Calendário de Vacinação: o que é recomendado fazer para evitar doenças?

As vacinas são uma das estratégias de saúde pública mais importantes da história. Elas protegem contra doenças infecciosas graves sem que a pessoa precise adoecer para desenvolver imunidade.
O calendário de vacinação organiza quais vacinas devem ser aplicadas em cada fase da vida, desde o nascimento até a velhice, e é atualizado periodicamente conforme surgem novas vacinas e novas evidências científicas.
- Qual é a finalidade das vacinas?
- O que é o calendário de vacinação?
- Quando as vacinas devem ser tomadas?
- Em crianças
- Em adolescentes e jovens
- Em adultos
- Em idosos
- Em gestantes
- Por que o calendário de vacinação muda ao longo do tempo?
- O que fazer se o cartão de vacinas estiver atrasado?
- Vacinar é uma proteção individual e coletiva
Qual é a finalidade das vacinas?
Desde o momento do nascimento, as pessoas ficam expostas a vírus, bactérias e outros agentes infecciosos presentes no ambiente. Quando uma pessoa adoece por causa de uma infecção e se recupera, o organismo pode desenvolver defesas contra aquele agente. No entanto, essa “proteção natural” pode custar caro: muitas doenças infecciosas são capazes de causar complicações graves, sequelas permanentes e até morte.
As vacinas foram desenvolvidas justamente para evitar esse risco. Elas estimulam o sistema imunológico a reconhecer determinados agentes infecciosos, ou partes deles, sem que a pessoa precise passar pela doença para desenvolver proteção. Algumas vacinas são feitas com micro-organismos atenuados, outras usam micro-organismos inativados, fragmentos, proteínas, toxoides, polissacarídeos conjugados ou tecnologias mais recentes, como as vacinas de RNA mensageiro.
Ao receber uma vacina, o organismo produz uma resposta imunológica capaz de reduzir o risco de infecção, doença grave, hospitalização e morte. Em muitos casos, a vacinação também diminui a circulação de agentes infecciosos na comunidade, ajudando a proteger pessoas que ainda não podem ser vacinadas ou que têm menor resposta imunológica, como recém-nascidos, idosos, gestantes e pessoas imunossuprimidas.
A vacinação é uma das estratégias de saúde pública mais importantes da história. Graças a ela, doenças como a varíola foram erradicadas no mundo, e outras, como poliomielite, sarampo, rubéola, difteria, tétano neonatal e formas graves de tuberculose, puderam ser controladas em muitos países.
No entanto, a redução ou desaparecimento de uma doença em determinada região não significa que a vacinação possa ser abandonada. Em um mundo com grande circulação de pessoas, agentes infecciosos podem voltar a circular quando a cobertura vacinal cai. Por isso, manter o calendário de vacinação atualizado continua sendo essencial.
Saiba mais sobre "Vacinas - como funcionam e quais são os prós e contras" e "Antígenos e anticorpos - o que são".
O que é o calendário de vacinação?
O calendário de vacinação é uma orientação organizada sobre quais vacinas devem ser aplicadas em cada fase da vida. Ele considera a idade em que cada pessoa apresenta maior risco para determinadas doenças, a melhor resposta esperada para cada vacina, a necessidade de doses de reforço e a proteção de grupos mais vulneráveis.
No Brasil, a vacinação é coordenada pelo Ministério da Saúde, por meio do Programa Nacional de Imunizações, o PNI. O Calendário Nacional de Vacinação contempla vacinas para crianças, adolescentes, adultos, idosos, gestantes e pessoas com condições clínicas especiais.
Além do calendário público, sociedades médicas, como a Sociedade Brasileira de Imunizações e a Sociedade Brasileira de Pediatria, publicam recomendações complementares, que podem incluir vacinas disponíveis na rede privada ou esquemas mais amplos para grupos específicos. Essas recomendações não substituem o calendário nacional, mas ajudam a orientar situações em que há possibilidade de ampliar a proteção individual, sempre considerando idade, histórico vacinal, condições clínicas, risco epidemiológico e orientação profissional.
