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Nódulos da Tireóide

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Sinônimos:

Caroço no pescoço1, bócio2

 

O que são nódulos da tireóide?

São protuberâncias do tecido3 tireoideano palpáveis ou identificáveis por exames complementares. Constituem a principal manifestação clínica de uma série de doenças da tireóide, com uma prevalência4 de aproximadamente 10% na população adulta.

 

Quais são as causas?

As causas são várias. Os nódulos podem aparecer quando a tireóide não está funcionando bem, tanto por excesso de produção de hormônios (hipertireoidismo5), quanto pela sua diminuição (hipotireoidismo6). Também podem ser tumores benignos ou malignos. Mas, felizmente, nove em cada dez nódulos tireoideanos são benignos.

 

Quem está em risco para desenvolver nódulos tireoideanos?

As mulheres são mais acometidas. Mas, homens portadores de nódulos tireoideanos têm mais chances de apresentarem lesões7 malignas do que as mulheres.

 

Quais os fatores de risco?

Se uma pessoa tem um nódulo8 de tireóide, a probabilidade dele ser um tumor9 maligno é maior em:

  • nódulos que apresentam crescimento rápido
  • nódulos endurecidos e que estão fixos a estruturas subjacentes
  • idosos (idade maior do que 60 anos)
  • pacientes do sexo masculino (17% contra 8% nas mulheres)
  • pacientes que receberam irradiação anterior na região da cabeça10 ou do pescoço1 (acidente de Goiânia ou Radioterapia11 para tratamento de outros tumores)
  • tumores que levam à paralisia12 de corda vocal ipsilateral
  • presença de adenomegalia regional ipsilateral
  • história familiar de câncer13 de tireóide ou Neoplasia14 Endócrina Múltipla

O que sente o portador de um nódulo8 tireoidiano?

A maioria dos nódulos é assintomática. Raramente, alguns pacientes queixam-se de dor de garganta15, no maxilar ou no ouvido. O sinal16 mais comum é de uma elevação nodular no pescoço1 que progressivamente aumenta de tamanho ou é percebida por familiares, amigos ou por um médico, durante consulta para tratamento de outro distúrbio não relacionado com o nódulo8.

 

Como o médico faz o diagnóstico17?

Deve ser feita uma consulta médica com um Endocrinologista18 ou Cirurgião de Cabeça10 e Pescoço1. Ele fará uma anamnese19 e exame físico detalhados, seguidos de exames complementares que forem indicados para cada caso, como dosagem de hormônios tireoideanos, ultrassonografia20 da tireóide,  punção biópsia21 aspirativa com agulha fina (PAAF), mapeamento da tireóide com iodo radiativo, tomografia axial computadorizada e ressonância magnética22 da tireóide, dentre outros.


Quais os tipos de nódulos existentes?

Os nódulos tireoideanos são classificados em benignos e malignos. O melhor exame para verificar se um nódulo8 é benigno ou maligno é a punção biópsia21 aspirativa com agulha fina (PAAF).

O nódulos benignos são os adenomas foliculares, cistos, bócio2 colóide e tireoidites (inflamações23 na tireóide).

Os nódulos malignos são classificados em bem diferenciados (menos agressivos) e pouco diferenciados (com maior agressividade). 

Os carcinomas diferenciados respondem por 90% dos casos de todas as neoplasias24 malignas da tireóide. A maioria dos pacientes com carcinoma25 diferenciado apresenta, geralmente, um bom prognóstico26 quando tratada adequadamente.

 

Qual o tratamento?

Pacientes com nódulos com citologia benigna devem ser acompanhados a intervalos regulares, com exame do nódulo8 a cada seis meses, que podem ser ampliados com o passar o tempo.

Caso a PAAF seja positiva para malignidade, a cirurgia está indicada. O tipo de cirurgia recomendada deve ser criteriosamente avaliada por um médico.


Quando um nódulo8 não é tratado, o que pode acontecer?

Pode haver um crescimento progressivo do nódulo8 com conseqüente compressão das estruturas profundas do pescoço1, levando a sintomas27 de acordo com a estrutura comprimida:

  • Traquéia28:  falta de ar e tosse seca
  • Esôfago29: dificuldade para engolir
  • Nervos laríngeos: rouquidão

Um nódulo8 maligno não tratado pode levar ao aparecimento de metástases30 à distância. Ou seja, disseminação do tumor9 para outros órgãos. Quando existem metástases30, os sítios mais comuns são gânglios linfáticos31 cervicais, mediastino32, pulmões33, fígado34 e ossos.

