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Ressaca - tem jeito de evitar?

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O que é ressaca?

Uma ressaca é um conjunto de sinais1 e sintomas2 desagradáveis que normalmente se desenvolvem depois que uma pessoa tenha bebido muito álcool. Ressacas frequentes também estão associadas a um mau desempenho geral e a conflitos no trabalho. Como regra, quanto mais álcool a pessoa beber, mais provável é que tenha uma ressaca no dia seguinte. Essa reação, no entanto, é variável, tanto em função de disposições individuais quanto do tipo de bebida consumida. Não existe uma fórmula mágica para predizer o quanto uma pessoa pode beber e evitar uma ressaca.

Quais são as causas da ressaca?

As ressacas são causadas quando a pessoa ingere uma quantidade excessiva de álcool. As doses da bebida alcoólica necessárias para desencadear uma ressaca são muito variáveis de uma pessoa para outra. Para alguns, pouca bebida já é o bastante para ter uma ressaca, enquanto outras podem beber pesadamente e escapar dela.

Qualquer pessoa pode experimentar uma ressaca, mas alguns fatores podem tornar as pessoas mais susceptíveis a tê-las: (1) variação genética; (2) beber com o estômago3 vazio; (3) associação do álcool com o fumo ou outras drogas; (4) não ter dormido bem; (5) ter história familiar de alcoolismo; (6) ingerir bebidas alcoólicas de cor mais escura.

Saiba mais sobre "Alcoolismo", "Maconha", "Dependência do crack" e "Dependência da cocaína".

Qual é o mecanismo fisiológico4 da ressaca?

Vários fatores podem contribuir para uma ressaca:

  1. O álcool tem um efeito diurético5 (o corpo produz mais urina6 que o normal) e isso leva à desidratação7, muitas vezes indicada pela boca8 seca, sede e tonturas9.
  2. O álcool desencadeia uma resposta inflamatória no sistema imunológico10 e isso pode produzir sintomas2 físicos, como incapacidade de concentração, problemas de memória, diminuição do apetite e perda de interesse nas atividades usuais.
  3. O álcool irrita a mucosa11 do estômago3, aumenta a produção de ácido estomacal e atrasa o esvaziamento do estômago3. Esses fatores podem causar dor abdominal, náuseas12 e vômitos13.
  4. O álcool faz cair o açúcar14 no sangue15 e se ele for muito baixo pode experimentar fadiga16, fraqueza, tremores, distúrbios do humor e convulsões.
  5. O álcool faz com que os vasos sanguíneos17 se expandam, o que pode levar à baixa da pressão arterial18 e a dores de cabeça19.
  6. O álcool pode alterar o sono, evitando os estágios mais profundos do sono e muitas vezes causando o despertar no meio da noite.

Quais são as principais características clínicas da ressaca?

Os sintomas2 da ressaca começam quando o teor de álcool no sangue15 cai significativamente ou fica perto de zero. Geralmente os sintomas2 estão presentes na manhã seguinte a uma noite em que a pessoa tenha bebido muito. Os mais comuns são uma sensação de fadiga16 e fraqueza, sede excessiva, boca8 seca, dores de cabeça19 e musculares, náuseas12 e vômitos13, dores de estômago3, aumento da sensibilidade à luz e ao som, tonturas9, instabilidade no equilíbrio, dificuldades de concentração, distúrbios do humor e aceleração dos batimentos cardíacos.

Leia sobre "Náuseas12 e vômitos13", "Convulsões" e "Tontura20".

Como o médico diagnostica a ressaca?

A ressaca é auto evidente. Ela é reconhecida pelos sintomas2 característicos em seguida à história de ingesta de bebida alcoólica.

Como tratar a ressaca?

Não há tratamento específico para as ressacas. Uma ressaca tem que seguir seu curso e isso pode ser feito melhor com o repouso, maior ingestão de água, alimentar-se bem e talvez com o uso de alguns analgésicos21... e simplesmente esperar passar. Em geral, os sintomas2 desaparecem por conta própria dentro de, no máximo, 24 horas.

