Gostou do artigo? Compartilhe!

Anedonia: o que é? Quais as causas? E os sintomas? Como o médico faz o diagnóstico e o tratamento? Como evolui? Existem complicações?

A+ A- Alterar tamanho da letra
Avalie este artigo

O que é anedonia1?

Anedonia1 é a perda da capacidade de sentir qualquer tipo de prazer por todo o tempo.

Quais são as causas da anedonia1?

A anedonia1 é apanágio2 maior das grandes depressões, mas pode acontecer também nos esquizofrênicos, neurastênicos3, nos usuários crônicos de drogas (sobretudo durante as crises de abstinência), em pessoas muito ansiosas e naquelas com transtornos esquizoides de personalidade. Parece haver tipos constitucionais com certos graus de anedonia1. No sentido bioquímico, a anedonia1 está associada a baixos níveis de monoaminas (serotonina, dopamina4, adrenalina5 e noradrenalina6) no sistema nervoso7.

Quais são os principais sinais8 e sintomas9 da anedonia1?

Os pacientes com anedonia1 ficam normalmente numa situação de total indiferença consigo mesmos, não têm apego por nada, nem mesmo pela própria vida e costumam ser resistentes a mudar a sua situação, nada fazendo para isso, mesmo diante da insistência de pessoas próximas. Correlativamente, há uma dificuldade ou incapacidade de experimentar sentimentos negativos. Essas pessoas parecem não responsivas emocionais. Em casos extremos, tanto faz que lhe morra um parente próximo ou que ganhe um grande prêmio numa loteria. Contudo, há uma gradação de intensidade dos casos de anedonia1 que decresce dessas situações extremas até outras, mais leves. Por outro lado, embora as pessoas sejam incapazes de sentir prazer em qualquer circunstância, há casos em que o problema se dá com aspectos específicos da vida, como o apetite, o sexo, as relações sociais, as atividades de lazer, etc. Os pacientes com anedonia1 têm dificuldades em suas relações sociais, tornando-se desinteressantes, afastando de si as demais pessoas e vivendo em isolamento.

Como o médico diagnostica a anedonia1?

O médico diagnosticará a anedonia1 clinicamente a partir do relato das pessoas próximas ao paciente e de suas próprias observações da falta de reações emocionais do paciente. Não há nenhum exame objetivo que seja capaz de diagnosticar a anedonia1.

Como o médico trata a anedonia1?

O tratamento da anedonia1 dependerá do quadro mórbido em que ela esteja inserida. Se ela for, por exemplo, um sintoma10 da depressão, o tratamento farmacológico deve ser feito com antidepressivos inibidores seletivos da recaptação de dopaminas. Se aparecer em outros quadros patológicos deve seguir também o tratamento deles, principalmente com medicações desinibidoras e ativadoras. No sentido psicológico, as terapias cognitivo11-comportamental ou analítico-comportamental podem ser de grande auxílio ao tratamento medicamentoso.

Como evolui a anedonia1?

Um dos problemas do tratamento da anedonia1 é que esses pacientes dificilmente aderem voluntariamente ao processo terapêutico e pelo menos as tentativas iniciais quase sempre partem mais dos familiares que do próprio paciente.

A anedonia1 relacionada a quadros mórbidos bem definidos e curáveis tende a desaparecer na medida em que esses quadros também desaparecem. Aqueles casos constitucionais ou devidos a transtornos de personalidade são de mais difícil solução e até mesmo insolúveis.

Quais são as complicações possíveis da anedonia1?

A pessoa que sofre de anedonia1 parece estar emocionalmente "congelada" e se torna socialmente desagradável, o que acaba prejudicando muito suas relações sociais e levando-a a um quadro de isolamento, do qual, contudo, ela não se ressente.

ABCMED, 2014. Anedonia: o que é? Quais as causas? E os sintomas? Como o médico faz o diagnóstico e o tratamento? Como evolui? Existem complicações?. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/psicologia-e-psiquiatria/537959/anedonia-o-que-e-quais-as-causas-e-os-sintomas-como-o-medico-faz-o-diagnostico-e-o-tratamento-como-evolui-existem-complicacoes.htm>. Acesso em: 6 dez. 2019.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Anedonia: Perda da capacidade de sentir prazer. Perda de prazer nas atividades diárias.
2 Apanágio: 1. Pensão concedida aos filhos e às viúvas de nobres pela família do falecido. 2. Em termo jurídico, pensão alimentícia a que tem direito o cônjuge vivo, sem meios de subsistência, oriunda dos rendimentos dos bens do falecido. 3. Por extensão de sentido, vantagem particular; privilégio, regalia. 4. No sentido figurado, propriedade característica e inerente; atributo.
3 Neurastênicos: 1. Que ou aquele que padece de neurastenia. Em psicopatologia, neurastenia é a perda geral do interesse, estado de inatividade ou fadiga extrema que atinge tanto a área física quanto a intelectual, associado especialmente a quadros hipocondríacos e histéricos. Disposição irritadiça, pessimista; azedume, neura. 2. Por extensão de sentido, que ou aquele que se enraivece com facilidade.
4 Dopamina: É um mediador químico presente nas glândulas suprarrenais, indispensável para a atividade normal do cérebro.
5 Adrenalina: 1. Hormônio secretado pela medula das glândulas suprarrenais. Atua no mecanismo da elevação da pressão sanguínea, é importante na produção de respostas fisiológicas rápidas do organismo aos estímulos externos. Usualmente utilizado como estimulante cardíaco, como vasoconstritor nas hemorragias da pele, para prolongar os efeitos de anestésicos locais e como relaxante muscular na asma brônquica. 2. No sentido informal significa disposição física, emocional e mental na realização de tarefas, projetos, etc. Energia, força, vigor.
6 Noradrenalina: Mediador químico do grupo das catecolaminas, liberado pelas fibras nervosas simpáticas, precursor da adrenalina na parte interna das cápsulas das glândulas suprarrenais.
7 Sistema nervoso: O sistema nervoso é dividido em sistema nervoso central (SNC) e o sistema nervoso periférico (SNP). O SNC é formado pelo encéfalo e pela medula espinhal e a porção periférica está constituída pelos nervos cranianos e espinhais, pelos gânglios e pelas terminações nervosas.
8 Sinais: São alterações percebidas ou medidas por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida.
9 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
10 Sintoma: Qualquer alteração da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. O sintoma é a queixa relatada pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
11 Cognitivo: 1. Relativo ao conhecimento, à cognição. 2. Relativo ao processo mental de percepção, memória, juízo e/ou raciocínio. 3. Diz-se de estados e processos relativos à identificação de um saber dedutível e à resolução de tarefas e problemas determinados. 4. Diz-se dos princípios classificatórios derivados de constatações, percepções e/ou ações que norteiam a passagem das representações simbólicas à experiência, e também da organização hierárquica e da utilização no pensamento e linguagem daqueles mesmos princípios.
Gostou do artigo? Compartilhe!

Tem alguma dúvida sobre Psiquiatria?

Pergunte diretamente a um especialista

Sua pergunta será enviada aos especialistas do CatalogoMed, veja as dúvidas já respondidas.

Comentários

06/11/2015 - Comentário feito por @rafael
Gostei do texto, é bem explicativo e esc...
Gostei do texto, é bem explicativo e esclareceu algumas duvidas que tinha,
essa ação que a doença tem de tirar o prazer pelas coisas da vida , como humor, vida social , tem a ver com o consumo de drogas para a busca da recreação, humor, vontade de viver?

  • Entrar
  • Assinar