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Presbiacusia: como a audição muda na terceira idade e o que pode ser feito?

segunda-feira, 4 de maio de 2026
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Presbiacusia: como a audição muda na terceira idade e o que pode ser feito?

O que é presbiacusia?

Presbiacusia é o termo utilizado para descrever a perda auditiva neurossensorial bilateral, geralmente simétrica e progressiva, associada ao envelhecimento do sistema auditivo. Trata-se de uma das alterações sensoriais mais prevalentes na população idosa e configura um relevante problema de saúde pública, sobretudo em contextos de aumento da expectativa de vida.

Diferentemente das perdas auditivas súbitas ou secundárias a causas específicas identificáveis, a presbiacusia é multifatorial, de instalação insidiosa e costuma manifestar-se a partir da sexta década, embora possa surgir mais precocemente em indivíduos suscetíveis.

Caracteriza-se principalmente por perda nas altas frequências e dificuldade de compreensão da fala, especialmente em ambientes com ruído competitivo, mais do que por simples redução da intensidade sonora percebida.

Quais são as causas da presbiacusia?

As causas da presbiacusia são complexas e multifatoriais, envolvendo interação entre fatores biológicos, ambientais e genéticos. O envelhecimento fisiológico é o principal determinante, levando a alterações degenerativas progressivas na cóclea, no nervo coclear e nas vias auditivas centrais. A predisposição genética influencia a intensidade e a velocidade de progressão da perda auditiva, explicando a variabilidade entre indivíduos.

Entre os fatores ambientais, destaca-se a exposição cumulativa ao ruído ao longo da vida, mesmo em níveis não ocupacionais. Doenças crônicas sistêmicas, como diabetes mellitus, hipertensão arterial sistêmica, dislipidemia e doenças cardiovasculares, podem comprometer a microcirculação coclear, contribuindo para o dano auditivo.

O uso de medicamentos ototóxicos (como aminoglicosídeos, alguns quimioterápicos e diuréticos de alça), o tabagismo e o consumo excessivo de álcool estão associados a maior risco e progressão mais acelerada da perda auditiva relacionada à idade.

Qual é a fisiopatologia da presbiacusia?

A fisiopatologia da presbiacusia envolve processos degenerativos em múltiplos níveis do sistema auditivo periférico e central.

Na cóclea, ocorre perda progressiva das células ciliadas externas e internas, particularmente na espira basal, responsável pela percepção das altas frequências. Essas células são essenciais para a amplificação coclear e a transdução mecanoelétrica, e sua degeneração leva à redução da sensibilidade auditiva.

Há degeneração das sinapses entre as células ciliadas e as fibras do nervo coclear, fenômeno denominado sinaptopatia coclear, que contribui para a dificuldade de discriminação da fala, mesmo com limiares auditivos relativamente preservados em fases iniciais.

Alterações na estria vascular, responsável pela manutenção do potencial endococlear, resultam em comprometimento do metabolismo iônico coclear.

No sistema auditivo central, o envelhecimento leva a alterações nas vias auditivas do tronco encefálico e no córtex auditivo, prejudicando o processamento temporal, a integração binaural e a compreensão da fala em ambientes ruidosos, fenômeno frequentemente desproporcional ao grau de perda tonal.

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Quais são as características clínicas da presbiacusia?

Clinicamente, a presbiacusia apresenta-se de forma lenta, insidiosa, bilateral e simétrica, com predomínio em altas frequências. O principal sintoma é a dificuldade para compreender a fala, especialmente em ambientes com ruído de fundo ou em situações com múltiplos interlocutores.

É comum o paciente referir que “ouve, mas não entende”, refletindo comprometimento da discriminação auditiva. Sons agudos, como vozes femininas ou infantis, tornam-se menos audíveis, assim como sinais sonoros ambientais (campainhas, alarmes).

Outros achados frequentes incluem: necessidade de aumentar o volume da televisão, pedidos frequentes de repetição e percepção de que as pessoas falam baixo ou “murmuram”.

