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O que é ortóptica?

Monday, August 28, 2023
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O que é ortóptica?

O que é ortóptica?

A ortóptica (grego: ortho = direito, reto + optikos = olhos) é uma ciência que existe há muitos anos e é amplamente praticada em países europeus e nos EUA. No Brasil, entretanto, ela é ainda pouco explorada e aplicada.

A ortóptica é uma especialidade da área da saúde que se dedica ao diagnóstico, tratamento e reabilitação de distúrbios visuais relacionados à função binocular, motilidade ocular e problemas de coordenação entre os olhos.

A função binocular refere-se à capacidade dos olhos de trabalharem em conjunto, permitindo uma visão nítida e tridimensional. A motilidade ocular refere-se aos movimentos oculares coordenados e suaves que permitem acompanhar objetos em movimento, realizar fixações visuais e mover os olhos de maneira eficiente.

A ciência ortóptica também pode auxiliar profissionais de áreas além da oftalmologia, como pediatria, pedagogia, neurologia, psicologia e em projetos científicos para desenvolvimento de programas de prevenção de doenças oculares. Os profissionais especializados em ortóptica são chamados de ortoptistas.

Em que trabalham os ortoptistas?

Os ortoptistas são especialistas em motilidade ocular e colaboram com os oftalmologistas no pré e pós-operatório. Eles são os técnicos que desempenham as atividades que a ortóptica assume em seu escopo. São profissionais que atuam em todas as idades, dos recém-nascidos aos mais idosos.

Eles realizam testes e avaliações para diagnosticar problemas visuais, como estrabismo (desalinhamento dos olhos), ambliopia (olho preguiçoso) e disfunções de convergência (dificuldade em coordenar os olhos para focalizar objetos próximos). Com base no diagnóstico, eles prescrevem e aplicam programas terapêuticos com vista à reeducação e reabilitação motora e funcional da visão binocular e da deficiência visual, por meio de exercícios e uso de prismas ou lentes especiais, para corrigir ou melhorar problemas visuais.

Eles também desenvolvem ações com o fim de potenciar as capacidades da pessoa com deficiência visual, de forma a facilitar a sua inserção social com inerentes repercussões na sua qualidade de vida.

Os ortoptistas trabalham em conjunto com oftalmologistas e optometristas para fornecer cuidados mais abrangentes aos pacientes com distúrbios visuais. Se necessário, eles encaminham os pacientes para outros profissionais de saúde visual para intervenções adicionais, como cirurgia ocular, por exemplo.

A prática e o escopo da ortóptica variam de acordo com o país e o sistema de saúde em que os profissionais se acham inseridos.

Veja também sobre "Estrabismo", "Deficiência visual" e "Vista embaçada".

Por que fazer um exame ortóptico?

Muitos problemas de vista, como visão dupla ou embaçada, ardência no olho, cansaço, sonolência, lacrimejamento, sensibilidade à luz, dor de cabeça, etc., podem ser devidos a distúrbios de visão binocular. Entre eles, ressalta-se o estrabismo.

A maioria desses problemas pode ser tratado sem uso de óculos, com os recursos da ortóptica, que não é, senão, uma fisioterapia dos músculos oculares. Embora pareçam simples, alguns desses problemas podem levar à perda da visão em um dos olhos e muitas vezes o problema pode não chegar a ser notado, pois em muitas ocasiões o cérebro compensa a perda da visão de um dos olhos.

Com a fisioterapia ocular, é possível recuperar a visão binocular correta. O estrabismo ou danos nos nervos que controlam os músculos oculares também podem ser revertidos pela ortóptica.

Em que consiste o exame ortóptico?

O exame ortóptico visa analisar o correto alinhamento de ambos os olhos. Este alinhamento é mantido pela musculatura extrínseca dos olhos, composta dos seguintes músculos:

  1. reto inferior, que tem, entre outras funções secundárias, a de olhar para baixo;
  2. reto superior, que também é responsável, entre outras funções, pelo olhar para cima (elevação do olho);
  3. reto lateral, que faz a abdução do olho (olhar para fora);
  4. reto medial, que faz a adução do olho (olhar para dentro, em direção ao nariz);
  5. oblíquo superior, que faz olhar para baixo e para fora;
  6. oblíquo inferior, que faz olhar para cima e para dentro.

Para que os olhos funcionem de maneira adequada em conjunto, é necessário que esses músculos e sua inervação estejam funcionando corretamente.

Na infância, o sincronismo entre os dois olhos é essencial para que a área do cérebro responsável pela interpretação das imagens vindas de ambos os olhos se desenvolva corretamente. Se isso não acontecer, pode ocorrer que o cérebro da criança deixe de captar a informação transmitida por um dos olhos, instalando-se a ambliopia, fazendo com que o outro olho se torne a única fonte da visão.

O exame ortóptico atende crianças e adultos e é indicado para avaliar o alinhamento dos olhos em todas as posições do olhar para pacientes com suspeita de estrabismo e ambliopia ou que possuem visão dupla, visão embaçada ou queixas de dores de cabeça.

Para sua realização, o teste ortóptico não exige nenhuma preparação. Nele é feita a avaliação do alinhamento ou desvio ocular em todas as posições diagnósticas do olhar, o que permite detectar a presença de alterações musculares que indiquem a possibilidade de tratamento clínico ou cirúrgico.

No relatório serão fornecidas medidas do desvio para diagnóstico e acompanhamento. O exame é feito sem dilatação de pupila com a medida da visão e definição da presença ou não de visão dupla para as várias distâncias de avaliação. A visão binocular pode ser medida, assim como a força muscular para manutenção do alinhamento dos olhos.

As sessões de tratamento duram, em média, 40 minutos e trabalham ambos os olhos do paciente em conjunto com exercícios que fortalecem a musculatura ocular. Os equipamentos utilizados para o tratamento são equipamentos eletrônicos e ferramentas de estimulação motora e sensorial, para que o foco do paciente seja bem trabalhado.

Serão recomendados exercícios para que o paciente faça em casa, como abrir e fechar os olhos lentamente por 8 vezes consecutivas; olhar 10 vezes para todas as direções (laterais, acima, abaixo e central) e treinar o foco da visão 10 vezes consecutivas, alternando a visão de um objeto distante com outro próximo.

Essa fisioterapia ocular ajudará no fortalecimento da musculatura ocular, na preservação da visão de pacientes com doenças neurológicas, tais como acidente vascular cerebral, e na preservação da visão para pessoas que fadigam a visão devido ao trabalho e sentem a visão cansada, reduzindo o estresse visual e evitando dores de cabeça causadas por fadiga visual.

Leia sobre "Diplopia", "Criança com dor de cabeça" e "Ambliopia".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites do Instituto de Oftalmologia de Curitiba e do Hospital de Olhos - São Paulo.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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