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Osso quebrado em vários pedaços: por que a fratura cominutiva exige atenção especial?

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Osso quebrado em vários pedaços: por que a fratura cominutiva exige atenção especial?

As fraturas cominutivas são lesões em que o osso se quebra em vários fragmentos, geralmente após traumas de alta energia ou em ossos fragilizados. Por serem mais complexas, podem estar associadas a lesões de músculos, vasos sanguíneos, nervos e outros tecidos próximos. A gravidade varia conforme o osso afetado, o grau de fragmentação e as lesões associadas, fatores que também influenciam o tratamento e a recuperação.

O diagnóstico é feito principalmente por radiografias, com tomografia computadorizada em casos complexos ou para planejamento cirúrgico. O tratamento depende da estabilidade e da gravidade da fratura e pode envolver imobilização, cirurgia e reabilitação para recuperar a função.

 O que são fraturas cominutivas?

Fraturas cominutivas são fraturas ósseas caracterizadas pela formação de três ou mais fragmentos ósseos. A cominuição descreve, portanto, o padrão de fragmentação da fratura e pode variar desde a presença de poucos fragmentos adicionais até uma fragmentação extensa do osso.

Devido à complexidade e ao número de fragmentos ósseos, essas lesões costumam ser mais difíceis de tratar e podem causar danos associados a músculos, tendões, vasos sanguíneos, nervos e outros tecidos moles próximos.

Embora possam ocorrer em praticamente qualquer osso, são frequentemente observadas em ossos longos, como fêmur, úmero e tíbia, e também podem acometer ossos da pelve e outras regiões submetidas a traumatismos de grande energia. Fraturas cominutivas também podem ocorrer em ossos planos ou irregulares, especialmente em mecanismos de esmagamento ou impacto direto.

Quais são as causas das fraturas cominutivas?

Essas fraturas são geralmente causadas por traumatismos de alta energia, como:

  • acidentes automobilísticos, incluindo colisões envolvendo automóveis e motocicletas e atropelamentos;
  • quedas de altura, principalmente sobre superfícies duras;
  • acidentes e atividades esportivas de alto impacto;
  • esportes radicais associados a quedas importantes;
  • impactos diretos provocados por objetos pesados;
  • ferimentos por projéteis de arma de fogo, que podem produzir diferentes graus de fragmentação óssea;
  • explosões;
  • lesões por esmagamento.

A cominuição, entretanto, não ocorre exclusivamente após traumas de alta energia. Quando a resistência do osso está reduzida, forças relativamente menores também podem provocar fraturas complexas. Isso pode ocorrer na osteoporose e em determinadas doenças que enfraquecem o tecido ósseo, como tumores ósseos primários ou metastáticos e, menos frequentemente, infecções ósseas crônicas. Nesses casos, a fratura pode ser considerada patológica ou por fragilidade, dependendo da condição subjacente.

O uso prolongado de glicocorticoides sistêmicos também aumenta o risco de fraturas por favorecer a perda de massa e a deterioração da qualidade óssea. Esse efeito aumenta a suscetibilidade a fraturas em geral, mas não determina especificamente que elas sejam cominutivas.

Leia também sobre "Queda da própria altura", "Quedas em idosos", "Osteopenia" e "Fratura espontânea".

Qual é o substrato fisiopatológico das fraturas cominutivas?

O substrato fisiopatológico das fraturas cominutivas está relacionado à intensidade, à direção e à distribuição das forças aplicadas ao osso, que ultrapassam sua capacidade de resistência mecânica e provocam múltiplas linhas de fratura. Em traumatismos de alta energia, a energia transferida ao tecido ósseo pode produzir vários fragmentos e, simultaneamente, causar lesões importantes nos tecidos moles ao redor. Em ossos fragilizados, uma quantidade menor de energia pode ser suficiente para produzir uma fratura complexa.

Alguns fragmentos podem sofrer comprometimento de sua vascularização, principalmente quando ocorre extensa lesão do periósteo e dos tecidos moles adjacentes. Quanto maior a desvitalização dos fragmentos e a lesão vascular local, maior pode ser a dificuldade de consolidação.

