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Apolipoproteínas: qual papel elas desempenham no metabolismo lipídico e no risco cardiovascular?

Wednesday, February 26, 2025
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Apolipoproteínas: qual papel elas desempenham no metabolismo lipídico e no risco cardiovascular?

O que são apolipoproteínas?

As apolipoproteínas são proteínas que se ligam aos lipídios para formar lipoproteínas, estruturas essenciais para o transporte de gorduras, colesterol e vitaminas lipossolúveis no sangue. Elas desempenham um papel fundamental na estrutura e na regulação do metabolismo lipídico.

Existem dois tipos principais:

  • Apolipoproteína A (ApoA): associada ao HDL ("colesterol bom"), ajuda a remover o colesterol da circulação e levá-lo ao fígado para excreção. Níveis elevados estão ligados a um menor risco cardiovascular.
  • Apolipoproteína B (ApoB): associada ao LDL ("colesterol ruim"), VLDL e quilomícrons, transporta colesterol para os tecidos. Altos níveis são um fator de risco para doenças cardiovasculares.

Outras apolipoproteínas incluem:

  • ApoC: regula o metabolismo dos triglicerídeos.
  • ApoD: atua no transporte de lipídios, proteção neuronal e regulação da inflamação.
  • ApoE: importante no transporte e redistribuição do colesterol, sendo um marcador de risco para doenças cardiovasculares e neurodegenerativas.

Como as apolipoproteínas funcionam?

As apolipoproteínas são produzidas no fígado e no intestino delgado, e sua síntese é influenciada por fatores como dieta, hormônios (insulina, glucagon, hormônios tireoidianos, estrogênios e andrógenos) e alguns medicamentos (estatinas, fibratos, niacina e inibidores da PCSK9).

Suas funções principais incluem:

  • Manutenção da estrutura das lipoproteínas (apolipoproteínas estruturais).
  • Regulação do metabolismo lipídico e interação com enzimas e receptores celulares (apolipoproteínas funcionais).
  • Participação no transporte de lipídios, por meio de três vias:
    • Transporte de lipídios da dieta via quilomícrons.
    • Distribuição de triglicerídeos e colesterol pelo fígado via VLDL.
    • Remoção do colesterol periférico e transporte para o fígado para excreção.

As apolipoproteínas são essenciais para a homeostase cardiovascular e estão envolvidas em doenças como dislipidemias e aterosclerose.

Como medir as apolipoproteínas no sangue?

A dosagem das apolipoproteínas é feita por exames laboratoriais específicos. As principais são:

  • ApoA: indica a capacidade de remoção do colesterol das artérias. Valores baixos são associados a maior risco cardiovascular.
  • ApoB: indica o número total de partículas aterogênicas (LDL e VLDL). Valores elevados aumentam o risco de aterosclerose.
  • Relação ApoB/ApoA: indicador mais sensível de risco cardiovascular do que colesterol total ou LDL isolado. Quanto maior a relação, maior o risco cardiovascular.

O exame é feito por coleta de sangue, podendo exigir jejum de 8 a 12 horas se realizado junto com o perfil lipídico.

Quais são os valores normais das apolipoproteínas?

Os valores podem variar conforme o método laboratorial, mas geralmente são:

  • ApoA:
    • Homens: 120 – 160 mg/dL
    • Mulheres: 140 – 180 mg/dL
  • ApoB:
    • Homens e mulheres: 60 – 140 mg/dL
  • Relação ApoB/ApoA:
    • Baixo risco: < 0,6
    • Alto risco: > 0,9

Qual o valor preditivo das apolipoproteínas?

A dosagem de ApoB e ApoA fornece uma avaliação mais precisa do risco cardiovascular do que as medidas tradicionais de LDL e HDL. Estudos indicam que a relação ApoB/ApoA é um forte preditor de risco cardiovascular.

  • ApoB é um marcador direto do número de partículas aterogênicas, sendo um melhor preditor de risco do que apenas a dosagem de LDL.
  • ApoA está associada à proteção cardiovascular, pois participa do transporte reverso (remoção) do colesterol das artérias.
  • Índice ApoB/ApoA reflete o equilíbrio entre partículas aterogênicas e antiaterogênicas, sendo um dos melhores indicadores de risco cardiovascular, mais sensível do que a simples dosagem de LDL e HDL.

Principalmente em condições como síndrome metabólica, diabetes tipo 2 e resistência à insulina, a ApoB pode ser mais confiável do que o LDL na avaliação do risco cardiovascular.

Saiba mais em "Como posso reduzir meus níveis de LDL colesterol?" e "O que fazer para aumentar os níveis do HDL?"
Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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