Em situações especiais, como imunodeficiências, transplantes, uso de medicamentos imunossupressores, doenças crônicas, gestação, viagens internacionais ou exposição ocupacional, o calendário pode precisar de adaptações. Nesses casos, a orientação deve ser individualizada pelo médico ou por serviços especializados, como os Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais.
Confira abaixo o calendário infantil do Programa Nacional de Imunizações. Clique sobre a imagem para baixar o calendário em formato PDF.
* Covid-19: o esquema primário varia conforme o imunizante disponível — duas doses (aos 6 e 7 meses) com a Spikevax, ou três doses (aos 6, 7 e 9 meses) com a Comirnaty. Crianças que não completarem o esquema até os 9 meses podem ser vacinadas até 4 anos, 11 meses e 29 dias, conforme histórico vacinal.
** Febre amarela aos 5 anos: aplicada caso a criança não tenha recebido as duas doses recomendadas antes de completar 5 anos.
*** Pneumocócica 23-valente: indicada para grupos de risco específicos, incluindo povos indígenas, crianças com HIV, doenças crônicas graves, imunossuprimidos e diabetes mellitus insulinodependente, entre outros.
**** HPV: dose única para meninas e meninos de 9 a 14 anos. Para vítimas de abuso sexual de 9 a 14 anos: duas doses. De 15 a 45 anos: três doses, considerando o histórico vacinal contra o HPV.
Quando as vacinas devem ser tomadas?
As vacinas não são indicadas apenas para crianças. A proteção deve começar nos primeiros dias de vida, ser reforçada na infância e adolescência e continuar na vida adulta e na velhice.
Algumas vacinas são aplicadas em dose única. Outras exigem duas ou mais doses para completar o esquema inicial. Há ainda vacinas que precisam de reforços periódicos, como a vacina contra difteria e tétano, e vacinas que devem ser aplicadas todos os anos, como a vacina contra influenza.
Em geral, quando uma vacina está atrasada, não é necessário reiniciar todo o esquema. A equipe de saúde avalia as doses já recebidas e completa apenas o que falta, respeitando os intervalos mínimos recomendados. Por isso, é importante guardar o cartão de vacinação e levá-lo às consultas médicas ou às unidades de saúde.
A seguir, estão as principais vacinas recomendadas de acordo com as fases da vida. As orientações podem mudar ao longo do tempo, conforme novas vacinas são incorporadas, novas evidências científicas surgem e o perfil de circulação das doenças se modifica.
Em crianças
1. Vacina BCG
A vacina BCG deve ser aplicada em dose única ao nascer, preferencialmente ainda na maternidade.
Ela protege principalmente contra formas graves e disseminadas da tuberculose, como meningite tuberculosa e tuberculose miliar. Também pode ter efeito protetor contra hanseníase em situações específicas, conforme orientação do Ministério da Saúde.
A presença de cicatriz no braço é comum após a aplicação, mas a ausência de cicatriz não significa, por si só, que a criança não tenha sido protegida.
2. Vacina contra hepatite B
A primeira dose da vacina contra hepatite B deve ser aplicada ao nascer, preferencialmente nas primeiras horas de vida.
Essa dose precoce é especialmente importante para prevenir a transmissão do vírus da mãe para o bebê. Depois, a proteção contra hepatite B continua com as doses incluídas na vacina pentavalente, aplicadas aos 2, 4 e 6 meses.
A hepatite B pode se tornar uma infecção crônica e está associada a complicações como cirrose hepática e câncer de fígado.
3. Vacina pentavalente
A vacina pentavalente protege contra cinco doenças: difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e infecções causadas por Haemophilus influenzae tipo b.
No calendário infantil, ela deve ser aplicada em três doses:
- 1ª dose aos 2 meses;
- 2ª dose aos 4 meses;
- 3ª dose aos 6 meses.
Essa vacina combina proteções importantes em uma única aplicação, reduzindo o número de injeções necessárias nos primeiros meses de vida. Entre as doenças prevenidas, a coqueluche e as infecções por Haemophilus influenzae tipo b merecem atenção especial em lactentes, pois podem causar quadros graves, como pneumonia, meningite e insuficiência respiratória.
