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Como ocorre a síndrome pós-colecistectomia

Friday, May 10, 2024
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Como ocorre a síndrome pós-colecistectomia

O que é síndrome pós-colecistectomia?

A colecistectomia é comumente realizada para tratar doenças da vesícula biliar, como pedras na vesícula ou inflamação da vesícula (colecistite). No entanto, alguns pacientes podem experimentar sintomas persistentes após a cirurgia. Como o nome sugere, esta síndrome pode representar uma continuação dos sintomas causados pela patologia anterior da vesícula biliar ou o desenvolvimento de novos sintomas que geralmente se correlacionam com a vesícula biliar.

Mais frequentemente, os sintomas pós-operatórios mais comuns são os mesmos que estavam presentes antes da cirurgia, podendo, contudo, serem novos.

Quais são as causas da síndrome pós-colecistectomia?

A síndrome pós colecistectomia resulta das alterações ocorridas no fluxo da bile, em decorrência da remoção do seu local de armazenamento, que é a vesícula biliar. A dor associada com a síndrome pós-colecistectomia ocorre por espasmo do esfíncter de Oddi, presença de cálculos na via biliar principal, aderências pós-cirúrgicas ou presença de um coto do canal cístico ou mesmo da vesícula biliar, pelo fato de, na ausência de vesícula, se perder a função do reservatório da bile e esta ser drenada continuamente para o intestino.

Leia sobre "Colelitíase ou pedras na vesícula biliar" e "Colangiografia: como é o exame".

Qual é o substrato fisiopatológico da síndrome pós-colecistectomia?

A fisiopatologia da síndrome pós-colecistectomia parece estar relacionada a alterações no fluxo biliar surgidas pela retirada da função reservatório da vesícula biliar. Embora o conhecimento atual sobre a fisiopatologia da síndrome pós-colecistectomia tenha melhorado desde a introdução da colangiopancreatografia retrógrada endoscópica e da manometria endoscópica do esfíncter de Oddi em circunstâncias diagnósticas, a fisiopatologia ainda não é totalmente compreendida.

Acredita-se também que a síndrome pós-colecistectomia seja causada por doença orgânica ou funcional do trato gastrointestinal e pode ser ainda classificada em pacientes com sintomas de origem não biliar e biliar para avaliação sistemática.

A remoção da vesícula e a consequente falta de armazenamento adequado da bile pode afetar a liberação controlada da bile no sistema digestivo. A remoção da vesícula pode alterar os padrões normais de motilidade intestinal e pode haver um aumento na pressão do esfíncter de Oddi. Pode haver também aumento da sensibilidade ao ácido biliar, alterações na microbiota intestinal e fatores psicológicos.

​Quais são as características clínicas da síndrome pós-colecistectomia?

A síndrome pós-colecistectomia ocorre em 5 a 40% dos pacientes submetidos à cirurgia de vesícula biliar e pode se manifestar precocemente, geralmente no período pós-operatório, mas também pode se manifestar meses ou anos após a cirurgia.

Dois tipos distintos de problemas podem ser encontrados nesses casos. O primeiro é o contínuo aumento do refluxo de bile para o trato gastrointestinal superior, fator que pode contribuir para o aparecimento ou agravamento de esofagite ou gastrite.

A outra consequência está relacionada ao trato gastrointestinal inferior. Os sintomas incluem:

  • intolerância a alimentos gordurosos, que pode levar à produção de gases e inchaço abdominal;
  • náuseas;
  • vômitos;
  • azia;
  • refluxo ácido, devido à remoção da vesícula biliar;
  • indigestão;
  • diarreia, devido à liberação contínua de bile no intestino delgado, o que pode afetar a digestão;
  • icterícia;
  • e episódios intermitentes de dores abdominais, embora a causa nem sempre seja clara.

A ausência da vesícula biliar pode influenciar a absorção de nutrientes, resultando em sintomas como fezes gordurosas e perda de peso.

Como o médico diagnostica a síndrome pós-colecistectomia?

A investigação diagnóstica inicial da síndrome pós-colecistectomia inclui hemograma completo, para eliminar etiologias infecciosas; painel metabólico completo (amilase, lipase, tempo de protrombina, etc.), para avaliar possíveis doenças hepatobiliares ou pancreáticas; e análise de gases sanguíneos se o paciente estiver com aparência agudamente tóxica. Além disso, outros estudos laboratoriais podem ser indicados para descartar outras etiologias dos sintomas.

Estudos radiográficos de tórax podem ser feitos para rastrear condições pulmonares e mediastinais. Filmes abdominais também devem ser obtidos na maioria dos casos. A ultrassonografia abdominal é um método rápido e não invasivo para avaliar o sistema hepatobiliar, pâncreas e áreas adjacentes. A tomografia computadorizada pode auxiliar na identificação de pancreatite ou complicações da pancreatite.

Imagens de cintilografia podem demonstrar vazamento biliar ou ajudar a identificar a disfunção do esfíncter de Oddi, embora a diferenciação entre estenose e discinesia seja difícil. A ultrassonografia endoscópica é valiosa para determinar quais pacientes necessitariam de colangiopancreatografia retrógrada endoscópica. A esofagogastroduodenoscopia permite a visualização direta da ampola de Vater e avalia a mucosa desde o esôfago até o duodeno em busca de sinais de doença.

Como o médico trata a síndrome pós-colecistectomia?

O tratamento da síndrome pós-colecistectomia deve ser orientado pelo diagnóstico específico e pode incluir abordagens farmacológicas ou procedimentais, conforme sua causa. O objetivo da farmacoterapia é prevenir complicações e reduzir a morbidade. A administração de agentes de volume, antiespasmódicos ou sedativos pode ser benéfica em pacientes com síndrome do intestino irritável. A colestiramina pode ser útil para pacientes com diarreia. Antiácidos, bloqueadores de histamina-2 ou inibidores da bomba de prótons podem proporcionar alívio dos sintomas de pacientes com sintomas de gastrite. Pacientes com sintomas dispépticos podem se beneficiar de ligantes de ácidos biliares, como a colestiramina.

A terapia processual deve basear-se no diagnóstico específico, assim como a terapia farmacológica. A cirurgia é uma opção quando existe uma etiologia bem estabelecida e identificável que responde à intervenção cirúrgica. A colangiopancreatografia retrógrada é o procedimento mais comumente realizado, pois pode ser tanto diagnóstico quanto terapêutico.

Nos casos de síndrome pós-colecistectomia resultante de litíase de ducto cístico remanescente, a extração de cálculos por terapia endoscópica pode ser suficiente. No entanto, a excisão cirúrgica do ducto cístico remanescente pode ser necessária em alguns casos para prevenir o desenvolvimento de reincidências futuras.

Veja também sobre "Colecistectomia aberta e por videolaparoscopia" e "Colecistite: o que é".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente do site da U.S. National Library of Medicine.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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