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Afibrinogenemia - Uma doença rara que compromete a coagulação do sangue

terça-feira, 14 de abril de 2026
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Afibrinogenemia - Uma doença rara que compromete a coagulação do sangue

O que é a afibrinogenemia?

A afibrinogenemia é um distúrbio hemorrágico hereditário extremamente raro, caracterizado pela ausência praticamente completa de fibrinogênio plasmático, uma proteína essencial para a coagulação sanguínea. Essa condição compromete de forma crítica a formação do coágulo de fibrina, resultando em sangramentos excessivos e potencialmente graves. Trata-se de uma doença de herança autossômica recessiva, o que significa que o indivíduo afetado herdou variantes patogênicas de ambos os genitores.

A forma congênita tem incidência estimada em cerca de 1 para cada 1.000.000 de indivíduos, embora possa ser mais frequente em populações com elevada consanguinidade. Não há predileção por sexo. A afibrinogenemia deve ser diferenciada de outras alterações relacionadas, como hipofibrinogenemia (redução quantitativa), disfibrinogenemia (alteração funcional) e hipodisfibrinogenemia.

Os sintomas costumam surgir já no período neonatal, embora a intensidade clínica seja variável. Sem diagnóstico e tratamento adequados, a doença pode impactar significativamente a qualidade de vida e aumentar o risco de complicações graves.

Quais são as causas da afibrinogenemia?

A afibrinogenemia decorre de mutações nos genes FGA, FGB e FGG, localizados no cromossomo 4, responsáveis pela codificação das três cadeias do fibrinogênio (Aα, Bβ e γ). Essas mutações podem levar à ausência completa da síntese da proteína ou à produção de cadeias instáveis que não são adequadamente secretadas, resultando em níveis indetectáveis de fibrinogênio.

Como a herança é autossômica recessiva, os pais geralmente são portadores assintomáticos, com níveis de fibrinogênio discretamente reduzidos ou até normais. A identificação de portadores e o diagnóstico pré-natal por meio de testes genéticos são possíveis e recomendados em famílias com casos conhecidos, permitindo aconselhamento genético adequado.

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Qual é a fisiopatologia da afibrinogenemia?

O fibrinogênio é uma glicoproteína sintetizada no fígado e liberada na circulação, com papel central na hemostasia. Em condições normais, durante a lesão vascular, ele é convertido em fibrina pela trombina, formando uma rede estável que consolida o tampão plaquetário. Na afibrinogenemia, a ausência de fibrinogênio (geralmente <0,1 g/L ou indetectável) impede a formação dessa rede, resultando em um coágulo instável e incapaz de conter o sangramento de forma eficaz.

Além disso, o fibrinogênio também atua na agregação plaquetária por meio da ligação ao receptor GPIIb/IIIa, de modo que sua ausência compromete não apenas a coagulação secundária, mas também a hemostasia primária.

Curiosamente, pode haver tendência paradoxal à trombose, possivelmente relacionada ao aumento da geração de trombina e à ausência do efeito regulador da fibrina sobre a coagulação. Esse risco pode ser potencializado durante a terapia de reposição.

Quais são as características clínicas da afibrinogenemia?

As manifestações clínicas variam de leves a graves, sendo o sangramento o principal achado. No período neonatal, é típico o sangramento prolongado do coto umbilical, frequentemente a primeira manifestação da doença. Ao longo da vida, são comuns equimoses, hematomas, epistaxe, gengivorragia e sangramentos após pequenos traumas.

Hemartroses e hematomas musculares podem ocorrer, levando a dor e limitação funcional. Também podem ser observadas hemorragias gastrointestinais, geniturinárias e, em casos graves, hemorragias intracranianas, que representam uma das complicações mais temidas.

Em mulheres, são frequentes menorragia, infertilidade e abortamentos recorrentes, além de risco elevado de complicações hemorrágicas durante a gestação e o puerpério.