 

Fontes:

Nódulos de Tireóide e Câncer13 Diferenciado de Tireóide: Consenso Brasileiro
American Thyroid Association
European Thyroid Association

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas em parte dos sites da Mayo Clinic, do National Health Service do Reino Unido e da American Thyroid Association.

ABCMED, 2008. Nódulos da Tireóide. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/tireoide/24885/nodulos+da+tireoide.htm>. Acesso em: 29 set. 2022.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Pescoço:
2 Bócio: Aumento do tamanho da glândula tireóide, que produz um abaulamento na região anterior do pescoço. Em geral está associado ao hipotireoidismo. Quando a causa desta doença é a deficiência de ingestão de iodo, é denominado Bócio Regional Endêmico. Também pode estar associado a outras doenças glandulares como tumores, infecções ou inflamações.
3 Tecido: Conjunto de células de características semelhantes, organizadas em estruturas complexas para cumprir uma determinada função. Exemplo de tecido: o tecido ósseo encontra-se formado por osteócitos dispostos em uma matriz mineral para cumprir funções de sustentação.
4 Prevalência: Número de pessoas em determinado grupo ou população que são portadores de uma doença. Número de casos novos e antigos desta doença.
5 Hipertireoidismo: Doença caracterizada por um aumento anormal da atividade dos hormônios tireoidianos. Pode ser produzido pela administração externa de hormônios tireoidianos (hipertireoidismo iatrogênico) ou pelo aumento de uma produção destes nas glândulas tireóideas. Seus sintomas, entre outros, são taquicardia, tremores finos, perda de peso, hiperatividade, exoftalmia.
6 Hipotireoidismo: Distúrbio caracterizado por uma diminuição da atividade ou concentração dos hormônios tireoidianos. Manifesta-se por engrossamento da voz, aumento de peso, diminuição da atividade, depressão.
7 Lesões: 1. Ato ou efeito de lesar (-se). 2. Em medicina, ferimento ou traumatismo. 3. Em patologia, qualquer alteração patológica ou traumática de um tecido, especialmente quando acarreta perda de função de uma parte do corpo. Ou também, um dos pontos de manifestação de uma doença sistêmica. 4. Em termos jurídicos, prejuízo sofrido por uma das partes contratantes que dá mais do que recebe, em virtude de erros de apreciação ou devido a elementos circunstanciais. Ou também, em direito penal, ofensa, dano à integridade física de alguém.
8 Nódulo: Lesão de consistência sólida, maior do que 0,5cm de diâmetro, saliente na hipoderme. Em geral não produz alteração na epiderme que a recobre.
9 Tumor: Termo que literalmente significa massa ou formação de tecido. É utilizado em geral para referir-se a uma formação neoplásica.
10 Cabeça:
11 Radioterapia: Método que utiliza diversos tipos de radiação ionizante para tratamento de doenças oncológicas.
12 Paralisia: Perda total da força muscular que produz incapacidade para realizar movimentos nos setores afetados. Pode ser produzida por doença neurológica, muscular, tóxica, metabólica ou ser uma combinação das mesmas.
13 Câncer: Crescimento anormal de um tecido celular capaz de invadir outros órgãos localmente ou à distância (metástases).
14 Neoplasia: Termo que denomina um conjunto de doenças caracterizadas pelo crescimento anormal e em certas situações pela invasão de órgãos à distância (metástases). As neoplasias mais frequentes são as de mama, cólon, pele e pulmões.
15 Garganta: Tubo fibromuscular em forma de funil, que leva os alimentos ao ESÔFAGO e o ar à LARINGE e PULMÕES. Situa-se posteriormente à CAVIDADE NASAL, à CAVIDADE ORAL e à LARINGE, extendendo-se da BASE DO CRÂNIO à borda inferior da CARTILAGEM CRICÓIDE (anteriormente) e à borda inferior da vértebra C6 (posteriormente). É dividida em NASOFARINGE, OROFARINGE e HIPOFARINGE (laringofaringe).
16 Sinal: 1. É uma alteração percebida ou medida por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida. 2. Som ou gesto que indica algo, indício. 3. Dinheiro que se dá para garantir um contrato.
17 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
18 Endocrinologista: Médico que trata pessoas que apresentam problemas nas glândulas endócrinas.
19 Anamnese: Lembrança pouco precisa, reminiscência, recordação. Na filosofia platônica, é a rememoração gradativa através da qual o filósofo redescobre dentro de si as verdades essenciais e latentes que remontam a um tempo anterior ao de sua existência empírica. Na medicina, é o histórico de todos os sintomas narrados pelo paciente sobre o seu caso clínico. É uma espécie de “entrevista” feita pelo profissional da saúde, em que o paciente é submetido a perguntas que ajudarão na condução a um diagnóstico mais preciso. Ela precede o exame físico em uma consulta médica.
