aumento do colesterol15 e a tonteiras, sonolências, alterações de humor, tremores e até desmaios.

Como a dieta leva a uma baixa ingestão de fibras, pode ocasionar prisão de ventre e outras doenças intestinais.

A dieta não é indicada para gestantes nem para pessoas com problemas renais, já que a primeira fase dela significa um esforço a mais para os rins23, que eliminam corpos cetônicos pela urina24.

ABCMED, 2014. Dieta de Atkins ou dieta da proteína: o que é? Como funciona? Existem efeitos colaterais ou complicações à saúde?. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/obesidade/540987/dieta-de-atkins-ou-dieta-da-proteina-o-que-e-como-funciona-existem-efeitos-colaterais-ou-complicacoes-a-saude.htm>. Acesso em: 18 ago. 2019.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Metabolismo: É o conjunto de transformações que as substâncias químicas sofrem no interior dos organismos vivos. São essas reações que permitem a uma célula ou um sistema transformar os alimentos em energia, que será ultilizada pelas células para que as mesmas se multipliquem, cresçam e movimentem-se. O metabolismo divide-se em duas etapas: catabolismo e anabolismo.
2 Glicose: Uma das formas mais simples de açúcar.
3 Gordura: Um dos três principais nutrientes dos alimentos. Os alimentos que fornecem gordura são: manteiga, margarina, óleos, nozes, carnes vermelhas, peixes, frango e alguns derivados do leite. O excesso de calorias é estocado no organismo na forma de gordura, fornecendo uma reserva de energia ao organismo.
4 Cardiologista: Médico especializado em tratar pessoas com problemas cardíacos.
5 Vasculares: Relativo aos vasos sanguíneos do organismo.
6 Expectativa de vida: A expectativa de vida ao nascer é o número de anos que se calcula que um recém-nascido pode viver caso as taxas de mortalidade registradas da população residente, no ano de seu nascimento, permaneçam as mesmas ao longo de sua vida.
7 Doenças cardiovasculares: Doença do coração e vasos sangüíneos (artérias, veias e capilares).
8 Açúcar: 1. Classe de carboidratos com sabor adocicado, incluindo glicose, frutose e sacarose. 2. Termo usado para se referir à glicemia sangüínea.
9 Calorias: Dizemos que um alimento tem “x“ calorias, para nos referirmos à quantidade de energia que ele pode fornecer ao organismo, ou seja, à energia que será utilizada para o corpo realizar suas funções de respiração, digestão, prática de atividades físicas, etc.
10 Proteínas: Um dos três principais nutrientes dos alimentos. Alimentos que fornecem proteína incluem carne vermelha, frango, peixe, queijos, leite, derivados do leite, ovos.
11 Carboidrato: Um dos três tipos de nutrientes dos alimentos, é um macronutriente. Os alimentos que possuem carboidratos são: amido, açúcar, frutas, vegetais e derivados do leite.
12 Cérebro: Derivado do TELENCÉFALO, o cérebro é composto dos hemisférios direito e esquerdo. Cada hemisfério contém um córtex cerebral exterior e gânglios basais subcorticais. O cérebro inclui todas as partes dentro do crânio exceto MEDULA OBLONGA, PONTE e CEREBELO. As funções cerebrais incluem as atividades sensório-motora, emocional e intelectual.
13 Fígado: Órgão que transforma alimento em energia, remove álcool e toxinas do sangue e fabrica bile. A bile, produzida pelo fígado, é importante na digestão, especialmente das gorduras. Após secretada pelas células hepáticas ela é recolhida por canalículos progressivamente maiores que a levam para dois canais que se juntam na saída do fígado e a conduzem intermitentemente até o duodeno, que é a primeira porção do intestino delgado. Com esse canal biliar comum, chamado ducto hepático, comunica-se a vesícula biliar através de um canal sinuoso, chamado ducto cístico. Quando recebe esse canal de drenagem da vesícula biliar, o canal hepático comum muda de nome para colédoco. Este, ao entrar na parede do duodeno, tem um músculo circular, designado esfíncter de Oddi, que controla o seu esvaziamento para o intestino.
14 Perfil lipídico: Exame laboratorial que mede colesterol total, triglicérides, HDL. O LDL é calculado por estes resultados. O perfil lipídico é uma das medidas de risco para as doenças cardiovasculares.
15 Colesterol: Tipo de gordura produzida pelo fígado e encontrada no sangue, músculos, fígado e outros tecidos. O colesterol é usado pelo corpo para a produção de hormônios esteróides (testosterona, estrógeno, cortisol e progesterona). O excesso de colesterol pode causar depósito de gordura nos vasos sangüíneos. Seus componentes são: HDL-Colesterol: tem efeito protetor para as artérias, é considerado o bom colesterol. LDL-Colesterol: relacionado às doenças cardiovasculares, é o mau colesterol. VLDL-Colesterol: representa os triglicérides (um quinto destes).
16 LDL: Lipoproteína de baixa densidade, encarregada de transportar colesterol através do sangue. Devido à sua tendência em depositar o colesterol nas paredes arteriais e a produzir aterosclerose, tem sido denominada “mau colesterol“.
17 Gordura saturada: Ela é encontrada principalmente em produtos de origem animal. Em temperatura ambiente, apresenta-se em estado sólido. Está nas carnes vermelhas e brancas (principalmente gordura da carne e pele das aves e peixes), leite e seus derivados integrais (manteiga, creme de leite, iogurte, nata) e azeite de dendê.
18 Aspartame: Adoçante com quase nenhuma caloria e sem valor nutricional.
19 Efeitos colaterais: 1. Ação não esperada de um medicamento. Ou seja, significa a ação sobre alguma parte do organismo diferente daquela que precisa ser tratada pelo medicamento. 2. Possível reação que pode ocorrer durante o uso do medicamento, podendo ser benéfica ou maléfica.
20 Fadiga: 1. Sensação de enfraquecimento resultante de esforço físico. 2. Trabalho cansativo. 3. Redução gradual da resistência de um material ou da sensibilidade de um equipamento devido ao uso continuado.
21 Constipação: Retardo ou dificuldade nas defecações, suficiente para causar desconforto significativo para a pessoa. Pode significar que as fezes são duras, difíceis de serem expelidas ou infreqüentes (evacuações inferiores a três vezes por semana), ou ainda a sensação de esvaziamento retal incompleto, após as defecações.
22 Laxantes: Medicamentos que tratam da constipação intestinal; purgantes, purgativos, solutivos.
23 Rins: Órgãos em forma de feijão que filtram o sangue e formam a urina. Os rins são localizados na região posterior do abdômen, um de cada lado da coluna vertebral.
24 Urina: Resíduo líquido produzido pela filtração renal no organismo, estocado na bexiga e expelido pelo ato de urinar.
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