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Microcitose

Thursday, August 3, 2017
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Microcitose

O que é microcitose?

A microcitose (do grego: micro = pequeno + kytos = célula + ose = aumento) é uma diminuição do tamanho dos eritrócitos (hemácias ou glóbulos vermelhos do sangue), quase sempre acompanhada por uma redução da hemoglobina que cada hemácia carrega. Essa redução pode ser indicada no hemograma através do chamado volume corpuscular médio - VCM. Neste caso, os eritrócitos são denominados microcíticos.

Juntamente com essa diminuição, há diminuição da hemoglobina corpuscular dos eritrócitos - HCM, tornando o sangue hipocrômico, devido a uma menor concentração da hemoglobina, determinado pelo hematócrito. Comumente, há também alterações morfológicas dos eritrócitos.

Saiba mais sobre "Hemograma", "Anemias", "Ácido fólico" e "Ferritina".

Como o médico diagnostica a microcitose?

A microcitose é reconhecida através da análise do volume corpuscular médio (VCM), que se refere ao tamanho das hemácias e que pode ser identificado no hemograma. Os valores de referência são: normocitose: 81,0 fl (fentilitros); microcitose: menor que 81,0 fl; microcitose discreta: 80 a 80,9 fl e microcitose acentuada: menor que 60 fl.

Quais são as causas da microcitose?

A microcitose frequentemente ocorre nas anemias e nas doenças crônicas. A causa mais comum é a deficiência de ferro, causada pela pouca ingestão deste metal ou porque a pessoa tem parasitas intestinais que lhes suga o sangue. Pode também ser causada por um sangramento gástrico ou por uma colite que sangre continuadamente.

Microcitose

Alem disso, pode ser causada por um defeito hereditário na fabricação de sangue, como nas talassemias e anemias falciformes, por exemplo. Quase toda condição que provoca microcitose pode ocasionar hipocromia (descoloração das hemácias por diminuição da hemoglobina).

O que significa a microcitose?

Uma vez constatada a microcitose por meio do hemograma, impõe-se pesquisar o que ela significa. Quando há carência ou má utilização de ferro no organismo, muitas partes do corpo são afetadas: a hemoglobina diminui e, consequentemente, o transporte de oxigênio, resultando em sintomas como fadiga, tontura, imunidade baixa, irritabilidade, fraqueza e dificuldade para se concentrar, entre outros. Algumas das condições patológicas em que a microcitose ocorre são:

Anemia ferropriva

A anemia ferropriva é o tipo mais comum de anemia, chamada anemia hipocrômica microcítica. Como o nome indica, se deve à carência de ferro. Além das hemácias estarem em quantidade menor que o normal, têm também um tamanho menor e carregam uma quantidade menor de hemoglobina. É a hemoglobina, que é produzida com o auxílio do ferro, que dá ao sangue a cor vermelha e por isso a pele fica rosada. Quando há a deficiência de ferro, os níveis de hemoglobina caem e consequentemente nossa pele fica mais pálida (hipocrômica).

Veja mais "Anemia ferropriva", "Anemia falciforme" e "Talassemia".

Anemias das doenças crônicas

No geral, a anemia da doença crônica é o segundo tipo mais comum de anemia. Ocorre em pacientes com infecções ou inflamações crônicas, diabetes e câncer, entre outras condições crônicas. No começo, os eritrócitos são de tamanho normal e com o tempo se tornam microcíticos.

Talassemias

A talassemia é uma doença hereditária causada por uma mutação dos genes que controlam a síntese da globina, acarretando uma formação anômala e deficiente de hemácias e da hemoglobina dentro delas.

Anemias sideroblásticas

As anemias sideroblásticas são caracterizadas pela utilização inapropriada de ferro, mesmo que o metal esteja em quantidade adequada no organismo. Elas podem ser hereditárias ou adquiridas secundariamente ao uso de medicamentos como o cloranfenicol, a isoniazida, a pirazinamida, por exemplo, ou de toxinas.

A deficiência de piridoxina (vitamina B6) também pode acarretar anemia sideroblástica. Embora sejam produzidos pequenos eritrócitos hipocrômicos, há também eritrócitos grandes, o que pode gerar índices sanguíneos normocrômicos.

Atransferrinemia

A atransferrinemia familiar é um distúrbio metabólico hereditário no qual existe ausência de transferrina, uma proteína plasmática que transporta ferro através do sangue. A atransferrinemia é caracterizada por anemia e hemossiderose no coração e no fígado. A anemia é tipicamente microcítica e hipocrômica, com glóbulos vermelhos anormalmente pequenos e pálidos.

Deficiência de ferroquelatase

A deficiência de ferroquelatase gera uma doença chamada protoporfíria eritropoiética, uma forma relativamente branda de porfiria. É uma desordem metabólica hereditária rara, cujo sintoma principal é a fotossensibilidade (hipersensibilidade da pele à exposição solar e alguns tipos de luz artificial). A protoporfíria eritropoiética é herdada como traço genético autossômico dominante.

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas em parte dos sites do U. S. National Institute of Health, da Johns Hopkins Medicine e do Kaiser Permanente.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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