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Crises de soluço e seus significados clínicos

Há 3 dias
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Crises de soluço e seus significados clínicos

O que são crises de soluço?

As crises de soluço correspondem a episódios repetidos, involuntários e rítmicos de contração súbita do diafragma e, em menor intensidade, dos músculos intercostais, seguidos pelo fechamento abrupto da glote. Esse fechamento gera o som característico conhecido como “soluço”.

Em geral, o soluço é um fenômeno benigno, transitório e autolimitado, bastante comum na população. No entanto, quando ocorre de forma persistente ou recorrente, pode configurar uma condição clínica relevante, denominada soluço patológico ou crise de soluço.

Do ponto de vista clínico, o soluço é classificado de acordo com sua duração. O soluço agudo dura menos de 48 horas e é o tipo mais frequente. O soluço persistente mantém-se por mais de 48 horas, enquanto o soluço intratável ou refratário persiste por mais de dois meses (podendo, em casos excepcionais, durar anos).

As crises persistentes ou intratáveis, embora raras, podem causar importante impacto na qualidade de vida do paciente, além de sinalizarem a presença de doenças subjacentes potencialmente graves.

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Quais são as causas das crises de soluço?

As crises de soluço apresentam etiologia multifatorial, podendo estar associadas tanto a estímulos fisiológicos benignos quanto a condições patológicas. Entre as causas mais comuns estão os fatores gastrointestinais, especialmente a distensão gástrica após ingestão excessiva de alimentos, bebidas gaseificadas ou álcool. O refluxo gastroesofágico é uma das causas patológicas mais frequentes, devido à irritação do nervo frênico ou do nervo vago.

Alterações do sistema nervoso central também figuram como causas relevantes, sobretudo nos casos persistentes. Lesões como acidente vascular cerebral, tumores, traumatismos cranioencefálicos, esclerose múltipla e infecções do sistema nervoso central podem desencadear crises prolongadas de soluço.

Doenças metabólicas, como uremia, hiponatremia, hipocalcemia e diabetes mellitus descompensado, também podem interferir nos mecanismos de controle do reflexo do soluço. Outras causas incluem doenças torácicas, como pneumonia, pleurite, pericardite e tumores mediastinais, que podem irritar o nervo frênico.

Procedimentos cirúrgicos, especialmente abdominais ou torácicos, anestesia geral e o uso de determinados medicamentos, como corticoides, benzodiazepínicos, opioides e quimioterápicos, também estão associados ao aparecimento ou à manutenção das crises de soluço.

Qual é a fisiopatologia das crises de soluço?

A fisiopatologia das crises de soluço envolve um arco reflexo complexo que integra componentes aferentes, centrais e eferentes. O estímulo inicial pode surgir em diversas estruturas periféricas, como o trato gastrointestinal, o mediastino, o diafragma ou a faringe. Esses estímulos são conduzidos principalmente por fibras aferentes do nervo vago, do nervo frênico e de fibras simpáticas torácicas.

O centro integrador do reflexo do soluço localiza-se no sistema nervoso central, mais especificamente no tronco encefálico, em regiões próximas aos centros respiratórios do bulbo e da ponte. Esse centro coordena a resposta motora involuntária característica do soluço. Alterações estruturais, inflamatórias ou metabólicas nessa região podem levar à ativação repetitiva e descontrolada do reflexo.

A via eferente é mediada principalmente pelo nervo frênico, responsável pela inervação do diafragma, e por nervos motores que controlam os músculos intercostais e a glote. A contração súbita do diafragma provoca uma inspiração abrupta, enquanto o fechamento reflexo da glote interrompe o fluxo de ar, resultando no som típico. Nas crises persistentes, acredita-se que haja hiperexcitabilidade do arco reflexo associada a falha dos mecanismos inibitórios centrais.

Quais são as características clínicas das crises de soluço?

Clinicamente, as crises de soluço manifestam-se por episódios repetitivos e involuntários de soluços, que podem ocorrer em intervalos regulares ou irregulares. Nos episódios agudos, os sintomas costumam ser leves e autolimitados, causando apenas desconforto transitório. Já nas crises persistentes ou intratáveis, os sintomas tornam-se mais intensos e incapacitantes.

