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Meu joelho estala - o que pode ser?

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O que é o estalo do joelho?

Tecnicamente falando, o estalido1 no joelho se deve a uma crepitação2 (ruído) provocada pelo atrito da patela3 (antigamente conhecida como rótula4) contra outros ossos da articulação do joelho5. Na observação, o estalo corresponde a um som característico, ouvido pelo próprio paciente e pelas pessoas próximas e sentido como um encaixe de uma engrenagem defeituosa.

Quais são as causas do estalo do joelho?

O estalido1 no joelho pode não ser nada sério, mas também pode denunciar uma situação médica importante. Por isso, é preciso que um médico especialista em ortopedia6 investigue a situação dos ossos, tendões7 e ligamentos8 envolvidos nessa articulação9. O joelho é a articulação9 do corpo que suporta a maior carga, seja pelo peso normal do corpo (imagine se o indivíduo é obeso!), seja quando o indivíduo tem que carregar muito peso.

Por isso, problemas nos joelhos são comuns e só conseguem melhorar se o indivíduo deixar de ser obeso ou parar de carregar peso. Com o passar do tempo, a sobrecarga sofrida agrava a situação da articulação9 e quase certamente surgirão doenças articulares mais graves.

O estalo do joelho pode ter sua causa também em doenças reumáticas e degenerativas10, como a artrose11, ou ser devido a uma pancada forte que cause inflamação12. Além disso, com a idade, a cartilagem13 que se encontra na superfície da articulação9 pode sofrer um processo de desgaste e causar uma doença conhecida como condromalácia patelar. Outras causas podem ser a presença de um pedaço de cartilagem13 solto na articulação9 (geralmente um pedaço do menisco14) e outras alterações na cartilagem13.

Saiba mais sobre a "Artrose11" e a "Condromalácia".

Qual é o mecanismo fisiológico15 do estalo do joelho?

Uma das causas mais comuns dos estalos nos joelhos é a perda da cartilagem13 que envolve a patela3. A função desse revestimento é permitir o deslizamento da patela3 no fêmur16 durante o movimento de flexão e extensão do joelho. Com o aparecimento de lesões17 na cartilagem13, os ossos se atritam uns contra os outros.

A condromalácia patelar atinge em média 15 a 33% da população adulta e 21 a 45% dos adolescentes. No entanto, o tecido18 cartilaginoso é desprovido de terminações nervosas e a dor que acompanha os estalidos no joelho normalmente é causada pela sobrecarga ou lesão19 do osso subcondral20. Isso pode acontecer sempre que os joelhos sejam submetidos a uma carga superior à que deveriam aguentar.

Na artrose11, há um desgaste da articulação9, que pode acontecer devido a uma pancada, traumatismo21 ou idade avançada. Um desalinhamento do corpo, mesmo que microscopicamente, também pode deixar os joelhos estalando, por um mecanismo de compensação.

Quais são as principais características clínicas do joelho que estala?

O estalo no joelho pode ser indicativo de algo simples ou de algo que inspire cuidados. É uma condição comum em atletas, mas também pode surgir nas pessoas em geral. Na maioria das vezes, não é indicativo de problemas graves, mas é necessário observar o surgimento de outros sintomas22 que podem indicar problemas mais sérios.

Na maioria das vezes, os estalos acontecem quando o indivíduo flexiona os joelhos: agacha, sobe escadas, corre ou simplesmente caminha. Se o joelho estala em virtude de uma condição mais grave, o paciente pode sentir dor ao flexionar os joelhos, edema23 leve na região e travamento do movimento.

Alguns sinais24 de gravidade são dor intensa ao apoiar o pé no chão, grande inchaço25, dor intensa ao flexionar ou estender os joelhos, surgimento de deformidades nos membros inferiores, como fraturas, por exemplo, diminuição ou perda de sensibilidade na perna, sinais24 de inflamação12 ou infecção26 (vermelhidão, calor e sensibilidade ao toque).

Como o médico diagnostica a causa dos estalos no joelho?