4. Vacina inativada contra poliomielite
A vacina inativada contra poliomielite, também chamada VIP, protege contra a poliomielite, doença viral que pode causar paralisia permanente.
No calendário infantil, ela deve ser aplicada nas seguintes idades:
- 1ª dose aos 2 meses;
- 2ª dose aos 4 meses;
- 3ª dose aos 6 meses;
- reforço aos 15 meses (vacina oral atenuada, VOP, no calendário do PNI; vacina inativada, VIP, recomendada pela Sociedade Brasileira de Pediatria).
A poliomielite foi eliminada do Brasil, mas ainda há necessidade de manter alta cobertura vacinal para impedir o risco de reintroduzão do vírus.
No calendário do Programa Nacional de Imunizações, as três doses primárias são feitas com a VIP (injetável), enquanto os reforços utilizam a VOP (oral atenuada). A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda, sempre que possível, que também os reforços sejam realizados com a VIP, pois ela não apresenta o risco, embora raro, associado ao vírus vacinal atenuado.
5. Vacina pneumocócica conjugada 10-valente
A vacina pneumocócica conjugada 10-valente protege contra doenças causadas pelo Streptococcus pneumoniae, bactéria associada a pneumonia, meningite, otite média, bacteremia e sepse.
No calendário infantil, ela deve ser aplicada nas seguintes idades:
- 1ª dose aos 2 meses;
- 2ª dose aos 4 meses;
- reforço aos 12 meses.
Essa vacinação é especialmente importante porque crianças pequenas têm maior risco de doença pneumocócica invasiva.
6. Vacina contra rotavírus humano
A vacina contra rotavírus humano protege contra gastroenterite viral grave, que pode causar vômitos, diarreia intensa, desidratação e necessidade de hospitalização.
No calendário infantil, ela deve ser aplicada em duas doses:
- 1ª dose aos 2 meses;
- 2ª dose aos 4 meses.
É importante respeitar os prazos para essa vacina. A 1ª dose deve ser aplicada entre 1 mês e 15 dias e 3 meses e 15 dias de idade. A 2ª dose deve ser aplicada entre 3 meses e 15 dias e 7 meses e 29 dias de idade, com intervalo mínimo de 30 dias entre as doses.
Caso a 1ª dose não seja recebida dentro do período indicado, perde-se a oportunidade de vacinação contra o rotavírus.
7. Vacina meningocócica C
A vacina meningocócica C protege contra doença meningocócica causada pelo sorogrupo C da bactéria Neisseria meningitidis. Essa bactéria pode causar meningite e meningococcemia, quadros graves e de evolução rápida.
No calendário infantil, ela deve ser aplicada em duas doses:
- 1ª dose aos 3 meses;
- 2ª dose aos 5 meses.
Posteriormente, a proteção é ampliada com a vacina meningocócica ACWY, aplicada aos 12 meses.
8. Vacina contra influenza
A vacina contra influenza, ou gripe, é recomendada anualmente a partir dos 6 meses de idade.
No calendário infantil, a primeira dose pode ser aplicada aos 6 meses. Crianças de 6 meses a menores de 6 anos devem ser vacinadas todos os anos. Quando a criança recebe a vacina contra influenza pela primeira vez, deve tomar duas doses, com intervalo de 30 dias. Nos anos seguintes, recebe uma dose anual.
A vacinação contra influenza reduz o risco de gripe e de complicações respiratórias, especialmente em crianças pequenas.
9. Vacina contra covid-19
A vacina contra covid-19 é indicada para crianças a partir dos 6 meses, conforme o esquema disponível e o histórico vacinal.
No calendário atual, o esquema pode ser:
- duas doses, aos 6 e 7 meses, quando utilizada a vacina Spikevax;
- ou três doses, aos 6, 7 e 9 meses, quando utilizada a vacina Comirnaty.
Crianças que não completarem o esquema até os 9 meses podem ser vacinadas até 4 anos, 11 meses e 29 dias, respeitando os intervalos mínimos recomendados. Crianças imunocomprometidas têm recomendação de esquema específico, com três doses e doses periódicas a cada 6 meses até 4 anos, 11 meses e 29 dias.
