Gostou do artigo? Compartilhe!

Adenite mesentérica - causas, sintomas, diagnóstico, tratamento e complicações possíveis

A+ A- Alterar tamanho da letra
Avalie este artigo

O que é adenite?

Adenite é o termo geral empregado para se referir à inflamação1 de uma glândula2, mas muitas vezes o termo é usado para se referir à linfadenite3, que é a inflamação1 de um linfonodo4, que faz parte do sistema linfático5. Os linfonodos6 são pequenos órgãos em forma de feijão que contêm células brancas do sangue7, chamadas linfócitos. Os linfonodos6 desempenham um papel importante no sistema imunológico8, porque funcionam como uma barreira que filtra bactérias e outros germes do fluido linfático9, para que o corpo possa remover essas substâncias nocivas.

Nesse sentido, a adenite é uma condição que faz com que os gânglios linfáticos10 se tornem inchados e sensíveis. Quase sempre ela é consequente a uma infecção11 causada por bactérias. A adenite pode ser constatada pelo encontro de gânglios12 crescidos e sensíveis à palpação13. O risco de adenite fica aumentado pelo uso de drogas, esportes violentos, mordidas ou arranhões de animais, cirurgia recente ou internação hospitalar. A história clínica ajudará o médico a descobrir a causa da adenite. Em alguns casos, uma biópsia14 do gânglio15 inchado pode ser necessária.

O que é adenite mesentérica16?

A adenite mesentérica16, ou linfadenite3 mesentérica16, é uma condição que causa inflamação1 e inchaço17 dos gânglios linfáticos10 no interior do abdômen e que afeta mais frequentemente crianças e adolescentes até 16 anos. Mais especificamente, a adenite mesentérica16 afeta os gânglios linfáticos10 no tecido18 chamado mesentério19, membrana que liga os intestinos20 à parede abdominal21.

Quais são as causas da adenite mesentérica16?

Uma infecção11 estomacal ou qualquer outra infecção11 abdominal pode causar inflamação1 e inchaço17 dos gânglios linfáticos10 do mesentério19. Quando a pessoa contrai uma infecção11 por bactérias, vírus22 ou outros germes, parte deles se infiltra nos gânglios linfáticos10, causando inflamação1 e inchaço17. Outra parte é retida nos linfonodos6 e isso faz com que eles inchem e fiquem dolorosos. Os linfonodos6 procuram eliminar esses germes, para que possam evitar que a pessoa adoeça.

Quais são as principais características clínicas da adenite mesentérica16?

Os sintomas23 de adenite mesentérica16 incluem dor na parte inferior direita do abdome24 ou em outras partes da barriga, febre25, náuseas26 e vômitos27, diarreia28, mal-estar e perda de peso. Esses sintomas23 podem aparecer depois de uma infecção11 abdominal.

Como o médico diagnostica a adenite mesentérica16?

Um diagnóstico29 diferencial deve ser estabelecido com a apendicite30. Ambas as condições têm sintomas23 muito semelhantes e podem ser difíceis de distinguir. Na adenite mesentérica16, ao contrário da apendicite30, a dor também pode estar em outras partes do abdômen e os sintomas23 podem começar após um resfriado ou outra infecção11 viral. A apendicite30, por sua vez, ocorre de repente, sem qualquer outra doença anterior. Uma das diferenças é que a adenite mesentérica16 é menos grave que a apendicite30 e geralmente melhora por conta própria, enquanto a apendicite30 requer cirurgia para remover o apêndice31. Também no exame físico, comumente há dados diferenciais entre as duas condições.

O médico se baseará ainda nos sintomas23 relatados pelo paciente e na sua história médica: se teve um resfriado, um problema no estômago32 ou outra infecção11. Palpando a barriga do paciente, o médico verificará qualquer ponto sensível ou inchado e sentirá algum gânglio15 linfático9 aumentado. Pode também pedir um exame de sangue33 para verificar se há alguma infecção11 e exames de imagem para procurar por linfonodos6 aumentados no abdômen (tomografia computadorizada34 e ultrassonografia35, por exemplo).