Para diagnosticar as causas dos estalidos nos joelhos, o médico pode valer-se de manobras semióticas ortopédicas durante o exame físico e de exames de imagens como radiografia, ultrassonografia27, tomografia computadorizada28 e ressonância magnética29 e, eventualmente, artroscopia30. Em casos de infecções31, o exame de sangue32 e a cultura do líquido sinovial33 podem ajudar a determinar o agente patógeno.

Saiba mais sobre os exames: "Radiografia", "Ultrassonografia27", "Tomografia Computadorizada28", "Ressonância Magnética29" e "Artroscopia30".

Como tratar o joelho que estala?

Se você sofreu uma queda, bateu os joelhos, sofreu uma entorse34 ou travou os joelhos, deve mantê-los em repouso, evitando qualquer movimento que cause dor. É importante que você deixe de pegar peso e aplique gelo para controlar o inchaço25. Além disso, o gelo funciona como anti-inflamatório e é um analgésico35 natural. Após a aplicação do gelo, use uma joelheira ou uma faixa de compressão e mantenha os joelhos elevados para reduzir o inchaço25. Caso os sintomas22 não melhorem, procure um médico que provavelmente vai receitar-lhe analgésicos36 e anti-inflamatórios orais.

Quais são as complicações possíveis do joelho que estala?

Embora seja aparentemente comum, o estalar dos joelhos pode ser indicativo de complicações na área dessa articulação9. Por isso, o médico deve sempre ser consultado.

Conheça outras condições que podem acometer os joelhos: "Água no joelho", "Dor no joelho: tendinite37 ou rotura do tendão patelar38?", "Luxação39 da patela3", "Joelhos tortos em “X” ou como pernas de “cowboy”? Pode ser geno valgo40 ou geno varo41" e "Dor nos joelhos: você tem? O que deve ser feito?".

 