10. Vacina contra febre amarela
A vacina contra febre amarela deve ser aplicada aos 9 meses, com reforço aos 4 anos.
Em situações excepcionais, quando há alto risco de contrair a doença e não é possível adiar a vacinação, ela pode ser recomendada entre 6 e 8 meses, sempre após avaliação do serviço de saúde.
A febre amarela é uma doença viral transmitida por mosquitos, que pode causar quadros graves e fatais. Para viagens a áreas com transmissão ativa ou recomendação de vacina, a aplicação deve ser feita pelo menos 10 dias antes do deslocamento.
11. Vacina tríplice viral
A vacina tríplice viral protege contra sarampo, caxumba e rubéola.
No calendário infantil, ela deve ser aplicada em duas doses:
- 1ª dose aos 12 meses;
- 2ª dose aos 15 meses — administrada como vacina tetraviral (que combina sarampo, caxumba, rubéola e varicela).
O sarampo é uma doença altamente contagiosa e pode causar pneumonia, encefalite e morte. A rubéola, quando ocorre durante a gestação, pode causar síndrome da rubéola congênita. A caxumba pode levar a complicações como meningite e inflamação dos testículos ou dos ovários.
12. Vacina meningocócica ACWY
A vacina meningocócica ACWY amplia a proteção contra os sorogrupos A, C, W e Y da bactéria Neisseria meningitidis.
No calendário infantil, ela deve ser aplicada em dose única aos 12 meses, como reforço após as doses iniciais da meningocócica C.
Essa ampliação é importante porque diferentes sorogrupos podem circular e causar meningite e doença meningocócica invasiva.
13. Vacina contra hepatite A
A vacina contra hepatite A deve ser aplicada em dose única aos 15 meses.
A hepatite A é uma infecção viral transmitida principalmente por água e alimentos contaminados ou por contato fecal-oral. Embora muitas crianças tenham quadros leves, a doença pode causar hepatite aguda sintomática e, raramente, formas graves.
14. Vacina contra varicela
A vacina contra varicela protege contra a catapora.
No calendário infantil, ela deve ser aplicada em duas doses:
- 1ª dose aos 15 meses — administrada como vacina tetraviral (combinada com sarampo, caxumba e rubéola);
- 2ª dose aos 4 anos (vacina varicela monovalente).
Embora muitas pessoas considerem a catapora uma doença simples da infância, ela pode causar complicações, como infecções bacterianas de pele, pneumonia, encefalite e formas graves em pessoas imunossuprimidas.
A criança que não puder receber a tetraviral deve receber a vacina varicela monovalente separadamente, conforme orientação do serviço de saúde.
15. Vacina DTP
A vacina DTP protege contra difteria, tétano e coqueluche. Depois das doses iniciais feitas com a vacina pentavalente, a DTP é usada como reforço na infância.
No calendário infantil, ela deve ser aplicada em duas doses de reforço:
- 1º reforço aos 15 meses;
- 2º reforço aos 4 anos.
Após essa etapa, a proteção contra difteria e tétano deve ser mantida com reforços de dT a cada 10 anos, a partir da idade indicada, podendo esse intervalo ser antecipado para 5 anos em caso de exposição ao risco de tétano ou difteria.
16. Vacina pneumocócica 23-valente
A vacina pneumocócica 23-valente é indicada aos 5 anos para grupos de risco específicos, incluindo povos indígenas, crianças com infecção pelo HIV, doenças crônicas graves (pulmonar, cardíaca, renal), imunossuprimidos, diabetes mellitus insulinodependente e outras condições previstas no calendário nacional, que não completaram esquema prévio com vacina pneumocócica conjugada.
Ela protege contra doenças pneumocócicas invasivas causadas pelos sorogrupos incluídos na vacina. Quando indicada, uma segunda dose deve ser administrada com intervalo de 5 anos após a primeira.
17. Vacina dupla adulto contra difteria e tétano
A vacina dT é indicada a partir dos 7 anos para completar esquemas em atraso ou para doses de reforço contra difteria e tétano.