Leia sobre "Apendicite30", "Apendicite30 em crianças", "Apendagite" e "Infarto36 mesentérico37".

Como tratar a adenite mesentérica16?

A adenite mesentérica16 melhora em poucos dias na maioria dos casos, mesmo sem tratamento, tão logo desapareça a doença de base. Pacientes que tenham uma infecção11 bacteriana precisam tratar essa condição com antibióticos. Se forem necessários, podem ser dados analgésicos38.

Quais são as complicações possíveis da adenite mesentérica16?

Em geral, a adenite mesentérica16 não é grave e se reverte ao normal por conta própria. No entanto, às vezes, pode causar complicações, como abscessos39, desidratação40 em crianças, se elas tiverem diarreia28 grave ou vômitos27, artralgias41 (dores nas articulações42), peritonite43 e sepse44 (infecção11 generalizada).

Leia também sobre "Dor abdominal", "Abdome agudo45", "Peritonite43", "Septicemia46" e "Abscessos39".

 

ABCMED, 2018. Adenite mesentérica - causas, sintomas, diagnóstico, tratamento e complicações possíveis. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/sinais.-sintomas-e-doencas/1316798/adenite-mesenterica-causas-sintomas-diagnostico-tratamento-e-complicacoes-possiveis.htm>. Acesso em: 19 ago. 2018.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Inflamação: Conjunto de processos que se desenvolvem em um tecido em resposta a uma agressão externa. Incluem fenômenos vasculares como vasodilatação, edema, desencadeamento da resposta imunológica, ativação do sistema de coagulação, etc.Quando se produz em um tecido superficial (pele, tecido celular subcutâneo) pode apresentar tumefação, aumento da temperatura local, coloração avermelhada e dor (tétrade de Celso, o cientista que primeiro descreveu as características clínicas da inflamação).
2 Glândula: Estrutura do organismo especializada na produção de substâncias que podem ser lançadas na corrente sangüínea (glândulas endócrinas) ou em uma superfície mucosa ou cutânea (glândulas exócrinas). A saliva, o suor, o muco, são exemplos de produtos de glândulas exócrinas. Os hormônios da tireóide, a insulina e os estrógenos são de secreção endócrina.
3 Linfadenite: Inflamação dos gânglios linfáticos, que se manifesta por aumento do tamanho dos mesmos, dor e elevação da temperatura local. Pode ser produzida em resposta a uma infecção bacteriana, viral ou uma doença neoplásica.
4 Linfonodo: Gânglio ou nodo linfático.
5 Sistema Linfático: Um sistema de órgãos e tecidos que processa e transporta células imunes e LINFA.
6 Linfonodos: Gânglios ou nodos linfáticos.
7 Células Brancas do Sangue: Células sangüíneas brancas. Compreendem tanto os leucócitos granulócitos (BASÓFILOS, EOSINÓFILOS e NEUTRÓFILOS) como os não granulócitos (LINFÓCITOS e MONÓCITOS).
8 Sistema imunológico: Sistema de defesa do organismo contra infecções e outros ataques de micro-organismos que enfraquecem o nosso corpo.
9 Linfático: 1. Na histologia, é relativo à linfa, que contém ou que conduz linfa. 2. No sentido figurado, por extensão de sentido, a que falta vida, vigor, energia (diz-se de indivíduo); apático. 3. Na história da medicina, na classificação hipocrática dos quatro temperamentos de acordo com o humor dominante, que ou aquele que, pela lividez das carnes, flacidez dos músculos, apatia e debilidade demonstradas no comportamento, atesta a predominância de linfa.
10 Gânglios linfáticos: Estrutura pertencente ao sistema linfático, localizada amplamente em diferentes regiões superficiais e profundas do organismo, cuja função consiste na filtração da linfa, maturação e ativação dos linfócitos, que são elementos importantes da defesa imunológica do organismo.
