AbcMed

Estenose hipertrófica do piloro

Wednesday, August 17, 2022
Avalie este artigo
Estenose hipertrófica do piloro

O que é o piloro?

O piloro é um anel muscular situado na porção final do estômago que o liga ao duodeno (primeira porção do intestino delgado), e que funciona como uma válvula, controlando a passagem do alimento do estômago para o duodeno. Normalmente, essa válvula muscular mantém o alimento no estômago até que esteja pronto para seu próximo estágio digestivo e o libera quando o processo anterior é completado.

O que é estenose hipertrófica do piloro?

Na estenose hipertrófica do piloro, os músculos do esfíncter entre estômago e duodeno são hipertrofiados e tornam-se anormalmente crescidos, fechando demais a passagem entre os dois órgãos e impedindo ou dificultando a progressão de alimentos para o intestino delgado. A estenose pilórica é uma condição pouco comum e ocorre mais frequentemente em bebês do sexo masculino com menos de seis meses de idade.

Quais são as causas da estenose hipertrófica do piloro?

As causas da estenose pilórica são desconhecidas, mas fatores genéticos e ambientais podem desempenhar um papel. Raramente, ela ocorre como uma condição autossômica dominante. É incerto se ela é um estreitamento anatômico congênito ou uma hipertrofia funcional do músculo esfíncter pilórico.

Poucas vezes, crianças mais velhas têm obstrução pilórica causada por inchaço devido a úlceras pépticas ou um distúrbio incomum semelhante a uma alergia alimentar.

Os fatores de risco para estenose hipertrófica do piloro incluem sexo masculino (especialmente se primogênitos), pais ou irmãos que tiveram estenose pilórica, uso de certos antibióticos durante as primeiras semanas de vida e fumo durante a gravidez.

Leia sobre "Refluxo gastroesofágico em bebês prematuros", "O que é Kwashiorkor" e "Pré-natal".

Qual é o substrato fisiopatológico da estenose hipertrófica do piloro?

O piloro é o esfíncter muscular que regula a passagem do alimento do estômago para o duodeno. Normalmente, o piloro se contrai para manter a comida no estômago para a digestão e relaxa para deixar a comida sair para o intestino. Por razões que os médicos não entendem completamente, o piloro pode tornar-se espesso e às vezes se fechar (estenose), impedindo ou dificultando que o material saia do estômago, gerando um quadro clínico típico.

Quais são as características clínicas da estenose hipertrófica do piloro?

O bloqueio da estenose hipertrófica do piloro geralmente ocorre no primeiro ou segundo meses de vida. Os bebês com estenose pilórica têm fome frequente e se alimentam bem, mas vomitam com força (vômito em projétil) logo após comerem.

Os vômitos vigorosos podem causar desidratação, desnutrição e perda de peso. Até que a desidratação e a desnutrição fiquem graves, os bebês parecem bem. Alguns bebês têm, posteriormente, uma coloração amarelada da pele e do branco dos olhos (icterícia).

Como o médico diagnostica a estenose hipertrófica do piloro?

O diagnóstico é feito através de uma história clínica cuidadosa e exame físico, muitas vezes complementado por estudos de imagens radiográficas. Apalpando o abdômen da criança, o médico pode sentir um pequeno nódulo do tamanho de uma azeitona, que é sinal do piloro aumentado. Esse sinal às vezes fica mais evidente depois que o bebê recebe leite ou uma fórmula para beber. Se a criança for observada após a alimentação e antes de vomitar com força, uma contração ondulatória no abdome chamada onda peristáltica pode ser vista, devido ao esforço do estômago para tentar forçar seu conteúdo pela saída pilórica estreitada.

Mais comumente, no entanto, o médico faz uma ultrassonografia abdominal para confirmar o diagnóstico, a qual mostra o piloro espessado e a não passagem do conteúdo gástrico para o duodeno proximal. Uma série de radiografias do trato gastrointestinal, tiradas após o bebê ingerir um agente de contraste especial, pode ser diagnóstica, mostrando o piloro com lúmen estreito e alongado. As radiografias simples do abdome às vezes mostram um estômago dilatado.

Os médicos podem fazer também exames de sangue para avaliar crianças quanto à desidratação e ao desequilíbrio eletrolítico resultante dos vômitos intensos.

Um diagnóstico diferencial deve ser feito com outros quadros clínicos, sendo a má rotação intestinal um dos principais deles. O conteúdo gástrico não deve ser visto passando pelo piloro, pois, se o fizer, a estenose pilórica deve ser excluída e outros diagnósticos diferenciais devem ser considerados.

Como o médico trata a estenose hipertrófica do piloro?

A estenose pilórica infantil é quase sempre tratada com cirurgia; poucos casos são leves o suficiente para serem tratados clinicamente. O perigo maior vem da desidratação e do distúrbio eletrolítico, e não do próprio problema em si. Para tratar essas questões, o médico administra líquidos aos bebês por via intravenosa. O bebê deve ser inicialmente estabilizado, corrigindo-se a desidratação e o eventual desequilíbrio hidroeletrolítico.

Numa cirurgia relativamente simples, geralmente uma laparoscopia, um cirurgião secciona o músculo engrossado para aliviar o bloqueio, permitindo que o leite materno ou a fórmula láctea que o bebê esteja mamando entrem no intestino delgado mais facilmente. A laparoscopia consiste em que o médico faça uma pequena incisão na região a ser tratada, por onde introduz um fino tubo de fibras óticas, através do qual pode visualizar os órgãos internos e realizar a cirurgia necessária.

Esta cirurgia, mesmo que feita no modelo aberta, tradicional, é relativamente pequena, e a maioria dos bebês pode comer dentro de um dia após o procedimento.

Como evolui a estenose hipertrófica do piloro?

A estenose hipertrófica do piloro e sua correção cirúrgica geralmente não tem efeitos colaterais de longo prazo ou impacto no futuro da criança.

Veja também sobre Malformações fetais", "Icterícia neonatal" e "Icterícia em adultos".

 

Comentários