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Meu filho tem dificuldades na escola. Pode ser dislexia?

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O que é a dislexia?

A dislexia ou alexia adquirida é um transtorno de leitura caracterizado por problemas não relacionados à inteligência geral. A dislexia é a dificuldade de aprendizagem mais comum, afetando 3 a 7% da população, mas estima-se que até 20% das pessoas podem ter algum grau de dislexia não percebida. Os problemas podem incluir dificuldades de soletrar palavras, leituras rápidas e desatentas, dificuldades de escrever palavras ou de pronunciar palavras durante a leitura e dificuldades de compreender o que se lê.

A Dyslexia Association, da Inglaterra, descreve a dislexia como uma dificuldade de aprendizagem que afeta principalmente as habilidades envolvidas na leitura de palavras precisas e é caracterizada por dificuldades de consciência fonológica, memória verbal e velocidade de processamento verbal. A condição foi identificada pela primeira vez em 1881.

Quais são as causas da dislexia?

Muitas vezes, essas dificuldades são notadas na escola ou quando alguém que anteriormente podia ler sem problemas perde essa capacidade. As pessoas são afetadas em diferentes graus. As dificuldades são involuntárias e as pessoas com este transtorno têm um autêntico desejo de se corrigir.

A dislexia é considerada um distúrbio cognitivo1 e não um problema de inteligência. Acredita-se que a causa da dislexia tanto se deva a fatores genéticos quanto ambientais. Muitos casos apresentam uma incidência2 familiar; outros ocorrem em pessoas com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade e são associados a dificuldades similares com números. Alguns casos podem começar na idade adulta, como resultado de lesão3 traumática do cérebro4, acidente vascular cerebral5 ou demência6.

Qual é a “fisiopatologia” da dislexia?

Os mecanismos subjacentes à dislexia são problemas dentro do processamento de linguagem do cérebro4. Alguns investigadores têm tentado associar os obstáculos comuns entre os disléxicos ao desenvolvimento anormal de suas células nervosas7 visuais. Técnicas modernas têm mostrado diferenças funcionais e estruturais nos cérebros de crianças com dificuldades de leitura. Um papel interativo do cerebelo8 e córtex cerebral, bem como outras estruturas cerebrais, tem sido apontado. No entanto, a teoria do cerebelo8 não é inteiramente apoiada por estudos de investigações controladas. Investigações sobre as causas genéticas da dislexia têm sido feitas em autópsias post-mortem.

Quais são as principais características da dislexia?

A dislexia é mais frequentemente diagnosticada em homens, mas tem sido sugerido que ela afeta igualmente homens e mulheres. Na infância, ela se expressa por demora em iniciar a fala, dificuldade de distinguir entre esquerda e direita, dificuldades com a direção e distração fácil por ruídos de fundo. A inversão de letras ou palavras e a escrita em espelho por vezes são observadas em pessoas com dislexia, mas não são considerados como características da desordem.

Os transtornos da dislexia e do déficit de atenção e hiperatividade comumente ocorrem em conjunto. As crianças disléxicas podem ter dificuldade em identificar ou gerar palavras que rimam ou contar o número de sílabas numa palavra. Elas também podem apresentar dificuldades na segmentação das palavras em sons individuais ou podem misturar sons ao produzir palavras, indicando reduzida consciência fonêmica.

Dificuldades de nomear as coisas também podem estar associadas com a dislexia. Os disléxicos têm dificuldades de soletrar, um problema chamado às vezes de disortografia9 ou disgrafia. A dislexia pode persistir na adolescência e idade adulta e acompanhar dificuldades como resumir histórias, memorização, leitura em voz alta ou aprendizagem de línguas estrangeiras. Os disléxicos adultos muitas vezes podem ler com boa compreensão, embora tendam a ler mais lentamente do que as demais pessoas e a ter um desempenho pior em testes de ortografia ou ao ler palavras sem sentido. A dislexia é frequentemente acompanhada por disgrafia (dificuldades com a escrita ou de digitação), transtorno de hiperatividade do déficit de atenção, distúrbio do processamento auditivo e dispraxia (dificuldade na realização de tarefas rotineiras).

Como é o diagnóstico10 da dislexia?

A dislexia geralmente é diagnosticada pelo psicopedagogo através de uma série de testes de memória, ortografia, visão11 e leitura. Ela deve ser distinguida das dificuldades de leitura causadas por um ensino insuficiente e de problemas de audição ou de visão11.

Como tratar a dislexia?

O tratamento da dislexia envolve a adaptação dos métodos de ensino para atender às necessidades da pessoa atingida. Se houver problemas subjacentes eles devem ser tratados para diminuir o grau dos sintomas12. Através da utilização de terapia e apoio educacional, os disléxicos podem aprender a ler e escrever. Existem técnicas que ajudam a gerenciar os sintomas12 da doença. A remoção do estresse e da ansiedade só por vezes melhora a compreensão da escrita. A intervenção deve ser o mais precoce possível, enquanto as áreas de linguagem do cérebro4 ainda estão em desenvolvimento.

Como evolui a dislexia?