Ela não substitui as doses infantis de DTP quando estas ainda podem ser aplicadas na idade adequada, mas passa a ser usada nas idades posteriores, conforme o histórico vacinal.
Saiba mais sobre "BCG: o que é", "Vacina Salk" e "Vacina Sabin".
Em adolescentes e jovens
1. Vacina contra HPV
A vacina contra HPV é uma das principais vacinas dessa fase. É recomendada para meninas e meninos de 9 a 14 anos, em dose única no Calendário Nacional de Vacinação.
Ela protege contra infecções causadas pelo papilomavírus humano, vírus associado a verrugas anogenitais e a diversos tipos de câncer, incluindo câncer de colo do útero, vulva, vagina, ânus, pênis, boca e orofaringe. A vacinação nessa idade é importante porque a resposta imunológica costuma ser melhor e porque a proteção ideal ocorre antes do início da vida sexual.
2. Vacina contra dengue
A vacina contra dengue é recomendada para a faixa de 10 a 14 anos dentro da estratégia pública vigente.
Como a incorporação da vacina contra dengue segue critérios de prioridade definidos pelo Ministério da Saúde, a disponibilidade pode variar de acordo com a localidade, o período e a situação epidemiológica. O esquema deve ser completado conforme orientação do serviço de saúde.
3. Vacina meningocócica ACWY
A vacina meningocócica ACWY é indicada para adolescentes de 11 a 14 anos.
Ela protege contra meningites e outras formas graves de doença meningocócica causadas pelos sorogrupos A, C, W e Y. A adolescência é uma faixa etária importante para essa vacinação, pois adolescentes podem apresentar maior risco de transmissão da bactéria.
4. Vacina contra hepatite B
Adolescentes e jovens que não receberam todas as doses contra hepatite B, ou que não têm comprovação vacinal, devem completar o esquema.
A hepatite B pode ser transmitida por sangue, relações sexuais e da mãe para o bebê. Como pode evoluir para infecção crônica, cirrose e câncer de fígado, a atualização vacinal é importante mesmo quando a pessoa passou da infância.
5. Vacina dupla adulto contra difteria e tétano
A vacina dupla adulto, ou dT, protege contra difteria e tétano. Adolescentes e jovens sem esquema completo devem receber as doses necessárias para completar a proteção.
Depois do esquema básico, são recomendados reforços periódicos ao longo da vida. Em caso de ferimentos com risco para tétano, a necessidade de reforço deve ser avaliada pelo serviço de saúde.
6. Vacina contra febre amarela
A vacina contra febre amarela deve ser avaliada conforme histórico vacinal e risco epidemiológico.
Quem vive em área com recomendação de vacina ou vai viajar para regiões com transmissão ou risco de transmissão deve manter a vacinação em dia. Para viagens, a aplicação deve ocorrer pelo menos 10 dias antes do deslocamento.
7. Vacina tríplice viral
A tríplice viral protege contra sarampo, caxumba e rubéola. Adolescentes e jovens devem ter o esquema adequado documentado.
Essa atualização é especialmente importante porque surtos de sarampo podem ocorrer quando a cobertura vacinal diminui. Pessoas sem comprovação vacinal devem procurar uma unidade de saúde para avaliação.
8. Vacina contra hepatite A
Adolescentes que não receberam a vacina contra hepatite A na infância, ou que não têm comprovação vacinal, devem atualizar o esquema. A hepatite A é transmitida principalmente por água e alimentos contaminados e, embora frequentemente autolimitada, pode causar quadros sintomáticos importantes e, raramente, formas graves. O calendário nacional prevê a atualização de vacinas em atraso em qualquer faixa etária.
Em adultos
1. Vacina contra hepatite B
Adultos que não têm comprovação de esquema completo contra hepatite B devem atualizar a vacinação.
A hepatite B pode se tornar crônica e causar cirrose e câncer de fígado. A vacinação é uma forma segura e eficaz de prevenção e pode ser indicada em qualquer fase da vida para pessoas sem proteção documentada.
2. Vacina dupla adulto contra difteria e tétano
A vacina dT deve ser mantida atualizada na vida adulta. Pessoas sem comprovação de vacinação devem completar o esquema de três doses.