O impacto que gera a fratura também pode romper músculos, ligamentos, tendões, vasos sanguíneos e nervos próximos, aumentando o risco de complicações, como hemorragia, síndrome compartimental, necrose tecidual e, particularmente nas fraturas expostas, infecção.

A lesão desencadeia uma resposta inflamatória com formação de um hematoma no local da fratura, etapa inicial e necessária do processo de reparação óssea. Esse ambiente contém células inflamatórias, células progenitoras e diversos mediadores envolvidos na angiogênese e na formação do novo tecido ósseo. Posteriormente, ocorre formação de tecido reparativo, seguida de ossificação e remodelação progressiva.

A cominuição não impede necessariamente a formação do calo ósseo. Entretanto, perda óssea, comprometimento vascular, lesão extensa de partes moles e instabilidade mecânica excessiva podem dificultar a consolidação e aumentar o risco de consolidação tardia ou não consolidação. O equilíbrio entre estabilidade mecânica adequada e preservação da vascularização dos fragmentos é, portanto, fundamental para a cicatrização.

Assim, o substrato fisiopatológico das fraturas cominutivas envolve a combinação de fragmentação estrutural, possível comprometimento vascular, lesão variável dos tecidos moles e resposta biológica de reparação, sendo frequentemente necessárias intervenções para restabelecer o alinhamento, a estabilidade e a função do segmento afetado.

Infográfico - Fratura Cominutiva

Quais são as características clínicas das fraturas cominutivas?

Uma fratura cominutiva pode ser classificada como aberta (exposta) ou fechada. Na fratura aberta, existe comunicação entre o foco da fratura e o meio externo por meio de uma ferida na pele, mesmo que o osso não esteja visível. Na fratura fechada, essa comunicação não existe.

A fratura também pode ser desviada ou não desviada. Em uma fratura desviada, os fragmentos perderam seu alinhamento anatômico normal, podendo apresentar translação, angulação, rotação ou encurtamento. Isso não significa necessariamente que exista uma “lacuna” ao redor da fratura. Nas fraturas não desviadas, o alinhamento ósseo permanece relativamente preservado. Como a cominuição frequentemente resulta de traumatismos de maior energia, essas fraturas podem apresentar instabilidade e desvio importantes, mas nem toda fratura cominutiva é necessariamente desviada ou instável.

A necessidade de cirurgia depende não apenas do número de fragmentos, mas também do osso acometido, da localização da fratura, de sua estabilidade e alinhamento, do estado dos tecidos moles, do comprometimento articular e das condições clínicas do paciente.

Os sintomas podem variar de acordo com a localização e a gravidade da lesão, mas geralmente incluem dor intensa, inchaço, equimose, deformidade, sensibilidade ao toque, dificuldade ou impossibilidade de movimentar ou apoiar o segmento afetado e redução da função. Em fraturas abertas, pode haver ferida associada e sangramento.

Alterações como palidez ou extremidade fria, ausência ou diminuição dos pulsos, dormência, fraqueza muscular ou dor desproporcional à lesão podem indicar comprometimento vascular, nervoso ou síndrome compartimental e exigem avaliação médica imediata.

Como o médico diagnostica as fraturas cominutivas?

O diagnóstico começa pela história do trauma e pelo exame físico. Além de avaliar dor, deformidade, edema e feridas, o médico deve examinar cuidadosamente a pele e os tecidos moles e realizar avaliação neurovascular do membro, verificando perfusão, pulsos, sensibilidade e função motora. Em traumatismos de alta energia, também é fundamental investigar outras lesões associadas.

As radiografias são geralmente o exame inicial e costumam ser suficientes para identificar a fratura e demonstrar sua fragmentação, alinhamento e desvio. Sempre que possível, são obtidas imagens em pelo menos duas incidências e que permitam avaliar adequadamente a região acometida.

A tomografia computadorizada é particularmente útil em fraturas complexas, especialmente quando existe acometimento articular, grande fragmentação ou necessidade de planejamento cirúrgico. A ressonância magnética não é exame de rotina para caracterizar a cominuição óssea, mas pode ser indicada em situações específicas para avaliar lesões associadas de tecidos moles, cartilagem, ligamentos ou fraturas ocultas.

Em suspeita de lesão vascular, exames adicionais, como ultrassonografia Doppler ou angiotomografia, podem ser necessários.

Como o médico trata as fraturas cominutivas?

