domingo, 5 de fevereiro de 2012

abc.med.br - quarta-feira, 03 de dezembro de 2008 - Atualizado em quinta-feira, 26 de maio de 2011
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Meningite

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O que é meningite1?

meningite1 é uma infecção2 grave e pode ser fatal. Entretanto, o diagnóstico3 e o tratamento precoces podem permitir a cura, sem deixar seqüelas.

Meninges4 são membranas que envolvem o encéfalo (cérebro, bulbo e cerebelo) e a medula espinhal. Entre as meninges4 circula um líquido claro com aspecto de água, chamado líquor ou líquido cefalorraquidiano5 (LCR), que tem a função de absorver choques e proteger o cérebro e a medula espinhal contra danos. Quando uma bactéria6 ou um vírus7 consegue vencer as barreiras de proteção do organismo e instalar-se nas meninges4, estas se inflamam e infeccionam, dando origem à meningite1.

O cérebro e a medula espinhal são os centros de comando do organismo, que permitem funções como fala, audição, visão, locomoção, compreensão, etc.


Quais são as causas?

Bactérias, vírus7 e fungos são organismos que podem infectar as meninges4 e o líquor e causar meningite1. Quando ela é causada por um vírus7, é chamada meningite1 viral. Quando a causa da infecção2 é uma bactéria6, é chamada meningite1 bacteriana. E quando a causa é um fungo8, acontece a meningite1 fúngica, a qual é rara. A infecção2 também pode ocorrer após um traumatismo9 crânio10-encefálico ou ser resultado de um distúrbio do sistema imune.

A meningite1 viral é geralmente menos severa, enquanto que a meningite1 bacteriana pode ser grave e resultar em danos ao cérebro, surdez e dificuldade de aprendizado, se não tratada precocemente.

Estabelecer a causa da meningite1 é fundamental para um tratamento correto. A meningite1 viral pode não precisar de tratamento específico, enquanto que na bacteriana é importante saber qual a bactéria6 que está causando a infecção2 para que o tratamento apropriado seja estabelecido o mais precocemente possível.

Três espécies de bactérias são responsáveis por mais de 80% de todos os casos de meningite1: Neisseria meningitidis, Haemophilus influenzae e Streptococcus pneumoniae.

A meningite1 é mais comum em crianças com idades entre 1 mês e 2 anos, assim como em pessoas idosas, pelo comprometimento do sistema imune.


O que sente uma pessoa com meningite1?

Os sintomas11 mais comuns são: febre12 alta, dor de cabeça e rigidez da nuca. Outros sintomas11 podem estar presentes como
náuseas13, vômitos14, fotofobia15, confusão mental, delírio16, apatia17, rash18 cutâneo (erupção avermelhada em qualquer parte do corpo) e sonolência.

Em recém-nascidos e crianças menores de dois anos, o quadro clínico é mais inespecífico e os sintomas11 citados acima podem não estar presentes. Geralmente observa-se inatividade, irritabilidade, vômitos14 freqüentes, recusa alimentar e choro estridente.

Freqüentemente, as pessoas infectadas não apresentam todos os sinais19 e sintomas11 descritos. A doença pode evoluir em horas ou levar dias. O tipo principal de meningite1 geralmente se instala e progride rapidamente, mas existem algumas formas da doença em que a evolução é lenta.

Com a evolução da meningite1, os pacientes de qualquer idade podem ter convulsões. Uma convulsão20 é a contração repentina, violenta e involuntária dos músculos. Ela pode também se manifestar como uma crise de ausência, ou seja, uma perda repentina e breve de contato por alguns minutos.


Qual a importância do diagnóstico3 precoce?

O diagnóstico3 precoce e o tratamento da meningite1 são muito importantes para evitar ou limitar as possíveis complicações. Na presença de sintomas11, os pacientes devem procurar imediatamente um médico.

Quanto mais precoce o diagnóstico3 e o tratamento são, menos provável ocorrer algum tipo de complicação da doença.

Um médico suspeita do diagnóstico3 de meningite1 depois de obter uma história clínica detalhada e fazer um exame físico. Dor de cabeça, rigidez de nuca e sonolência são sinais19 comuns de meningite1. Uma amostra de líquor deve ser enviada para análise em laboratório para o diagnóstico3 final.


Quais exames precisam ser realizados em uma pessoa com suspeita de meningite1?

O primeiro exame a ser feito é o estudo do líquor. A coleta desta amostra envolve a colocação de uma agulha próxima à medula espinhal para retirada de líquor para análise. É um exame delicado, que deve ser realizado por médico treinado e habilidoso, contando com a colaboração do paciente.

Pode levar um ou dois dias para o crescimento de bactérias no líquor. Neste meio tempo, outros testes ajudam o médico a saber se o paciente está ou não com meningite1 e se ela é causada por bactéria6, vírus7 ou fungo8.

Alguns exames que o médico pode solicitar incluem contagem do número de células no líquor, verificação dos níveis de glicose21 e proteína ou técnicas de coloração para visualização de bactérias no microscópio.

