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Câncer: o que é? Quais as causas e os sintomas? Como são o diagnóstico e o tratamento?

quinta-feira, 25 de abril de 2013
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Câncer: o que é? Quais as causas e os sintomas? Como são o diagnóstico e o tratamento?

O que é câncer?

Quase todas as células do organismo surgem, se reproduzem e morrem segundo uma programação natural regular, a qual garante o funcionamento normal dos diversos órgãos. O câncer corresponde a um desequilíbrio dessa programação, na qual as células passam a se reproduzir desordenadamente. De início, essas células ficam misturadas no tecido normal, mas com o passar do tempo, formam massas tumorais que se tornam visíveis ou palpáveis, seja diretamente, quando superficiais no corpo, por meio de recursos endoscópicos (aparelhos que introduzem um minicâmera no interior do organismo) ou através de exames de imagens, como as proporcionadas pelas radiografias, ultrassonografias, tomografia computadorizada ou ressonância magnética.

A reprodução excessiva de células pode também dar margem ao aparecimento de tumores benignos, em que as células se assemelham ao seu tecido original, multiplicam-se vagarosamente e nunca se espalham, motivando apenas transtornos locais, os quais podem ser graves.

As células neoplásicas malignas, por sua vez, guardam aspectos de células embrionárias, sem adquirirem a diferenciação típica do tecido ordenado dos quais provêm, podendo cair na corrente sanguínea e serem carreadas para órgãos distantes, onde voltam a se reproduzir desordenadamente, dando origem ao que se chama metástase. Enquanto está restrito apenas ao seu local de origem, o câncer é dito in situ e, nesse caso, a sua remoção completa em geral soluciona o problema e não exige tratamentos adicionais. Alguns tipos de câncer têm tendência a permanecer in situ por um maior tempo, às vezes muito longos; enquanto outros tendem a dar metástases muito precocemente. A possibilidade das células cancerosas se espalharem pelo organismo tanto depende das características delas quanto da localização original do tumor. Se localizado em órgãos muito vascularizados, como intestinos e pulmões, por exemplo, os tumores têm maiores chances de formar metástases. Muitas vezes o câncer se desenvolve silenciosamente durante certo tempo e o primeiro sinal dele é dado pelos sintomas gerados pelas metástases quando, então, o tratamento já é mais difícil e a cura, muitas vezes, impossível. Daí a importância dos exames preventivos (mamografia, exames de próstata, exame de sangue oculto nas fezes, endoscopia digestiva, colonoscopia, etc.), que podem detectá-lo ainda no seu estágio inicial.

Além de gerar tumores, o câncer pode advir de diferentes tipos de células, o que confere a ele características clínicas diferentes. Isso significa que na avaliação clínica de um câncer, além de suas características morfológicas (volume, forma, localização, deformação do órgão original, compressão de órgãos vizinhos, etc.), importam também suas características histológicas (tipos de células). Isso é possível porque cada órgão do corpo é constituído por diversos tipos de células, cada uma das quais pode se tornar maligna, independentemente das demais. O leigo em geral não faz essa distinção e o diagnóstico de câncer parece-lhe uma coisa unitária, mas para o médico ela é essencial porque implica em diferentes tratamentos e prognósticos.

Quais são as causas do câncer?

À medida que o embrião evolui e as células ficam cada vez mais diferenciadas, alguns genes tornam-se ativos e outros são silenciados, mas cada célula mantém potencialmente a capacidade de desenvolver todos eles. Como esse mecanismo é muito frágil, fica muito sujeito a erros. Isso dá margem às mutações e são as células mutantes, algo semelhantes às originais, mas também diferentes delas, e pouco amadurecidas, que sofrem uma proliferação excessiva, dando origem ao câncer. Não se conhece exatamente as razões porque isso acontece, mas sabe-se de uma série de fatores relacionados com uma maior incidência do câncer: hereditariedade, idade avançada, poluição, fumo, reposição hormonal, vírus, certos medicamentos e alimentos, exposição inadequada ao sol (radiação ultravioleta), radiações nucleares, fatores irritantes celulares, etc. Algumas causas são internas ao organismo, como a hereditariedade e o envelhecimento, por exemplo, e outras se devem a fatores externos e ambientais. Essas duas ordens de fatores interagem de modo a produzir o resultado final, embora a maioria dos cânceres esteja ligada a fatores externos ou ambientais específicos. Por exemplo: exposição ao sol e câncer de pele; fumo e câncer de pulmão; reposição hormonal e câncer de mama, vírus e câncer do colo do útero. O surgimento do câncer é diretamente proporcional à intensidade de exposição aos fatores externos ou ambientais, embora alguns tipos de cânceres parecem depender mais da herança genética, como o retinoblastoma, o câncer de estômago, de intestino e de mama.