Depois do esquema básico, recomenda-se reforço a cada 10 anos. Em caso de ferimentos com risco para tétano, o reforço pode ser antecipado conforme o intervalo desde a última dose e a avaliação do serviço de saúde.
3. Vacina dTpa
A vacina dTpa protege contra difteria, tétano e coqueluche. Ela pode ser indicada para grupos específicos, como profissionais de saúde, parteiras tradicionais, estagiários da área da saúde que atuam em maternidades e unidades neonatais, além de pessoas com contato próximo com recém-nascidos.
Essa vacinação ajuda a reduzir o risco de transmissão da coqueluche para bebês pequenos, que ainda não completaram seu próprio esquema vacinal e são mais vulneráveis a formas graves da doença.
4. Vacina contra febre amarela
A vacina contra febre amarela deve ser avaliada conforme histórico vacinal e risco epidemiológico.
Adultos que vivem em áreas com recomendação de vacina ou que irão viajar para regiões com risco devem verificar se estão protegidos. Para viajantes, a vacina deve ser aplicada pelo menos 10 dias antes da viagem.
5. Vacina tríplice viral
A vacina tríplice viral protege contra sarampo, caxumba e rubéola.
Adultos jovens devem manter duas doses documentadas. Para pessoas de 30 a 59 anos, uma dose pode ser suficiente quando não há comprovação anterior, conforme orientação do calendário nacional. Trabalhadores da saúde devem ter atenção especial, pois precisam estar adequadamente protegidos contra doenças transmissíveis.
6. Vacina contra varicela
A vacina contra varicela pode ser indicada para adultos suscetíveis em situações específicas, especialmente em grupos com maior risco de exposição ou transmissão, como trabalhadores da saúde, conforme avaliação do histórico vacinal e das recomendações vigentes.
A varicela em adultos pode ser mais grave do que na infância e causar complicações como pneumonia e infecções bacterianas secundárias.
7. Vacina pneumocócica
A vacina pneumocócica pode ser indicada para adultos pertencentes a grupos específicos, conforme condição clínica, risco aumentado ou recomendações para populações especiais.
Ela protege contra infecções causadas pelo pneumococo, como pneumonia, meningite e sepse. Pessoas com doenças crônicas, imunossupressão ou outras condições de risco devem receber orientação individualizada, podendo ser encaminhadas aos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais.
8. Vacina contra influenza
A vacina contra influenza é recomendada anualmente para adultos pertencentes a grupos prioritários, como trabalhadores de saúde, gestantes, pessoas com doenças crônicas (respiratórias, cardíacas, renais, diabéticos, imunossuprimidos) e outros grupos definidos pelo Ministério da Saúde. Como os vírus influenza se modificam com frequência, a vacina é atualizada e deve ser aplicada todo ano, independentemente de ter sido vacinado na temporada anterior.
Em idosos
1. Vacina contra hepatite B
Idosos sem comprovação de esquema completo contra hepatite B devem atualizar a vacinação.
A prevenção permanece importante ao longo do envelhecimento, especialmente porque a hepatite B pode evoluir para doença hepática crônica, cirrose e câncer de fígado.
2. Vacina dupla adulto contra difteria e tétano
A vacina dT deve ser mantida atualizada em idosos. Quem não tem comprovação de esquema completo deve receber as doses necessárias.
Depois do esquema básico, o reforço é recomendado a cada 10 anos. Em caso de ferimentos com risco para tétano, a necessidade de reforço deve ser avaliada imediatamente, pois o tétano é uma doença grave e potencialmente fatal.
3. Vacina contra influenza
A vacina contra influenza deve ser aplicada todos os anos em idosos.
A gripe pode causar complicações importantes nessa faixa etária, como pneumonia, descompensação de doenças crônicas, hospitalização e morte. Como os vírus influenza mudam com frequência, a vacinação anual é necessária mesmo para quem recebeu a dose no ano anterior.
4. Vacina contra covid-19
A vacinação contra covid-19 deve ser mantida atualizada em idosos. No calendário vigente, pessoas a partir de 60 anos têm indicação de doses periódicas, com intervalo semestral.
