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O que é e o que devemos saber sobre o Sarcoma de Kaposi?

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O que é o sarcoma de Kaposi1?

O sarcoma de Kaposi1 é um câncer2 raro que se desenvolve no tecido conjuntivo3, principalmente a partir de células4 dos vasos sanguíneos5 e linfáticos. Ele passou a ser visto com maior frequência após o surgimento da AIDS e aumento dos tratamentos com drogas imunossupressoras, como é o caso nos transplantes de órgãos. Em geral, ele aparece como um tumor6 na pele7 ou mucosas8, mas pode também se desenvolver em outras partes do corpo, como linfonodos9, pulmões10 ou trato digestivo. As lesões11 na pele7 acontecem principalmente nas pernas ou na face12. A enfermidade foi descrita pelo médico húngaro Moritz Kaposi em 1872.

Quais são as causas do sarcoma de Kaposi1?

O sarcoma de Kaposi1 é causado pela infecção13 por um subtipo de vírus14 da família do Herpesvirus, chamado de HHV 8 (Human herpesvirus 8) ou KSHV (Kaposi sarcoma15 herpes virus14). Não se sabe ainda em definitivo como é feita a transmissão desses vírus14 de uma pessoa para outra, porém, parece que a via sexual e a transmissão através da saliva são as principais vias. Apesar desses vírus14 serem responsáveis pelo surgimento deste tumor6, somente a infecção13 não é suficiente para o desenvolvimento da doença, sendo necessário também que haja um queda significativa da eficiência do sistema imunológico16 do indivíduo portador do vírus14. O sarcoma de Kaposi1 pode ser epidêmico, em geral relacionado à AIDS, ou ser iatrogênico17, como nos pacientes submetidos a tratamentos que enfraquecem seu sistema imunitário18, como aqueles que fazem quimioterapia19 para combater um câncer2, por exemplo. O sarcoma de Kaposi1 também pode acontecer em homem que faça sexo com outro homem, mesmo que não infectado com o HIV20.

Quais são os principais sinais21 e sintomas22 do sarcoma de Kaposi1?

Em geral os tumores aparecem como feridas vermelho-azuladas ou arroxeadas na pele7, planas ou elevadas e de forma irregular. Essa coloração das lesões11 se dá em razão de os tumores serem ricos em vasos sanguíneos5. Muitas vezes as lesões11 têm aparência desagradável, mas são assintomáticas. As lesões11 podem se localizar nos pés, tornozelos, coxas23, braços, mãos24, face12 ou qualquer outra parte do corpo ou dentro do próprio corpo, gerando sintomas22 como expectoração25 com sangue26, falta de ar, diarreia27, sangramento, perda de peso, náuseas28 e vômitos29. As lesões11 do sarcoma de Kaposi1 geralmente não são dolorosas e não causam coceira. Se as lesões11 nas pernas ou virilhas bloquearem a circulação30 da linfa31, elas podem causar um inchaço32 doloroso nas pernas e pés. Quando o sarcoma de Kaposi1 acontece nos pulmões10, fígado33 ou trato digestivo ele pode causar problemas clínicos sérios ou representar uma ameaça à vida.

Como o médico diagnostica o sarcoma15 e Kaposi?

A suspeita diagnóstica pode ser feita a partir do aspecto característico das lesões11 e a confirmação pode ser feita por meio de uma biópsia34. Não se observam diferenças histológicas35 entre os diferentes tipos do sarcoma de Kaposi1.

Como o médico trata o sarcoma de Kaposi1?

O tratamento do sarcoma de Kaposi1 envolve, além da terapia antiviral contra o HIV20, cirurgia para extirpação da lesão36, quimioterapia19, radioterapia37, crioterapia38 e terapia intralesional39. No Sarcoma de Kaposi1 relacionado à AIDS ou à imunossupressão40, o principal objetivo é tentar restabelecer a normalidade do sistema imune41. Nos pacientes medicados com imunossupressores, deve-se suspender essas drogas ou pelo menos reduzir as doses para tentar reduzir o grau de imunossupressão40.

Como prevenir o sarcoma de Kaposi1?

As práticas de medidas seguras nas relações sexuais podem evitar a infecção13 pelo HIV20 e, assim, suas complicações, entre elas o sarcoma de Kaposi1.

Como evolui o sarcoma de Kaposi1?

Os tumores podem voltar mesmo depois de um tratamento correto. O sarcoma de Kaposi1 pode ser fatal em paciente com AIDS.

Quase sempre o sarcoma de Kaposi1 tem um curso crônico42 e lento.

Quais são as complicações possíveis do sarcoma de Kaposi1?

As complicações mais comuns do sarcoma de Kaposi1 são a falta de ar e a tosse sanguinolenta43 se o tumor6 estiver no pulmão44 e o inchaço32 nas pernas que pode torná-las muito dolorosas, se a doença estiver localizada nos linfonodos9 da virilha.

