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Marcadores tumorais: para que eles servem?

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O que são marcadores tumorais?

Marcadores tumorais (ou marcadores biológicos) são substâncias encontradas no sangue1, na urina2, em fluidos e tecidos corporais, que normalmente estão elevados nos casos de câncer3 ou em outras condições. Existem muitos marcadores tumorais diferentes, cada um dos quais fornece indícios (às vezes não muito precisos) de uma ou algumas doenças particulares.

Os marcadores tumorais geralmente são detectados e quantificados por meio de técnicas de imunohistoquímica4. Num marcador tumoral, como em outros exames de laboratório, deve-se avaliar especificidade e sensibilidade. Especificidade diz respeito à presença do marcador numa única condição ou num restrito número de condições. Sensibilidade diz respeito à correlação entre o grau evolutivo da doença e o nível encontrado do marcador.

Uma especificidade imperfeita resulta em resultados falso-positivos, isto é, o teste indica um resultado elevado na ausência de câncer3. Uma sensibilidade imperfeita pode resultar em resultados falsos negativos, isto é, o resultado do teste pode ser normal, mas o câncer3 pode estar presente e ativo.

Para que servem os marcadores tumorais?

Os marcadores tumorais são usados em oncologia para detectar a presença de um câncer3 e para acompanhar a evolução dele. Existem várias dezenas de marcadores tumorais, cada um dos quais mais adaptados a um ou alguns tipos de câncer3. Alguns são indicativos de um tipo específico de câncer3, mas outros podem ser encontrados em vários tipos diferentes.

Mesmo doenças benignas podem aumentar os níveis de determinados marcadores tumorais. Por outro lado, nem todas as pessoas com câncer3 têm níveis aumentados de um marcador tumoral. Um nível elevado de um marcador de tumor5 pode indicar câncer3, embora possa haver outras causas de elevação dos marcadores.

Devido a não terem uma especificidade rigorosa eles não devem ser tomados como testes diagnósticos definitivos, embora contribuam muito para o diagnóstico6 de vários tipos de tumor5, em casos em que a biópsia7 não é praticável. Os marcadores tumorais são mais usados para acompanhar a evolução de um câncer3 já reconhecido e para avaliação da resposta a uma determinada terapêutica8. Se os níveis do marcador tumoral no sangue1 diminuírem, é sinal9 de que o tratamento está dando certo; se o nível do marcador aumentar, significa que a doença não está respondendo ao tratamento.

Eles também podem fornecer uma ideia sobre a intensidade evolutiva do câncer3, porque níveis muito altos dos marcadores indicam uma maior agressividade do tumor5. Os marcadores tumorais podem ainda ser usados na detecção e controle de eventuais recidivas10 de um câncer3 já tratado.

Qual é a “fisiopatologia” dos marcadores tumorais?

Os marcadores tumorais podem ser produzidos pelo próprio tumor5 ou por células11 não tumorais, como resposta à presença de um tumor5. A maior parte dos marcadores de tumores são antígenos12 de tumores, proteínas13 ou pedaços de proteínas13, enzimas ou hormônios, embora nem todos os antígenos12 tumorais possam ser utilizados como marcadores tumorais.

Como dosar os marcadores tumorais?

Para se detectar e quantificar a presença de um marcador tumoral, deve-se colher uma amostra de sangue1 ou urina2 do paciente e enviá-la para análise em um laboratório de patologia14 clínica. Às vezes, pode ser enviada uma amostra do próprio tumor5, quando acessível.

Quais são os marcadores tumorais mais comuns e para que são usados?

O marcador tumoral mais utilizado é o antígeno15 prostático específico (PSA), que é usado para detectar a presença do câncer3 de próstata16. Nesse tipo de câncer3 geralmente ele está elevado, mas em alguns casos um nível alto de PSA pode existir por outros motivos, em homens sem câncer3. Um PSA normal também pode existir em homens com câncer3 de próstata16.

Outros marcadores bem utilizados são:

  • CA 125: um nível elevado deste marcador sugere câncer3 de ovário17.
  • AFP: altos níveis de alfafetoproteína (AFP) sempre indicam câncer3 de fígado18, embora esse marcador possa aumentar moderadamente em algumas doenças benignas do fígado18.
  • CEA: é usado em casos de câncer3 colorretal.
  • CA 15-3: é usado principalmente em pacientes com câncer3 de mama19, mas níveis elevados podem ser encontrados em outros tipos de câncer3, como o de pulmão20, cólon21, pâncreas22 e ovário17.
ABCMED, 2015. Marcadores tumorais: para que eles servem?. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/exames-e-procedimentos/813044/marcadores-tumorais-para-que-eles-servem.htm>. Acesso em: 14 out. 2019.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Sangue: O sangue é uma substância líquida que circula pelas artérias e veias do organismo. Em um adulto sadio, cerca de 45% do volume de seu sangue é composto por células (a maioria glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). O sangue é vermelho brilhante, quando oxigenado nos pulmões (nos alvéolos pulmonares). Ele adquire uma tonalidade mais azulada, quando perde seu oxigênio, através das veias e dos pequenos vasos denominados capilares.
2 Urina: Resíduo líquido produzido pela filtração renal no organismo, estocado na bexiga e expelido pelo ato de urinar.
3 Câncer: Crescimento anormal de um tecido celular capaz de invadir outros órgãos localmente ou à distância (metástases).
4 Imunohistoquímica: O termo imunohistoquímica surgiu das palavras “imunologia, histologia e química”. A imunologia estuda o sistema imunológico, a histologia estuda os tecidos e órgãos do corpo utilizando o microscópio, após a sua coloração. Para facilitar a observação, diversos tipos de colorações podem ser usadas para identificar diferentes partes de um tecido. O processo de identificar antígenos nos tecidos com anticorpos, através de secção corada, é definido como imunohistoquímica.
5 Tumor: Termo que literalmente significa massa ou formação de tecido. É utilizado em geral para referir-se a uma formação neoplásica.
6 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
7 Biópsia: 1. Retirada de material celular ou de um fragmento de tecido de um ser vivo para determinação de um diagnóstico. 2. Exame histológico e histoquímico. 3. Por metonímia, é o próprio material retirado para exame.
8 Terapêutica: Terapia, tratamento de doentes.
9 Sinal: 1. É uma alteração percebida ou medida por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida. 2. Som ou gesto que indica algo, indício. 3. Dinheiro que se dá para garantir um contrato.
10 Recidivas: 1. Em medicina, é o reaparecimento de uma doença ou de um sintoma, após período de cura mais ou menos longo; recorrência. 2. Em direito penal, significa recaída na mesma falta, no mesmo crime; reincidência.
11 Células: Unidades (ou subunidades) funcionais e estruturais fundamentais dos organismos vivos. São compostas de CITOPLASMA (com várias ORGANELAS) e limitadas por uma MEMBRANA CELULAR.
12 Antígenos: 1. Partículas ou moléculas capazes de deflagrar a produção de anticorpo específico. 2. Substâncias que, introduzidas no organismo, provocam a formação de anticorpo.
13 Proteínas: Um dos três principais nutrientes dos alimentos. Alimentos que fornecem proteína incluem carne vermelha, frango, peixe, queijos, leite, derivados do leite, ovos.
14 Patologia: 1. Especialidade médica que estuda as doenças e as alterações que estas provocam no organismo. 2. Qualquer desvio anatômico e/ou fisiológico, em relação à normalidade, que constitua uma doença ou caracterize determinada doença. 3. Por extensão de sentido, é o desvio em relação ao que é próprio ou adequado ou em relação ao que é considerado como o estado normal de uma coisa inanimada ou imaterial.
15 Antígeno: 1. Partícula ou molécula capaz de deflagrar a produção de anticorpo específico. 2. Substância que, introduzida no organismo, provoca a formação de anticorpo.
16 Próstata: Glândula que (nos machos) circunda o colo da BEXIGA e da URETRA. Secreta uma substância que liquefaz o sêmem coagulado. Está situada na cavidade pélvica (atrás da parte inferior da SÍNFISE PÚBICA, acima da camada profunda do ligamento triangular) e está assentada sobre o RETO.
17 Ovário: Órgão reprodutor (GÔNADAS) feminino. Nos vertebrados, o ovário contém duas partes funcionais Sinônimos: Ovários
18 Fígado: Órgão que transforma alimento em energia, remove álcool e toxinas do sangue e fabrica bile. A bile, produzida pelo fígado, é importante na digestão, especialmente das gorduras. Após secretada pelas células hepáticas ela é recolhida por canalículos progressivamente maiores que a levam para dois canais que se juntam na saída do fígado e a conduzem intermitentemente até o duodeno, que é a primeira porção do intestino delgado. Com esse canal biliar comum, chamado ducto hepático, comunica-se a vesícula biliar através de um canal sinuoso, chamado ducto cístico. Quando recebe esse canal de drenagem da vesícula biliar, o canal hepático comum muda de nome para colédoco. Este, ao entrar na parede do duodeno, tem um músculo circular, designado esfíncter de Oddi, que controla o seu esvaziamento para o intestino.
19 Mama: Em humanos, uma das regiões pareadas na porção anterior do TÓRAX. As mamas consistem das GLÂNDULAS MAMÁRIAS, PELE, MÚSCULOS, TECIDO ADIPOSO e os TECIDOS CONJUNTIVOS.
20 Pulmão: Cada um dos órgãos pareados que ocupam a cavidade torácica que tem como função a oxigenação do sangue.
21 Cólon:
22 Pâncreas: Órgão nodular (no ABDOME) que abriga GLÂNDULAS ENDÓCRINAS e GLÂNDULAS EXÓCRINAS. A pequena porção endócrina é composta pelas ILHOTAS DE LANGERHANS, que secretam vários hormônios na corrente sangüínea. A grande porção exócrina (PÂNCREAS EXÓCRINO) é uma glândula acinar composta, que secreta várias enzimas digestivas no sistema de ductos pancreáticos (que desemboca no DUODENO).
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