As seguintes dicas podem ajudar:

  • Tome água, chás e sucos naturais ao longo de todo o dia.
  • Coma22 alimentos sem gordura23, como bolachas ou pão, que podem aumentar o nível de açúcar14 no sangue15 e são de mais fácil digestão24.
  • Os alimentos contendo frutose25 podem ajudar a metabolizar o álcool mais rapidamente.
  • Algumas pessoas se beneficiam do uso de um analgésico26.
  • O sono pode ajudar a acelerar a recuperação.

Como evitar a ressaca?

Embora haja várias pílulas que prometam que a ressaca não vai acontecer, a única maneira garantida de preveni-la é evitar o álcool. Se a pessoa optar por beber, deve fazer isso com moderação. Quanto menos álcool, menos provável a ressaca.

Alguns fatores ajudam a prevenir a ressaca:

  1. Comer antes e enquanto bebe.
  2. Usar bebidas com menos congêneres (aditivos ao álcool), que são ligeiramente menos propensas a causar ressacas do que as bebidas com mais congêneres.
  3. Tomar água juntamente com a bebida.
  4. Saber reconhecer os seus limites e não se sentir pressionado pelas companhias a ingerir mais álcool do que você tolera.
  5. Evitar usar mais de uma bebida alcoólica por vez.
  6. Parar de beber quando atingir o seu limite.

Quais são as complicações possíveis da ressaca?

A ressaca não apresenta complicações. No entanto, o beber demais é que pode apresentar complicações e sinais1 e sintomas2 de gravidade, como confusão mental, vômitos13 intensos, convulsões, lentificação respiratória e respiração irregular, pele27 pálida ou azulada, hipotermia28 (baixa temperatura corporal) e perda da consciência. Essas reações podem se aprofundar e levar à morte.

Veja também: "Posso beber tomando remédios?", "Limitar o consumo de álcool reduz o risco de câncer29" e "Síndrome30 de abstinência". 

 