Quais são os principais sintomas do câncer?

Os sintomas do câncer são muito variados, porque dependem da sua localização, intensidade, tipo histológico e tempo de duração, mas três ordens de fatores gerais, no entanto, interferem na determinação deles:

  1. Fatores locais, decorrentes do tumor ou da lesão local (ulcerações, dores, sangramentos, compressão de tecidos vizinhos, etc.).
  2. Fatores decorrentes das metástases.
  3. Fatores sistêmicos, decorrentes das influências do câncer sobre o organismo como um todo (alterações hormonais, falta de apetite, perda de peso, anemia, etc).

Como o médico diagnostica o câncer?

Em geral, os cânceres são inicialmente suspeitados pelos sinais e/ou sintomas que acarretam ou através de dados endoscópicos ou exames de imagens. No entanto, nenhum desses elementos leva a um diagnóstico definitivo, o qual acaba quase sempre requerendo uma biópsia e a análise de um patologista. É ele quem fornece informações quanto ao tipo de células envolvidas e características histológicas do tumor, o que ajuda a firmar não só o tratamento como a prever a possível evolução dele.

Como o médico trata o câncer?

O primeiro passo no tratamento do câncer é a remoção do tumor. Isso só é possível quando ele está delimitado ou minimamente invasivo, isto é, não esteja demais confundido com o tecido normal. Se não for esse o caso, torna-se difícil para o cirurgião determinar onde acaba a neoplasia e onde começa o tecido normal, e ele tanto pode retirar tecido normal em demasia como não remover toda a massa cancerosa. O tumor também não pode ser ressecado se invadir órgãos vitais que não possam ser cortados ou retirados (um grande vaso sanguíneo, por exemplo). Por outro lado, em alguns casos pode-se fazer a ressecção ou retirada do órgão completo, cuja função já não faça falta ao organismo ou possa ser substituída artificialmente (retirada da próstata, mama, útero, etc.).

Os demais tratamentos procuram tirar proveito das diferenças existentes entre as células cancerosas e as normais, buscando meios de matar aquelas sem danificar ou danificando ao mínimo estas últimas.

A quimioterapia faz uso de medicações injetáveis, orais ou aplicadas em cavidades do corpo e procura atingir as células malignas onde quer que elas estejam. Tradicionalmente, a quimioterapia produz efeitos secundários muito desagradáveis, como diarreia, náuseas, vômitos, queda do cabelo e outros, às vezes dificilmente suportáveis pelo paciente. Outra desvantagem da quimioterapia é que ela ataca também as células normais, que só se diferenciam ligeiramente das células malignas. Atualmente, existe uma nova classe de medicamentos menos tóxicos e mais eficazes, que produzem menos efeitos colaterais e menores danos ao organismo como um todo.

A radioterapia é um tratamento local. Ela baseia-se no fato de que as células tumorais são mais vulneráveis que as células normais a doses de radiação de alta energia (raios X e gama), mas não deixa de atacar também células normais. Os efeitos secundários da radioterapia são semelhantes aos da quimioterapia, mas quando é aplicada sozinha, há maior risco - embora pequeno - de desenvolvimento de novos tumores.

Alguns tumores malignos, como os de mama e próstata, por exemplo, podem ser inibidos com êxito por certos hormônios.

Muitas vezes, na dependência do julgamento clínico do médico e em vista do quadro clínico concreto, essas terapias podem ser combinadas, simultânea ou alternativamente. Atualmente há uma busca ativa por novos e mais eficazes meios de tratamento, prometendo progressos em curto prazo. Contudo, continua sendo de importância capital a detecção precoce do câncer, pois os resultados dos tratamentos atuais são tanto melhores quanto mais cedo se iniciarem, pelo que os exames preventivos devem ser feitos com regularidade.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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