AbcMed

Acalásia ou acalasia: o que é isso?

Wednesday, October 22, 2014
Avalie este artigo
Acalásia ou acalasia: o que é isso?

O que é acalásia?

Rigorosamente falando, acalásia é toda alteração hipertônica de qualquer esfíncter circular, como o piloro e o esfíncter anal, por exemplo. O uso comum, entretanto, reservou o termo acalásia apenas para o cárdia, o esfíncter entre o esôfago e o estômago, causando dificuldade de passagem do alimento do esôfago para o estômago. A acalásia se caracteriza pela ausência de movimentos peristálticos do esôfago e pelo estreitamento do cárdia e disso decorrem seus sintomas. Essa alteração foi descrita pela primeira vez em 1674, pelo médico Thomas Willis.

Quais são as causas da acalásia?

A acalásia é uma alteração dos nervos em torno do esôfago. Muitas vezes ela é de causa desconhecida, mas também pode ser uma complicação de outras doenças (acalasia secundária) como, por exemplo, a doença de Chagas e a neuropatia diabética. Essa doença geralmente ocorre entre os 20 e 40 anos e progride de forma gradual ao longo dos anos.

Qual é a fisiopatologia da acalásia?

O mecanismo da acalásia consiste na destruição dos plexos neuromusculares da parede esofágica que leva a uma perda progressiva dos movimentos peristálticos do esôfago e da capacidade de relaxamento do cárdia. Com a perda da tonicidade da parede muscular do esôfago e a hipertonicidade do cárdia ocorre uma dilatação e alongamento progressivos do esôfago, formando uma câmara que pode conter grandes volumes de alimento e saliva.

Quais são os principais sinais e sintomas da acalásia?

Um dos sintomas do paciente portador de acalasia é a disfagia (dificuldade de engolir) de longa duração e a dor retroesternal (atrás do osso esterno). A dificuldade de passagem do alimento do esôfago para o estômago pode evoluir com megaesôfago (dilatação do esôfago) progressivo. Há perda de peso, vômitos, regurgitação, salivação excessiva, dor torácica e azia. Também pode ocorrer tosse noturna, abscessos nos pulmões, infecções das vias aéreas e pneumonia por aspiração.

Como o médico diagnostica a acalásia?

O diagnóstico da acalásia começa pela história clínica e segue pelos exames complementares. Nas fases iniciais o diagnóstico pode ser mais difícil porque a dilatação do esôfago pode ainda não estar presente e exames rotineiros, nesses casos, como a esofagoscopia (exame que permite observar o interior do esôfago através de uma câmera) e as radiografias contrastadas do esôfago podem ser normais.

Mais tarde, a presença de resíduos alimentares pode ser constatada pela endoscopia e pelas radiografias contrastadas de esôfago, os quais também podem mostrar a dilatação e, nos casos mais avançados, o alongamento e a tortuosidade do esôfago. A esofagomanometria (medida da pressão intraesofágica) é o exame de escolha para o diagnóstico nas fases iniciais.

A acalasia pode ser confundida com o refluxo gastroesofágico e o câncer esofágico. O diagnóstico diferencial com o câncer esofágico pode ser feito porque a disfagia da acalasia dura anos, ao contrário daquela associada ao câncer esofágico que tem duração de semanas ou, no máximo, alguns meses. Uma biópsia, feita durante a esofagoscopia pode ajudar a afastar o diagnóstico de câncer ou de outras doenças.

Como o médico trata a acalásia?

Os tratamentos da acalásia visam alargar o esfíncter contraído, de modo que ele permita mais facilmente a passagem de alimentos do esôfago para o estômago. As principais opções de tratamento incluem a dilatação do cárdia com balão, o bloqueio neuromuscular do cárdia com injeções de toxina botulínica, realizada através da endoscopia e ainda mudanças no estilo de vida. O tratamento mais eficaz, contudo, é feito através de medicamentos que ajudam a relaxar o esfíncter e cirurgia que consiste em cortar as fibras musculares do esfíncter.

Como evolui a acalásia?

A acalásia aumenta a probabilidade dos indivíduos desenvolverem câncer no esôfago.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Comentários