Essa recomendação busca manter proteção contra formas graves da doença, especialmente porque o risco de hospitalização e morte por covid-19 aumenta com a idade e com a presença de doenças crônicas.
5. Vacina pneumocócica 23-valente
A vacina pneumocócica 23-valente é indicada para grupos definidos de idosos, como idosos acamados e/ou institucionalizados sem esquema vacinal completo, além de populações específicas previstas no calendário nacional.
Ela protege contra infecções causadas pelo pneumococo, como pneumonia, meningite, bacteremia e sepse. Como essas doenças podem ser mais graves em idosos, a indicação deve ser avaliada conforme o histórico vacinal e a condição clínica.
6. Vacina contra febre amarela
A vacina contra febre amarela em idosos exige avaliação individual.
Para pessoas a partir de 60 anos que nunca foram vacinadas, a decisão deve considerar o risco de exposição ao vírus, a presença de doenças associadas, o uso de medicamentos e possíveis contraindicações. Em alguns casos, o risco da doença pode justificar a vacinação; em outros, o risco de eventos adversos pode ser maior que o benefício.
7. Vacina tríplice viral
A tríplice viral não é uma vacina de rotina para idosos.
Em situações excepcionais, como bloqueio vacinal diante de contato com caso suspeito ou confirmado de sarampo, a vacinação pode ser considerada após avaliação caso a caso.
Veja também sobre "Imunossupressão e imunodepressão" e "Conheça o sistema imunológico".
Em gestantes
1. Vacina contra hepatite B
Gestantes sem comprovação de esquema completo contra hepatite B devem atualizar a vacinação.
A hepatite B pode ser transmitida da mãe para o bebê, especialmente no momento do parto. Por isso, a verificação do cartão vacinal e a atualização do esquema são medidas importantes durante o pré-natal.
2. Vacina dupla adulto contra difteria e tétano
A vacina dT pode ser indicada para gestantes que não têm esquema completo contra difteria e tétano.
A proteção contra tétano é importante para prevenir o tétano materno e neonatal. Quando a gestante já tem esquema completo, a necessidade de novas doses deve ser avaliada conforme o intervalo desde a última vacinação.
3. Vacina dTpa
A vacina dTpa é recomendada a partir da 20ª semana de gestação, em cada gestação.
Ela protege contra difteria, tétano e coqueluche, mas sua principal importância durante a gravidez é proteger o recém-nascido contra coqueluche nos primeiros meses de vida. A vacinação materna permite a transferência de anticorpos para o bebê antes do nascimento.
4. Vacina contra influenza
A vacina contra influenza é recomendada para gestantes a cada temporada.
A gripe pode ser mais grave durante a gestação e aumentar o risco de complicações respiratórias. A vacinação protege a gestante e também contribui para a proteção do bebê nos primeiros meses de vida.
5. Vacina contra covid-19
A vacina contra covid-19 é recomendada para gestantes conforme as orientações vigentes.
A covid-19 durante a gestação pode aumentar o risco de formas graves, internação e complicações obstétricas. Por isso, manter a vacinação atualizada é uma medida importante de proteção materna e fetal.
6. Vacina contra o vírus sincicial respiratório
A vacina contra o vírus sincicial respiratório, ou VSR, foi incorporada ao Calendário Nacional de Vacinação da Gestante e passou a ser oferecida gratuitamente pelo SUS em dezembro de 2025. A recomendação é de dose única a partir da 28ª semana de gestação, em cada gestação, sem restrição de idade materna. A vacina também está disponível na rede privada desde setembro de 2024.
O objetivo é proteger o bebê nos primeiros meses de vida contra bronquiolite, pneumonia e outras complicações respiratórias causadas pelo VSR. Essa proteção ocorre pela passagem de anticorpos da mãe para o bebê durante a gestação.
7. Vacina contra febre amarela
A vacina contra febre amarela pode ser considerada em gestantes apenas em situações excepcionais, quando há risco epidemiológico relevante, como residência ou viagem para área com transmissão ativa.
Por ser uma vacina de vírus vivo atenuado, sua indicação durante a gestação deve ser individualizada, considerando riscos e benefícios.
