sexta-feira, 30 de julho de 2010

Tireoide - quarta-feira, 15 de outubro de 2008 - 16:59
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Nódulos da Tireóide

Sinônimos:

Caroço no pescoço, bócio1

 

O que são nódulos da tireóide?

São protuberâncias do tecido2 tireoideano palpáveis ou identificáveis por exames complementares. Constituem a principal manifestação clínica de uma série de doenças da tireóide, com uma prevalência3 de aproximadamente 10% na população adulta.

 

Quais são as causas?

As causas são várias. Os nódulos podem aparecer quando a tireóide não está funcionando bem, tanto por excesso de produção de hormônios (hipertireoidismo4), quanto pela sua diminuição (hipotireoidismo5). Também podem ser tumores benignos ou malignos. Mas, felizmente, nove em cada dez nódulos tireoideanos são benignos.

 

Quem está em risco para desenvolver nódulos tireoideanos?

As mulheres são mais acometidas. Mas, homens portadores de nódulos tireoideanos têm mais chances de apresentarem lesões malignas do que as mulheres.

 

Quais os fatores de risco?

Se uma pessoa tem um nódulo6 de tireóide, a probabilidade dele ser um tumor7 maligno é maior em:

  • nódulos que apresentam crescimento rápido
  • nódulos endurecidos e que estão fixos a estruturas subjacentes
  • idosos (idade maior do que 60 anos)
  • pacientes do sexo masculino (17% contra 8% nas mulheres)
  • pacientes que receberam irradiação anterior na região da cabeça ou do pescoço (acidente de Goiânia ou Radioterapia8 para tratamento de outros tumores)
  • tumores que levam à paralisia9 de corda vocal ipsilateral
  • presença de adenomegalia regional ipsilateral
  • história familiar de câncer10 de tireóide ou Neoplasia11 Endócrina Múltipla

O que sente o portador de um nódulo6 tireoidiano?

A maioria dos nódulos é assintomática. Raramente, alguns pacientes queixam-se de dor de garganta, no maxilar ou no ouvido. O sinal12 mais comum é de uma elevação nodular no pescoço que progressivamente aumenta de tamanho ou é percebida por familiares, amigos ou por um médico, durante consulta para tratamento de outro distúrbio não relacionado com o nódulo6.

 

Como o médico faz o diagnóstico13?

Deve ser feita uma consulta médica com um Endocrinologista14 ou Cirurgião de Cabeça e Pescoço. Ele fará uma anamnese e exame físico detalhados, seguidos de exames complementares que forem indicados para cada caso, como dosagem de hormônios tireoideanos, ultrassonografia da tireóide,  punção biópsia15 aspirativa com agulha fina (PAAF), mapeamento da tireóide com iodo radiativo, tomografia axial computadorizada e ressonância magnética da tireóide, dentre outros.


Quais os tipos de nódulos existentes?

Os nódulos tireoideanos são classificados em benignos e malignos. O melhor exame para verificar se um nódulo6 é benigno ou maligno é a punção biópsia15 aspirativa com agulha fina (PAAF).

O nódulos benignos são os adenomas foliculares, cistos, bócio1 colóide e tireoidites (inflamações na tireóide).

Os nódulos malignos são classificados em bem diferenciados (menos agressivos) e pouco diferenciados (com maior agressividade). 

Os carcinomas diferenciados respondem por 90% dos casos de todas as neoplasias malignas da tireóide. A maioria dos pacientes com carcinoma16 diferenciado apresenta, geralmente, um bom prognóstico17 quando tratada adequadamente.

 

Qual o tratamento?

Pacientes com nódulos com citologia benigna devem ser acompanhados a intervalos regulares, com exame do nódulo6 a cada seis meses, que podem ser ampliados com o passar o tempo.

Caso a PAAF seja positiva para malignidade, a cirurgia está indicada. O tipo de cirurgia recomendada deve ser criteriosamente avaliada por um médico.


