sexta-feira, 30 de julho de 2010

Tireoide - quarta-feira, 11 de novembro de 2009 - 09:54
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Cirurgia da tireoide. Quando é necessário fazer?

O que é tireoide1?

A tireoide1 é uma glândula2 que está localizada na base do pescoço, abaixo do “pomo de Adão”. Ela possui a forma de uma borboleta.

Esta glândula2 é responsável pela produção, armazenamento e liberação de hormônios tireoideanos para o organismo. Estes hormônios são conhecidos como T3 e T4. Há também a produção de calcitonina, hormônio3 que contribui para levar cálcio para os ossos.

Quando é necessário fazer uma cirurgia na tireoide1?


A cirurgia de tireoide1 compreende procedimentos para ressecção de um nódulo4 separadamente, ressecção parcial (tireoidectomia parcial) ou retirada completa da glândula2 (tireoidectomia total).

A tireoidectomia total geralmente é realizada nos casos em que há nódulos tireoideanos com suspeita de malignidade, sinais5 de compressão ou desconforto no pescoço, e quando há um problema estético gerado pelo aumento da glândula2 (bócio6).
   

Quais são os exames geralmente realizados nos casos de alterações da tireoide1?

Em primeiro lugar, o importante é consultar um endocrinologista7 que vai avaliar os dados da história clínica e realizar um exame físico, envolvendo a palpação da tireoide1.

Os exames complementares que podem ajudar na interpretação de alterações tireoideanas são:

  • Exame de sangue8 com dosagem dos hormônios tireoideanos. Os hormônios mais solicitados são o TSH (hormônio3 tireoestimulante) e o T4 livre (tiroxina). Em alguns casos é necessária a dosagem de T3 (triiodotironina).
  • Ultrassonografia da tireoide1: avalia a presença de nódulos tireoidianos dando informações sobre tamanho, localização na glândula2 e características dos nódulos, auxiliando decisões cirúrgicas. O Doppler associado ao ultrasson mostra a vascularização dos nódulos, o que ajuda na interpretação da malignidade ou não dos nódulos.
  • Punção aspirativa com agulha fina (PAAF) guiada por ultrasson com biópsia9: realizado para saber se um nódulo4 é benigno ou maligno.
  • Cintilografia da tireoide1: neste exame o paciente ingere um comprimido ou toma um líquido com pequena quantidade de iodo radioativo chamado I 131. Se houver alguma célula10 de tireoide1 presente, ela aparece como uma mancha no filme cintilográfico. 

 

Todos os nódulos na tireoide1 precisam ser removidos com cirurgia?

Não. O tratamento depende dos resultados dos exames. Muitos nódulos são benignos e não precisam de cirurgia, apenas de acompanhamento clínico. Nódulos tireoideanos são muito frequentes, principalmente acima dos 50 anos de idade.

 

O que acontece depois de uma cirurgia da tireoide1?

Na maioria das vezes, após um procedimento cirúrgico na tireoide1 a única coisa necessária é uma reposição hormonal. Pode ser que uma pessoa que retirou apenas nódulos isoladamente nem precise fazer esta reposição e necessite apenas de um acompanhamento periódico dos níveis hormonais. É essencial dar continuidade às consultas pós-operatórias com um endocrinologista7 ou com um cirurgião de cabeça e pescoço.

Uma cirurgia na tireoide1 pode levar à lesão de pequenas glândulas11, as paratireoides, que estão muito próximas da tireoide1. Estas glândulas11 regulam o metabolismo12 do cálcio na circulação13 e nos ossos. Em boa parte dos pacientes operados existe queda do cálcio no sangue8 com sintomas14 de formigamento, contração muscular e perda de cálcio nos ossos. A reposição de cálcio e de vitamina15 D deve ser avaliada por um médico.

Quando trata-se de um nódulo4 maligno, após a cirurgia para remoção da glândula2 e retirada dos gânglios linfáticos16 adjacentes acometidos pelo tumor17 (procedimento conhecido como "esvaziamento cervical"), os pacientes recebem iodo radioativo para destruir restos tumorais e restos de células sadias da tireoide1 que tenham permanecido no pescoço. Após o procedimento, os pacientes deixam de produzir hormônios tireoidianos e apresentam hipotireoidismo18, necessitando de repor esses hormônios na forma de comprimidos ao longo de toda a vida.

 

A cirurgia tem riscos?

As cirurgias na tireoide1 têm índice baixo de complicações (0,4 a 5%), mas como qualquer outra intervenção cirúrgica, envolve riscos.

Os riscos mais comuns são:

  • Alterações da voz (ocorre por lesão do nervo laríngeo recorrente devido a sua proximidade com a glândula2 tireoide1, este nervo é responsável pelos movimentos das cordas vocais).
  • Hematoma (pode haver um acúmulo de sangue8 no local da cirurgia dando origem a um hematoma, cursa com dor e dificuldade para respirar. Precisa ser avaliado imediatamente pelo cirurgião que realizou a intervenção. Às vezes é necessária uma nova cirurgia de urgência).
  • Hipocalcemia19 (ocorre por lesão nas paratireoides ou retirada total da tireoide1).
  • Cicatriz no local da cirurgia (na maioria das vezes as cicatrizes são discretas, mas em pessoas com tendência à formação de queloide20 a cicatriz cirúrgica pode ser uma complicação estética. A exposição direta ao sol deve ser evitada por um período de até 4 meses após a cirurgia).

