Homeopatia: conceito, princípios, eficácia, características do tratamento, evolução
O que é homeopatia?
Já na antiguidade grega a Medicina se dividia entre duas correntes terapêuticas: a que se baseava no princípio dos contrários, segundo o qual as doenças devem ser combatidas por substâncias que atuem contra o que lhes deram origem (daí os anti-inflamatórios, antiácidos1, antidepressivos, antitérmicos2, etc.) e a que se baseava no princípio dos semelhantes, segundo o qual as doenças devem ser combatidas por doses infinitesimais diluídas das mesmas substâncias que deram origem aos sintomas3, estimulando as reações do organismo. Em consequência do princípio dos contrários surgiu a medicina alopática. A homeopatia, por outro lado, seguiu a partir do princípio dos semelhantes. Segundo ela, toda substância capaz de provocar determinados sintomas3 numa pessoa sadia pode curar estes mesmos sintomas3 numa pessoa doente. A homeopatia (do grego hómoios = semelhante e páthos = doença) é um modelo alternativo de tratamento, criado por Samuel Hahnemann (médico da Universidade de Leipzig, Alemanha), em 1755, inspirado em métodos utilizados por nativos peruanos e baseada no princípio dos semelhantes. Ela atua por meio de estímulos energéticos que visam o organismo como um todo e não as doenças isoladas. Esses estímulos são desencadeados por medicamentos homeopáticos específicos, com o intuito de re-equilibrar a energia vital dos pacientes. Seus princípios são, pois, muito diferentes da medicina científica tradicional.
São quatro os princípios que orientam a homeopatia:
- Princípio da lei dos semelhantes: a doença pode ser curada pela mesma substância que a provoca (similia similibus curantur = semelhante pelo semelhante se cura). Por exemplo: a substância que produz vômitos4 é capaz de tratar os vômitos4 que ela causa, quando aplicada em sua versão homeopática diluída.
- Princípio da experimentação em pessoa sadia: dita que os testes de medicamentos homeopáticos devem ser realizados em pessoas sadias, de modo a verificar os “venenos” que causam as doenças e que são os mesmos que as curam, quando aplicados em doses homeopáticas.
- Princípio das doses infinitesimais: consiste na diluição drástica e dinamizacão do medicamento.
- Princípio do medicamento único: afirma que o paciente deve tomar somente o medicamento que contenha o maior número de estímulos para os sintomas3 que ele apresenta. Sendo assim, procura-se, com um único medicamento, abranger a totalidade dos sintomas3 do indivíduo.
A homeopatia é considerada por alguns como uma filosofia vitalista5, pelo fato de considerar as doenças como causadas pelo desequilíbrio de uma hipotética energia ou força vital no organismo de quem as apresente. Entre a comunidade médica internacional, a homeopatia é geralmente tida como charlatanismo6. No Brasil, foi reconhecida como especialidade médica em 1980 e é utilizada pelo Sistema Único de Saúde7 desde 2006. Outros países como Inglaterra, França e Alemanha, entre outros, também usam a homeopatia em seus sistemas de saúde7 pública, mas em muitos países a homeopatia não é considerada uma especialidade médica. A Organização Mundial da Saúde7 (OMS) recomenda que seja uma prática alternativa e complementar à medicina alopática.
Para que serve a homeopatia?
A eficácia da homeopatia continua controversa. Alguns estudos alegam resultados positivos, mas outros indicam sistematicamente que a homeopatia não é mais efetiva que o placebo8. Segundo a homeopatia, o indivíduo carrega um desequilíbrio que pode se manifestar como doenças ao longo da vida. A função da homeopatia é restaurar o organismo aos estágios de equilíbrio que precedem a vida, no caminho da cura. A homeopatia procura, pois, estimular as defesas orgânicas, ativando o sistema imunológico9 e restaurar o equilíbrio energético do paciente, empregando para isso mais de dois mil remédios diferentes, geralmente extraídos de vegetais, animais e minerais. Nesse sentido, a homeopatia é tanto um tratamento curativo, quanto preventivo10.
Os tratamentos homeopáticos são indicados para problemas gastrointestinais, ginecológicos, dermatológicos, respiratórios, falta ou excesso das manifestações de resistência a infecções11 e em doenças alérgicas. A homeopatia é empregada também no tratamento de problemas emocionais como a ansiedade e a depressão. Pacientes que sofrem de distúrbios graves como diabetes mellitus12 ou câncer13, por exemplo, não devem substituir a terapia convencional14 por remédios homeopáticos.
Quais são as características do tratamento homeopático?
Geralmente uma entrevista com um médico homeopata é mais holística, mais minuciosa e mais demorada que na medicina alopática oficial. O médico se interessa por detalhes da vida e dos sintomas3 dos pacientes e pelas circunstâncias que o cercam, como posições, movimentos, temperatura, clima ou estação do ano, condições atmosféricas e do tempo, comidas e bebidas, transpiração15, eliminações, evacuações, etc. É nesse conjunto de fatores que determinará a escolha do medicamento que administrará ao paciente. Não é desprezível, contudo, a importância de uma melhor relação médico-paciente, fator de crucial importância em certos tipos de enfermidades. A importância dada desde o início ao pensar, ao sentir, ao caráter e à moral, mostra a compreensão da interveniência do trinômio bio-psico-social envolvido na doença, só recentemente valorizado pela medicina psicossomática.
Como evolui a homeopatia?
Podem ocorrer pioras iniciais passageiras dos sintomas3, retorno de sintomas3 antigos, episódios febris benignos, eliminação ou exoneração16, através da pele17, das secreções ou por vias naturais, etc. Essas reações são benéficas e breves, indicando que o organismo está reagindo ao desequilíbrio.
Quais são as complicações possíveis da homeopatia?
A homeopatia pode causar danos ao organismo quando mal empregada, devendo-se evitar a automedicação18.
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.