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Mola hidatiforme ou gravidez molar - como ela é?

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O que é mola hidatiforme1?

Mola hidatiforme1 (do grego: molar = massa + hydatisiaforme = aquosa), gravidez2 em mola ou gravidez2 molar é um distúrbio da gravidez2 em que a placenta e o feto3 não se desenvolvem adequadamente. A mola hidatiforme1 é dita total quando toda a placenta e o embrião não se desenvolvem normalmente e parcial quando isso acontece apenas com parte da placenta e do embrião.

As células4 do embrião formam sacos de líquidos, os quais também podem ser chamados de tumor5 trofoblástico gestacional. A mola hidatiforme1 se assemelha macroscopicamente a um cacho de uvas. Ela faz parte das chamadas doenças trofoblásticas gestacionais permanentes.

Quais são as causas da mola hidatiforme1?

As causas da mola hidatiforme1 não estão ainda totalmente esclarecidas, mas sabe-se que ela ocorre quando um óvulo6 é fecundado por dois espermatozoides7 ao mesmo tempo ou quando o óvulo fecundado8 não continha os 23 cromossomos9 normais em humanos.

Qual o mecanismo de ação da mola hidatiforme1?

A gonadotrofina coriônica humana10 (GCH), um hormônio11 produzido pelo tumor5 hidatiforme, pode causar cistos preenchidos com líquidos, que são formados nos ovários12. Eles ocorrem apenas com níveis muito elevados de GCH, podendo ser grandes o suficiente para causar inchaço13 abdominal. Mas, mesmo que eles possam se tornar muito grandes, podem desaparecer espontaneamente cerca de oito semanas após a gravidez2 molar ser removida.

Quais são as principais características clínicas da mola hidatiforme1?

Atualmente existe um número significativo de casos diagnosticados quando ainda são assintomáticos, graças ao emprego da ultrassonografia14 no pré-natal, mas quando a mola hidatiforme1 chega a dar sintomas15, entre os principais contam-se perdas sanguíneas vaginais indolores, enjoos, vômitos16 matinais excessivos, pressão sanguínea elevada, arritmias17 cardíacas, proteinúria18 (proteínas19 na urina20), dores abdominais e nas costas21 e desconforto na pelve22.

Além disso, é comum que haja sangramento vaginal no quarto ou quinto mês (coágulos sanguíneos ou corrimento amarronzado) e que o útero23 e os ovários12 estejam visivelmente maiores que o esperado. Em casos de hemorragia24 severa ou prolongada pode ocorrer anemia25, gerando fadiga26 e falta de ar durante a realização de atividades físicas.

O crescimento uterino anormal ocorre em cerca de 1/4 das mulheres com molas completas e raramente naquelas com molas parciais. Nos casos de mola hidatiforme1, o vômito27 pode ser mais frequente e mais severo que numa gravidez2 normal. Quando ocorre pré-eclâmpsia28 ou hipertireoidismo29, aparecerão também os sintomas15 característicos dessas duas enfermidades.

Mola Hidatiforme

Como o médico diagnostica a mola hidatiforme1?

Além dos sinais30 e sintomas15 que podem ser captados pela história clínica da paciente, os tumores hidatiformes podem ser visíveis numa ecografia31 ou ultrassonografia14. As análises de sangue32 e de urina20 detectam níveis excessivos de gonadotrofina coriônica. Pode haver também sintomas15 associados de hipertireoidismo29 e alterações correspondentes nos exames laboratoriais.

Como o médico trata a mola hidatiforme1?

O tratamento da mola hidatiforme1 pode ser feito com o uso de remédios que provocam o aborto ou o tumor5 pode ser removido por sucção do conteúdo do útero23 ou por raspagem. Às vezes, é necessário recorrer à quimioterapia33 para eliminação total das células4 anômalas.

Como evolui a mola hidatiforme1?

A gravidez2 atual é obviamente inviável, mas em 80% dos casos a recuperação é completa e sem complicações nem reincidências em gravidezes futuras. Mesmo sem tratamento, é possível que o corpo reabsorva ou elimine as células4 anormais, quando a mola ainda é pequena. Em 2 a 3% dos casos, a mola hidatiforme1 pode se transformar em um tumor5 maligno.

Como prevenir a mola hidatiforme1

Não há como prevenir a ocorrência da mola hidatiforme1.

Quais são as complicações que podem decorrer da mola hidatiforme1?

A mola hidatiforme1 já é, em si mesma, uma complicação da gravidez2, com potencial de evolução para formas que necessitem de tratamento sistêmico34 e podem ser ameaçadoras da vida. O conjunto de células4 anormais que constitui a mola hidatiforme1 pode espalhar-se para fora do útero23 e gerar complicações como um câncer35, por exemplo. Algumas mulheres, mesmo após a curetagem36, podem permanecer com células4 do embrião dentro do útero23 e estas podem virar um câncer35.