Todas as pessoas que irão fazer uma cirurgia de tireoide1 devem estar cientes destes riscos.


Fonte: Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço - SBCCP

Comentários

17/05/2010 15:32 - Comentário feito por rita diane bentz
Re: Cirurgia da tireoide. Quando é necessário fazer?
parabens pela materia esclarecedora ,tenho hipotiroidismo a 4 anos nao estava tratando mas depois de ver a materia comecei a tratar novamente , gostaia de saber se o hipotiroidismo nao tratado pode virar cancer?por favor me respondao desde ja agradeço.

Glossário

1 Tireoide: A tireoide é uma glândula localizada na base do pescoço, abaixo do "pomo de Adão". Sua função é produzir, armazenar e liberar hormônios tireoideanos (T3 e T4) na corrente sanguínea. Estes hormônios agem em quase todas as células do organismo e ajudam a controlar suas funções.
2 Glândula: Estrutura do organismo especializada na produção de substâncias que podem ser lançadas na corrente sangüínea (glândulas endócrinas) ou em uma superfície mucosa ou cutânea (glândulas exócrinas). A saliva, o suor, o muco, são exemplos de produtos de glândulas exócrinas. Os hormônios da tireóide, a insulina e os estrógenos são de secreção endócrina.
3 Hormônio: Substância química produzida por uma parte do corpo e liberada no sangue para desencadear ou regular funções particulares do organismo. Por exemplo, a insulina é um hormônio produzido pelo pâncreas que diz a outras células quando usar a glicose para energia. Hormônios sintéticos, usados como medicamentos, podem ser semelhantes ou diferentes daqueles produzidos pelo organismo.
4 Nódulo: Lesão de consistência sólida, maior do que 0,5cm de diâmetro, saliente na hipoderme. Em geral não produz alteração na epiderme que a recobre.
5 Sinais: São alterações percebidas ou medidas por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida.
6 Bócio: Aumento do tamanho da glândula tireóide, que produz um abaulamento na região anterior do pescoço. Em geral está associado ao hipotireoidismo. Quando a causa desta doença é a deficiência de ingestão de iodo, é denominado Bócio Regional Endêmico. Também pode estar associado a outras doenças glandulares como tumores, infecções ou inflamações.
7 Endocrinologista: Médico que trata pessoas que apresentam problemas nas glândulas endócrinas.
8 Sangue: O sangue é uma substância líquida que circula pelas artérias e veias do organismo. Em um adulto sadio, cerca de 45% do volume de seu sangue é composto por células (a maioria glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). O sangue é vermelho brilhante, quando oxigenado nos pulmões (nos alvéolos pulmonares). Ele adquire uma tonalidade mais azulada, quando perde seu oxigênio, através das veias e dos pequenos vasos denominados capilares.
9 Biópsia: Obtenção de uma amostra de tecido de um organismo vivo para fins diagnósticos.
10 Célula: Unidade funcional básica de todo tecido, capaz de se duplicar (porém algumas células muito especializadas, como os neurônios, não conseguem se duplicar), trocar substâncias com o meio externo à célula, etc. Possui subestruturas (organelas) distintas como núcleo, parede celular, membrana celular, mitocôndrias, etc. que são as responsáveis pela sobrevivência da mesma.
11 Glândulas: Grupo de células que secreta substâncias. As glândulas endócrinas secretam hormônios e as glândulas exócrinas secretam saliva, enzimas e água.
12 Metabolismo: É o conjunto de transformações que as substâncias químicas sofrem no interior dos organismos vivos. São essas reações que permitem a uma célula ou um sistema transformar os alimentos em energia, que será ultilizada pelas células para que as mesmas se multipliquem, cresçam e movimentem-se. O metabolismo divide-se em duas etapas: catabolismo e anabolismo.
13 Circulação: 1. Ato ou efeito de circular.
2. Facilidade de se mover usando as vias de comunicação; giro, curso, trânsito.
3. Movimento do sangue, fluxo de sangue através dos vasos sanguíneos do corpo e do coração.
14 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
15 Vitamina: Compostos presentes em pequenas quantidades nos diversos alimentos e nutrientes e que são indispensáveis para o desenvolvimento dos processos biológicos normais.
16 Gânglios linfáticos: Estrutura pertencente ao sistema linfático, localizada amplamente em diferentes regiões superficiais e profundas do organismo, cuja função consiste na filtração da linfa, maturação e ativação dos linfócitos, que são elementos importantes da defesa imunológica do organismo.
17 Tumor: Termo que literalmente significa massa ou formação de tecido. É utilizado em geral para referir-se a uma formação neoplásica.
18 Hipotireoidismo: Distúrbio caracterizado por uma diminuição da atividade ou concentração dos hormônios tireoidianos. Manifesta-se por engrossamento da voz, aumento de peso, diminuição da atividade, depressão.
19 Hipocalcemia: É a existência de uma fraca concentração de cálcio no sangue. A manifestação clínica característica da hipocalcemia aguda é a crise de tetania.
20 Queloide: Cicatriz hipertrófica.
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