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Qual seu tipo psicológico? Você se enquadra em um tipo específico ou numa mistura de alguns deles?

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O que são tipos psicológicos?

Tipos psicológicos são formas individuais mais ou menos permanentes e invariáveis de fazer as coisas. Cada tipo psicológico é devido a uma conjunção de fatores multiformes, inatos (hereditários ou não) e adquiridos. Em contratações de pessoal para a realização de diversos trabalhos, uma classificação em tipos psicológicos permitirá ao selecionador de pessoal escolher as pessoas mais bem adaptadas para cada função e antecipar o que se pode esperar delas. Há inúmeras maneiras de classificar os tipos psicológicos, a que segue é apenas uma dentre elas. Ela é uma descrição teórica que agrupa as pessoas segundo seus modos mais ou menos coesos e homogêneos de sentir, pensar e agir.

Cada um desses tipos psicológicos deve ser reconhecido comportamentalmente, pelo psicólogo, porque não há teste para avaliá-los. Os tipos a seguir representam apenas protótipos ideais e uma pessoa concreta pode apresentar uma mistura deles.

Tipos ansiosos

Os tipos ansiosos são inquietos e não conseguem relaxar ou ficar ociosos. Alguns são adictos ao trabalho, embora se queixem de “esgotamento” e de distúrbios inespecíficos de saúde1, como mal-estar, indisposições, dores de cabeça2, dormências ou fadigas. Estão sempre apressados, como se tivessem algo urgente a fazer, com o que cometem muitos erros e enganos. Muitas vezes desistem de suas empreitadas por achá-las difíceis e por estarem convencidos de que não darão certo. No trabalho, em busca de perfeição, acabam optando pela maneira mais complicada de fazer as coisas, com o que sobrecarregam a si e aos demais, além do necessário. Procuram forçar intimidade com as pessoas mais velhas, ricas ou importantes, em associação com as quais se sentem protegidas e mais seguras, dando origem, por vezes, aos famosos “puxa-sacos”.

Tipos fóbicos

Os tipos fóbicos geralmente são também ansiosos, mas enquanto estes experimentam o medo de uma maneira vaga e indefinida, os fóbicos cristalizam o medo sobre objetos específicos. Os fóbicos preferem as rotinas às novidades e, em geral, têm uma vida comedida, num universo de poucas experiências e amizades. Muitas vezes as evitações feitas pelos tipos fóbicos aparecem como questão de preferência ou gosto: “eu prefiro lugares mais tranquilos”, “eu gosto de dormir de luz acesa”, etc. Estas evitações levam a inibições de comportamentos sociais, sexuais ou laborativos. Os tipos fóbicos muitas vezes requerem a presença de outra pessoa junto a si. Frequentemente eles procuram se mostrar falsamente corajosos. Na escola, são crianças mais retraídas e tímidas. No trabalho, são retraídos e não gostam de estar sob o olhar dos outros, mas costumam ser bastante produtivos.

Tipos histéricos

Esses tipos apresentam uma expressividade emocional exuberante, uma acentuada tendência à dramatização, uma suscetibilidade aumentada à sugestão e uma grande dose de sedução. A tendência à dramatização confere aos histéricos um aspecto teatral ou mesmo espalhafatoso. Em geral, não são muito dedicados aos estudos ou ao trabalho. As tarefas que realizam têm como fundamento mais a necessidade de serem apreciadas do que de serem realmente melhores. No trabalho, dão preferência às profissões que impliquem em exibir seus feitos e por isso têm preferência pelo que seja mais incomum ou mesmo extravagante e adaptam-se melhor a atividades que envolvam contatos passageiros e fulgurantes com várias pessoas. Habitualmente são pouco atentos aos detalhes e importa-lhes mais a aparência geral das coisas que suas minúcias. Expressam-se de maneira ligeira e superficial e são mais impressionistas que analíticos.

Tipos obsessivos

Os tipos obsessivos são racionalistas, pouco sugestionáveis, muito contidos, sem grandes expressividades emocionais. Persistentes e obstinados mesmo no erro, são considerados rígidos e conhecidos como “cabeça-dura”. Neles, o “eu devo” predomina sobre o “eu quero”, mas têm dificuldades de bater o martelo3 sobre qualquer assunto, uma vez que a razão, sem as emoções, pode inclinar o pensamento em diferentes direções. Em aparente contraste com isso, o pensamento deles é dogmático e tendem a não modificar suas pretensas certezas. Na mesma linha de rigores, procuram cumprir estritamente seus compromissos e tendem a ser pontuais em seus horários. Gastam mais tempo e encontram mais satisfação em fazer as coisas que em desfrutar delas. São minuciosos e detalhistas, se isso lhes parece mais de acordo com as regras, por vezes se sobrecarregam além do necessário. No trabalho associam certa dose de agressividade com ajuda aos demais e, em geral, adotam profissões ou atividades que combinam as duas coisas. Tendem a ser fiscalizadores ou disciplinadores rígidos, às vezes considerados autoritários pelas pessoas que devem se submeter a eles. Em geral são rigidamente honestos e corretos em seus atos.