Quando um nódulo6 não é tratado, o que pode acontecer?

Pode haver um crescimento progressivo do nódulo6 com conseqüente compressão das estruturas profundas do pescoço, levando a sintomas18 de acordo com a estrutura comprimida:

  • Traquéia:  falta de ar e tosse seca
  • Esôfago19: dificuldade para engolir
  • Nervos laríngeos: rouquidão

Um nódulo6 maligno não tratado pode levar ao aparecimento de metástases à distância. Ou seja, disseminação do tumor7 para outros órgãos. Quando existem metástases, os sítios mais comuns são gânglios linfáticos20 cervicais, mediastino21, pulmões22, fígado23 e ossos.

 

Fontes:

Nódulos de Tireóide e Câncer10 Diferenciado de Tireóide: Consenso Brasileiro
American Thyroid Association
European Thyroid Association

Comentários

14/01/2010 13:07 - Comentário feito por Lucia Regina da Silva Espelho
Re: Nódulos da Tireóide
fiz uma tereoidectomia parcial esquerda em 1991,na época não sabia direito o que se tratava,mas com o tempo fui buscasndo mais informação sobre meu caso,não reponho hormonios,embora faço exames a cada 6 meses, e graças a Deus não preciso das reposições,ha algum em exames feito apareceu nodulos também na parte direita,faço acompanhamento e esta tudo bem,sobre o artigo que me enviaram esclareceu muito mais algumas duvidas e outras coisas que eu não sabia,certamente conversarei com meu médico,e buscarei mais esclarecimentos,.Prabens pelo estudo,e obrigada.
22/09/2009 12:41 - Comentário feito por Regina Lucia pereira de Paula
Re: Nódulos da Tireóide
Já realizei a cirurgia do nodulo da tireóide há 9 meses,e sempre surge uma duvida,se foi realmente necessário tal realização,já que tinha informação que tal era benigna.Lendo este estudo gostei muito das informações dadas,me acrescentou conhecimento.Obrigada
21/06/2009 11:02 - Comentário feito por Leliane Alencar
Re: Nódulos da Tireóide
Excelente explicação sobre o que pode acontecer caso não seja tratado e as diferenças de malignidade também. Estou com um nodulo na tireoide de 2cmx1,5cm e estou com muita falta de ar, estava com medo de fazer a punção, mas vejo que é a melhor maneira de começar a tratar o nódulo que mesmo benigno pode trazer complicações se crescer.

