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Meu filho tem dores nas pernas à noite: elas podem ser dor do crescimento?

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O que são dores do crescimento?

Dores do crescimento são dores intermitentes1, de intensidade variável, que acometem crianças em crescimento principalmente pela tarde ou à noite. Elas são dores musculares. Localizam-se principalmente nos músculos2 das pernas (menos comumente nos braços) que nas articulações3, presentes de ambos os lados. Apesar de serem ditas "dores de crescimento" estas dores não se devem ao aumento de volume dos ossos ou músculos2, que ocorre de forma progressiva e muito lenta, mas o uso já consagrou essa denominação de forma imodificável. Não há nenhum substrato patológico para elas e elas geralmente cessam quando o indivíduo sai da infância.

Quais são as causas das dores do crescimento?

As dores do crescimento incidem igualmente em meninos e meninas. Suas causas são desconhecidas, mas costuma-se associá-las a defeitos posturais, distúrbio de perfusão sanguínea, fadiga4 e causas psicológicas. Nesse último sentido costuma-se relacioná-las com fatores emocionais corriqueiros (nascimento de um irmão, ingresso na escola, mãe que começa a trabalhar, etc.) ou traumáticos e falta de suporte emocional da criança. Alguns pais observam que essas dores, em seus filhos, estão relacionadas com exercícios físicos ou mudanças de humor na criança. Elas parecem não guardar relação com surtos de crescimento da criança e serem desencadeadas por eletricidade estática.

Quais são os principais sinais5 e sintomas6 das dores do crescimento?

A queixa principal são dores nas pernas, numa criança inteiramente saudável e ativa. Não há sinais5 de inflamação7 articular, como articulação8 inchada, vermelha e quente. Essas dores geralmente são bilaterais ou se alternam numa e noutra perna, mudam frequentemente de local e acontecem principalmente no final do dia ou à noite, após um dia de grande atividade, acordando a criança já adormecida. São de curta duração, abaixo de vinte minutos. As crises dolorosas podem ser diárias ou acontecerem esporadicamente e às vezes são referidas pelas crianças como muito intensas, podendo estar presentes por longos períodos antes de desaparecerem.

As dores do crescimento podem acontecer em qualquer idade, mas ocorrem principalmente entre os 3 e 5 anos e posteriormente entre os 8 e 12 anos, mas não configuram uma doença. A criança que sofre tais dores é uma criança sadia e deve ser poupada da ideia de doença.

Como o médico diagnostica as dores do crescimento?

As queixas de dores intermitentes1 e inconstantes nas pernas de uma criança, na ausência de qualquer patologia9 que as justifique, são altamente suspeitas. O diagnóstico10 deve ser feito por meio de uma cuidadosa história clínica que afaste todas as patologias possíveis, como doenças reumáticas, hemáticas ou endócrinas.

O médico deve estar atento a algumas características das dores que indicam que NÃO se tratam de dores do crescimento:

  • As dores acontecem em regiões do corpo não habituais para as dores do crescimento: pescoço11, braços, joelhos, dedos ou costas12.
  • As dores ocorrem sempre numa mesma localização da perna.
  • A criança manca ou coxeia.
  • As queixas ocorrem tanto de manhã como de noite ou durante o dia.
  • A dor tem um longo período de duração.
  • A criança tem outros sintomas6 como febre13, mal-estar, falta de apetite e perda de peso.
  • Há alterações locais como inchaço14, vermelhidão e calor.
  • Nenhuma manobra parece aliviar as queixas, como acontece nas dores do crescimento.

Como o médico trata as dores do crescimento?

As dores do crescimento não têm um tratamento específico. No entanto, massagens locais, banhos quentes, aplicação de calor e drogas analgésicas são frequentemente usados. É muito importante excluir outras patologias e tranquilizar os pais quanto ao caráter benigno e autolimitado da situação. A criança não deve ser limitada na alimentação e atividades físicas, que devem, inclusive, ser estimuladas.

Como evoluem as dores do crescimento?

Elas são intermitentes1 e podem passar longos períodos de tempo sem se manifestarem, da mesma forma que podem persistir por uma longa duração.

Com o crescimento da criança, elas tendem a desaparecer.

Como podem ser prevenidas as dores do crescimento?

As dores do crescimento podem ser prevenidas colocando-se uma almofada anti-estática sobre o colchão em que a criança dorme.

ABCMED, 2013. Meu filho tem dores nas pernas à noite: elas podem ser dor do crescimento?. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/saude-da-crianca/379004/meu-filho-tem-dores-nas-pernas-a-noite-elas-podem-ser-dor-do-crescimento.htm>. Acesso em: 31 out. 2020.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Intermitentes: Nos quais ou em que ocorrem interrupções; que cessa e recomeça por intervalos; intervalado, descontínuo. Em medicina, diz-se de episódios de febre alta que se alternam com intervalos de temperatura normal ou cujas pulsações têm intervalos desiguais entre si.
2 Músculos: Tecidos contráteis que produzem movimentos nos animais.
3 Articulações:
4 Fadiga: 1. Sensação de enfraquecimento resultante de esforço físico. 2. Trabalho cansativo. 3. Redução gradual da resistência de um material ou da sensibilidade de um equipamento devido ao uso continuado.
5 Sinais: São alterações percebidas ou medidas por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida.
6 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
7 Inflamação: Conjunto de processos que se desenvolvem em um tecido em resposta a uma agressão externa. Incluem fenômenos vasculares como vasodilatação, edema, desencadeamento da resposta imunológica, ativação do sistema de coagulação, etc.Quando se produz em um tecido superficial (pele, tecido celular subcutâneo) pode apresentar tumefação, aumento da temperatura local, coloração avermelhada e dor (tétrade de Celso, o cientista que primeiro descreveu as características clínicas da inflamação).
8 Articulação: 1. Ponto de contato, de junção de duas partes do corpo ou de dois ou mais ossos. 2. Ponto de conexão entre dois órgãos ou segmentos de um mesmo órgão ou estrutura, que geralmente dá flexibilidade e facilita a separação das partes. 3. Ato ou efeito de articular-se. 4. Conjunto dos movimentos dos órgãos fonadores (articuladores) para a produção dos sons da linguagem.
9 Patologia: 1. Especialidade médica que estuda as doenças e as alterações que estas provocam no organismo. 2. Qualquer desvio anatômico e/ou fisiológico, em relação à normalidade, que constitua uma doença ou caracterize determinada doença. 3. Por extensão de sentido, é o desvio em relação ao que é próprio ou adequado ou em relação ao que é considerado como o estado normal de uma coisa inanimada ou imaterial.
10 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
11 Pescoço:
12 Costas:
13 Febre: É a elevação da temperatura do corpo acima dos valores normais para o indivíduo. São aceitos como valores de referência indicativos de febre: temperatura axilar ou oral acima de 37,5°C e temperatura retal acima de 38°C. A febre é uma reação do corpo contra patógenos.
14 Inchaço: Inchação, edema.
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