8. Vacinas contraindicadas na gestação
Vacinas de vírus vivos atenuados, como tríplice viral e varicela, são contraindicadas durante a gestação.
Por isso, mulheres em idade fértil devem manter o cartão vacinal atualizado preferencialmente antes de engravidar. Caso a necessidade de vacinação seja identificada durante a gestação, o serviço de saúde deve orientar quais vacinas podem ser aplicadas durante o pré-natal e quais devem ser deixadas para depois do parto.
Por que o calendário de vacinação muda ao longo do tempo?
O calendário de vacinação não é fixo. Ele muda conforme novas vacinas são incorporadas, novas evidências científicas surgem, o perfil de circulação das doenças se altera e o país define novas estratégias de prevenção.
Nos últimos anos, algumas mudanças importantes ocorreram ou ganharam destaque no calendário brasileiro. A vacinação contra covid-19 passou a fazer parte da rotina para crianças pequenas, gestantes e idosos. A vacina contra dengue foi incorporada para adolescentes de 10 a 14 anos dentro da estratégia pública. A vacina meningocócica ACWY passou a ocupar espaço mais amplo no calendário. A vacina contra HPV foi simplificada no SUS para meninas e meninos de 9 a 14 anos. A vacina contra o vírus sincicial respiratório foi incluída no PNI em dezembro de 2025 e passou a ser oferecida gratuitamente pelo SUS para gestantes a partir da 28ª semana, com o objetivo de proteger o bebê nos primeiros meses de vida.
Outra mudança relevante diz respeito à poliomielite. O calendário atual do Programa Nacional de Imunizações já utiliza a vacina inativada (VIP) nas três doses primárias, mantendo a vacina oral atenuada (VOP) nos reforços. A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda ampliar o uso da VIP também para os reforços, acompanhando uma tendência de segurança que busca eliminar o risco, embora raro, associado ao vírus vacinal atenuado.
Essas atualizações mostram por que é importante consultar periodicamente o cartão de vacinação em uma unidade de saúde. Mesmo quem foi corretamente vacinado no passado pode precisar de reforços, novas vacinas ou atualização do esquema conforme a idade, profissão, condição de saúde, gestação ou viagem.
O que fazer se o cartão de vacinas estiver atrasado?
Quando há atraso vacinal, geralmente não é necessário reiniciar todo o esquema. Na maior parte das situações, o serviço de saúde avalia as doses já recebidas e completa apenas o que falta, respeitando os intervalos mínimos recomendados.
Na ausência de comprovante, a equipe de saúde pode indicar a atualização conforme a idade, o risco individual e as recomendações vigentes. Por isso, é importante guardar o cartão de vacinação e levá-lo às consultas médicas, às unidades de saúde e a atendimentos em que o histórico vacinal possa influenciar a conduta.
Pessoas com doenças crônicas, imunodeficiências, uso de imunossupressores, câncer, transplantes, ausência de baço, HIV, doenças renais, doenças pulmonares ou cardiovasculares importantes podem ter recomendações específicas. Nesses casos, a vacinação deve ser individualizada, muitas vezes com apoio dos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais.
Vacinar é uma proteção individual e coletiva
Manter a vacinação em dia protege a própria pessoa, mas também contribui para a proteção da comunidade. Quanto maior a cobertura vacinal, menor a chance de circulação de agentes infecciosos e menor o risco para bebês, idosos, gestantes, imunossuprimidos e pessoas que não podem receber determinadas vacinas.
A decisão de vacinar não deve ser baseada apenas na percepção de risco individual. Muitas doenças preveníveis por vacinas se tornam raras justamente porque a vacinação é mantida. Quando a cobertura cai, doenças antes controladas podem voltar a causar surtos.
Por isso, o calendário de vacinação deve ser visto como uma ferramenta de cuidado contínuo, da infância à velhice. Atualizar o cartão vacinal é uma das medidas mais simples, seguras e eficazes para prevenir doenças graves ao longo da vida.
Leia sobre "Por que vacinar?"
Referências:
As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente do site do Ministério da Saúde, páginas do Calendário de Vacinação e do Programa Nacional de Imunizações.