Alguns pacientes desenvolvem cicatrização prejudicada e, mais raramente, cistos ósseos dolorosos. Eventos trombóticos, embora menos comuns que os hemorrágicos, podem ocorrer, especialmente após reposição de fibrinogênio.

Como o médico diagnostica a afibrinogenemia?

O diagnóstico baseia-se na combinação de achados clínicos e laboratoriais. O médico deve suspeitar da condição em pacientes com sangramentos precoces, especialmente no período neonatal, ou história familiar sugestiva.

Os exames laboratoriais mostram prolongamento acentuado ou incoagulabilidade nos testes de coagulação, incluindo tempo de protrombina (TP), tempo de tromboplastina parcial ativada (TTPA), tempo de trombina (TT) e tempo de reptilase. A dosagem de fibrinogênio plasmático revela níveis indetectáveis ou extremamente baixos. Testes viscoelásticos, como ROTEM ou TEG, podem auxiliar na avaliação global da coagulação.

A confirmação diagnóstica é feita por testes genéticos, com identificação de mutações nos genes FGA, FGB ou FGG. O diagnóstico diferencial inclui hipofibrinogenemia e disfibrinogenemia, que apresentam níveis detectáveis de fibrinogênio ou discrepância entre atividade e antígeno.

Como o médico trata a afibrinogenemia?

O tratamento baseia-se na reposição de fibrinogênio, com o objetivo de controlar sangramentos e prevenir complicações. O concentrado de fibrinogênio plasmático é a opção de escolha, por ser mais seguro e padronizado. Em situações de sangramento ativo ou procedimentos invasivos, recomenda-se manter níveis de fibrinogênio geralmente acima de 1,0 a 1,5 g/L, podendo ser necessários níveis mais elevados em cirurgias de grande porte ou hemorragias graves. Quando o concentrado não está disponível, podem ser utilizados crioprecipitado ou plasma fresco congelado, embora apresentem maior risco de reações adversas e transmissão de patógenos.

A profilaxia regular pode ser indicada em pacientes com história de sangramentos graves ou em situações especiais, como gravidez, visando manter níveis adequados de fibrinogênio.

Antifibrinolíticos, como o ácido tranexâmico, são úteis em sangramentos mucosos. Em casos de trombose, pode ser necessário o uso de anticoagulação, com avaliação criteriosa do risco-benefício.

O manejo deve ser individualizado e frequentemente envolve equipe multidisciplinar.

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Como evolui a afibrinogenemia?

Com diagnóstico precoce e tratamento adequado, muitos pacientes podem ter boa qualidade de vida e expectativa de vida próxima do normal. Sem tratamento, há elevado risco de complicações hemorrágicas graves, especialmente hemorragias intracranianas, que são uma das principais causas de mortalidade.

O acompanhamento regular permite ajuste da terapia e monitoramento de complicações, incluindo eventos trombóticos associados à reposição. Mulheres com afibrinogenemia podem ter gestações bem-sucedidas, desde que acompanhadas de forma especializada e com reposição adequada de fibrinogênio.

Quais são as complicações possíveis da afibrinogenemia?

As complicações incluem hemorragias graves, como intracranianas, gastrointestinais e pós-parto, que podem levar a sequelas neurológicas ou óbito. Podem ocorrer também hemartroses recorrentes, com evolução para artropatia crônica, além de anemia secundária a sangramentos frequentes.

Eventos trombóticos venosos ou arteriais, como embolia pulmonar ou acidente vascular cerebral, são descritos, especialmente em contexto de reposição de fibrinogênio. Outras complicações incluem abortamentos recorrentes, cicatrização deficiente e impacto significativo na qualidade de vida.

O risco de complicações aumenta em situações como trauma, cirurgias e gestação, reforçando a necessidade de acompanhamento médico contínuo e manejo especializado.

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da BVS - Biblioteca Virtual em Saúde e da NORD - National Organization for Rare Disorders .

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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