ABCMED, 2015. O que é e o que devemos saber sobre o Sarcoma de Kaposi?. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/cancer/744597/o-que-e-e-o-que-devemos-saber-sobre-o-sarcoma-de-kaposi.htm>. Acesso em: 6 dez. 2019.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Sarcoma de Kaposi: Câncer originado de células do tecido vascular, freqüentemente associado à AIDS. Manifesta-se por lesões vermelho-violáceas em diferentes territórios cutâneos e mucosos.
2 Câncer: Crescimento anormal de um tecido celular capaz de invadir outros órgãos localmente ou à distância (metástases).
3 Tecido conjuntivo: Tecido que sustenta e conecta outros tecidos. Consiste de CÉLULAS DO TECIDO CONJUNTIVO inseridas em uma grande quantidade de MATRIZ EXTRACELULAR.
4 Células: Unidades (ou subunidades) funcionais e estruturais fundamentais dos organismos vivos. São compostas de CITOPLASMA (com várias ORGANELAS) e limitadas por uma MEMBRANA CELULAR.
5 Vasos Sanguíneos: Qualquer vaso tubular que transporta o sangue (artérias, arteríolas, capilares, vênulas e veias).
6 Tumor: Termo que literalmente significa massa ou formação de tecido. É utilizado em geral para referir-se a uma formação neoplásica.
7 Pele: Camada externa do corpo, que o protege do meio ambiente. Composta por DERME e EPIDERME.
8 Mucosas: Tipo de membranas, umidificadas por secreções glandulares, que recobrem cavidades orgânicas em contato direto ou indireto com o meio exterior.
9 Linfonodos: Gânglios ou nodos linfáticos.
10 Pulmões: Órgãos do sistema respiratório situados na cavidade torácica e responsáveis pelas trocas gasosas entre o ambiente e o sangue. São em número de dois, possuem forma piramidal, têm consistência esponjosa e medem cerca de 25 cm de comprimento. Os pulmões humanos são divididos em segmentos denominados lobos. O pulmão esquerdo possui dois lobos e o direito possui três. Os pulmões são compostos de brônquios que se dividem em bronquíolos e alvéolos pulmonares. Nos alvéolos se dão as trocas gasosas ou hematose pulmonar entre o meio ambiente e o corpo, com a entrada de oxigênio na hemoglobina do sangue (formando a oxiemoglobina) e saída do gás carbônico ou dióxido de carbono (que vem da célula como carboemoglobina) dos capilares para o alvéolo.
11 Lesões: 1. Ato ou efeito de lesar (-se). 2. Em medicina, ferimento ou traumatismo. 3. Em patologia, qualquer alteração patológica ou traumática de um tecido, especialmente quando acarreta perda de função de uma parte do corpo. Ou também, um dos pontos de manifestação de uma doença sistêmica. 4. Em termos jurídicos, prejuízo sofrido por uma das partes contratantes que dá mais do que recebe, em virtude de erros de apreciação ou devido a elementos circunstanciais. Ou também, em direito penal, ofensa, dano à integridade física de alguém.
12 Face: Parte anterior da cabeça que inclui a pele, os músculos e as estruturas da fronte, olhos, nariz, boca, bochechas e mandíbula.
13 Infecção: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
14 Vírus: Pequeno microorganismo capaz de infectar uma célula de um organismo superior e replicar-se utilizando os elementos celulares do hospedeiro. São capazes de causar múltiplas doenças, desde um resfriado comum até a AIDS.
15 Sarcoma: Neoplasia maligna originada de células do tecido conjuntivo. Podem aparecer no tecido adiposo (lipossarcoma), muscular (miossarcoma), ósseo (osteosarcoma), etc.
16 Sistema imunológico: Sistema de defesa do organismo contra infecções e outros ataques de micro-organismos que enfraquecem o nosso corpo.
17 Iatrogênico: Relativo à ou próprio da iatrogenia, que significa geração de atos ou pensamentos a partir da prática médica. É frequentemente empregado para designar os erros da conduta médica.
18 Sistema Imunitário: Mecanismo de defesa do corpo contra organismos ou substâncias estranhas e células nativas anormais. Inclui a resposta imune humoral e a resposta mediada por célula e consiste de um complexo de componentes celulares, moleculares e genéticos interrelacionados.
19 Quimioterapia: Método que utiliza compostos químicos, chamados quimioterápicos, no tratamento de doenças causadas por agentes biológicos. Quando aplicada ao câncer, a quimioterapia é chamada de quimioterapia antineoplásica ou quimioterapia antiblástica.
20 HIV: Abreviatura em inglês do vírus da imunodeficiência humana. É o agente causador da AIDS.
21 Sinais: São alterações percebidas ou medidas por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida.
22 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
23 Coxas: É a região situada abaixo da virilha e acima do joelho, onde está localizado o maior osso do corpo humano, o fêmur.
24 Mãos: Articulação entre os ossos do metacarpo e as falanges.
