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Displasia broncopulmonar: conceito, causas, diagnóstico, tratamento e evolução

Monday, August 7, 2017
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Displasia broncopulmonar: conceito, causas, diagnóstico, tratamento e evolução

O que é a displasia broncopulmonar?

Chama-se displasia broncopulmonar ao surgimento de anomalias nos brônquios, bronquíolos e alvéolos pulmonares. Ela deve ser considerada em qualquer neonato que permanece dependente de oxigênio em concentrações acima de 21% por um período maior ou igual a 28 dias e quando houver necessidade de suplementação de oxigênio em prematuros que não apresentem outras condições que necessitem da administração de O2.

Estes recém-nascidos devem ser periodicamente submetidos à reavaliação diagnóstica e à determinação da gravidade da doença.

Quais são as causas da displasia broncopulmonar?

Os bebês recém-nascidos prematuros quase sempre têm que receber oxigênio pressurizado. As máquinas utilizadas para isso quase sempre danificam as ainda frágeis estruturas dos pulmões. A displasia broncopulmonar resulta de agressões pulmonares causadas pelo tratamento de recém-nascidos prematuros (tipicamente por ventilação prolongada) ou são devidas a doenças pulmonares como infecções, acúmulo de líquido nos pulmões, malformações pulmonares, etc.

Saiba mais sobre "Prematuridade e cuidados necessários" e "Ventilação mecânica".

Como acontece a displasia broncopulmonar?

Os pulmões ainda não estão completamente formados no momento do nascimento, de tal modo que o número de alvéolos aumenta muito nos primeiros dois anos de vida. Quando o recém-nascido prematuro precisa de ventilação mecânica para sua sobrevivência, essa resulta numa inflamação pulmonar, que produz cicatrizes nos pulmões e interfere com o desenvolvimento deste órgão, afetando também as trocas de gases nos alvéolos. Disso resultam alterações morfológicas das estruturas pulmonares ainda imaturas.

Quais são as principais características clínicas da displasia broncopulmonar?

As crianças com displasia broncopulmonar têm dificuldade para respirar, respiração acelerada e dependência de oxigênio, além de chiado no peito e tosse. Devido à carência do oxigênio, a pele das extremidades e as mucosas podem assumir uma coloração azulada. Todos estes sintomas tendem a melhorar com o desenvolvimento pulmonar, desde que a criança receba tratamento adequado.

Como o médico diagnostica a displasia broncopulmonar?

Os médicos normalmente diagnosticam a displasia broncopulmonar quando os sintomas da síndrome de desconforto respiratório duram mais tempo que o normal. Costuma ser usada uma idade específica (28 dias de vida) como marcador. Os médicos também podem diagnosticar a displasia broncopulmonar se os problemas respiratórios continuarem após a data em que o bebê prematuro deveria ter nascido.

A radiografia do tórax pode revelar que os pulmões do bebê pareçam esponjosos. Uma amostra de sangue do bebê para exame pode ser usada para a verificação do nível de oxigênio no sangue.

Como o médico trata a displasia broncopulmonar?

O tratamento da displasia pulmonar implica em (1) questões alimentares, (2) uso de oxigênio, (3) medicamentos e (4) prevenção de infecções. O ganho de peso e o crescimento pulmonar são cruciais para a melhora dos sintomas de cansaço e da dependência de oxigênio. Frequentemente é necessário o uso de suplementos nutricionais para aumentar o valor calórico dos alimentos, como fortificantes do leite materno e preparados a base de gorduras, como triglicérides de cadeia média.

O uso de oxigênio representa um dos aspectos mais importantes no tratamento da displasia broncopulmonar. O oxigênio deve ser administrado preferencialmente sob a forma de cânulas nasais, pois desta forma continua sendo oferecido durante os períodos de sono e alimentação.

Quanto aos medicamentos, habitualmente são utilizados diuréticos, que ajudam o organismo a expelir mais água do organismo, broncodilatadores, que ajudam a melhorar a passagem do ar para os pulmões e corticosteroides, que agem para diminuir a inflamação e para tratar a doença do refluxo gastroesofágico, presente em boa parte destas crianças.

Leia sobre "Cianose", "Gasometria arterial", "Oxigenioterapia", "Corticoides" e "Refluxo gastroesofágico".

Como evolui a displasia broncopulmonar?

A melhora dos sintomas da displasia broncopulmonar é lenta, gradual e depende da ausência de infecções respiratórias. A dependência de oxigênio também desaparece lentamente e raramente ultrapassa o primeiro ano de vida. Embora a maioria das crianças supere a displasia broncopulmonar, muitas podem continuar apresentando alguns sintomas ao longo da vida. Em casos raros, a doença pode mesmo ser fatal.

Quais são as complicações possíveis da displasia broncopulmonar?

As complicações mais graves, mais temidas e mais comuns no primeiro ano de vida são as infecções respiratórias.

Veja também sobre "Síndrome da dificuldade respiratória dos recém-nascidos ou Doença da Membrana Hialina", "Bronquiolite em bebês e crianças pequenas", "Teste de Apgar" e "Teste do Pezinho ou Triagem Neonatal".

 

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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