A identificação do tipo de bactéria6 que está causando a infecção2 é importante para que os médicos saibam qual o antibiótico mais indicado para o tratamento específico.

Uma amostra de sangue22 também pode ser necessária. 

Eventualmente, uma tomografia computadorizada pode ser solicitada para fazer um diagnóstico3 diferencial entre os sintomas11 de meningite1 e de outras doenças, como tumores cerebrais, hemorragias23 intracranianas ou abscesso24 cerebral.


Como é o tratamento?

Há vários antibióticos para tratar a meningite1 bacteriana. Entretanto é muito importante que o tratamento se inicie precocemente (no início da infecção2).

O tratamento antibiótico para a maioria dos tipos de meningite1 bacteriana reduz o risco de morrer em cerca de 15%, entretanto, este risco é mais elevado em pacientes idosos.

Os antibióticos são de uso intravenoso e devem ser iniciados assim que o diagnóstico3 é feito. Uma vez que a bactéria6 que causa a infecção2 é identificada, o antibiótico pode ser mudado em caso de necessidade.

Os pacientes também recebem fluidos intravenosos para hidratação e são mantidos em monitorização contínua.

Uma nova coleta de líquor pode ser necessária para se ter certeza que o tratamento estabelecido está tendo sucesso (ou que a meningite1 está sendo tratada com sucesso).

As meningites virais são geralmente menos graves que as meningites bacterianas. Não requerem  o uso de antibióticos ou de medicações antivirais. O paciente na maioria das vezes é tratado com fluidos intravenosos, repouso e observação rigorosa.


Quais são as complicações da meningite1?

As meningites bacterianas tendem a complicar mais do que as meningites virais.

Elas podem afetar o nervo acústico e causar surdez permanente, danificar o cérebro, levar a dificuldades de aprendizagem e até a morte. Felizmente, o diagnóstico3 precoce e o tratamento adequado ajudam muito na recuperação do paciente.


A meningite1 é uma doença contagiosa?

Algumas formas de meningites são contagiosas, significando que podem passar de uma pessoa à outra. A transmissão é feita pelo contato direto com secreções da garganta ou do nariz25 de pessoas portadoras ou convalescentes, o que pode ocorrer durante tosse, espirro ou beijo.

Felizmente, a bactéria6 que causa a meningite1 não é tão contagiosa quanto o vírus7 que causa a gripe26 ou o resfriado e também não se espalha por contato casual, como respirar o mesmo ar de ambientes em que há pessoas com meningite1. Ela também não sobrevive por muito tempo fora do organismo.

As pessoas que são consideradas de risco aumentado para adquirir meningite1 são:

  • Membros da mesma família, que vivem no mesmo domicílio.
  • Pessoas que vivem em instituições de cuidados como creches, asilos, enfermarias, etc.
  • Qualquer pessoa que tenha contato com secreções orais de outra pessoa contaminada, como namorados(as).

As pessoas que têm contato íntimo com alguém infectado por alguns tipos de meningite1 bacteriana devem receber antibióticos para evitar serem infectados.

Todos os casos de meningite1 devem ser notificados a autoridades competentes para assegurar a prevenção da disseminação da infecção2.

Pessoas que viajam para outros países devem verificar se a vacinação contra meningite1 é recomendada.


Existe vacina27 contra meningite1?

Existem vacinas contra alguns tipos de bactérias que causam a meningite1, mas não para todos os tipos. Elas são seguras e eficazes. Aqueles que vão viajar para áreas em que há epidemia de meningite1 devem ser vacinados pelo menos uma semana antes da viagem.

Pergunte ao seu médico se você deve ser vacinado contra meningite1.


Fontes:

National Institutes of Health
Meningitis Research Foundation

ABC.MED.BR, 2008. Meningite. Disponível em: <http://www.abc.med.br/p/27150/meningite.htm>. Acesso em: 5 fev. 2012.

Comentários

08/05/2011 - Comentário feito por lilia leal lemes
Re: Meningite
Olá,gostei muito da matéria.Gostaria de saber sobre a meningite que se instala no sangue ou sobre a bacteria ! Deste ja sou grata.
21/04/2010 - Comentário feito por fernanda
Re: Meningite
gostei, mas gostaria que vs falasse mais um pouco sobre a menigite causada por fungos.Sinais e sintomas,tratamento,exames laboratoriais.
25/03/2009 - Comentário feito por André luiz
Re: Meningite
Gostei muito dessa pesquisa.....
contribui muito para o meu conhecimento...
e ajudara muito no palestra que irei fazer
em meu colégio.
muito obrigado.

