Gostou do artigo? Compartilhe!

Os desafios da maternidade moderna

A+ A- Alterar tamanho da letra
Avalie este artigo

A relação mãe-criança

Com a descoberta do inconsciente, por Freud, e a ideia de que os traumas de infância comprometem o desenvolvimento saudável do futuro adulto, as mães passaram a se sentir preocupadas e culpadas de se uma menor atenção aos filhos entraria nesse caso. É verdade que as crianças absorvem os gestos, o tom da voz, a expressão facial e muitos outros movimentos sutis dos adultos que convivem com elas antes de adquirir uma linguagem oral. Eles, juntamente com a posição corporal, gestos, aspectos visuais, preceitos, ideias e valores culturais constituem 80% da comunicação. Fica claro, então, que a presença da mãe influi muito no desenvolvimento dos filhos.

Mas não é só isso. O laço mãe-criança precisa ser arrefecido ou mesmo cortado em algum momento para que a criança descubra que há um mundo externo, onde ela pode buscar novas vinculações afetivas. A criança é naturalmente autocentrada e o apego à mãe, sobretudo se muito protetora, reforçará a atitude de apego exagerado. Se criada numa ligação estrita com a mãe, a criança terá tantos problemas quanto se não contar com a presença e o apoio maternos. O equilíbrio entre as necessidades de trabalho e da maternidade é um processo que só pode ser alcançado através de constantes acomodações e é ele que ajudará a fazer da criança um adulto saudável e pleno.

Qual é a dose de atenção mãe-filho necessária?

Criar um filho é uma enorme responsabilidade. As crianças não nascem com um manual de instruções de como devem ser criadas. Descobrir a maneira ideal de criá-las e a dose de atenção necessária é tarefa dos pais. A mãe traz a criança dentro do seu corpo durante a gestação e é difícil desprender-se dela. Algumas mães até se deprimem com o nascimento do seu bebê. O narcisismo natural das mães (e também dos pais) leva-as a pensar que elas são a melhor influência para seus filhos, o que nem sempre é verdade. Embora os pais também formem laços afetivos muito fortes com seus filhos, eles são diferentes (não necessariamente menores) daqueles que as mães mantêm com eles.

A criança tem muito a ganhar se convive e depende também de outras pessoas. A primeira coisa que fará uma grande diferença para a criança será a formação do seu senso de independência. Até mesmo quando é “mal tratada” (excluída, naturalmente, a violência física ou verbal) ela está aprendendo a “se virar” por si mesma. São seus pequenos traumas e frustrações que progressivamente lhe ensinarão o exercício de sua liberdade. A mãe que nunca frustra não é melhor mãe que a que frustra moderadamente. As mães não precisam se preocupar tanto... Frustrar moderadamente seus filhos pode até ser saudável. E para citar uma ideia muito batida, mas verdadeira: a qualidade do contato dos pais com os filhos é mais importante que a quantidade dele.

O que muda na vida da mulher com a maternidade?

Hoje em dia, ser mãe é bem mais difícil que outrora. Implica em conciliar trabalho doméstico, vida profissional, relacionamento com o cônjuge e a criação dos filhos. Quando a gravidez1 não é planejada, ela representa uma brusca revolução em todos os padrões de vida da mulher e então se faz de extrema importância o apoio e o suporte de toda a família. O nascimento de um filho implica em mudanças no estudo, no trabalho e nos hábitos cotidianos da mulher. Por outro lado, quando a gravidez1 é planejada, a chegada de um filho é um dos acontecimentos mais felizes da vida da mulher. Em geral, a maioria das mudanças foi prevista e planejada e quase sempre o casal de pais está vivendo uma relação mais estável e satisfatória.

Passados os meses da licença maternidade chega a hora de deixar o filho sob cuidados de outras pessoas e retornar às atividades normais. Hoje em dia é muito comum que a mulher trabalhe fora de casa e é ao trabalho que ela deve retornar. Algumas delas, inclusive, têm que viajar a trabalho. Esse pode ser um momento de angústia e de culpas: deixar seu bebê aos cuidados de outras pessoas, às vezes numa creche, aos cuidados de pessoas estranhas. Muitas mulheres abandonam suas carreiras profissionais para se tornarem mães em tempo integral ou então acabam compensando sua ausência com presentes ou deixam de impor-lhes limites, atitudes que não são boas para o desenvolvimento dos filhos, mas há outras que tentam e conseguem conciliar carreira e a maternidade, sem postergar nenhum dos dois sonhos.

Qual é a solução?

A mãe deve deixar de lado a culpa e reconhecer as vantagens de conciliar a maternidade com o trabalho ou com outra atividade fora de casa. A boa mãe não é a mãe “perfeita” (isso nem existe), não é aquela que se dedica exclusivamente aos filhos. Deixar o bebê para retornar ao trabalho tem seu lado positivo: nessa fase a criança não tem dificuldades de adaptação e desde que seja bem tratada essa experiência não é traumática para ela e a acostumará desde cedo a certa independência.

Para a mãe, o trabalho, sobretudo se agradável e bem sucedido, melhora sua autoestima, evita sentimentos depressivos, traz-lhe um orgulho natural e tudo isso terá um reflexo muito positivo em suas relações com o filho. Uma grande vantagem de trabalhar fora é que a mãe aproveitará ao máximo o tempo que pode ter junto com seus filhos e eles, por sua vez, também dedicarão mais atenção a ela. Outra vantagem é que o filho terá que aprender a resolver sozinho alguns problemas, o que lhe dará segurança e autossuficiência. E quem não quer um filho seguro e autossuficiente? Uma mãe moderna sem dúvidas produzirá filhos diferentes das mães de antigamente, mas isso não quer dizer que eles serão piores. Podem até ser melhores. Afinal, viverão num mundo que também não será mais o mesmo de antigamente.

ABCMED, 2015. Os desafios da maternidade moderna. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/saude-da-mulher/805309/os+desafios+da+maternidade+moderna.htm>. Acesso em: 23 jan. 2020.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Gravidez: Condição de ter um embrião ou feto em desenvolvimento no trato reprodutivo feminino após a união de ovo e espermatozóide.
Gostou do artigo? Compartilhe!

Tem alguma dúvida sobre Clínica Médica?

Pergunte diretamente a um especialista

Sua pergunta será enviada aos especialistas do CatalogoMed, veja as dúvidas já respondidas.