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As consequências da inalação de fumaça

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O que é fumaça e quais os efeitos dela no organismo?

A fumaça é uma mistura de partículas sólidas, vapores e gases, formada a partir da decomposição de algum material combustível. A composição química da fumaça depende do material queimado, mas sempre contém monóxido de carbono1, dióxido de nitrogênio e dióxido de enxofre, dentre outras substâncias geralmente tóxicas. São vários os efeitos da fumaça sobre as pessoas:

  • Diminuição da visibilidade.
  • Lacrimejamento e irritações dos olhos2.
  • Aceleração da respiração e das batidas do coração3.
  • Intoxicação e asfixia4.
  • Vômitos5 e tosse.
  • Morte.

A propagação da fumaça se dá a uma velocidade muito grande, maior às vezes que a capacidade de fuga das pessoas. Ao impedir a visibilidade, ela ocasiona medo e desorientação, dificultando ainda mais a retirada de pessoas de um ambiente enfumaçado. Em um incêndio, em geral, morrem mais pessoas pelo efeito da fumaça que do fogo, diretamente.

A inalação continuada de pequenas quantidades de fumaça, como acontece nos fumantes, por exemplo, leva a um processo inflamatório crônico6 dos alvéolos pulmonares7 e mau funcionamento, dilatação e destruição dos mesmos. A inalação massiva, por sua vez, pode causar danos sérios imediatos e até letais ao aparelho respiratório8. Mesmo dias depois da inalação as pessoas podem desenvolver sintomas9 e doenças respiratórias graves (falta de ar, chiado no peito10, febre11, tontura12 ou enjoo, bronquite, pneumonia13 química) ou ficar com sequelas14 permanentes. Como a fumaça geralmente está aquecida (às vezes a temperaturas muito altas), a combinação do calor com a fumaça causa danos ainda maiores ao sistema respiratório15. Nos alvéolos16 deteriorados, as trocas gasosas que ocorrem normalmente (absorção de oxigênio, eliminação de gás carbônico) não podem acontecer, parcial ou totalmente. Sem oxigenação, os tecidos morrem em 5 a 7 minutos e o tecido nervoso17 ainda mais rapidamente.

Quais são os sintomas9 da intoxicação pela fumaça?

Os sintomas9 da intoxicação pela fumaça são decorrentes de diferentes efeitos:

  • Ação térmica direta: eritema18 (vermelhidão), edema19 (inchaço20) e ulcerações21 (feridas) de mucosa22 das vias aéreas superiores. Estes sintomas9 são causados pela inalação de fumaça quente, o que leva a queimaduras internas, fechamento dos brônquios23 e a consequente obstrução da passagem do ar.
  • Inalação de gases tóxicos: falta de ar, tontura12, confusão mental, torpor24, coma25 e até mesmo óbito26.
  • Inalação de toxinas27: alterações de permeabilidade28 capilar29, de fluxo linfático30 e de clareamento mucociliar31, aparecimento da síndrome32 de desconforto respiratório agudo33 e de infecções34 secundárias.

Das toxinas27 sistêmicas a mais deletéria é o monóxido de carbono1. Sua afinidade pela hemoglobina35 é 200 a 250 vezes maior que a do oxigênio e assim ele ocupa o lugar deste, impedindo o transporte normal de oxigênio e sua liberação aos tecidos.

As partículas veiculadas pela fumaça podem ficar depositadas na árvore respiratória, obstruido-a ou causando broncoespasmos36. Quando se depositam nas cavidades nasais, podem causar sinusites. Os gases, por sua vez, podem ser divididos em irritantes e asfixiantes. Os gases irritantes podem causar broncoespasmo37, traqueobronquite38 química ou edema pulmonar39. Os gases asfixiantes são definidos como aqueles que retiram oxigênio do ambiente. Os sintomas9 provocados pelos gases em geral são: sensação dolorosa na boca40, nariz41, faringe42 e olhos2.

Como é feito o diagnóstico43 e o tratamento da inalação da fumaça?

O diagnóstico43 das consequências da inalação de fumaça pode ser feito por exames de imagens, broncoscopia44, análise de gases arteriais, pesquisas com radioisótopos45 e testes de função pulmonar.

O tratamento envolve a manutenção da permeabilidade28 das vias respiratórias, a administração de oxigênio, suporte ventilatório (respiração por máscara ou entubação, conforme o caso), administração preventiva ou curativa de antibióticos e medidas médicas específicas conforme tenham sido as consequências da inalação. Como é comum que as pessoas que inalaram fumaça tenham também sofrido queimaduras, essas devem ser adequadamente tratadas, quando for o caso.

Como evitar ou minimizar os efeitos da inalação de fumaça?

  • Procurar manter a calma é importante para se proteger e proteger outras pessoas que estão por perto.
  • No momento em que estiverem envolvidas pela fumaça, as pessoas devem se abaixar o máximo que puderem ou rastejar pelo chão, porque a fumaça aquecida tende a subir.
  • O uso de um pano molhado no rosto pode ajudar a se proteger da fumaça.
  • Após saírem do ambiente enfumaçado, as pessoas devem ainda usar máscaras de oxigênio.