As crianças disléxicas requerem instrução especial desde tenra idade. No entanto, existem técnicas que podem ajudar os disléxicos a entender melhor a escrita. O prognóstico13, em geral, é positivo para as pessoas identificadas na infância.

 

ABCMED, 2016. Meu filho tem dificuldades na escola. Pode ser dislexia?. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/saude-da-crianca/825779/meu-filho-tem-dificuldades-na-escola-pode-ser-dislexia.htm>. Acesso em: 14 nov. 2019.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Cognitivo: 1. Relativo ao conhecimento, à cognição. 2. Relativo ao processo mental de percepção, memória, juízo e/ou raciocínio. 3. Diz-se de estados e processos relativos à identificação de um saber dedutível e à resolução de tarefas e problemas determinados. 4. Diz-se dos princípios classificatórios derivados de constatações, percepções e/ou ações que norteiam a passagem das representações simbólicas à experiência, e também da organização hierárquica e da utilização no pensamento e linguagem daqueles mesmos princípios.
2 Incidência: Medida da freqüência em que uma doença ocorre. Número de casos novos de uma doença em um certo grupo de pessoas por um certo período de tempo.
3 Lesão: 1. Ato ou efeito de lesar (-se). 2. Em medicina, ferimento ou traumatismo. 3. Em patologia, qualquer alteração patológica ou traumática de um tecido, especialmente quando acarreta perda de função de uma parte do corpo. Ou também, um dos pontos de manifestação de uma doença sistêmica. 4. Em termos jurídicos, prejuízo sofrido por uma das partes contratantes que dá mais do que recebe, em virtude de erros de apreciação ou devido a elementos circunstanciais. Ou também, em direito penal, ofensa, dano à integridade física de alguém.
4 Cérebro: Derivado do TELENCÉFALO, o cérebro é composto dos hemisférios direito e esquerdo. Cada hemisfério contém um córtex cerebral exterior e gânglios basais subcorticais. O cérebro inclui todas as partes dentro do crânio exceto MEDULA OBLONGA, PONTE e CEREBELO. As funções cerebrais incluem as atividades sensório-motora, emocional e intelectual.
5 Acidente vascular cerebral: Conhecido popularmente como derrame cerebral, o acidente vascular cerebral (AVC) ou encefálico é uma doença que consiste na interrupção súbita do suprimento de sangue com oxigênio e nutrientes para o cérebro, lesando células nervosas, o que pode resultar em graves conseqüências, como inabilidade para falar ou mover partes do corpo. Há dois tipos de derrame, o isquêmico e o hemorrágico.
6 Demência: Deterioração irreversível e crônica das funções intelectuais de uma pessoa.
7 Células Nervosas: Unidades celulares básicas do tecido nervoso. Cada neurônio é formado por corpo, axônio e dendritos. Sua função é receber, conduzir e transmitir impulsos no SISTEMA NERVOSO.
8 Cerebelo: Parte do encéfalo que fica atrás do TRONCO ENCEFÁLICO, na base posterior do crânio (FOSSA CRANIANA POSTERIOR). Também conhecido como “encéfalo pequeno“, com convoluções semelhantes àquelas do CÓRTEX CEREBRAL, substância branca interna e núcleos cerebelares profundos. Sua função é coordenar movimentos voluntários, manter o equilíbrio e aprender habilidades motoras.
9 Disortografia: É a dificuldade de aprender e desenvolver as habilidades da linguagem escrita, ela leva a alterações na planificação da linguagem escrita, causando transtorno na aprendizagem da ortografia, gramática e redação. Ela pode ocorrer associada ou não à dificuldade de leitura, isto é, à dislexia.
10 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
11 Visão: 1. Ato ou efeito de ver. 2. Percepção do mundo exterior pelos órgãos da vista; sentido da vista. 3. Algo visto, percebido. 4. Imagem ou representação que aparece aos olhos ou ao espírito, causada por delírio, ilusão, sonho; fantasma, visagem. 5. No sentido figurado, concepção ou representação, em espírito, de situações, questões etc.; interpretação, ponto de vista. 6. Percepção de fatos futuros ou distantes, como profecia ou advertência divina.
12 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
13 Prognóstico: 1. Juízo médico, baseado no diagnóstico e nas possibilidades terapêuticas, em relação à duração, à evolução e ao termo de uma doença. Em medicina, predição do curso ou do resultado provável de uma doença; prognose. 2. Predição, presságio, profecia relativos a qualquer assunto. 3. Relativo a prognose. 4. Que traça o provável desenvolvimento futuro ou o resultado de um processo. 5. Que pode indicar acontecimentos futuros (diz-se de sinal, sintoma, indício, etc.). 6. No uso pejorativo, pernóstico, doutoral, professoral; prognóstico.
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Comentários

04/05/2016 - Comentário feito por Elza
Meu filho tem 18 anos e é dislexo. Desc...
Meu filho tem 18 anos e é dislexo. Descobri quanto ele tinha 7 anos. Desde então, faz acompanhamento com psicologa e neuro. Nunca reprovou e está na faculdade. Mas, é uma luta constante e requer muita paciência por parte dos pais.Livros sempre li para ele pois, realmente eles não conseguem ler grandes texto. É preciso que eles se sintam seguros e que o distúrbio não é motivo para desistir de estudar.

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