20 Ultrassonografia: Ultrassonografia ou ecografia é um exame complementar que usa o eco produzido pelo som para observar em tempo real as reflexões produzidas pelas estruturas internas do organismo (órgãos internos). Os aparelhos de ultrassonografia utilizam uma frequência variada, indo de 2 até 14 MHz, emitindo através de uma fonte de cristal que fica em contato com a pele e recebendo os ecos gerados, os quais são interpretados através de computação gráfica.
21 Biópsia: 1. Retirada de material celular ou de um fragmento de tecido de um ser vivo para determinação de um diagnóstico. 2. Exame histológico e histoquímico. 3. Por metonímia, é o próprio material retirado para exame.
22 Ressonância magnética: Exame que fornece imagens em alta definição dos órgãos internos do corpo através da utilização de um campo magnético.
23 Inflamações: Conjunto de processos que se desenvolvem em um tecido em resposta a uma agressão externa. Incluem fenômenos vasculares como vasodilatação, edema, desencadeamento da resposta imunológica, ativação do sistema de coagulação, etc. Quando se produz em um tecido superficial (pele, tecido celular subcutâneo) pode apresentar tumefação, aumento da temperatura local, coloração avermelhada e dor (tétrade de Celso, o cientista que primeiro descreveu as características clínicas da inflamação).
24 Neoplasias: Termo que denomina um conjunto de doenças caracterizadas pelo crescimento anormal e em certas situações pela invasão de órgãos à distância (metástases). As neoplasias mais frequentes são as de mama, cólon, pele e pulmões.
25 Carcinoma: Tumor maligno ou câncer, derivado do tecido epitelial.
26 Prognóstico: 1. Juízo médico, baseado no diagnóstico e nas possibilidades terapêuticas, em relação à duração, à evolução e ao termo de uma doença. Em medicina, predição do curso ou do resultado provável de uma doença; prognose. 2. Predição, presságio, profecia relativos a qualquer assunto. 3. Relativo a prognose. 4. Que traça o provável desenvolvimento futuro ou o resultado de um processo. 5. Que pode indicar acontecimentos futuros (diz-se de sinal, sintoma, indício, etc.). 6. No uso pejorativo, pernóstico, doutoral, professoral; prognóstico.
27 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
28 Traquéia: Tubo cartilaginoso e membranoso que desce a partir da laringe e ramifica-se em brônquios direito e esquerdo.
29 Esôfago: Segmento muscular membranoso (entre a FARINGE e o ESTÔMAGO), no TRATO GASTRINTESTINAL SUPERIOR.
30 Metástases: Formação de tecido tumoral, localizada em um lugar distante do sítio de origem. Por exemplo, pode se formar uma metástase no cérebro originário de um câncer no pulmão. Sua gravidade depende da localização e da resposta ao tratamento instaurado.
31 Gânglios linfáticos: Estrutura pertencente ao sistema linfático, localizada amplamente em diferentes regiões superficiais e profundas do organismo, cuja função consiste na filtração da linfa, maturação e ativação dos linfócitos, que são elementos importantes da defesa imunológica do organismo.
32 Mediastino: Região anatômica do tórax onde se localizam diversas estruturas, dentre elas o coração.
33 Pulmões: Órgãos do sistema respiratório situados na cavidade torácica e responsáveis pelas trocas gasosas entre o ambiente e o sangue. São em número de dois, possuem forma piramidal, têm consistência esponjosa e medem cerca de 25 cm de comprimento. Os pulmões humanos são divididos em segmentos denominados lobos. O pulmão esquerdo possui dois lobos e o direito possui três. Os pulmões são compostos de brônquios que se dividem em bronquíolos e alvéolos pulmonares. Nos alvéolos se dão as trocas gasosas ou hematose pulmonar entre o meio ambiente e o corpo, com a entrada de oxigênio na hemoglobina do sangue (formando a oxiemoglobina) e saída do gás carbônico ou dióxido de carbono (que vem da célula como carboemoglobina) dos capilares para o alvéolo.
34 Fígado: Órgão que transforma alimento em energia, remove álcool e toxinas do sangue e fabrica bile. A bile, produzida pelo fígado, é importante na digestão, especialmente das gorduras. Após secretada pelas células hepáticas ela é recolhida por canalículos progressivamente maiores que a levam para dois canais que se juntam na saída do fígado e a conduzem intermitentemente até o duodeno, que é a primeira porção do intestino delgado. Com esse canal biliar comum, chamado ducto hepático, comunica-se a vesícula biliar através de um canal sinuoso, chamado ducto cístico. Quando recebe esse canal de drenagem da vesícula biliar, o canal hepático comum muda de nome para colédoco. Este, ao entrar na parede do duodeno, tem um músculo circular, designado esfíncter de Oddi, que controla o seu esvaziamento para o intestino.
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Comentários

