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O que são desregulações do humor e quais as suas causas

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O que são desregulações do humor e quais as suas causas

O que são desregulações do humor?

O humor é o estado emocional basal e sustentado de um indivíduo, diferindo do afeto, que corresponde a uma resposta emocional momentânea e transitória. A regulação do humor refere-se ao conjunto de mecanismos neurobiológicos e psicossociais pelos quais o cérebro e o corpo mantêm o equilíbrio emocional ao longo do tempo, permitindo respostas proporcionais e adaptativas aos estímulos internos e externos. Em termos simples, trata-se da capacidade de modular emoções como alegria, tristeza, irritabilidade ou euforia, de modo que não comprometam o funcionamento cotidiano.

Quando essa regulação funciona adequadamente, o humor permanece em eutimia, podendo oscilar de forma fisiológica para estados de hipotimia (humor rebaixado) ou hipertimia (humor elevado), sem caráter patológico. Nas desregulações do humor, porém, essas variações tornam-se persistentes, intensas e desadaptativas, caracterizando os chamados transtornos do humor ou transtornos do espectro afetivo.

Essas condições são marcadas por alterações emocionais prolongadas que excedem as flutuações normais da experiência humana, incluindo períodos de tristeza profunda e persistente (episódios depressivos), estados de euforia ou irritabilidade patológica (mania ou hipomania) ou a alternância entre ambos. Entre os principais exemplos estão o transtorno depressivo maior, o transtorno bipolar e o transtorno depressivo persistente (distimia).

Esses transtornos afetam milhões de pessoas em todo o mundo e exercem impacto significativo sobre o comportamento, os relacionamentos interpessoais, o desempenho profissional e a qualidade de vida. Do ponto de vista clínico, representam extremos do espectro do humor, com a depressão em um polo e a mania no outro.

Quais são as causas das desregulações do humor?

As desregulações do humor apresentam etiologia multifatorial, resultante da interação entre fatores genéticos, biológicos, ambientais e psicossociais. Do ponto de vista genético, existe clara predisposição hereditária, com maior risco em indivíduos que possuem familiares de primeiro grau com transtornos depressivos ou bipolares. Estudos demonstram hereditariedade significativa, especialmente no transtorno bipolar, envolvendo genes relacionados à neurotransmissão, à resposta ao estresse e à plasticidade neuronal.

Sob o aspecto biológico, alterações em circuitos cerebrais e no funcionamento de neurotransmissores são fundamentais. Disfunções nos sistemas serotoninérgico, noradrenérgico e dopaminérgico estão associadas à instabilidade do humor, assim como alterações em mecanismos de neuroplasticidade e neurogênese.

Fatores ambientais desempenham papel decisivo como gatilhos, incluindo eventos estressores importantes, como luto, separações, dificuldades financeiras, desemprego, doenças crônicas, traumas na infância ou adolescência e situações prolongadas de estresse. A ausência de suporte social, conflitos interpessoais e experiências de negligência emocional aumentam a vulnerabilidade.

Além disso, condições médicas como hipotireoidismo, doenças neurológicas e inflamatórias, bem como o uso de substâncias psicoativas (álcool, drogas ilícitas ou alguns medicamentos, como corticosteroides), podem desencadear ou agravar quadros de desregulação do humor.

Não existe uma causa única, sendo a interação entre predisposição biológica e fatores ambientais o modelo mais aceito.

Leia sobre "Inteligência emocional", "Resiliência", "Mindfulness", "Autossabotagem" e "Empatia".

Qual é a fisiopatologia das desregulações do humor?

A fisiopatologia das desregulações do humor é complexa e multifatorial, ainda não completamente elucidada, envolvendo alterações integradas em sistemas neuroquímicos, neuroendócrinos, inflamatórios e estruturais do cérebro.

Há desequilíbrios nos principais neurotransmissores relacionados à regulação emocional, como serotonina, norepinefrina e dopamina, que influenciam o humor, o sono, o apetite, a motivação e a resposta ao estresse. Na depressão, observa-se redução funcional dessas vias, associada à hipoatividade de circuitos pré-frontais e à hiperatividade de estruturas límbicas. No transtorno bipolar, há flutuações dinâmicas da atividade dopaminérgica, com hiperatividade durante episódios maníacos e redução relativa durante episódios depressivos.

Outro mecanismo relevante é a disfunção do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, levando a uma resposta exagerada ao estresse e a níveis persistentemente elevados de cortisol, que podem causar efeitos neurotóxicos, especialmente no hipocampo, região envolvida na memória e na modulação emocional. Estudos de neuroimagem demonstram redução volumétrica do hipocampo e alterações funcionais no córtex pré-frontal, na amígdala e em suas conexões.

Além disso, há envolvimento dos sistemas glutamatérgico (excitador) e GABAérgico (inibitório), com perda do equilíbrio entre excitação e inibição neuronal. Evidências crescentes apontam para o papel da inflamação crônica de baixo grau, com aumento de citocinas pró-inflamatórias, e para alterações nos ritmos circadianos, especialmente no transtorno bipolar, afetando o ciclo sono-vigília.

Esses processos culminam em circuitos cerebrais disfuncionais que sustentam a instabilidade do humor.

Quais são as características clínicas das desregulações do humor?