Para maiores informações, leia também os artigos sobre "Sintomas15 Precoces de Gravidez2", "Teste de gravidez2", "Curetagem36 uterina" e "Aborto

 

ABCMED, 2016. Mola hidatiforme ou gravidez molar - como ela é?. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/saude-da-mulher/1268778/mola-hidatiforme-ou-gravidez-molar-como-ela-e.htm>. Acesso em: 22 nov. 2019.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Mola hidatiforme: Tumor benigno que se desenvolve a partir de tecido placentário em fases precoces de uma gravidez em que o embrião não se desenvolve normalmente. Causada por uma degenerescência das vilosidades coriônicas (projeções minúsculas, semelhantes a dedos, existentes na placenta). A causa é desconhecida.
2 Gravidez: Condição de ter um embrião ou feto em desenvolvimento no trato reprodutivo feminino após a união de ovo e espermatozóide.
3 Feto: Filhote por nascer de um mamífero vivíparo no período pós-embrionário, depois que as principais estruturas foram delineadas. Em humanos, do filhote por nascer vai do final da oitava semana após a CONCEPÇÃO até o NASCIMENTO, diferente do EMBRIÃO DE MAMÍFERO prematuro.
4 Células: Unidades (ou subunidades) funcionais e estruturais fundamentais dos organismos vivos. São compostas de CITOPLASMA (com várias ORGANELAS) e limitadas por uma MEMBRANA CELULAR.
5 Tumor: Termo que literalmente significa massa ou formação de tecido. É utilizado em geral para referir-se a uma formação neoplásica.
6 Óvulo: Célula germinativa feminina (haplóide e madura) expelida pelo OVÁRIO durante a OVULAÇÃO.
7 Espermatozóides: Células reprodutivas masculinas.
8 Óvulo Fecundado: ÓVULO fecundado, resultante da fusão entre um gameta feminino e um masculino.
9 Cromossomos: Cromossomos (Kroma=cor, soma=corpo) são filamentos espiralados de cromatina, existente no suco nuclear de todas as células, composto por DNA e proteínas, sendo observável à microscopia de luz durante a divisão celular.
10 Gonadotrofina coriônica humana: Gonadotrofina coriônica humana ou HCG é uma glicoproteína hormonal produzida pelas células trofoblásticas sinciciais nos líquidos maternos. No início da gravidez as concentrações de HCG no soro e na urina da mulher aumentam rapidamente, sendo um bom marcador para testes de gravidez. Sete a dez dias após a concepção, a concentração de HCG alcança 25 mUI/mL e aumenta ao pico de 37.000-50.000 mUI/mL entre oito e onze semanas. É o único hormônio exclusivo da gravidez, fazendo com que o teste de gravidez pela análise de HCG tenha acerto de quase 100%. É o único exame que comprova exatamente a gravidez.
11 Hormônio: Substância química produzida por uma parte do corpo e liberada no sangue para desencadear ou regular funções particulares do organismo. Por exemplo, a insulina é um hormônio produzido pelo pâncreas que diz a outras células quando usar a glicose para energia. Hormônios sintéticos, usados como medicamentos, podem ser semelhantes ou diferentes daqueles produzidos pelo organismo.
12 Ovários: São órgãos pares com aproximadamente 3cm de comprimento, 2cm de largura e 1,5cm de espessura cada um. Eles estão presos ao útero e à cavidade pelvina por meio de ligamentos. Na puberdade, os ovários começam a secretar os hormônios sexuais, estrógeno e progesterona. As células dos folículos maduros secretam estrógeno, enquanto o corpo lúteo produz grandes quantidades de progesterona e pouco estrógeno.
13 Inchaço: Inchação, edema.
14 Ultrassonografia: Ultrassonografia ou ecografia é um exame complementar que usa o eco produzido pelo som para observar em tempo real as reflexões produzidas pelas estruturas internas do organismo (órgãos internos). Os aparelhos de ultrassonografia utilizam uma frequência variada, indo de 2 até 14 MHz, emitindo através de uma fonte de cristal que fica em contato com a pele e recebendo os ecos gerados, os quais são interpretados através de computação gráfica.
15 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
16 Vômitos: São a expulsão ativa do conteúdo gástrico pela boca. Podem ser classificados em: alimentar, fecalóide, biliar, em jato, pós-prandial. Sinônimo de êmese. Os medicamentos que agem neste sintoma são chamados de antieméticos.
17 Arritmias: Arritmia cardíaca é o nome dado a diversas perturbações que alteram a frequência ou o ritmo dos batimentos cardíacos.
18 Proteinúria: Presença de proteínas na urina, indicando que os rins não estão trabalhando apropriadamente.