11 Infecção: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
12 Gânglios: 1. Na anatomia geral, são corpos arredondados de tamanho e estrutura variáveis; nodos, nódulos. 2. Em patologia, são pequenos tumores císticos localizados em uma bainha tendinosa ou em uma cápsula articular, especialmente nas mãos, punhos e pés.
13 Palpação: Ato ou efeito de palpar. Toque, sensação ou percepção pelo tato. Em medicina, é o exame feito com os dedos ou com a mão inteira para explorar clinicamente os órgãos e determinar certas características, como temperatura, resistência, tamanho etc.
14 Biópsia: 1. Retirada de material celular ou de um fragmento de tecido de um ser vivo para determinação de um diagnóstico. 2. Exame histológico e histoquímico. 3. Por metonímia, é o próprio material retirado para exame.
15 Gânglio: 1. Na anatomia geral, é um corpo arredondado de tamanho e estrutura variável; nodo, nódulo. 2. Em patologia, é um pequeno tumor cístico localizado em uma bainha tendinosa ou em uma cápsula articular, especialmente nas mãos, punhos e pés.
16 Mesentérica: Relativo ao mesentério, ou seja, na anatomia geral o mesentério é uma dobra do peritônio que une o intestino delgado à parede posterior do abdome.
17 Inchaço: Inchação, edema.
18 Tecido: Conjunto de células de características semelhantes, organizadas em estruturas complexas para cumprir uma determinada função. Exemplo de tecido: o tecido ósseo encontra-se formado por osteócitos dispostos em uma matriz mineral para cumprir funções de sustentação.
19 Mesentério: Camada do peritônio que liga as vísceras abdominais à PAREDE ABDOMINAL e transporta seus vasos sangüíneos e nervos.
20 Intestinos: Seção do canal alimentar que vai do ESTÔMAGO até o CANAL ANAL. Inclui o INTESTINO GROSSO e o INTESTINO DELGADO.
21 Parede Abdominal: Margem externa do ABDOME que se estende da cavidade torácica osteocartilaginosa até a PELVE. Embora sua maior parte seja muscular, a parede abdominal consiste em pelo menos sete camadas Músculos Abdominais;
22 Vírus: Pequeno microorganismo capaz de infectar uma célula de um organismo superior e replicar-se utilizando os elementos celulares do hospedeiro. São capazes de causar múltiplas doenças, desde um resfriado comum até a AIDS.
23 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
24 Abdome: Região do corpo que se localiza entre o TÓRAX e a PELVE.
25 Febre: É a elevação da temperatura do corpo acima dos valores normais para o indivíduo. São aceitos como valores de referência indicativos de febre: temperatura axilar ou oral acima de 37,5°C e temperatura retal acima de 38°C. A febre é uma reação do corpo contra patógenos.
26 Náuseas: Vontade de vomitar. Forma parte do mecanismo complexo do vômito e pode ser acompanhada de sudorese, sialorréia (salivação excessiva), vertigem, etc .
27 Vômitos: São a expulsão ativa do conteúdo gástrico pela boca. Podem ser classificados em: alimentar, fecalóide, biliar, em jato, pós-prandial. Sinônimo de êmese. Os medicamentos que agem neste sintoma são chamados de antieméticos.
28 Diarréia: Aumento do volume, freqüência ou quantidade de líquido nas evacuações.Deve ser a manifestação mais freqüente de alteração da absorção ou transporte intestinal de substâncias, alterações estas que em geral são devidas a uma infecção bacteriana ou viral, a toxinas alimentares, etc.
29 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
30 Apendicite: Inflamação do apêndice cecal. Manifesta-se por abdome agudo, e requer tratamento cirúrgico. Sua complicação mais freqüente é a peritonite aguda.
31 Apêndice: Extensão do CECO, em forma de um tubo cego (semelhante a um verme).