ABCMED, 2016. Meu joelho estala - o que pode ser?. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/ortopedia-e-saude/1272418/meu+joelho+estala+o+que+pode+ser.htm>. Acesso em: 27 mai. 2019.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Estalido: Som breve, seco, de menos intensidade do que um estalo.
2 Crepitação: 1. Ato ou efeito de crepitar 2. Estalo ou estalido provocado pelas fagulhas provenientes do fogo ou da brasa que chamusca ou queima alguma coisa. 3. Qualquer ruído semelhante ao estalo seco e rápido provocado pelo fogo. 4. Em medicina, é a sensação tátil semelhante a um estalido que se tem à palpação da pele, quando ocorre infiltração gasosa devida a enfisema subcutâneo ou a gangrena gasosa. 5. Em ortopedia, é o estalido que fazem as partes de um osso fraturado sob estímulo de certos movimentos. 6. Em pneumologia, é o ruído semelhante a pequenos estalidos que se percebe na ausculta pulmonar em casos de pneumonia ou edema, provocado pela fricção dos alvéolos pulmonares uns contra os outros.
3 Patela: 1. Osso sesamoide situado na parte anterior do joelho, ela era anteriormente denominada rótula. 2. Na anatomia zoológica, nos arácnidos, é o segmento entre a tíbia e o fêmur.
4 Rótula: 1. Em ortopedia, é o osso sesamoide situado na parte anterior do joelho; atualmente recebeu a nova denominação de patela. 2. Na anatomia zoológica, nos arácnidos, é o segmento entre a tíbia e o fêmur.
5 Articulação do joelho:
6 Ortopedia: Especialidade médica que se dedica ao estudo e tratamento do sistema locomotor e da coluna vertebral (ossos, articulações, ligamentos, tendões e músculos).
7 Tendões: Tecidos fibrosos pelos quais um músculo se prende a um osso.
8 Ligamentos: 1. Ato ou efeito de ligar(-se). Tudo o que serve para ligar ou unir. 2. Junção ou relação entre coisas ou pessoas; ligação, conexão, união, vínculo. 3. Na anatomia geral, é um feixe fibroso que liga entre si os ossos articulados ou mantém os órgãos nas respectivas posições. É uma expansão fibrosa ou aponeurótica de aparência ligamentosa. Ou também uma prega de peritônio que serve de apoio a qualquer das vísceras abdominais. 4. Vestígio de artéria fetal ou outra estrutura que perdeu sua luz original.
9 Articulação: 1. Ponto de contato, de junção de duas partes do corpo ou de dois ou mais ossos. 2. Ponto de conexão entre dois órgãos ou segmentos de um mesmo órgão ou estrutura, que geralmente dá flexibilidade e facilita a separação das partes. 3. Ato ou efeito de articular-se. 4. Conjunto dos movimentos dos órgãos fonadores (articuladores) para a produção dos sons da linguagem.
10 Degenerativas: Relativas a ou que provocam degeneração.
11 Artrose: Também chamada de osteoartrose ou processo degenerativo articular, resulta de um processo anormal entre a destruição cartilaginosa e a reparação da mesma. Entende-se por cartilagem articular, um tipo especial de tecido que reveste a extremidade de dois ossos justapostos que possuem algum grau de movimentação entre eles, sua função básica é a de diminuir o atrito entre duas superfícies ósseas quando estas executam qualquer tipo de movimento, funcionando como mecanismo de absorção de choque. O estado de hidratação da cartilagem e a integridade da mesma, é fator preponderante para o não desenvolvimento da artrose.
12 Inflamação: Conjunto de processos que se desenvolvem em um tecido em resposta a uma agressão externa. Incluem fenômenos vasculares como vasodilatação, edema, desencadeamento da resposta imunológica, ativação do sistema de coagulação, etc.Quando se produz em um tecido superficial (pele, tecido celular subcutâneo) pode apresentar tumefação, aumento da temperatura local, coloração avermelhada e dor (tétrade de Celso, o cientista que primeiro descreveu as características clínicas da inflamação).
13 Cartilagem: Tecido resistente e flexível, de cor branca ou cinzenta, formado de grandes células inclusas em substância que apresenta tendência à calcificação e à ossificação.
14 Menisco: 1. Figura composta por uma parte côncava e outra convexa; objeto em forma de crescente, de meia-lua. 2. Na anatomia geral, é uma lâmina fibrocartilaginosa, em forma de crescente, interposta entre duas superfícies articulares (como o joelho) para facilitar seu deslizamento. 3. Na física dos fluidos, é a superfície de um líquido contido em um tubo capilar, côncava ou convexa segundo a tensão superficial. 4. Em óptica, é uma lente de forma convexo-côncava ou côncavo-convexa, cujas bordas têm espessura menor que a parte central.
15 Fisiológico: Relativo à fisiologia. A fisiologia é estudo das funções e do funcionamento normal dos seres vivos, especialmente dos processos físico-químicos que ocorrem nas células, tecidos, órgãos e sistemas dos seres vivos sadios.
16 Fêmur: O mais longo e o maior osso do esqueleto; está situado entre o quadril e o joelho. Sinônimos: Trocanter
17 Lesões: 1. Ato ou efeito de lesar (-se). 2. Em medicina, ferimento ou traumatismo. 3. Em patologia, qualquer alteração patológica ou traumática de um tecido, especialmente quando acarreta perda de função de uma parte do corpo. Ou também, um dos pontos de manifestação de uma doença sistêmica. 4. Em termos jurídicos, prejuízo sofrido por uma das partes contratantes que dá mais do que recebe, em virtude de erros de apreciação ou devido a elementos circunstanciais. Ou também, em direito penal, ofensa, dano à integridade física de alguém.