As manifestações clínicas variam conforme o transtorno específico, mas compartilham o impacto funcional significativo e a persistência dos sintomas.

No transtorno depressivo maior, predominam tristeza profunda e persistente, anedonia, fadiga, alterações do apetite e do peso, distúrbios do sono, lentificação ou agitação psicomotora, sentimentos de culpa excessiva ou inutilidade, dificuldade de concentração e ideação suicida, que pode variar de pensamentos passivos a planos estruturados.

No transtorno bipolar tipo I, ocorrem episódios de mania, caracterizados por humor anormalmente elevado ou irritável, aumento marcante de energia, grandiosidade, redução da necessidade de sono, fala acelerada, pensamento desorganizado, impulsividade e comportamentos de risco, podendo haver sintomas psicóticos congruentes ou não com o humor. No transtorno bipolar tipo II, há episódios de hipomania, menos intensos e sem prejuízo psicótico, alternados com episódios depressivos geralmente graves.

A ciclotimia manifesta-se por flutuações crônicas do humor, com sintomas hipomaníacos e depressivos subclínicos por períodos prolongados. O transtorno depressivo persistente (distimia) caracteriza-se por humor deprimido crônico, baixa autoestima, desesperança e fadiga, com duração mínima de dois anos em adultos.

Em todos os quadros, são comuns irritabilidade, prejuízo social e profissional e, em alguns casos, episódios mistos, nos quais sintomas depressivos e maníacos coexistem, aumentando o risco de impulsividade e suicídio.

Como o médico diagnostica as desregulações do humor?

O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado em avaliação psiquiátrica detalhada e criteriosa. A anamnese investiga a natureza dos sintomas, sua duração, intensidade, padrão temporal, impacto funcional, antecedentes pessoais e familiares, além de fatores precipitantes. Instrumentos padronizados podem auxiliar na triagem e no acompanhamento, mas não substituem a avaliação clínica.

Exames físicos e laboratoriais, como avaliação da função tireoidiana, eletrólitos, vitamina B12 e rastreamento de uso de substâncias, são utilizados para excluir causas orgânicas ou condições associadas. A participação de familiares é frequentemente fundamental, especialmente em quadros maníacos, nos quais o paciente pode não reconhecer a gravidade dos sintomas.

O diagnóstico diferencial inclui transtornos de ansiedade, esquizofrenia, transtornos de personalidade, TDAH e condições médicas gerais.

Para o diagnóstico de episódio depressivo maior, exige-se a presença de pelo menos cinco sintomas por um período mínimo de duas semanas, enquanto o diagnóstico de transtorno bipolar requer a identificação de episódios de mania ou hipomania, muitas vezes ao longo do acompanhamento longitudinal.

Como o médico trata as desregulações do humor?

O tratamento é individualizado e multimodal, combinando farmacoterapia, psicoterapia e intervenções no estilo de vida. Na depressão, utilizam-se antidepressivos, especialmente inibidores seletivos da recaptação de serotonina e inibidores da recaptação de serotonina e norepinefrina, escolhidos conforme o perfil clínico e as comorbidades. No transtorno bipolar, o uso isolado de antidepressivos deve ser evitado, priorizando-se estabilizadores do humor, como lítio, valproato ou lamotrigina, e antipsicóticos atípicos, particularmente em fases maníacas ou mistas.

A psicoterapia, especialmente abordagens como terapia cognitivo-comportamental e terapias interpessoais, é componente central do tratamento. Em casos graves, refratários ou com risco iminente, podem ser indicadas eletroconvulsoterapia ou estimulação magnética transcraniana, ambas com evidência de eficácia e segurança.

Medidas complementares incluem regularização do sono, atividade física, alimentação equilibrada, redução do uso de substâncias e fortalecimento de redes de apoio. O acompanhamento contínuo é essencial para prevenção de recaídas e ajustes terapêuticos.

Veja mais sobre "Psicoterapias", "Modelos de psicoterapia" e "O papel das emoções na vida humana".

Como evoluem as desregulações do humor?

A evolução é variável. Alguns indivíduos apresentam episódios isolados, enquanto outros desenvolvem curso recorrente ou crônico. A adesão ao tratamento, o diagnóstico precoce, o suporte social e o manejo adequado das comorbidades influenciam diretamente o prognóstico.

Embora muitos pacientes alcancem remissão, as taxas de recorrência são elevadas, especialmente no transtorno bipolar. A ciclotimia pode evoluir para formas bipolares mais definidas se não reconhecida e tratada. Em geral, o acompanhamento ao longo da vida é recomendado.

Quais são as complicações possíveis com as desregulações do humor?

As complicações incluem aumento do risco de suicídio, especialmente em episódios depressivos graves e estados mistos, além de abuso de álcool e outras substâncias, dificuldades nos relacionamentos interpessoais e prejuízos ocupacionais, como absenteísmo e desemprego.

Comorbidades psiquiátricas, como transtornos de ansiedade e alimentares, são frequentes, assim como impactos na saúde física, incluindo obesidade, síndrome metabólica e doenças cardiovasculares.

No transtorno bipolar, comportamentos impulsivos podem gerar consequências financeiras, legais e sociais.

Sem tratamento adequado, há maior risco de cronificação, declínio funcional e comprometimento global da qualidade de vida.

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites do NIMH - National Institute of Mental Health e da Cleveland Clinic.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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