Glossário

1 Bócio: Aumento do tamanho da glândula tireóide, que produz um abaulamento na região anterior do pescoço. Em geral está associado ao hipotireoidismo. Quando a causa desta doença é a deficiência de ingestão de iodo, é denominado Bócio Regional Endêmico. Também pode estar associado a outras doenças glandulares como tumores, infecções ou inflamações.
2 Tecido: Conjunto de células de características semelhantes, organizadas em estruturas complexas para cumprir uma determinada função. Exemplo de tecido: o tecido ósseo encontra-se formado por osteócitos dispostos em uma matriz mineral para cumprir funções de sustentação.
3 Prevalência: Número de pessoas em determinado grupo ou população que são portadores de uma doença. Número de casos novos e antigos desta doença.
4 Hipertireoidismo: Doença caracterizada por um aumento anormal da atividade dos hormônios tireoidianos. Pode ser produzido pela administração externa de hormônios tireoidianos (hipertireoidismo iatrogênico) ou pelo aumento de uma produção destes nas glândulas tireóideas. Seus sintomas, entre outros, são taquicardia, tremores finos, perda de peso, hiperatividade, exoftalmia.
5 Hipotireoidismo: Distúrbio caracterizado por uma diminuição da atividade ou concentração dos hormônios tireoidianos. Manifesta-se por engrossamento da voz, aumento de peso, diminuição da atividade, depressão.
6 Nódulo: Lesão de consistência sólida, maior do que 0,5cm de diâmetro, saliente na hipoderme. Em geral não produz alteração na epiderme que a recobre.
7 Tumor: Termo que literalmente significa massa ou formação de tecido. É utilizado em geral para referir-se a uma formação neoplásica.
8 Radioterapia: Método que utiliza diversos tipos de radiação ionizante para tratamento de doenças oncológicas.
9 Paralisia: Perda total da força muscular que produz incapacidade para realizar movimentos nos setores afetados. Pode ser produzida por doença neurológica, muscular, tóxica, metabólica ou ser uma combinação das mesmas.
10 Câncer: Crescimento anormal de um tecido celular capaz de invadir outros órgãos localmente ou à distância (metástases).
11 Neoplasia: Termo que denomina um conjunto de doenças caracterizadas pelo crescimento anormal e em certas situações pela invasão de órgãos à distância (metástases). As neoplasias mais freqüentes são as de mama, cólon, pele e pulmões.
12 Sinal: 1. É uma alteração percebida ou medida por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida.
2. Som ou gesto que indica algo, indício.
3. Dinheiro que se dá para garantir um contrato.
13 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
14 Endocrinologista: Médico que trata pessoas que apresentam problemas nas glândulas endócrinas.
15 Biópsia: Obtenção de uma amostra de tecido de um organismo vivo para fins diagnósticos.
16 Carcinoma: Tumor maligno ou câncer, derivado do tecido epitelial.
17 Prognóstico: 1. Juízo médico, baseado no diagnóstico e nas possibilidades terapêuticas, em relação à duração, à evolução e ao termo de uma doença.
2. Predição, presságio, profecia relativos a qualquer assunto.
18 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
19 Esôfago: O esôfago é um tubo músculo-membranoso, longo e delgado, que comunica a garganta ao estômago. Ele permite a passagem do alimento ou líquido ingerido até o interior do sistema digestivo, através de contrações musculares.
20 Gânglios linfáticos: Estrutura pertencente ao sistema linfático, localizada amplamente em diferentes regiões superficiais e profundas do organismo, cuja função consiste na filtração da linfa, maturação e ativação dos linfócitos, que são elementos importantes da defesa imunológica do organismo.
21 Mediastino: Região anatômica do tórax onde se localizam diversas estruturas, dentre elas o coração.
22 Pulmões: Órgãos do sistema respiratório situados na cavidade torácica e responsáveis pelas trocas gasosas entre o ambiente e o sangue. São em número de dois, possuem forma piramidal, têm consistência esponjosa e medem cerca de 25 cm de comprimento. Os pulmões humanos são divididos em segmentos denominados lobos. O pulmão esquerdo possui dois lobos e o direito possui três. Os pulmões são compostos de brônquios que se dividem em bronquíolos e alvéolos pulmonares. Nos alvéolos se dão as trocas gasosas ou hematose pulmonar entre o meio ambiente e o corpo, com a entrada de oxigênio na hemoglobina do sangue (formando a oxiemoglobina) e saída do gás carbônico ou dióxido de carbono (que vem da célula como carboemoglobina) dos capilares para o alvéolo.
23 Fígado: Órgão que transforma alimento em energia, remove álcool e toxinas do sangue e fabrica bile. A bile, produzida pelo fígado, é importante na digestão, especialmente das gorduras. Após secretada pelas células hepáticas ela é recolhida por canalículos progressivamente maiores que a levam para dois canais que se juntam na saída do fígado e a conduzem intermitentemente até o duodeno, que é a primeira porção do intestino delgado. Com esse canal biliar comum, chamado ducto hepático, comunica-se a vesícula biliar através de um canal sinuoso, chamado ducto cístico. Quando recebe esse canal de drenagem da vesícula biliar, o canal hepático comum muda de nome para colédoco. Este, ao entrar na parede do duodeno, tem um músculo circular, designado esfíncter de Oddi, que controla o seu esvaziamento para o intestino.
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