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Paquidermoperiostose - a doença rara que modifica a pele, os dedos e os ossos

Friday, July 3, 2026
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Paquidermoperiostose - a doença rara que modifica a pele, os dedos e os ossos

A paquidermoperiostose é uma doença genética rara caracterizada por espessamento da pele, baqueteamento digital e formação anormal de osso ao redor dos ossos longos. Geralmente surge na adolescência, evolui lentamente por alguns anos e depois tende a estabilizar-se.

O diagnóstico é clínico, complementado por exames de imagem e, quando disponível, testes genéticos, sendo fundamental excluir causas secundárias de osteoartropatia hipertrófica.

O que é paquidermoperiostose?

A Paquidermoperiostose, também conhecida como osteoartropatia hipertrófica primária (OHP) ou síndrome de Touraine-Solente-Golé, é uma doença rara caracterizada por alterações cutâneas, ósseas e articulares progressivas. Trata-se de uma condição crônica, de origem predominantemente genética, que afeta principalmente a pele, os ossos e as articulações.

Embora seja incomum, seu reconhecimento é importante para diferenciá-la da osteoartropatia hipertrófica secundária, que está associada a doenças pulmonares, cardíacas, hepáticas, gastrointestinais ou neoplásicas e pode representar manifestação de enfermidades potencialmente graves.

O termo "paquidermia" refere-se ao espessamento da pele, especialmente da face e do couro cabeludo, enquanto "periostose" corresponde à formação anormal de osso novo ao longo da superfície dos ossos longos.

Infográfico Paquidermoperiostose

Quais são as causas da paquidermoperiostose?

A principal causa da Paquidermoperiostose é genética. Estudos demonstraram que mutações nos genes HPGD e SLCO2A1 estão envolvidas no desenvolvimento da doença. Esses genes participam do metabolismo da prostaglandina E2 (PGE2), molécula importante nos processos inflamatórios, na remodelação óssea e na proliferação celular. As mutações no gene HPGD reduzem a degradação da PGE2, enquanto alterações no SLCO2A1 comprometem seu transporte e metabolismo. Como consequência, ocorre aumento persistente dos níveis dessa prostaglandina.

A herança pode ser autossômica dominante, com penetrância variável, ou autossômica recessiva, dependendo da alteração genética envolvida. Entretanto, nem todos os pacientes apresentam história familiar, sugerindo a ocorrência de mutações novas. A doença é significativamente mais frequente no sexo masculino, provavelmente devido à influência de fatores hormonais e à penetrância incompleta nas mulheres.

Qual é a fisiopatologia da paquidermoperiostose?

A fisiopatologia da paquidermoperiostose está diretamente relacionada ao aumento dos níveis de prostaglandina E2 (PGE2). Esse aumento decorre de defeitos na degradação ou no transporte dessa substância, causados pelas mutações genéticas descritas. O excesso de PGE2 estimula a proliferação de fibroblastos, a angiogênese e a atividade dos osteoblastos, levando ao espessamento da pele (paquidermia), à formação de osso subperiostal (periostose) e ao aumento do fluxo sanguíneo e da permeabilidade vascular, contribuindo para edema e alterações das extremidades.

Também ocorre estímulo das glândulas sudoríparas e sebáceas, justificando manifestações como hiperidrose, seborreia e acne. Esses processos evoluem lentamente durante vários anos até atingirem estabilização clínica.

Quais são as características clínicas mais importantes da paquidermoperiostose?

A paquidermoperiostose caracteriza-se pela tríade clássica formada por paquidermia, periostose e baqueteamento digital. A intensidade das manifestações varia entre os pacientes, existindo formas completas, incompletas ou atenuadas da doença.

As principais manifestações incluem:

  • espessamento da pele, especialmente na face, com formação de sulcos profundos que conferem aspecto grosseiro;
  • enrugamento do couro cabeludo, conhecido como cutis verticis gyrata, com aspecto semelhante aos giros cerebrais;
  • baqueteamento digital, caracterizado pelo aumento das falanges distais dos dedos das mãos e dos pés;
  • periostose envolvendo principalmente os ossos longos, que pode causar dor, aumento do volume dos membros e sensibilidade óssea;
  • hiperidrose, principalmente palmar e plantar;
  • seborreia e acne decorrentes da hiperatividade das glândulas sebáceas;
  • além de artralgia, derrame articular e, ocasionalmente, artrite inflamatória leve, especialmente em joelhos, tornozelos, punhos e cotovelos.

A forma primária geralmente inicia-se na adolescência, é mais comum em homens e progride lentamente durante aproximadamente 5 a 20 anos, quando tende a estabilizar-se.

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Como o médico diagnostica a paquidermoperiostose?

