Pressão arterial: o que é? Como se comporta durante o ciclo cardíaco? Como se mede? Quais são os valores normais?

O que é pressão arterial?
Chama-se pressão arterial (PA), ou tensão arterial, à pressão exercida pelo sangue contra as paredes das artérias. O seu valor oscila continuamente, entre um mínimo e um máximo, determinados pelos batimentos cardíacos, pela elasticidade das artérias e pelas resistências periféricas que se antepõem ao fluxo do sangue. As diferenças de pressão entre esse máximo e esse mínimo, combinadas e sincronizadas com as contrações e válvulas do coração é que promove a propulsão necessária para que o sangue circule.
Como se comporta a pressão arterial durante um ciclo cardíaco?
Chama-se ciclo cardíaco ao conjunto de acontecimentos que vão desde o fim de um batimento cardíaco até o fim do batimento seguinte. A contração do ventrículo esquerdo, estando fechada a válvula mitral e aberta a válvula aórtica, impulsiona o sangue para dentro da artéria aorta. Nesse momento tem-se a máxima pressão no interior do sistema circulatório. Como esse movimento do coração é chamado sístole, a pressão é dita pressão arterial sistólica. Imediatamente antes do próximo batimento a válvula aórtica se fecha, impedindo o refluxo do sangue ejetado, a válvula mitral se abre e o ventrículo esquerdo se relaxa para receber o sangue da aurícula do mesmo lado. Neste momento tem-se a menor pressão nas artérias e, como este período se chama diástole, a pressão arterial é denominada pressão arterial diastólica ou pressão mínima.
Como se mede a pressão arterial?
O esfigmomanômetro, popularmente conhecido como “aparelho de pressão”, o engenho que permite a determinação indireta da pressão arterial, foi inventado em 1880, na Alemanha, por Von Basch. O aparelho que ele idealizou era constituído por uma bolsa de borracha cheia de água, ligada a uma coluna de mercúrio ou a um manômetro. A pressão sanguínea era medida em milímetros de mercúrio (mmHg). Comprimindo-se a bolsa de borracha sobre a artéria até ao desaparecimento completo da pulsação obtinha-se a pressão sistólica. Mais tarde, a bolsa d’água foi substituída pelo manguito de ar.
No entanto, a pressão diastólica teve que esperar mais uma dezena de anos para poder ser medida, até que um médico russo, Nikolai Korotkov, descobrisse os sons produzidos durante a descompressão da artéria e passasse a auscultá-los com o estetoscópio. Ele verificou que se produzia um som semelhante a um sopro no momento em que o sangue começava a passar pela artéria anteriormente comprimida, à medida que ela ia sendo progressivamente descomprimida, e que esse som desaparecia quando a artéria voltava a permitir o fluxo sanguíneo normal. Assim, o momento de aparecimento do som marca a pressão máxima no interior da artéria e o desaparecimento dele marca a pressão mínima.
Hoje em dia, existem aparelhos que registram digitalmente esses momentos, os quais dispensam a ausculta com o estetoscópio. O mais comum é que se verifique a pressão arterial em um dos braços, usando como ponto de auscultação a artéria braquial, na altura da face anterior do cotovelo. No entanto, certas patologias podem aconselhar que ela seja tomada em várias outras artérias ou numa mesma artéria, bilateralmente. As variações da pressão arterial, para mais ou para menos, tanto podem ser consequência de doenças como causa delas ou de complicações, por vezes graves a até fatais.
Quais são os valores normais da pressão arterial?
No indivíduo adulto saudável a pressão mínima é, em média, de 80 mmHg, observada durante a diástole cardíaca (período de relaxamento do coração), e a pressão máxima é de 120 mmHg, observada durante a sístole cardíaca (período de contração do coração). Contudo, valores até 140 mmHg para a pressão sistólica e 90 mmHg para a pressão diastólica, podem ser aceitos como normais. Esses índices variam não só em função da força de contração cardíaca como do maior ou menor grau de elasticidade das artérias.
Quando se expressa a pressão arterial por dois números como, por exemplo, 120x80, o primeiro deles refere-se à pressão máxima (pressão sistólica) e o segundo à pressão mínima (pressão diastólica). Quando os valores apurados são superiores a essas referências diz-se que a pessoa está hipertensa ou, popularmente, com pressão alta e se esses valores são inferiores a elas, diz-se que a pessoa está hipotensa ou com pressão baixa. Em algumas situações mórbidas, como nos indivíduos chocados, por exemplo, a pressão arterial pode ser tão baixa que não se consegue medi-la.
A pressão arterial varia instantaneamente, geralmente para mais, se a pessoa está fazendo exercícios, se encontra-se em estado de tensão nervosa ou se está falando alto, por exemplo. A pressão arterial varia também com a idade, sendo mais baixa nas crianças pequenas, ligeiramente mais baixa aos 13 anos (110x70) e frequentemente mais alta nas pessoas idosas, em virtude do progressivo enrijecimento das artérias, com o progredir da idade.
