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Doença de Hartnup

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019
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Doença de Hartnup

O que é a doença de Hartnup?

A doença de Hartnup é uma condição genética rara que envolve um erro inato do metabolismo de aminoácidos. Como esses aminoácidos aumentados podem ser detectados na urina, a condição é também referida como aminoacidúria.

Quais são as causas da doença de Hartnup?

A doença de Hartnup é causada por uma mutação genética e é herdada de maneira autossômica recessiva. Ela se caracteriza pela incapacidade do intestino de absorver da dieta certos aminoácidos indispensáveis à construção de proteínas, como o triptofano, por exemplo, e dos rins de reabsorvê-los. Como resultado, os indivíduos afetados não são capazes de usar esses aminoácidos para produzir outras substâncias essenciais, como vitaminas e proteínas.

Leia sobre "Erros inatos do metabolismo" e "Teste do Pezinho ou Triagem Neonatal".

Qual é o substrato fisiológico da doença de Hartnup?

O gene SLC6A19 é responsável por produzir uma proteína que transporta aminoácidos específicos dentro do corpo. Os aminoácidos afetados por alterações nesse gene incluem triptofano, alanina, asparagina, glutamina, histidina, isoleucina, leucina, fenilalanina, serina, treonina, tirosina e valina. Esses aminoácidos são componentes das proteínas essenciais para o crescimento e desenvolvimento adequados.

Devido a um defeito (mutação) neste gene, o intestino não pode absorver adequadamente os aminoácidos e o rim também não pode reabsorvê-los adequadamente, levando à perda de quantidades excessivas deles pela urina. Isso deixa o organismo com quantidades reduzidas de aminoácidos para servir à construção de proteínas essenciais. Acredita-se que a deficiência do aminoácido triptofano seja a principal responsável pelos sintomas da doença de Hartnup. O triptofano é essencial para a síntese de nicotinamida, também conhecida como vitamina B3.

Quais são as principais características clínicas da doença de Hartnup?

Os sintomas da doença de Hartnup variam muito de uma pessoa para outra. A maioria dos indivíduos afetados não apresenta sintomas aparentes. Quando os sintomas se desenvolvem, eles ocorrem entre as idades de 3 a 9 anos e podem continuar depois. Em casos raros, os sintomas aparecem pela primeira vez na idade adulta.

A doença de Hartnup é caracterizada por erupções cutâneas escamosas e vermelhas, sensíveis à luz, em áreas expostas da pele. Em alguns casos elas são acompanhadas por episódios de envolvimento neurológico que podem incluir uma incapacidade de coordenar movimentos voluntários (ataxia), problemas de visão, marcha instável, articulação prejudicada da fala (disartria), tremores ocasionais das mãos e da língua e espasticidade, aumento do tônus muscular e da rigidez dos músculos, principalmente os das pernas e atrasos cognitivos.

Em casos raros, registrou-se leve deficiência intelectual. Da mesma forma, foram também observados convulsões, desmaios, tremores, dores de cabeça, tontura e/ou vertigem e atrasos no desenvolvimento motor. Alguns indivíduos afetados podem experimentar anormalidades psiquiátricas, incluindo instabilidade emocional, como mudanças rápidas de humor, depressão, confusão, ansiedade, delírios e/ou alucinações.

Os sintomas associados a esse distúrbio podem ser desencadeados por febre, drogas ou estresse emocional e/ou físico, como durante uma doença. A frequência de tais episódios costuma diminuir com a idade.

Como o médico diagnostica a doença de Hartnup?

Devido à variabilidade dos sintomas, o diagnóstico inequívoco só pode ser feito através da análise da urina, baseado na detecção por cromatografia de aminoácidos e outros derivados, como serotonina, elevados na urina. Em alguns casos, o teste genético molecular pode confirmar o diagnóstico da doença. Pessoas com doença de Hartnup têm altos níveis de vários aminoácidos na urina e, para a maioria dos indivíduos afetados, este é o único sinal da condição.

Algumas outras condições médicas podem apresentar sintomas assemelhados e devem ser consideradas para estabelecer um diagnóstico diferencial. Incluem-se neste caso:

  1. A pelagra, doença que resulta de uma deficiência de ácido nicotínico e, ocasionalmente, de triptofano
  2. A erupção malar observada no lúpus
  3. A dermatite atópica infantil
  4. A dermatite seborreica
  5. Síndrome carcinoide
  6. Xeroderma pigmentoso
  7. Fenilcetonúria
  8. Síndrome da fralda azul
  9. E uma variedade de outros distúrbios metabólicos...

Os sintomas neurológicos da doença de Hartnup podem se assemelhar aos observados em outros distúrbios metabólicos, na ataxia-telangiectásica e em outras formas de ataxia.

Como o médico trata a doença de Hartnup?

A maioria das pessoas com doença de Hartnup é capaz de obter as substâncias necessárias com uma dieta bem equilibrada. Indivíduos com doença de Hartnup que não desenvolvem sintomas não necessitam de tratamento. Os episódios sintomáticos que afetam algumas pessoas com a doença podem ser reduzidos ou evitados mantendo uma boa nutrição, incluindo uma dieta rica em proteínas, evitando o excesso de exposição ao sol e evitando certos medicamentos. Em alguns casos, durante um episódio sintomático, o tratamento com nicotinamida pode ser recomendado. O aconselhamento genético pode ser útil para as famílias afetadas.

Como evolui a doença de Hartnup?

O prognóstico da doença de Hartnup é bom e as crises se tornam cada vez menos frequentes com a idade, na maioria dos casos.

Como prevenir a doença de Hartnup?

As pessoas com a doença de Hartnup podem diminuir a frequência e a gravidade das crises mantendo uma boa nutrição, ingerindo proteína suficiente e suplementando sua dieta com niacinamida ou niacina.

Saiba mais sobre "Importância do exame de urina", "Lúpus eritematoso", "Fenilcetonúria" e "Ataxia".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas dos sites da NORD - National Organization of Rare Diseases e da US National Library of Medicine.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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