Em alguns casos a inalação massiva de fumaça pode deixar sequelas14 irreversíveis.

ABCMED, 2013. As consequências da inalação de fumaça. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/336079/as+consequencias+da+inalacao+de+fumaca.htm>. Acesso em: 19 nov. 2019.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Monóxido de carbono: Gás levemente inflamável, incolor, inodoro e muito tóxico ao organismo.
2 Olhos:
3 Coração: Órgão muscular, oco, que mantém a circulação sangüínea.
4 Asfixia: 1. Dificuldade ou impossibilidade de respirar, que pode levar à anóxia. Ela pode ser causada por estrangulamento, afogamento, inalação de gases tóxicos, obstruções mecânicas ou infecciosas das vias aéreas superiores, etc. 2. No sentido figurado, significa sujeição à tirania; opressão e/ou cobrança de posições morais ou sociais que dão origem à privação de certas liberdades.
5 Vômitos: São a expulsão ativa do conteúdo gástrico pela boca. Podem ser classificados em: alimentar, fecalóide, biliar, em jato, pós-prandial. Sinônimo de êmese. Os medicamentos que agem neste sintoma são chamados de antieméticos.
6 Crônico: Descreve algo que existe por longo período de tempo. O oposto de agudo.
7 Alvéolos Pulmonares: Pequenas bolsas poliédricas localizadas ao longo das paredes dos sacos alveolares, ductos alveolares e bronquíolos terminais. A troca gasosa entre o ar alveolar e o sangue capilar pulmonar ocorre através das suas paredes. DF
8 Aparelho respiratório: O aparelho respiratório transporta o ar do meio externo aos pulmões e vice-versa e promove a troca de gases entre o sangue e o ar.
9 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
10 Peito: Parte superior do tronco entre o PESCOÇO e o ABDOME; contém os principais órgãos dos sistemas circulatório e respiratório. (Tradução livre do original
11 Febre: É a elevação da temperatura do corpo acima dos valores normais para o indivíduo. São aceitos como valores de referência indicativos de febre: temperatura axilar ou oral acima de 37,5°C e temperatura retal acima de 38°C. A febre é uma reação do corpo contra patógenos.
12 Tontura: O indivíduo tem a sensação de desequilíbrio, de instabilidade, de pisar no vazio, de que vai cair.
13 Pneumonia: Inflamação do parênquima pulmonar. Sua causa mais freqüente é a infecção bacteriana, apesar de que pode ser produzida por outros microorganismos. Manifesta-se por febre, tosse, expectoração e dor torácica. Em pacientes idosos ou imunodeprimidos pode ser uma doença fatal.
14 Sequelas: 1. Na medicina, é a anomalia consequente a uma moléstia, da qual deriva direta ou indiretamente. 2. Ato ou efeito de seguir. 3. Grupo de pessoas que seguem o interesse de alguém; bando. 4. Efeito de uma causa; consequência, resultado. 5. Ato ou efeito de dar seguimento a algo que foi iniciado; sequência, continuação. 6. Sequência ou cadeia de fatos, coisas, objetos; série, sucessão. 7. Possibilidade de acompanhar a coisa onerada nas mãos de qualquer detentor e exercer sobre ela as prerrogativas de seu direito.
15 Sistema Respiratório: Órgãos e estruturas tubulares e cavernosas, por meio das quais a ventilação pulmonar e as trocas gasosas entre o ar externo e o sangue são realizadas.
16 Alvéolos: Pequenas bolsas poliédricas localizadas ao longo das paredes dos sacos alveolares, ductos alveolares e bronquíolos terminais. A troca gasosa entre o ar alveolar e o sangue capilar pulmonar ocorre através das suas paredes. DF
17 Tecido Nervoso:
18 Eritema: Vermelhidão da pele, difusa ou salpicada, que desaparece à pressão.
19 Edema: 1. Inchaço causado pelo excesso de fluidos no organismo. 2. Acúmulo anormal de líquido nos tecidos do organismo, especialmente no tecido conjuntivo.
20 Inchaço: Inchação, edema.
21 Ulcerações: 1. Processo patológico de formação de uma úlcera. 2. A úlcera ou um grupo de úlceras.
22 Mucosa: Tipo de membrana, umidificada por secreções glandulares, que recobre cavidades orgânicas em contato direto ou indireto com o meio exterior.
23 Brônquios: A maior passagem que leva ar aos pulmões originando-se na bifurcação terminal da traquéia. Sinônimos: Bronquíolos
24 Torpor: 1. Sentimento de mal-estar caracterizado pela diminuição da sensibilidade e do movimento; entorpecimento, estupor, insensibilidade. 2. Indiferença ou apatia moral; indolência, prostração. 3. Na medicina, ausência de reação a estímulos de intensidade normal.
25 Coma: 1. Alteração do estado normal de consciência caracterizado pela falta de abertura ocular e diminuição ou ausência de resposta a estímulos externos. Pode ser reversível ou evoluir para a morte. 2. Presente do subjuntivo ou imperativo do verbo “comer.“
26 Óbito: Morte de pessoa; passamento, falecimento.
