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Lavagem intestinal - por que fazer e por que não fazer?

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O que é lavagem intestinal?

A lavagem intestinal é o procedimento que consiste na injeção1 de água ou outro líquido no intestino grosso2 através do reto3, com o auxílio de uma sonda retal, para a eliminação de toxinas4 e/ou resíduos fecais. No entanto, a Sociedade Brasileira de Coloproctologia não recomenda o uso indiscriminado dessa prática e alerta sobre os riscos da utilização inapropriada do método, tais como perfurações do intestino, infecções5 e transmissão de doenças causadas pelo uso de materiais não corretamente esterilizados, além de outros problemas que podem ser ainda mais graves se a pessoa já possuir outro problema de saúde6 como, por exemplo, um tumor7 no cólon8.

Saiba mais sobre "Perfuração intestinal", "Câncer9 colorretal" e "Enema10 baritado".

Por que fazer e por que não fazer lavagem intestinal?

A lavagem intestinal como recurso terapêutico, na ausência de estudos que atestam a sua validade, tem sido considerada uma espécie de panaceia para a saúde6 humana, mas como forma de limpar o organismo é uma prática bastante antiga e deriva da crença de que o organismo produz toxinas4 capazes de causar doenças que poderiam ser evitadas através da eliminação dessas impurezas.

A mesma crença motivou durante muitos anos o emprego de outros procedimentos como as sangrias com o objetivo de “limpar o sangue”, a indução ao vômito11 em pessoas sadias, etc. Porém, há muito tempo eles deixaram de ser encarados como válidos, à medida que a Medicina evoluiu como ciência. Atualmente, a lavagem intestinal tem por finalidade:

  • Eliminar a distensão abdominal e a flatulência.
  • Facilitar a eliminação de fezes, em casos de constipação12 severa.
  • Remover o sangue13 nos casos de melena14.
  • Preparar o paciente para cirurgias, exames e tratamento do trato intestinal.

Mas algumas pessoas fazem uma utilização abusiva da lavagem intestinal e a usam até mesmo para facilitar o emagrecimento. A lavagem intestinal deve ser usada apenas por recomendação e orientação de um médico e aplicada por pessoal especializado. Mesmo assim, não é um procedimento muito usual. A prática da lavagem intestinal é condenada na Califórnia desde 1958.

Leia sobre "Flatulência", "Constipação12 intestinal em adultos" e "Melena14 e hematêmese15".

A técnica da lavagem intestinal

São três os instrumentos que podem ser usados: o enteroclisma, a pera com cânula rígida ou a pera com cânula macia. Além deles, existem as bisnagas comerciais já prontas para uso.

O enteroclisma é um sistema muito eficaz para lavagens intestinais, composto por 5 partes: (1) um irrigador, (2) um saco plástico ou recipiente rígido com capacidade de até 2 litros e escala graduada, (3) os tubos, (4) uma cânula para a irrigação anal e (5) outra para a lavagem vaginal, se for o caso. O enteroclisma funciona por gravidade, pelo que deve colocar o saco de plástico contendo o líquido a ser inserido num nível mais elevado em relação à posição do corpo.

A pera com cânula rígida é composta por duas partes distintas que podem ser separadas, a pera de borracha e a cânula rígida. A pera com cânula macia é, pelo contrário, uma peça única de borracha, não-desmontável, com cânula flexível. O clister pode ser calibrado com base nas necessidades do paciente e tem geralmente uma capacidade que varia entre um mínimo de 25 ml e 180 ml, para as lavagens intestinais mais difíceis. O paciente deve ser deitado em decúbito lateral16 direito e a sonda ou cânula devem ser suavemente introduzidas através do ânus17 até atingirem o reto3 e por elas é veiculado o líquido escolhido.

Normalmente, o intestino o eliminará de volta dentro de alguns poucos minutos. Após terminada a lavagem, deve-se consumir probióticos18, como os iogurtes, por exemplo, para recompor a flora intestinal e seguir uma dieta equilibrada para manter o intestino sempre ativo e saudável.

Quais são as complicações possíveis da lavagem intestinal?

Se a técnica não for corretamente aplicada, a lavagem intestinal implica em riscos (raros) como desidratação19, infecção20, perfuração do intestino, lesão21 do reto3 pela lavagem demorada e mesmo insuficiência cardíaca22. Por isso, a lavagem intestinal deve, preferencialmente, ser feita por pessoal especializado. A aplicação muito frequente da técnica pode levar a alterações da flora intestinal normal.

Veja mais sobre "Desidratação19", "Insuficiência cardíaca22", "Constipação12 infantil" e "Alimentos laxativos23 e constipantes".