O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na associação das manifestações cutâneas, ósseas e articulares características. Entretanto, exames complementares são importantes tanto para confirmar o diagnóstico quanto para excluir causas secundárias de osteoartropatia hipertrófica.

As radiografias costumam demonstrar espessamento periosteal simétrico dos ossos longos, com neoformação óssea ao longo das diáfises e metáfises, preservando geralmente as epífises. A cintilografia óssea pode demonstrar aumento difuso da atividade osteoblástica, sendo bastante sensível para detectar periostose precoce. A tomografia computadorizada e a ressonância magnética podem ser úteis em casos selecionados para caracterizar melhor alterações ósseas e articulares.

Os exames laboratoriais geralmente são normais e têm como principal finalidade excluir doenças inflamatórias, infecciosas, endócrinas ou reumatológicas. Quando disponível, o teste genético para HPGD e SLCO2A1 pode confirmar o diagnóstico, especialmente em casos familiares ou de apresentação atípica.

O diagnóstico diferencial é fundamental e inclui principalmente a osteoartropatia hipertrófica secundária, frequentemente associada a neoplasias pulmonares, bronquiectasias, fibrose pulmonar, cardiopatias cianóticas congênitas, doenças inflamatórias intestinais e algumas hepatopatias crônicas. Por esse motivo, especialmente em adultos com início recente dos sintomas, deve-se realizar investigação clínica criteriosa para excluir essas condições.

O reconhecimento precoce da doença evita exames desnecessários e permite o adequado acompanhamento clínico. O suporte psicológico também pode ser importante devido ao impacto das alterações estéticas na autoestima e na qualidade de vida.

Como o médico trata a paquidermoperiostose?

Até o momento, não existe tratamento curativo para a paquidermoperiostose. O manejo é direcionado ao controle dos sintomas, à melhora funcional e à redução do impacto estético da doença.

Os anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) constituem a primeira linha para controle da dor e da inflamação articular. Em pacientes com sintomas persistentes, a colchicina pode reduzir a inflamação cutânea e articular, enquanto os corticosteroides têm papel limitado e geralmente são reservados para situações específicas.

Os bifosfonatos intravenosos, especialmente o pamidronato e o ácido zoledrônico, têm demonstrado benefício em alguns pacientes na redução da dor óssea e da atividade da periostose. Em casos refratários, existem relatos de benefício com inibidores seletivos da ciclooxigenase-2 (COX-2), embora as evidências ainda sejam limitadas.

O tratamento dermatológico pode incluir medicamentos para acne, seborreia e hiperidrose, além de medidas para controlar o espessamento cutâneo. A toxina botulínica pode ser utilizada principalmente para o tratamento da hiperidrose facial, palmar ou plantar e, em alguns casos, para melhorar a oleosidade facial.

Quando existem deformidades faciais importantes, podem ser indicados procedimentos de cirurgia plástica ou dermatológica, incluindo ressecção de pregas cutâneas e ritidoplastia, conforme avaliação especializada.

O acompanhamento deve ser multidisciplinar, envolvendo dermatologista, reumatologista, ortopedista e, quando necessário, geneticista, fisioterapeuta, cirurgião plástico e psicólogo.

Como evolui a paquidermoperiostose?

A evolução da paquidermoperiostose costuma ser lenta e progressiva durante os primeiros anos após o aparecimento dos sintomas. Após esse período, a doença geralmente entra em fase de estabilização, sem progressão significativa das alterações ósseas e cutâneas.

A expectativa de vida é semelhante à da população geral, desde que tenham sido adequadamente excluídas causas secundárias de osteoartropatia hipertrófica. Entretanto, o impacto funcional e psicológico pode ser expressivo, especialmente devido às deformidades cutâneas e ao comprometimento articular.

Quais são as complicações possíveis da paquidermoperiostose?

Embora não seja uma doença fatal, a paquidermoperiostose pode causar complicações importantes. Entre elas destacam-se dor óssea e articular crônica; limitação funcional; derrames articulares recorrentes; deformidades estéticas progressivas da face e do couro cabeludo; hiperidrose intensa; acne grave; infecções cutâneas secundárias e impacto psicológico, incluindo ansiedade, depressão e comprometimento da qualidade de vida.

Alguns pacientes também podem desenvolver compressões nervosas periféricas, como síndrome do túnel do carpo, além de ptose palpebral decorrente do espessamento cutâneo. Embora raramente provoque incapacidade grave, a doença pode comprometer significativamente a funcionalidade e a vida social quando não recebe acompanhamento adequado.

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Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites dos Anais Brasileiros de Dermatologia e da Actas Dermo-Sifiliográficas.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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