Tipos distímicos

As pessoas distímicas vivem, desde a infância, um baixo astral, um estado de ânimo muito rebaixado e numa baixa autoestima. São socialmente retraídos, desmotivados e irritáveis. Muitas pessoas desse tipo são mal humoradas. Não sentem prazer em se relacionar com as pessoas e reagem a elas de forma irritada, considerando toda solicitação que lhes é feita como uma “amolação”. As pessoas não lhes causam impressões. São inseguros e pouco assertivos e falam das coisas de forma monótona e sem entusiasmo. Sua atenção se fatiga facilmente e falam de seus fracassos e infortúnios como falta de sorte. No trabalho, em geral rendem pouco, mesmo quando sentem estarem se esforçando muito. O fato de trabalhar é para eles mais uma necessidade inevitável que algo que lhes propicie satisfações e orgulho. Preferem tarefas simples que possam ser executadas de forma repetitiva, sem muita inovação. Não são muito indicados para tarefas que peçam um contato simpático4 com o público.

Tipos ciclotímicos

Os tipos ciclotímicos têm um humor instável que oscila entre momentos de tristeza e euforia, de interesse e desinteresse, de otimismo e pessimismo, de ternura e irritação, de confiança e desconfiança. Nas fases de maré baixa os tipos ciclotímicos são tomados pelo pessimismo e nas fases de exaltação são imoderadamente otimistas, têm pouca crítica e tudo lhes parece fácil e bem encaminhado. Nessa fase, procuram estabelecer com as demais pessoas relações que são afetivamente exuberantes, mas pouco consistentes. Geralmente são impulsivos e explosivos em um momento e cheios de culpas e remorsos no momento seguinte. No trabalho ou no estudo tendem a ser inconstantes, alternando períodos de grande produtividade com outros de menor rendimento e variam suas reações às pessoas e às tarefas em conformidade com seu humor oscilante. Por isso, os tipos fortemente ciclotímicos também não são os mais indicados para trabalhos que exijam contato com um grande número de pessoas, como recepcionistas, vendedores, secretárias, etc. Adaptam-se melhor aos ambientes em que as regras sejam mais flexíveis, nos quais possam fazer as coisas a seu modo, exercer alguma criatividade e que comportem flexibilidade de horários. Sentem-se melhor quando lhes cobram tarefas do que quando se exigem deles o cumprimento de jornadas rígidas, porque há momentos em que podem render muito e outros em que produzem pouco. É comum que mudem muito de trabalhos e de cursos, a princípio dedicando-se a cada um com muito afinco, mas enjoando deles com facilidade.

Tipos esquizoides

Esses tipos são ensimesmados, solitários e refratários5 a toda intimidade com as demais pessoas. Ao contrário dos tímidos, eles não sofrem por essas características e as vivem como um modo natural de ser. Em geral, se envolvem com assuntos teóricos exóticos e são pouco atentos às sutilezas da vida social, passando a impressão de viverem no mundo da lua. As demais pessoas os acham insossos e desinteressantes porque eles não se envolvem em atividades que impliquem interações psíquicas ou físicas com outros indivíduos. Preferem as tarefas abstratas às mecânicas e aquelas que possam ser executadas solitariamente às que demandam companhia. No trabalho, saem-se melhor em tarefas intelectuais, nas quais até podem obter alguns êxitos. Como costumam juntar alguns traços obsessivos à sua esquizoidia e têm acentuadas inclinações intelectivas, costumam se sair muito bem nas tarefas de revisão e consultoria, que implicam em manter atenção a minúcias. Eles são tidos como muito inteligentes, porque substituem muito daquilo que nas outras pessoas é vida social ou lúdica por atividades intelectuais.

Tipos paranoides

Quatro traços principais caracterizam os tipos paranoides:

  • Tendência a um ego exageradamente crescido.
  • Reivindicação de estarem sempre com a razão.
  • Atitude de desprezo pelas outras pessoas.
  • Rigidez na maneira de ser e grande intolerância com as demais pessoas, de quem geralmente fazem julgamentos negativos.

Os tipos paranoides são desconfiados e guardam ideias de importância ou grandiosidade, geralmente são distraídos, mas percebem com agudeza os estímulos que supõem desvantajosos para eles. Frequentemente tornam-se adeptos de causas incomuns e criam ou aderem a cultos que atribuem às outras pessoas impulsos e intenções que de fato são seus. No trabalho tendem a estar sempre preocupados com as demais pessoas e leem mensagens indiretas nas atitudes comuns delas. Alguns amargam invejas por aqueles que estejam em postos mais elevados que o seu e buscam mais tomar que conquistar posições. Sentem-se injustiçados de não terem seus méritos reconhecidos e essa é uma pequena distância para que passem a se sentirem perseguidos por colegas ou chefes, frequentemente alegando que eles temem a sua maior competência. Quando esse tipo mantém uma adequada conexão com a realidade, essas características podem tornar-se um poderoso impulsor de crescimento.

ABCMED, 2015. Qual seu tipo psicológico? Você se enquadra em um tipo específico ou numa mistura de alguns deles?. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/psicologia-e-psiquiatria/800059/qual-seu-tipo-psicologico-voce-se-enquadra-em-um-tipo-especifico-ou-numa-mistura-de-alguns-deles.htm>. Acesso em: 28 jan. 2020.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
2 Cabeça:
3 Martelo: O maior dos ossículos da audição, o qual se encontra fixado à membrana do tímpano (MEMBRANA TIMPÂNICA). Sua cabeça, em formato de martelo, articula-se com a BIGORNA.
4 Simpático: 1. Relativo à simpatia. 2. Que agrada aos sentidos; aprazível, atraente. 3. Em fisiologia, diz-se da parte do sistema nervoso vegetativo que põe o corpo em estado de alerta e o prepara para a ação.
5 Refratários: 1. Que resiste à ação física ou química. 2. Que resiste às leis ou a princípios de autoridade. 3. No sentido figurado, que não se ressente de ataques ou ações exteriores; insensível, indiferente, resistente. 4. Imune a certas doenças.
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