 

ABCMED, 2017. Lavagem intestinal - por que fazer e por que não fazer?. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/exames-e-procedimentos/1306818/lavagem-intestinal-por-que-fazer-e-por-que-nao-fazer.htm>. Acesso em: 18 set. 2019.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Injeção: Infiltração de medicação ou nutrientes líquidos no corpo através de uma agulha e seringa.
2 Intestino grosso: O intestino grosso é dividido em 4 partes principais: ceco (cecum), cólon (ascendente, transverso, descendente e sigmoide), reto e ânus. Ele tem um papel importante na absorção da água (o que determina a consistência do bolo fecal), de alguns nutrientes e certas vitaminas. Mede cerca de 1,5 m de comprimento.
3 Reto: Segmento distal do INTESTINO GROSSO, entre o COLO SIGMÓIDE e o CANAL ANAL.
4 Toxinas: Substâncias tóxicas, especialmente uma proteína, produzidas durante o metabolismo e o crescimento de certos microrganismos, animais e plantas, capazes de provocar a formação de anticorpos ou antitoxinas.
5 Infecções: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
6 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
7 Tumor: Termo que literalmente significa massa ou formação de tecido. É utilizado em geral para referir-se a uma formação neoplásica.
8 Cólon:
9 Câncer: Crescimento anormal de um tecido celular capaz de invadir outros órgãos localmente ou à distância (metástases).
10 Enema: Introdução de substâncias líquidas ou semilíquidas através do esfíncter anal, com o objetivo de induzir a defecação ou administrar medicamentos.
11 Vômito: É a expulsão ativa do conteúdo gástrico pela boca. Pode ser classificado como: alimentar, fecalóide, biliar, em jato, pós-prandial. Sinônimo de êmese. Os medicamentos que agem neste sintoma são chamados de antieméticos.
12 Constipação: Retardo ou dificuldade nas defecações, suficiente para causar desconforto significativo para a pessoa. Pode significar que as fezes são duras, difíceis de serem expelidas ou infreqüentes (evacuações inferiores a três vezes por semana), ou ainda a sensação de esvaziamento retal incompleto, após as defecações.
13 Sangue: O sangue é uma substância líquida que circula pelas artérias e veias do organismo. Em um adulto sadio, cerca de 45% do volume de seu sangue é composto por células (a maioria glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). O sangue é vermelho brilhante, quando oxigenado nos pulmões (nos alvéolos pulmonares). Ele adquire uma tonalidade mais azulada, quando perde seu oxigênio, através das veias e dos pequenos vasos denominados capilares.
14 Melena: Eliminação de fezes de coloração negra, alcatroada. Relaciona-se com a presença de sangue proveniente da porção superior do tubo digestivo (esôfago, estômago e duodeno). Necessita de uma avaliação urgente, pois representa um quadro grave.
15 Hematêmese: Eliminação de sangue proveniente do tubo digestivo, através de vômito.
16 Decúbito lateral: O corpo está deitado de lado. Direito ou esquerdo.
17 Ânus: Segmento terminal do INTESTINO GROSSO, começando na ampola do RETO e terminando no ânus.
18 Probióticos: Suplemento alimentar, rico em micro-organismos vivos, que afeta de forma benéfica seu consumidor, através da melhoria do balanço microbiano intestinal.
19 Desidratação: Perda de líquidos do organismo pelo aumento importante da freqüência urinária, sudorese excessiva, diarréia ou vômito.
20 Infecção: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
21 Lesão: 1. Ato ou efeito de lesar (-se). 2. Em medicina, ferimento ou traumatismo. 3. Em patologia, qualquer alteração patológica ou traumática de um tecido, especialmente quando acarreta perda de função de uma parte do corpo. Ou também, um dos pontos de manifestação de uma doença sistêmica. 4. Em termos jurídicos, prejuízo sofrido por uma das partes contratantes que dá mais do que recebe, em virtude de erros de apreciação ou devido a elementos circunstanciais. Ou também, em direito penal, ofensa, dano à integridade física de alguém.
22 Insuficiência Cardíaca: É uma condição na qual a quantidade de sangue bombeada pelo coração a cada minuto (débito cardíaco) é insuficiente para suprir as demandas normais de oxigênio e de nutrientes do organismo. Refere-se à diminuição da capacidade do coração suportar a carga de trabalho.
23 Laxativos: Mesmo que laxantes. Que laxa, afrouxa, dilata. Medicamentos que tratam da constipação intestinal; purgantes, purgativos, solutivos.
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