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Como é uma gravidez tardia?

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O que é uma gravidez1 tardia?

A idade ideal para a mulher engravidar tem variado ao longo do tempo. Na década de 1960, a faixa considerada ideal situava-se entre os 18 e os 25 anos. Hoje, admite-se que ela vai dos 20 aos 30 anos e só se considera gravidez1 tardia aquela que acontece depois dos 35 anos. Graças às mudanças sociais das últimas décadas e ao desenvolvimento de métodos anticoncepcionais seguros, muitas mulheres passaram a optar por ter filhos mais tarde, depois dos 35 anos. Se antes o ímpeto de casar e ter filhos ocorria por volta dos 20 anos de idade, atualmente ele acontece perto dos 30. Estima-se que cerca de 25 a 40% dos partos atualmente realizados acontecem em mulheres com mais de 35 anos e 3% acima de 40 anos. Adequadamente acompanhadas, essas gravidezes podem transcorrer sem problemas, mas o ideal é que não ultrapassem os 40 anos, porque cerca de 90% dos óvulos de uma mulher a partir dessa idade apresentam defeito genético e as probabilidades de que ela engravide são muito diminuídas, embora já tenha sido relatada uma gravidez1 sem problemas em uma mulher de 56 anos!

Quais são as consequências e riscos de uma gravidez1 tardia?

Não há como negar que a gestação numa idade mais avançada está relacionada com o aparecimento de algumas complicações. As mulheres que gestam tardiamente apresentam, em maior número, sangramento vaginal e necessidade de cesariana, bem como maiores taxas de abortamentos, de partos prematuros e de anomalias genéticas. Todas as mulheres nascem com cerca de dois milhões de óvulos, os quais vão “envelhecendo” junto com ela, ou seja, os óvulos de uma mulher de 30 anos também têm 30 anos. Além disso, o corpo da mulher vai sofrendo transformações com o tempo. Quando na meia idade, sua constelação hormonal já não é a mesma do que quando mais jovem. Isso é mais verdadeiro sobretudo com os hormônios envolvidos na reprodução2. Suas articulações3 já não têm a mesma flexibilidade, nem sua musculatura goza da mesma elasticidade4 e ela não tem mais o mesmo vigor de antes.

O período biologicamente ideal para a gravidez1 é dos 18 aos 28 anos. Antes dessa faixa o aparelho reprodutor feminino5 não está totalmente desenvolvido e depois dela há uma regressão na fertilidade e na plenitude vital da mulher. Além disso, depois dos 35 anos a mulher tem maior dificuldade de engravidar porque tem menos óvulos e eles são menos férteis. Ademais, nesse período da vida é maior o risco de que já sofra de hipertensão arterial6, diabetes mellitus7 ou se manifeste alguma doença pré-existente.

Como encarar positivamente a gravidez1 tardia?

A mulher que opta pela gestação tardia em geral está mais amadurecida e em melhores condições para exercer seu papel de mãe, já que na maioria das vezes trata-se de uma gestação que foi desejada e planejada, o que faz com que seja recebida e desenvolvida em um clima de alegria. Ela deve procurar um médico para cuidar da sua saúde8 e ajudar a manter uma gravidez1 tranquila.

Os exames de ultrassonografia9 morfológica permitem a visualização do feto10 e que sejam descartadas possíveis anomalias, o que antes atormentava as mulheres grávidas até o momento do nascimento. Além disso, hoje em dia tem-se a oportunidade de fazer uma avaliação e um estudo genético do feto10 muito preciso, o que oferece dados seguros sobre a boa formação do bebê e a ausência de síndromes graves. Muitas vezes, mesmo se houver algo anormal é possível realizar o tratamento ainda na fase intrauterina.

Se a futura mãe tiver uma boa saúde8, peso adequado, boa alimentação, vida saudável e observar os cuidados pré-natais adequados, as perspectivas de uma gestação sem riscos são as mesmas de uma gestante mais jovem, embora a gestação a partir dos 35 anos seja considerada pelos médicos como uma gestação de maior risco, especialmente se for a primeira gravidez1.

A tecnologia médica avançou de tal modo que as chances de sucesso em gestantes com idade avançada são praticamente totais. Quando uma mulher tem dificuldades de engravidar, ela pode valer-se de algum método de reprodução2 assistida, embora isso aumente a chance de uma gestação dupla ou múltipla.

Quais são as complicações possíveis da gravidez1 tardia?

A gestação tardia pode estar relacionada ao aparecimento de doenças crônicas, hipertensão arterial6, diabetes mellitus7, abortamento11, malformação12 fetal, doença cardíaca, patologias renais, neurológicas e pulmonares.

ABCMED, 2015. Como é uma gravidez tardia?. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/gravidez/795049/como+e+uma+gravidez+tardia.htm>. Acesso em: 13 nov. 2019.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Gravidez: Condição de ter um embrião ou feto em desenvolvimento no trato reprodutivo feminino após a união de ovo e espermatozóide.
2 Reprodução: 1. Função pela qual se perpetua a espécie dos seres vivos. 2. Ato ou efeito de reproduzir (-se). 3. Imitação de quadro, fotografia, gravura, etc.
3 Articulações:
4 Elasticidade: 1. Propriedade de um corpo sofrer deformação, quando submetido à tração, e retornar parcial ou totalmente à forma original. 2. Flexibilidade, agilidade física. 3. Ausência de senso moral.
5 Aparelho reprodutor feminino: O aparelho reprodutor feminino forma as células sexuais femininas (óvulos). Ele é constituído pelos ovários, tubas uterinas ou trompas de Falópio, útero, vagina e vulva. Está localizado no interior da cavidade pélvica.
6 Hipertensão arterial: Aumento dos valores de pressão arterial acima dos valores considerados normais, que no adulto são de 140 milímetros de mercúrio de pressão sistólica e 85 milímetros de pressão diastólica.
7 Diabetes mellitus: Distúrbio metabólico originado da incapacidade das células de incorporar glicose. De forma secundária, podem estar afetados o metabolismo de gorduras e proteínas.Este distúrbio é produzido por um déficit absoluto ou relativo de insulina. Suas principais características são aumento da glicose sangüínea (glicemia), poliúria, polidipsia (aumento da ingestão de líquidos) e polifagia (aumento da fome).
8 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
9 Ultrassonografia: Ultrassonografia ou ecografia é um exame complementar que usa o eco produzido pelo som para observar em tempo real as reflexões produzidas pelas estruturas internas do organismo (órgãos internos). Os aparelhos de ultrassonografia utilizam uma frequência variada, indo de 2 até 14 MHz, emitindo através de uma fonte de cristal que fica em contato com a pele e recebendo os ecos gerados, os quais são interpretados através de computação gráfica.
10 Feto: Filhote por nascer de um mamífero vivíparo no período pós-embrionário, depois que as principais estruturas foram delineadas. Em humanos, do filhote por nascer vai do final da oitava semana após a CONCEPÇÃO até o NASCIMENTO, diferente do EMBRIÃO DE MAMÍFERO prematuro.
11 Abortamento: Interrupção precoce da gravidez, espontânea ou induzida, seguida pela expulsão do produto gestacional pelo canal vaginal (Aborto). Pode ser precedido por perdas sangüíneas através da vagina.
12 Malformação: 1. Defeito na forma ou na formação; anomalia, aberração, deformação. 2. Em patologia, é vício de conformação de uma parte do corpo, de origem congênita ou hereditária, geralmente curável por cirurgia. Ela é diferente da deformação (que é adquirida) e da monstruosidade (que é incurável).
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