32 Estômago: Órgão da digestão, localizado no quadrante superior esquerdo do abdome, entre o final do ESÔFAGO e o início do DUODENO.
33 Sangue: O sangue é uma substância líquida que circula pelas artérias e veias do organismo. Em um adulto sadio, cerca de 45% do volume de seu sangue é composto por células (a maioria glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). O sangue é vermelho brilhante, quando oxigenado nos pulmões (nos alvéolos pulmonares). Ele adquire uma tonalidade mais azulada, quando perde seu oxigênio, através das veias e dos pequenos vasos denominados capilares.
34 Tomografia computadorizada: Exame capaz de obter imagens em tons de cinza de “fatias” de partes do corpo ou de órgãos selecionados, as quais são geradas pelo processamento por um computador de uma sucessão de imagens de raios X de alta resolução em diversos segmentos sucessivos de partes do corpo ou de órgãos.
35 Ultrassonografia: Ultrassonografia ou ecografia é um exame complementar que usa o eco produzido pelo som para observar em tempo real as reflexões produzidas pelas estruturas internas do organismo (órgãos internos). Os aparelhos de ultrassonografia utilizam uma frequência variada, indo de 2 até 14 MHz, emitindo através de uma fonte de cristal que fica em contato com a pele e recebendo os ecos gerados, os quais são interpretados através de computação gráfica.
36 Infarto: Morte de um tecido por irrigação sangüínea insuficiente. O exemplo mais conhecido é o infarto do miocárdio, no qual se produz a obstrução das artérias coronárias com conseqüente lesão irreversível do músculo cardíaco.
37 Mesentérico: Relativo ao mesentério, ou seja, na anatomia geral o mesentério é uma dobra do peritônio que une o intestino delgado à parede posterior do abdome.
38 Analgésicos: Grupo de medicamentos usados para aliviar a dor. As drogas analgésicas incluem os antiinflamatórios não-esteróides (AINE), tais como os salicilatos, drogas narcóticas como a morfina e drogas sintéticas com propriedades narcóticas, como o tramadol.
39 Abscessos: Acumulação de pus em uma cavidade formada acidentalmente nos tecidos orgânicos, ou mesmo em órgão cavitário, em consequência de inflamação seguida de infecção.
40 Desidratação: Perda de líquidos do organismo pelo aumento importante da freqüência urinária, sudorese excessiva, diarréia ou vômito.
41 Artralgias: Dor em articulações.
42 Articulações:
43 Peritonite: Inflamação do peritônio. Pode ser produzida pela entrada de bactérias através da perfuração de uma víscera (apendicite, colecistite), como complicação de uma cirurgia abdominal, por ferida penetrante no abdome ou, em algumas ocasiões, sem causa aparente. É uma doença grave que pode levar pacientes à morte.
44 Sepse: Infecção produzida por um germe capaz de provocar uma resposta inflamatória em todo o organismo. Os sintomas associados a sepse são febre, hipotermia, taquicardia, taquipnéia e elevação na contagem de glóbulos brancos. Pode levar à morte, se não tratada a tempo e corretamente.
45 Abdome agudo: Dor abdominal, em geral de início súbito, progressiva que costuma associar-se a doenças de resolução cirúrgica. Necessita de avaliação médica urgente. Algumas causas de abdome agudo são apendicite, colecistite, pancreatite, etc.
46 Septicemia: Septicemia ou sepse é uma infecção generalizada grave que ocorre devido à presença de micro-organismos patogênicos e suas toxinas na corrente sanguínea. Geralmente ela ocorre a partir de outra infecção já existente.
Gostou do artigo? Compartilhe!

Tem alguma dúvida sobre Clínica Médica?

Pergunte diretamente a um especialista

Sua pergunta será enviada aos especialistas do CatalogoMed, veja as dúvidas já respondidas.