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Triploidia - o que você precisa saber sobre ela?

Thursday, March 1, 2018
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Triploidia - o que você precisa saber sobre ela?

O que é triploidia?

Os seres humanos apresentam normalmente 22 pares de cromossomos autossômicos e um par de cromossomos sexuais, totalizando 23 pares ou 46 cromossomos no total (23 vindos do pai e 23 vindos da mãe). Erros durante a divisão e multiplicação celulares nos óvulos ou nos espermatozoides ou falhas no mecanismo da concepção podem levar a alterações numéricas dos cromossomos.

A triploidia é uma rara anormalidade em que os fetos nascem com um conjunto extra de cromossomos em suas células, quando o conjunto tem 69 cromossomos (46 cromossomos vindos de um dos pais e 23 vindos do outro).

Quais são as causas da triploidia?

A triploidia pode ocorrer por uma de três possibilidades:

  1. Quando dois espermatozoides fertilizam ao mesmo tempo um óvulo haploide normal (dispermia).
  2. Quando um espermatozoide normal (haploide) fertiliza um óvulo que já possui um conjunto diploide anormal de cromossomos, por um erro na divisão celular materna.
  3. Fertilização de um óvulo normal (haploide) por um espermatozoide diploide (erro na divisão celular paterna).

A maioria dos casos ocorre por dispermia (60 a 70% do total de casos), ou seja, um óvulo normal é fecundado por dois espermatozoides.

Qual é o mecanismo fisiológico da triploidia?

A triploidia resulta de falhas de uma das divisões e da maturação no ovócito ou, geralmente, no espermatozoide, dotando cada um deles, neste caso, de 46 cromossomos. Mais frequentemente, contudo, o problema ocorre no momento da fecundação, em que dois espermatozoides, portando normalmente 23 cromossomos cada um fecundam um mesmo óvulo normal.

Veja mais sobre "Ciclo menstrual", "Ovulação", "Espermograma" e "Fertilização in vitro".

Quais são as principais características clínicas da triploidia?

Na espécie humana, casos de triploidia quase sempre terminam em abortos espontâneos. A triploidia ocorre em aproximadamente 2% das concepções e é uma das principais causas de abortos do primeiro trimestre de gestação. Os raros casos de bebês triploides que chegaram a termo tiveram morte neonatal.

Quando é a mãe quem fornece os cromossomas extras, as gestações costumam terminar quando já estão mais próximas do termo; mas quando é o pai quem fornece os cromossomas extras, as gestações terminam em abortos espontâneos numa fase mais inicial.

As grávidas de fetos triploides podem ter pré-eclâmpsia, com albuminúria, edema e/ou hipertensão. Os sinais e sintomas físicos da triploidia no feto dependem da origem dos cromossomos extras, ou seja, se vieram do pai ou da mãe. Se vêm do pai, podem causar microcefalia (cabeça pequena) e uma placenta aumentada e cheia de cistos; se vêm da mãe, podem causar problemas de crescimento, uma cabeça de tamanho aumentado e uma placenta pequena e sem cistos.

Leia sobre "Aborto", "Diferenças entre pré-eclâmpsia e eclâmpsia", "Edema", "Microcefalia" e "Macrocefalia".

Como tratar a triploidia?

A triploidia não tem cura. As gravidezes que duram até o fim são raras. Se um bebê sobreviver até lá, deve receber cuidados paliativos enquanto viver. Os tratamentos paliativos para o bebê nascido com vida, medicamentosos ou cirúrgicos, muitas vezes deixam de ser utilizados em vista da natureza precocemente letal da condição.

Como evolui em geral a triploidia?

Se a triploidia for descoberta ainda durante a gestação, a mulher fica exposta a três possibilidades: (1) tentar levar a gravidez a termo, (2) provocar um aborto (nos países onde isso é permitido) ou (3) sofrer um aborto espontâneo. Se a opção for levar a gravidez a termo, a mulher deve ser acompanhada de perto pelo médico, em vista das possíveis complicações da triploidia, tais como pré-eclâmpsia e coriocarcinoma.

Veja também sobre "Parto a termo", "Malformações fetais" e "Cariótipo fetal".

 

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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