27 Toxinas: Substâncias tóxicas, especialmente uma proteína, produzidas durante o metabolismo e o crescimento de certos microrganismos, animais e plantas, capazes de provocar a formação de anticorpos ou antitoxinas.
28 Permeabilidade: Qualidade dos corpos que deixam passar através de seus poros outros corpos (fluidos, líquidos, gases, etc.).
29 Capilar: 1. Na medicina, diz-se de ou tubo endotelial muito fino que liga a circulação arterial à venosa. Qualquer vaso. 2. Na física, diz-se de ou tubo, em geral de vidro, cujo diâmetro interno é diminuto. 3. Relativo a cabelo, fino como fio de cabelo.
30 Linfático: 1. Na histologia, é relativo à linfa, que contém ou que conduz linfa. 2. No sentido figurado, por extensão de sentido, a que falta vida, vigor, energia (diz-se de indivíduo); apático. 3. Na história da medicina, na classificação hipocrática dos quatro temperamentos de acordo com o humor dominante, que ou aquele que, pela lividez das carnes, flacidez dos músculos, apatia e debilidade demonstradas no comportamento, atesta a predominância de linfa.
31 Mucociliar: O aparelho mucociliar tem como principal função a remoção de partículas ou substâncias potencialmente agressivas ao trato respiratório através do transporte pelos cílios, ou alternativamente, pela tosse e espirro, nos quadros de hiperprodução de muco, como rinite alérgica, rinossinusites, bronquite crônica, fibrose cística e asma.
32 Síndrome: Conjunto de sinais e sintomas que se encontram associados a uma entidade conhecida ou não.
33 Agudo: Descreve algo que acontece repentinamente e por curto período de tempo. O oposto de crônico.
34 Infecções: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
35 Hemoglobina: Proteína encarregada de transportar o oxigênio desde os pulmões até os tecidos do corpo. Encontra-se em altas concentrações nos glóbulos vermelhos.
36 Broncoespasmos: Contrações dos músculos lisos bronquiais, capazes de produzir estreitamento das vias aéreas, manifestado por sibilos no tórax e falta de ar. São contrações vistas com frequência na asma.
37 Broncoespasmo: Contração do músculo liso bronquial, capaz de produzir estreitamento das vias aéreas, manifestado por sibilos no tórax e falta de ar. É uma contração vista com freqüência na asma.
38 Traqueobronquite: Inflamação dos canais que levam o ar para dentro e para fora dos pulmões, os brônquios. Nessa doença, há um acúmulo de secreção nos brônquios, estreitando-os, em geral causado pelo excesso de produção de muco e pela diminuição na ação dos minúsculos cílios locais, os quais não eliminam adequadamente esse muco.
39 Edema pulmonar: Acúmulo anormal de líquidos nos pulmões. Pode levar a dificuldades nas trocas gasosas e dificuldade respiratória.
40 Boca: Cavidade oral ovalada (localizada no ápice do trato digestivo) composta de duas partes
41 Nariz: Estrutura especializada que funciona como um órgão do sentido do olfato e que também pertence ao sistema respiratório; o termo inclui tanto o nariz externo como a cavidade nasal.
42 Faringe: Canal músculo-membranoso comum aos sistemas digestivo e respiratório. Comunica-se com a boca e com as fossas nasais. É dividida em três partes: faringe superior (nasofaringe ou rinofaringe), faringe bucal (orofaringe) e faringe inferior (hipofaringe, laringofaringe ou faringe esofagiana), sendo um órgão indispensável para a circulação do ar e dos alimentos.
43 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
44 Broncoscopia: Método de diagnóstico que permite observar através dos brônquios utilizando um dispositivo óptico (fibroendoscópio), obter biópsias e realizar culturas de secreções.
45 Radioisótopos: Os radioisótopos são formados por isótopos, que são átomos com o mesmo número atômico e diferente número de massa. A Medicina Nuclear é a área da medicina onde mais são utilizados os radioisótopos, tanto em diagnósticos como em terapias. Os fármacos que conduzem os radioisótopos até os órgãos e sistemas do corpo são chamados radiofármacos.
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Comentários

03/10/2013 - Comentário feito por Celia
Re: As consequências da inalação de fumaça
Sou Técnica em Segurança do Trabalho e achei ótimo esse assunto para ministrar em meu DDS (Diálogo Diário de Segurança). Bem explanado e de fácil entendimento para ser repassado para o pessoal de canteiro de obra.

09/02/2013 - Comentário feito por adriana
Re: As consequências da inalação de fumaça
O texto foi bem colocado, aprendi muito! obrigado, gostei desse site.

31/01/2013 - Comentário feito por Nubia
Re: As consequências da inalação de fumaça
O texto é de uma definição incrível, de facil entendimento.
Muito bom mesmo.
Amo receber publicações do site.
Parabéns pela matéria!

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