Pacientes com crises prolongadas podem apresentar dificuldade para se alimentar, falar ou dormir, levando à perda de peso, desidratação, fadiga e irritabilidade. O sono fragmentado é uma queixa frequente, especialmente quando os soluços persistem durante a noite. Em casos mais graves, podem surgir sintomas associados à causa subjacente, como dor torácica, dispneia, sintomas neurológicos ou manifestações gastrointestinais.

Do ponto de vista emocional, crises prolongadas de soluço podem gerar ansiedade, estresse e até sintomas depressivos, em razão do impacto significativo na vida social e profissional do paciente. Assim, embora o soluço seja frequentemente subestimado, suas formas persistentes merecem investigação clínica adequada.

Como o médico diagnostica as crises de soluço?

O diagnóstico das crises de soluço é essencialmente clínico, baseado na história do paciente e na duração dos episódios. Inicialmente, o médico avalia se o soluço é agudo, persistente ou intratável, pois essa classificação orienta a investigação. Nos casos agudos, geralmente não é necessária investigação extensa, uma vez que o quadro tende a se resolver espontaneamente.

Quando o soluço persiste por mais de 48 horas, torna-se fundamental pesquisar causas subjacentes. A anamnese detalhada deve incluir hábitos alimentares, consumo de álcool, uso de medicamentos, presença de doenças conhecidas e sintomas associados. O exame físico deve ser completo, com atenção especial aos sistemas neurológico, respiratório e gastrointestinal.

Exames complementares podem ser solicitados conforme a suspeita clínica, incluindo exames laboratoriais para avaliação metabólica, radiografia de tórax, endoscopia digestiva alta e métodos de imagem como tomografia computadorizada ou ressonância magnética, especialmente quando há suspeita de lesões neurológicas ou torácicas.

Como o médico trata as crises de soluço?

O tratamento das crises de soluço depende da duração e da causa identificada. Nos casos agudos, medidas simples e não farmacológicas costumam ser eficazes, como prender a respiração, respirar em um saco de papel, ingerir água fria ou estimular a nasofaringe. Essas manobras visam interromper temporariamente o arco reflexo do soluço.

Quando as crises são persistentes ou intratáveis, o tratamento deve priorizar a correção da causa subjacente. Se o soluço estiver relacionado ao refluxo gastroesofágico, por exemplo, o uso de inibidores da bomba de prótons e, em alguns casos, procinéticos pode ser eficaz.

Na ausência de causa claramente identificada ou quando há falha das medidas iniciais, indica-se tratamento farmacológico. Os medicamentos mais utilizados incluem clorpromazina, baclofeno, metoclopramida e gabapentina, que atuam modulando a atividade do sistema nervoso central e do arco reflexo do soluço.

Em situações raras e extremamente refratárias, procedimentos invasivos, como o bloqueio do nervo frênico, podem ser considerados.

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Como evoluem as crises de soluço?

A evolução das crises de soluço é geralmente benigna, sobretudo nos casos agudos, que tendem a desaparecer espontaneamente. A maioria dos indivíduos apresenta apenas episódios ocasionais ao longo da vida, sem repercussões significativas.

Nos casos persistentes ou intratáveis, a evolução depende diretamente da causa subjacente. Quando a etiologia é identificada e adequadamente tratada, o prognóstico costuma ser favorável. Por outro lado, crises associadas a doenças neurológicas ou neoplásicas podem apresentar curso mais prolongado e recorrente, exigindo acompanhamento contínuo.

O reconhecimento precoce e o manejo adequado são fundamentais para evitar complicações e melhorar a qualidade de vida do paciente.

Quais são as complicações possíveis com as crises de soluço?

As complicações das crises de soluço estão relacionadas principalmente à sua duração e intensidade. Crises prolongadas podem levar à desidratação, desnutrição, distúrbios do sono e exaustão física. A dificuldade para se alimentar adequadamente pode resultar em perda de peso significativa, especialmente em idosos ou em pacientes com doenças crônicas.

Além disso, o aumento repetido da pressão intratorácica pode, raramente, provocar arritmias cardíacas, agravamento do refluxo gastroesofágico e dor torácica. Do ponto de vista psicológico, o impacto emocional também pode ser relevante, com desenvolvimento de ansiedade, isolamento social e prejuízo funcional.

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da Rede D’Or São Luiz e da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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