25 Expectoração: Ato ou efeito de expectorar. Em patologia, é a expulsão, por meio da tosse, de secreções provenientes da traqueia, brônquios e pulmões; escarro.
26 Sangue: O sangue é uma substância líquida que circula pelas artérias e veias do organismo. Em um adulto sadio, cerca de 45% do volume de seu sangue é composto por células (a maioria glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). O sangue é vermelho brilhante, quando oxigenado nos pulmões (nos alvéolos pulmonares). Ele adquire uma tonalidade mais azulada, quando perde seu oxigênio, através das veias e dos pequenos vasos denominados capilares.
27 Diarréia: Aumento do volume, freqüência ou quantidade de líquido nas evacuações.Deve ser a manifestação mais freqüente de alteração da absorção ou transporte intestinal de substâncias, alterações estas que em geral são devidas a uma infecção bacteriana ou viral, a toxinas alimentares, etc.
28 Náuseas: Vontade de vomitar. Forma parte do mecanismo complexo do vômito e pode ser acompanhada de sudorese, sialorréia (salivação excessiva), vertigem, etc .
29 Vômitos: São a expulsão ativa do conteúdo gástrico pela boca. Podem ser classificados em: alimentar, fecalóide, biliar, em jato, pós-prandial. Sinônimo de êmese. Os medicamentos que agem neste sintoma são chamados de antieméticos.
30 Circulação: 1. Ato ou efeito de circular. 2. Facilidade de se mover usando as vias de comunicação; giro, curso, trânsito. 3. Movimento do sangue, fluxo de sangue através dos vasos sanguíneos do corpo e do coração.
31 Linfa: 1. Pode referir-se à água, especialmente a límpida, no uso formal. 2. Líquido orgânico originado do sangue, composto de proteínas e lipídios, que circula nos vasos linfáticos e transporta glóbulos brancos, especialmente os linfócitos T. 3. Qualquer humor aquoso.
32 Inchaço: Inchação, edema.
33 Fígado: Órgão que transforma alimento em energia, remove álcool e toxinas do sangue e fabrica bile. A bile, produzida pelo fígado, é importante na digestão, especialmente das gorduras. Após secretada pelas células hepáticas ela é recolhida por canalículos progressivamente maiores que a levam para dois canais que se juntam na saída do fígado e a conduzem intermitentemente até o duodeno, que é a primeira porção do intestino delgado. Com esse canal biliar comum, chamado ducto hepático, comunica-se a vesícula biliar através de um canal sinuoso, chamado ducto cístico. Quando recebe esse canal de drenagem da vesícula biliar, o canal hepático comum muda de nome para colédoco. Este, ao entrar na parede do duodeno, tem um músculo circular, designado esfíncter de Oddi, que controla o seu esvaziamento para o intestino.
34 Biópsia: 1. Retirada de material celular ou de um fragmento de tecido de um ser vivo para determinação de um diagnóstico. 2. Exame histológico e histoquímico. 3. Por metonímia, é o próprio material retirado para exame.
35 Histológicas: Relativo à histologia, ou seja, relativo à disciplina biomédica que estuda a estrutura microscópica, composição e função dos tecidos vivos.
36 Lesão: 1. Ato ou efeito de lesar (-se). 2. Em medicina, ferimento ou traumatismo. 3. Em patologia, qualquer alteração patológica ou traumática de um tecido, especialmente quando acarreta perda de função de uma parte do corpo. Ou também, um dos pontos de manifestação de uma doença sistêmica. 4. Em termos jurídicos, prejuízo sofrido por uma das partes contratantes que dá mais do que recebe, em virtude de erros de apreciação ou devido a elementos circunstanciais. Ou também, em direito penal, ofensa, dano à integridade física de alguém.
37 Radioterapia: Método que utiliza diversos tipos de radiação ionizante para tratamento de doenças oncológicas.
38 Crioterapia: Processo terapêutico baseado em aplicações de gelo, neve carbônica e outros veículos de frio intenso.
39 Intralesional: Dentro da lesão.
40 Imunossupressão: Supressão das reações imunitárias do organismo, induzida por medicamentos (corticosteroides, ciclosporina A, etc.) ou agentes imunoterápicos (anticorpos monoclonais, por exemplo); que é utilizada em alergias, doenças autoimunes, etc. A imunossupressão é impropriamente tomada por alguns como sinônimo de imunodepressão.
41 Sistema imune: Sistema de defesa do organismo contra infecções e outros ataques de micro-organismos que enfraquecem o nosso corpo.
42 Crônico: Descreve algo que existe por longo período de tempo. O oposto de agudo.
43 Sanguinolenta: 1. Em que há grande derramamento de sangue; sangrenta. 2. Tinto ou misturado com sangue. 3. Que se compraz em ver ou derramar sangue; sanguinária.
44 Pulmão: Cada um dos órgãos pareados que ocupam a cavidade torácica que tem como função a oxigenação do sangue.
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