Bebê com dificuldade para evacuar? Pode ser disquesia e não intestino preso!

O que é disquesia?
A disquesia (do grego dys = prefixo que indica distúrbio, desarranjo + chézein = defecar + sufixo ia) não é uma doença, mas um distúrbio funcional do trato gastrointestinal do bebê em que ele pode sentir vontade de fazer cocô sem, contudo, conseguir evacuar, ou precisar de muito esforço e muito tempo para fazê-lo.
Quais são as causas da disquesia?
A disquesia parece ser causada por uma incoordenação psicofísica entre a vontade de evacuar e a musculatura intestinal e do assoalho pélvico, devido à imaturidade neuromuscular do bebê. Pode acontecer tanto em bebês que mamam só leite materno quanto nos que usam outro tipo de leite.
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Qual é o substrato fisiológico da disquesia?
Na prática pediátrica, é comum deparar-se com transtornos funcionais de distintas naturezas, em geral passageiros, devidos à imaturidade orgânica própria do infante. A disquesia é consequência de um assincronismo entre o desejo de defecar e a incapacidade de fazê-lo. Ao abrir levemente as nádegas do bebê, a mãe perceberá que o seu ânus permanece fortemente ocluído, apesar dele manifestar vontade de evacuar.
A defecação requer dois eventos coordenados: (1) relaxamento do assoalho pélvico e (2) aumento da pressão intra-abdominal. As crianças com disquesia infantil ainda não desenvolveram essa coordenação e, portanto, são incapazes de desfrutar de uma defecação fácil.
A disquesia infantil é um problema para aprender a defecar. Chorar é a tentativa do bebê de criar aumento da pressão intra-abdominal, antes que ele aprenda a aguentar mais efetivamente o movimento intestinal. Ao contrário do que usualmente se pensa, a criança não está chorando de dor.
Quais são as principais características clínicas da disquesia?
Um bebê normal pode fazer cocô após cada mamada ou passar até 7 dias sem evacuar, mas seu esforço, quando sente vontade de evacuar, é quase imperceptível. Na maioria das vezes, a mãe precisa olhar a fralda para saber se o bebê fez cocô. Por sua vez, o bebê com disquesia pode fazer muita força, ficar vermelho, chorar, gemer, levar até 20 minutos para conseguir evacuar, mesmo com as fezes moles. Isso pode ser comum durante as primeiras semanas de vida e é um estado bastante complicado para o recém-nascido.
Como o médico diagnostica a disquesia?
A disquesia deve ser diferenciada da constipação intestinal, que é caracterizada pela dificuldade em evacuar devido ao grande volume de fezes endurecidas. Quando uma criança sofre de prisão de ventre é porque suas fezes estão secas, duras e se tornam difíceis de serem expulsas.
Para estar certa de que seu bebê esteja passando por uma fase de disquesia, a mãe pode fazer duas observações:
- O bebê adota uma atitude como se fosse defecar, mas demora muito para fazê-lo, demonstra um grande esforço e acaba chorando.
- Ao conseguir evacuar, a mãe perceberá que as fezes estão amolecidas ou mesmo líquidas.
O que fazer para resolver a disquesia?
A principal atitude com relação à disquesia é não se desesperar. A disquesia não requer nenhum tratamento ou nenhuma intervenção médica. Com o desenvolvimento e com o amadurecimento da própria fisiologia, o bebê acabará por “aprender” em algumas semanas o mecanismo normal de fazer cocô. O mais importante é levar calma e relaxamento ao bebê, e isso depende muito da tranquilidade que a mãe consegue passar ao seu filho(a) através de pequenas atitudes positivas no dia a dia.
O uso de qualquer medicação não se justifica e pode mesmo ser prejudicial, induzindo um aprendizado errado. Não use infusões, laxativos ou supositórios. Não é necessário também mudar qualquer hábito de vida.
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Referências:
As informações veiculadas neste texto foram extraídas dos site da SBP – Sociedade Brasileira de Pediatria e da International Foundation of Gastrointestinal Disorders.