O zumbido (tinnitus) é um sintoma associado comum, geralmente bilateral. Hipersensibilidade a sons intensos (recrutamento) pode ocorrer, embora seja menos valorizada clinicamente.

A presbiacusia não cursa com dor, secreção otológica ou vertigem típica, o que auxilia na diferenciação de outras condições otológicas.

Como o médico diagnostica a presbiacusia?

O diagnóstico da presbiacusia é clínico-audiológico. A avaliação inicia-se com anamnese detalhada, incluindo caracterização da queixa, tempo de evolução, exposição ao ruído, uso de medicamentos ototóxicos, comorbidades e impacto funcional da perda auditiva.

O exame físico inclui otoscopia, que costuma ser normal, já que não há comprometimento da orelha externa ou média. O exame fundamental é a audiometria tonal liminar, que evidencia perda auditiva neurossensorial bilateral, simétrica e descendente (pior nas altas frequências). A audiometria vocal frequentemente demonstra redução da discriminação da fala, desproporcional ao grau da perda tonal em alguns casos.

Exames complementares, como imitanciometria, emissões otoacústicas e potenciais evocados auditivos, podem ser utilizados para refinar o diagnóstico, avaliar a integridade coclear e neural ou excluir diagnósticos diferenciais quando necessário.

Como o médico trata a presbiacusia?

A presbiacusia não possui tratamento curativo, pois as alterações degenerativas são irreversíveis. O manejo é direcionado à reabilitação auditiva e à melhora da comunicação.

A principal intervenção é o uso de aparelhos de amplificação sonora individual (AASI), ajustados de acordo com o perfil audiométrico. Esses dispositivos melhoram a audibilidade e a compreensão da fala, especialmente quando utilizados precocemente.

A reabilitação inclui também orientação ao paciente e à família, além de estratégias comunicativas, como falar de frente, reduzir ruído ambiental e articular claramente as palavras. Treinamento auditivo pode ser indicado para melhorar o processamento da fala.

Em casos de perda auditiva severa a profunda, com benefício limitado dos AASI, pode-se indicar implante coclear, desde que cumpridos critérios audiológicos e clínicos estabelecidos.

O controle de comorbidades e a adoção de hábitos saudáveis, incluindo proteção contra ruído e revisão do uso de medicamentos ototóxicos, são medidas importantes para reduzir a progressão da perda auditiva.

Como evolui a presbiacusia?

A presbiacusia apresenta evolução lenta e progressiva, com variabilidade individual. Inicialmente restrita às altas frequências, pode progredir para frequências médias, comprometendo de forma mais significativa a compreensão da fala. Fatores como genética, exposição ao ruído, doenças sistêmicas e adesão ao tratamento influenciam a velocidade de progressão.

Com acompanhamento adequado e uso regular de dispositivos auditivos, muitos pacientes mantêm boa funcionalidade comunicativa e autonomia. Por outro lado, a ausência de diagnóstico e intervenção pode levar a impacto funcional significativo e deterioração da qualidade de vida.

Quais são as complicações possíveis da presbiacusia?

As complicações da presbiacusia vão além da perda auditiva. A dificuldade de comunicação pode levar a isolamento social, redução da interação familiar e diminuição da participação em atividades sociais. Essas alterações estão associadas a maior risco de depressão, ansiedade e redução da qualidade de vida.

Evidências atuais demonstram associação entre perda auditiva não tratada e declínio cognitivo, incluindo maior risco de demência, possivelmente por mecanismos como privação sensorial e aumento da carga cognitiva.

A redução da percepção sonora também pode aumentar o risco de acidentes, especialmente quedas, devido à menor percepção de estímulos ambientais.

A presbiacusia deve ser compreendida não apenas como uma consequência inevitável do envelhecimento, mas como uma condição cujo diagnóstico e tratamento precoces são fundamentais para preservar a funcionalidade, a cognição e a qualidade de vida do indivíduo.

Leia também: "Reflexão - a vergonha e a deficiência auditiva" e "Alguns sons te incomodam muito? Pode ser misofonia!".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da U.S. National Library of Medicine e da OtorrinoUSP.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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