18 Tecido: Conjunto de células de características semelhantes, organizadas em estruturas complexas para cumprir uma determinada função. Exemplo de tecido: o tecido ósseo encontra-se formado por osteócitos dispostos em uma matriz mineral para cumprir funções de sustentação.
19 Lesão: 1. Ato ou efeito de lesar (-se). 2. Em medicina, ferimento ou traumatismo. 3. Em patologia, qualquer alteração patológica ou traumática de um tecido, especialmente quando acarreta perda de função de uma parte do corpo. Ou também, um dos pontos de manifestação de uma doença sistêmica. 4. Em termos jurídicos, prejuízo sofrido por uma das partes contratantes que dá mais do que recebe, em virtude de erros de apreciação ou devido a elementos circunstanciais. Ou também, em direito penal, ofensa, dano à integridade física de alguém.
20 Subcondral: Que está situado por baixo de uma cartilagem, sinônimo de subcartilagíneo.
21 Traumatismo: Lesão produzida pela ação de um agente vulnerante físico, químico ou biológico e etc. sobre uma ou várias partes do organismo.
22 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
23 Edema: 1. Inchaço causado pelo excesso de fluidos no organismo. 2. Acúmulo anormal de líquido nos tecidos do organismo, especialmente no tecido conjuntivo.
24 Sinais: São alterações percebidas ou medidas por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida.
25 Inchaço: Inchação, edema.
26 Infecção: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
27 Ultrassonografia: Ultrassonografia ou ecografia é um exame complementar que usa o eco produzido pelo som para observar em tempo real as reflexões produzidas pelas estruturas internas do organismo (órgãos internos). Os aparelhos de ultrassonografia utilizam uma frequência variada, indo de 2 até 14 MHz, emitindo através de uma fonte de cristal que fica em contato com a pele e recebendo os ecos gerados, os quais são interpretados através de computação gráfica.
28 Tomografia computadorizada: Exame capaz de obter imagens em tons de cinza de “fatias” de partes do corpo ou de órgãos selecionados, as quais são geradas pelo processamento por um computador de uma sucessão de imagens de raios X de alta resolução em diversos segmentos sucessivos de partes do corpo ou de órgãos.
29 Ressonância magnética: Exame que fornece imagens em alta definição dos órgãos internos do corpo através da utilização de um campo magnético.
30 Artroscopia: Procedimento invasivo que permite examinar o interior de uma articulação utilizando um dispositivo especialmente projetado para tal, que utiliza uma fonte de luz externa e fibra óptica para transmitir as imagens produzidas (artroscópio). Através deste podem também ser realizados diferentes tratamentos cirúrgicos.
31 Infecções: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
32 Sangue: O sangue é uma substância líquida que circula pelas artérias e veias do organismo. Em um adulto sadio, cerca de 45% do volume de seu sangue é composto por células (a maioria glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). O sangue é vermelho brilhante, quando oxigenado nos pulmões (nos alvéolos pulmonares). Ele adquire uma tonalidade mais azulada, quando perde seu oxigênio, através das veias e dos pequenos vasos denominados capilares.
33 Líquido sinovial: Gel viscoso e transparente que lubrifica as estruturas que banha, minorando o atrito entre elas. Ele é encontrado na cavidade da cápsula articular.
34 Entorse: Distensão traumática de um ligamento que produz ruptura do mesmo, acompanhada de dor, hematoma e dificuldade para movimentar a articulação comprometida.
35 Analgésico: Medicamento usado para aliviar a dor. As drogas analgésicas incluem os antiinflamatórios não-esteróides (AINE), tais como os salicilatos, drogas narcóticas como a morfina e drogas sintéticas com propriedades narcóticas, como o tramadol.
36 Analgésicos: Grupo de medicamentos usados para aliviar a dor. As drogas analgésicas incluem os antiinflamatórios não-esteróides (AINE), tais como os salicilatos, drogas narcóticas como a morfina e drogas sintéticas com propriedades narcóticas, como o tramadol.
37 Tendinite: Inflamação de um tendão. Produz-se em geral como conseqüência de um traumatismo. Existem doenças imunológicas capazes de produzir tendinite entre outras alterações.
38 Tendão Patelar: Fita de tecido fibroso que liga o ápice da PATELA à parte inferior do tubérculo da TÍBIA. Na realidade, o ligamento é a continuação caudal do tendão comum do QUADRÍCEPS FEMORAL, estando a patela implantada no tendão. Assim, o ligamento patelar pode ser considerado como uma conexão entre tendão do quadríceps femoral e tíbia; assim, às vezes é denominado tendão patelar.
39 Luxação: É o deslocamento de um ou mais ossos para fora da sua posição normal na articulação.
40 Valgo: Que se desvia para fora, em relação ao eixo do corpo (diz-se de membro ou segmento de membro).
41 Varo: Que se desvia para dentro, em relação ao eixo do corpo (diz-se de membro ou segmento de membro).
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