ABCMED, 2018. Ressaca - tem jeito de evitar?. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/vida-saudavel/1313078/ressaca+tem+jeito+de+evitar.htm>. Acesso em: 18 ago. 2019.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Sinais: São alterações percebidas ou medidas por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida.
2 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
3 Estômago: Órgão da digestão, localizado no quadrante superior esquerdo do abdome, entre o final do ESÔFAGO e o início do DUODENO.
4 Fisiológico: Relativo à fisiologia. A fisiologia é estudo das funções e do funcionamento normal dos seres vivos, especialmente dos processos físico-químicos que ocorrem nas células, tecidos, órgãos e sistemas dos seres vivos sadios.
5 Diurético: Grupo de fármacos que atuam no rim, aumentando o volume e o grau de diluição da urina. Eles depletam os níveis de água e cloreto de sódio sangüíneos. São usados no tratamento da hipertensão arterial, insuficiência renal, insuficiência cardiaca ou cirrose do fígado. Há dois tipos de diuréticos, os que atuam diretamente nos túbulos renais, modificando a sua atividade secretora e absorvente; e aqueles que modificam o conteúdo do filtrado glomerular, dificultando indiretamente a reabsorção da água e sal.
6 Urina: Resíduo líquido produzido pela filtração renal no organismo, estocado na bexiga e expelido pelo ato de urinar.
7 Desidratação: Perda de líquidos do organismo pelo aumento importante da freqüência urinária, sudorese excessiva, diarréia ou vômito.
8 Boca: Cavidade oral ovalada (localizada no ápice do trato digestivo) composta de duas partes
9 Tonturas: O indivíduo tem a sensação de desequilíbrio, de instabilidade, de pisar no vazio, de que vai cair.
10 Sistema imunológico: Sistema de defesa do organismo contra infecções e outros ataques de micro-organismos que enfraquecem o nosso corpo.
11 Mucosa: Tipo de membrana, umidificada por secreções glandulares, que recobre cavidades orgânicas em contato direto ou indireto com o meio exterior.
12 Náuseas: Vontade de vomitar. Forma parte do mecanismo complexo do vômito e pode ser acompanhada de sudorese, sialorréia (salivação excessiva), vertigem, etc .
13 Vômitos: São a expulsão ativa do conteúdo gástrico pela boca. Podem ser classificados em: alimentar, fecalóide, biliar, em jato, pós-prandial. Sinônimo de êmese. Os medicamentos que agem neste sintoma são chamados de antieméticos.
14 Açúcar: 1. Classe de carboidratos com sabor adocicado, incluindo glicose, frutose e sacarose. 2. Termo usado para se referir à glicemia sangüínea.
15 Sangue: O sangue é uma substância líquida que circula pelas artérias e veias do organismo. Em um adulto sadio, cerca de 45% do volume de seu sangue é composto por células (a maioria glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). O sangue é vermelho brilhante, quando oxigenado nos pulmões (nos alvéolos pulmonares). Ele adquire uma tonalidade mais azulada, quando perde seu oxigênio, através das veias e dos pequenos vasos denominados capilares.
16 Fadiga: 1. Sensação de enfraquecimento resultante de esforço físico. 2. Trabalho cansativo. 3. Redução gradual da resistência de um material ou da sensibilidade de um equipamento devido ao uso continuado.
17 Vasos Sanguíneos: Qualquer vaso tubular que transporta o sangue (artérias, arteríolas, capilares, vênulas e veias).
18 Pressão arterial: A relação que define a pressão arterial é o produto do fluxo sanguíneo pela resistência. Considerando-se a circulação como um todo, o fluxo total é denominado débito cardíaco, enquanto a resistência é denominada de resistência vascular periférica total.
19 Cabeça:
20 Tontura: O indivíduo tem a sensação de desequilíbrio, de instabilidade, de pisar no vazio, de que vai cair.
21 Analgésicos: Grupo de medicamentos usados para aliviar a dor. As drogas analgésicas incluem os antiinflamatórios não-esteróides (AINE), tais como os salicilatos, drogas narcóticas como a morfina e drogas sintéticas com propriedades narcóticas, como o tramadol.
22 Coma: 1. Alteração do estado normal de consciência caracterizado pela falta de abertura ocular e diminuição ou ausência de resposta a estímulos externos. Pode ser reversível ou evoluir para a morte. 2. Presente do subjuntivo ou imperativo do verbo “comer.“
23 Gordura: Um dos três principais nutrientes dos alimentos. Os alimentos que fornecem gordura são: manteiga, margarina, óleos, nozes, carnes vermelhas, peixes, frango e alguns derivados do leite. O excesso de calorias é estocado no organismo na forma de gordura, fornecendo uma reserva de energia ao organismo.
24 Digestão: Dá-se este nome a todo o conjunto de processos enzimáticos, motores e de transporte através dos quais os alimentos são degradados a compostos mais simples para permitir sua melhor absorção.
25 Frutose: Açúcar encontrado naturalmente em frutas e mel. A frutose encontrada em alimentos processados é derivada do milho. Contém quatro calorias por grama.
26 Analgésico: Medicamento usado para aliviar a dor. As drogas analgésicas incluem os antiinflamatórios não-esteróides (AINE), tais como os salicilatos, drogas narcóticas como a morfina e drogas sintéticas com propriedades narcóticas, como o tramadol.
27 Pele: Camada externa do corpo, que o protege do meio ambiente. Composta por DERME e EPIDERME.
28 Hipotermia: Diminuição da temperatura corporal abaixo de 35ºC.Pode ser produzida por choque, infecção grave ou em estados de congelamento.
29 Câncer: Crescimento anormal de um tecido celular capaz de invadir outros órgãos localmente ou à distância (metástases).
30 Síndrome: Conjunto de sinais e sintomas que se encontram associados a uma entidade conhecida ou não.
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