03/03/2013 - Comentário feito por Aline
Re: Nódulos da Tireóide
Boa tarde,

Tenho 34 anos, e descobri este nódulo esta semana graças a dra. Juçara Cezário gineco, sou secretária dela e ela observou q eu estou c o pescoço enxado, queda de cabelo, fadiga, unhas fracas, aumento de peso e fortes dores de cabeça então me solicitou alguns exames que constataram esta doença, e graças a vcs consegui tirar minhas dúvidas pois minha consulta está marcada p próxima semana c endocrino, isto ocorreu depois da gravidez meu bebê está c 7 meses.

26/07/2012 - Comentário feito por andreia
Re: Nódulos da Tireóide
Bom dia,

Tenho 38 anos,estou com um nodulo na tireóide,meus exames de t4 deram normais,mas o da ferratina deu elevado,vou ter que esperar mais uma semana para pegar os exames todos que fiz,fiu ao especialista por estar sentindo muita dor no pescoço e me afogo com a propria saliva quando durmo,estou cansada e sem animo já faz tempo,meu cabelo cai muito e minha unha está fraca,feia,tenho tido dor ocular e reigidez do pescoço acompanhado de ardencia,me sinto estranha a dois meses e só agora fiu ao médico por falta de tempo,estou com medo.

18/04/2012 - Comentário feito por ROSANGELA
Re: Nódulos da Tireóide
ADOREI OS ESCLARECIMENTOS POIS MINHA MÃE FOI DIAGNOSTICADA COM UM NÓDULO E FOI MUITO ESCLARECEDOR!!!

03/03/2011 - Comentário feito por maria
Re: Nódulos da Tireóide
Sou portadora de hipotireoidismo e faço reposição com levotiroxina e li todos os artigos correspondentes o que foi muito esclarecedor.Infelismente,os médicos nem sempre tem tempo para explicarem e a gente ,como paciente,nem sempre sabe o que e como perguntar.Estes artigos trazem luz e esclarecimento as nossas duvidas.obrigado.

14/01/2010 - Comentário feito por Lucia
Re: Nódulos da Tireóide
fiz uma tereoidectomia parcial esquerda em 1991,na época não sabia direito o que se tratava,mas com o tempo fui buscasndo mais informação sobre meu caso,não reponho hormonios,embora faço exames a cada 6 meses, e graças a Deus não preciso das reposições,ha algum em exames feito apareceu nodulos também na parte direita,faço acompanhamento e esta tudo bem,sobre o artigo que me enviaram esclareceu muito mais algumas duvidas e outras coisas que eu não sabia,certamente conversarei com meu médico,e buscarei mais esclarecimentos,.Prabens pelo estudo,e obrigada.

22/09/2009 - Comentário feito por Regina
Re: Nódulos da Tireóide
Já realizei a cirurgia do nodulo da tireóide há 9 meses,e sempre surge uma duvida,se foi realmente necessário tal realização,já que tinha informação que tal era benigna.Lendo este estudo gostei muito das informações dadas,me acrescentou conhecimento.Obrigada

21/06/2009 - Comentário feito por Leliane
Re: Nódulos da Tireóide
Excelente explicação sobre o que pode acontecer caso não seja tratado e as diferenças de malignidade também. Estou com um nodulo na tireoide de 2cmx1,5cm e estou com muita falta de ar, estava com medo de fazer a punção, mas vejo que é a melhor maneira de começar a tratar o nódulo que mesmo benigno pode trazer complicações se crescer.

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