Glossário

1 Meningite: Inflamação das meninges. Sua causa mais freqüente é a infecção viral ou bacteriana. Podem produzir quadros graves caracterizados por dor de cabeça, febre, vômitos e fotofobia.
2 Infecção: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
3 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
4 Meninges: Conjunto de membranas que envolvem o sistema nervoso central. Cumprem funções de proteção, isolamento e nutrição. São três e denominam-se dura-máter, pia-máter e aracnóide.
5 Líquido cefalorraquidiano: Líquido cristalino, com baixo nível de proteínas, que circula continuamente através de um sistema de canais e cavidades no sistema nervoso central. Suas características e a pressão com que circula podem alterar-se em diferentes doenças (meningite, hemorragia cerebral, hidrocefalia), motivo pelo qual se realizam punções para examinar as características do mesmo.
6 Bactéria: Organismo unicelular, capaz de auto-reproduzir-se. Existem diferentes tipos de bactérias, classificadas segundo suas características de crescimento (aeróbicas ou anaeróbicas, etc.), sua capacidade de absorver corantes especiais (Gram positivas, Gram negativas), segundo sua forma (bacilos, cocos, espiroquetas, etc.). Algumas produzem infecções no ser humano, que podem ser bastante graves.
7 Vírus: Pequeno microorganismo capaz de infectar uma célula de um organismo superior e replicar-se utilizando os elementos celulares do hospedeiro. São capazes de causar múltiplas doenças, desde um resfriado comum até a AIDS.
8 Fungo: Microorganismo muito simples de distribuição universal que pode colonizar uma superfície corporal e, em certas ocasiões, produzir doenças no ser humano. Como exemplos de fungos temos a Candida albicans, que pode produzir infecções superficiais e profundas, os fungos do grupo dos dermatófitos que causam lesões de pele e unhas, o Aspergillus flavus, que coloniza em alimentos como o amendoim e secreta uma toxina cancerígena, entre outros.
9 Traumatismo: Lesão produzida pela ação de um agente vulnerante físico, químico ou biológico e etc. sobre uma ou várias partes do organismo.
10 Crânio:

O ESQUELETO da CABEÇA; compreende também os OSSOS FACIAIS e os que recobrem o CÉREBRO.

Sinônimos: Calvaria; Calota Craniana

11 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
12 Febre: É a elevação da temperatura do corpo acima dos valores normais para o indivíduo. São aceitos como valores de referência indicativos de febre: temperatura axilar ou oral acima de 37,5°C e temperatura retal acima de 38°C. A febre é uma reação do corpo contra patógenos.
13 Náuseas: Vontade de vomitar. Forma parte do mecanismo complexo do vômito e pode ser acompanhada de sudorese, sialorréia (salivação excessiva), vertigem, etc .
14 Vômitos: São a expulsão ativa do conteúdo gástrico pela boca. Podem ser classificados em: alimentar, fecalóide, biliar, em jato, pós-prandial.
Sinônimo de êmese. Os medicamentos que agem neste sintoma são chamados de antieméticos.
15 Fotofobia: Dor ocular ou cefaléia produzida perante estímulos visuais. É um sintoma freqüente na meningite, hemorragia subaracnóidea, enxaqueca, etc.
16 Delírio: Delirio é uma crença sem evidência, acompanhada de uma excepcional convicção irrefutável pelo argumento lógico. Ele se dá com plena lucidez de consciência e não há fatores orgânicos.
17 Apatia: Diminuição ou perda de interesse ou vontade de realizar coisas ou tarefas.
18 Rash: Coloração avermelhada da pele como conseqüência de uma reação alérgica ou infecção.
19 Sinais: São alterações percebidas ou medidas por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida.
20 Convulsão: Episódio agudo caracterizado pela presença de contrações musculares espasmódicas permanentes e/ou repetitivas (tônicas, clônicas ou tônico-clônicas). Em geral está associada à perda de consciência e relaxamento dos esfíncteres. Pode ser devida a medicamentos ou doenças.
21 Glicose: Uma das formas mais simples de açúcar.
22 Sangue: O sangue é uma substância líquida que circula pelas artérias e veias do organismo. Em um adulto sadio, cerca de 45% do volume de seu sangue é composto por células (a maioria glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). O sangue é vermelho brilhante, quando oxigenado nos pulmões (nos alvéolos pulmonares). Ele adquire uma tonalidade mais azulada, quando perde seu oxigênio, através das veias e dos pequenos vasos denominados capilares.
23 Hemorragias: Saída de sangue dos vasos sanguíneos ou do coração para o exterior, para o interstício ou para cavidades pré-formadas do organismo.
24 Abscesso: Coleção de pus produzida em geral por uma infecção bacteriana. Pode se formar em diferentes regiões do organismo (cérebro, osso, pele, músculo). Pode causar febre, calafrios, tremores e vermelhidão e dor na área afetada.
25 Nariz:

Estrutura especializada que funciona como um órgão do sentido do olfato e que também pertence ao sistema respiratório; o termo inclui tanto o nariz externo como a cavidade nasal.

26 Gripe: Doença viral adquirida através do contágio interpessoal que se caracteriza por faringite, febre, dores musculares generalizadas, náuseas, etc. Sua duração é de aproximadamente cinco a sete dias e tem uma maior incidência nos meses frios. Em geral desaparece naturalmente sem tratamento, apenas com medidas de controle geral (repouso relativo, ingestão de líquidos, etc.). Os antibióticos não funcionam na gripe e não devem ser utilizados de rotina.
27 Vacina: Tratamento à base de bactérias, vírus vivos atenuados ou seus produtos celulares, que têm o objetivo de produzir uma imunização ativa no organismo para uma determinada infecção.
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