19 Proteínas: Um dos três principais nutrientes dos alimentos. Alimentos que fornecem proteína incluem carne vermelha, frango, peixe, queijos, leite, derivados do leite, ovos.
20 Urina: Resíduo líquido produzido pela filtração renal no organismo, estocado na bexiga e expelido pelo ato de urinar.
21 Costas:
22 Pelve: 1. Cavidade no extremo inferior do tronco, formada pelos dois ossos do quadril (ossos ilíacos), sacro e cóccix; bacia. 2. Qualquer cavidade em forma de bacia ou taça (por exemplo, a pelve renal).
23 Útero: Orgão muscular oco (de paredes espessas), na pelve feminina. Constituído pelo fundo (corpo), local de IMPLANTAÇÃO DO EMBRIÃO e DESENVOLVIMENTO FETAL. Além do istmo (na extremidade perineal do fundo), encontra-se o COLO DO ÚTERO (pescoço), que se abre para a VAGINA. Além dos istmos (na extremidade abdominal superior do fundo), encontram-se as TUBAS UTERINAS.
24 Hemorragia: Saída de sangue dos vasos sanguíneos ou do coração para o exterior, para o interstício ou para cavidades pré-formadas do organismo.
25 Anemia: Condição na qual o número de células vermelhas do sangue está abaixo do considerado normal para a idade, resultando em menor oxigenação para as células do organismo.
26 Fadiga: 1. Sensação de enfraquecimento resultante de esforço físico. 2. Trabalho cansativo. 3. Redução gradual da resistência de um material ou da sensibilidade de um equipamento devido ao uso continuado.
27 Vômito: É a expulsão ativa do conteúdo gástrico pela boca. Pode ser classificado como: alimentar, fecalóide, biliar, em jato, pós-prandial. Sinônimo de êmese. Os medicamentos que agem neste sintoma são chamados de antieméticos.
28 Pré-eclâmpsia: É caracterizada por hipertensão, edema (retenção de líquidos) e proteinúria (presença de proteína na urina). Manifesta-se na segunda metade da gravidez (após a 20a semana de gestação) e pode evoluir para convulsão e coma, mas essas condições melhoram com a saída do feto e da placenta. No meio médico, o termo usado é Moléstia Hipertensiva Específica da Gravidez. É a principal causa de morte materna no Brasil atualmente.
29 Hipertireoidismo: Doença caracterizada por um aumento anormal da atividade dos hormônios tireoidianos. Pode ser produzido pela administração externa de hormônios tireoidianos (hipertireoidismo iatrogênico) ou pelo aumento de uma produção destes nas glândulas tireóideas. Seus sintomas, entre outros, são taquicardia, tremores finos, perda de peso, hiperatividade, exoftalmia.
30 Sinais: São alterações percebidas ou medidas por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida.
31 Ecografia: Ecografia ou ultrassonografia é um exame complementar que usa o eco produzido pelo som para observar em tempo real as reflexões produzidas pelas estruturas internas do organismo (órgãos internos). Os aparelhos de ultrassonografia utilizam uma frequência variada, indo de 2 até 14 MHz, emitindo através de uma fonte de cristal que fica em contato com a pele e recebendo os ecos gerados, os quais são interpretados através de computação gráfica.
32 Sangue: O sangue é uma substância líquida que circula pelas artérias e veias do organismo. Em um adulto sadio, cerca de 45% do volume de seu sangue é composto por células (a maioria glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). O sangue é vermelho brilhante, quando oxigenado nos pulmões (nos alvéolos pulmonares). Ele adquire uma tonalidade mais azulada, quando perde seu oxigênio, através das veias e dos pequenos vasos denominados capilares.
33 Quimioterapia: Método que utiliza compostos químicos, chamados quimioterápicos, no tratamento de doenças causadas por agentes biológicos. Quando aplicada ao câncer, a quimioterapia é chamada de quimioterapia antineoplásica ou quimioterapia antiblástica.
34 Sistêmico: 1. Relativo a sistema ou a sistemática. 2. Relativo à visão conspectiva, estrutural de um sistema; que se refere ou segue um sistema em seu conjunto. 3. Disposto de modo ordenado, metódico, coerente. 4. Em medicina, é o que envolve o organismo como um todo ou em grande parte.
35 Câncer: Crescimento anormal de um tecido celular capaz de invadir outros órgãos localmente ou à distância (metástases).
36 Curetagem: Operação ou cirurgia que consiste em esvaziar o interior de uma cavidade natural ou patológica com o auxílio de uma cureta; raspagem.
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