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Paracentese: o que é? Por que fazer? Quem deve fazer? Quem não deve fazer? Como é feita?

segunda-feira, 29 de setembro de 2014
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Paracentese: o que é? Por que fazer? Quem deve fazer? Quem não deve fazer? Como é feita?

O que é paracentese?

Paracentese é um procedimento médico que consiste na retirada de líquido de uma cavidade do corpo por meio da punção com agulha. O termo é mais usado em relação à retirada do líquido que pode se acumular na cavidade abdominal em certas condições mórbidas, o que normalmente se chamada de ascite ou “barriga d’água”.

O que é ascite?

A ascite, popularmente conhecida como “barriga d’água”, é o acúmulo de líquidos na cavidade abdominal, às vezes em grandes quantidades (alguns litros). Esse líquido pode conter sangue, plasma sanguíneo, linfa, bile, suco pancreático, urina ou outras substâncias, na dependência da sua causa. Geralmente a ascite é uma complicação grave de doenças hepáticas e quase sempre está acompanhada de outras patologias, igualmente graves, como varizes esofágicas e encefalopatias, por exemplo. A única solução definitiva para a ascite é o controle ou eliminação da doença de base que a esteja causando, mas muitas vezes uma paracentese pode tornar-se necessária para alívio dos sintomas ou para ajudar a estabelecer a natureza da enfermidade causal.

Paracentese

Por que fazer uma paracentese?

O médico pode decidir-se por uma paracentese com o objetivo de obter uma amostra de líquido para análise (paracentese diagnóstica) ou para extrair o excesso do mesmo (paracentese evacuadora) e conseguir um alívio sintomático, diminuindo a sensação incômoda, restaurando o apetite e melhorando a função gastrointestinal, entre outras coisas.

Como se processa a paracentese?

Na maioria dos casos a paracentese é rápida e simples e o paciente pode sentir uma sensação de picada por ocasião da anestesia e uma sensação de pressão quando uma agulha for inserida em seu abdômen para drenar o líquido acumulado. Como preparativos, o paciente deverá estar em jejum há pelo menos doze horas e deve esvaziar sua bexiga imediatamente antes do exame. A paracentese deve ser realizada preferentemente em ambiente hospitalar, mas em certos casos o procedimento é tão simples e rápido que pode ser realizado em ambulatório. Muitas vezes ela é realizada em paciente já hospitalizado em razão da enfermidade causal. Previamente, o paciente deve informar ao médico se é portador de alguma alergia, se tem problemas de sangramento ou se há suspeita de gravidez, condições que contraindicam o procedimento ou requerem cuidados especiais.

A paracentese deve ser precedida por um minucioso exame físico e por uma ecografia abdominal que confirmem a presença de líquido dentro da cavidade abdominal. O paciente deve então ser colocado numa maca, em decúbito dorsal (“de barriga para cima”) e um campo cirúrgico fenestrado (com uma janela ou buraco) deve ser colocado sobre seu abdômen, delimitando a área a ser puncionada. O médico e o pessoal auxiliar adotarão as medidas rotineiras de assepsia. Em seguida, uma região da pele abaixo do umbigo deve ser lavada com uma solução antisséptica e nela deve ser aplicado um anestésico local. Uma agulha ligada a uma seringa deve ser introduzida, mediante a orientação de uma tomografia ou de uma ultrassonografia, até atingir o líquido acumulado o qual, então, deve ser lentamente aspirado em pequena quantidade, se para exame, ou em quantidade maior, se para alívio dos sintomas. Depois de posicionada a agulha deve-se evitar movê-la, para não danificar vísceras abdominais internas. Quando se tratar de grande quantidade de líquido pode-se captá-lo num recipiente apropriado durante certo tempo, por gotejamento através de um tubo adaptado à agulha.

As áreas de cicatrizes abdominais devem ser evitadas, pois as vísceras subjacentes podem estar aderidas a elas. Se a doença causal ainda não for conhecida, uma pequena amostra desse líquido pode ser separada e colocada num tubo, para ser analisada em laboratório. No caso de uma paracentese apenas diagnóstica, o tempo gasto para obter o material é de cinco a vinte minutos. As paracenteses evacuadoras duram um tempo maior, na dependência da quantidade de líquido a ser extraído.

E depois da paracentese?

Após o término, deve-se aplicar uma leve pressão sobre o local puncionado, como tentativa para evitar que continue saindo líquido. Caso a drenagem persista, o paciente deve permanecer em repouso na cama, até que a saída de líquidos cesse completamente.

Os sinais vitais do paciente devem continuar sendo monitorados pelo menos durante as três horas seguintes, sobretudo quando houver uma retirada muito grande de líquido.

Quem deve ser submetido à paracentese?

A paracentese está indicada para pessoas que sofram patologias que tenham acumulado líquidos em grandes quantidades na cavidade abdominal (ascite), como costuma acontecer quando se verifica uma perfuração do estômago ou do intestino, uma doença hepática, um câncer abdominal, uma rotura do baço ou qualquer outra situação que implique em hipertensão da veia porta, que coleta o sangue da cavidade abdominal e o conduz ao fígado.

Quem não deve ser submetido à paracentese?

Pacientes com abdômen agudo, distúrbios da coagulação sanguínea, distensão abdominal acentuada e infecções de pele no local da punção não devem ser submetidos à paracentese abdominal.

Quais são as complicações possíveis da paracentese?

Se o paciente tiver cicatrizes ou aderências abdominais, elas podem reter o líquido numa determinada parte do abdômen, tornando difícil a sua retirada.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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