O manejo das fraturas cominutivas depende do osso afetado, da localização e do padrão da fratura, do grau de desvio e instabilidade, da condição dos tecidos moles, da presença de lesões neurovasculares e das características clínicas do paciente.

Nem toda fratura cominutiva exige cirurgia, embora padrões instáveis, desviados ou articulares frequentemente necessitem de tratamento operatório. Na avaliação inicial, especialmente após traumatismos de alta energia, a prioridade é estabilizar o paciente e identificar lesões potencialmente graves. O segmento fraturado costuma ser imobilizado provisoriamente, e são instituídos controle da dor e medidas para reduzir novas lesões aos tecidos moles.

Fraturas com alinhamento aceitável e estabilidade suficiente podem, em situações selecionadas, ser tratadas sem cirurgia, utilizando gesso, tala, órtese ou outro método de imobilização, associado a acompanhamento clínico e radiográfico periódico.

Fraturas instáveis podem requerer fixação cirúrgica por diferentes técnicas, como placas e parafusos, hastes intramedulares ou fixadores externos. A escolha depende principalmente da anatomia da fratura e das condições locais. O objetivo não é necessariamente reconstruir e fixar individualmente cada pequeno fragmento, mas restaurar comprimento, alinhamento e rotação do osso, proporcionar estabilidade suficiente para a consolidação e, sempre que possível, preservar a vascularização dos fragmentos e tecidos moles.

Nas fraturas expostas, o tratamento é urgente e inclui avaliação da ferida, antibioticoprofilaxia sistêmica precoce, profilaxia contra o tétano quando indicada, irrigação e desbridamento cirúrgico apropriados, além da estabilização da fratura. O risco de infecção é maior do que nas fraturas fechadas e aumenta conforme a gravidade da lesão dos tecidos moles e o grau de contaminação.

Em traumatismos graves com importante lesão de partes moles ou em pacientes que ainda não apresentam condições para uma reconstrução definitiva, pode ser utilizada inicialmente uma fixação externa temporária, seguida posteriormente do tratamento definitivo. Em situações selecionadas, defeitos ósseos extensos podem exigir enxerto ósseo ou outras técnicas reconstrutivas.

A recuperação pode ser longa e gradual, especialmente nas fraturas de alta energia ou com grande lesão de tecidos moles. A fisioterapia e a reabilitação progressiva são fundamentais para recuperar amplitude de movimento, força muscular e função, enquanto o acompanhamento clínico e radiográfico permite avaliar a consolidação e identificar precocemente possíveis complicações.

Quais são as complicações possíveis das fraturas cominutivas?

Fraturas cominutivas, sobretudo quando resultam de traumatismos de alta energia, apresentam risco aumentado de complicações devido à fragmentação óssea e às lesões associadas de tecidos moles. Esse risco, entretanto, varia consideravelmente conforme o osso acometido, o padrão da fratura e as condições do paciente.

Entre as possíveis complicações estão:

  • consolidação tardia;
  • não consolidação (pseudoartrose);
  • consolidação em posição inadequada (consolidação viciosa);
  • infecção (especialmente nas fraturas expostas);
  • perda óssea;
  • rigidez articular;
  • limitação funcional;
  • e dor persistente.

Também podem ocorrer lesões de vasos sanguíneos e nervos, síndrome compartimental aguda, trombose venosa profunda e, em determinadas fraturas de ossos longos e contextos de politrauma, embolia gordurosa. Fraturas que atingem uma superfície articular podem favorecer incongruência da articulação e aumentar o risco de osteoartrose pós-traumática ao longo do tempo.

A gravidade de uma fratura cominutiva, portanto, não depende apenas do número de fragmentos. A extensão da lesão dos tecidos moles, a vascularização, a presença de exposição óssea, o envolvimento articular, a estabilidade da fratura e as condições gerais do paciente têm papel decisivo no prognóstico.

Tratamento adequado, acompanhamento ortopédico e reabilitação são fundamentais para favorecer a consolidação e reduzir o risco de sequelas.

Veja sobre "Tratamento de feridas", "Imobilização de fraturas" e "Amputação de membros".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da Cleveland Cliínic, do WebMD e da Sociedade Brasileira de Trauma Ortopédico.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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