sexta-feira, 30 de julho de 2010

Hipertensão arterial - quinta-feira, 21 de agosto de 2008 - 18:43
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Hipertensão Arterial

Sinônimos:

Pressão alta


O que é hipertensão arterial1?

A hipertensão arterial1 (pressão alta) é das doenças de maior prevalência2 na população. No Brasil, a Sociedade Brasileira de Hipertensão3 (SBH) estima que haja 30 milhões de hipertensos, cerca de 30% da população adulta. Entre as pessoas com mais de 60 anos, mais de 60% têm hipertensão3. No mundo, são 600 milhões de hipertensos, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). Embora o problema ocorra predominantemente na fase adulta, o número de crianças e adolescentes hipertensos vem aumentando a cada dia. A SBH estima que 5% da população com até 18 anos tenham hipertensão3 – são 3,5 milhões de crianças e adolescentes brasileiros.

A pressão alta caracteriza-se pela presença de níveis de pressão arterial elevados associados a alterações no metabolismo4 do organismo, nos hormônios e nas musculaturas cardíaca e vascular5.

Considerada um dos principais fatores de risco de doença, é responsável por cerca de 40% dos casos de aposentadoria precoce e de absenteísmo no trabalho em nosso meio. É uma condição de causas multifatoriais que deve receber a atenção e o cuidado de todos.


Quais são as causas?

Em 95% dos casos, a causa da hipertensão arterial1 (HA) é desconhecida, sendo chamada de HA primária ou essencial. Nesses pacientes, ocorre aumento da rigidez das paredes arteriais e a herança genética pode contribuir para o aparecimento da doença em 70% dos casos.

Nos demais, ocorre a HA secundária, ou seja, quando uma determinada causa predomina sobre as demais, embora outras possam estar presentes. É o caso da:

  • HA por doença do parênquima renal6
  • HA renovascular: provocada por algum problema nas artérias renais. O rim7 afetado produz substâncias que elevam a pressão arterial
  • HA por aldosteronismo primário
  • HA relacionada à gestação
  • HA relacionada ao uso de medicamentos; como corticosteróides, anti-concepcionais ou anti-inflamatórios
  • HA relacionada ao feocromocitoma8: tumor9 que produz substâncias vasoconstritoras que aumentam a pressão arterial, produzem taquicardia10, cefaléia11 e sudorese12
  • HA relacionada a outras causas

 

Quem está em risco para desenvolver esta condição?

Pessoas com história familiar de hipertensão3 podem apresentar maior risco para a doença. Pesquise se em sua família existem pessoas hipertensas. Caso faça parte deste grupo, procure orientação sobre como começar a prevenir a hipertensão3.

Níveis elevados de pressão arterial são facilitados por: elevada ingestão de sal, baixa ingestão de potássio, alta ingestão calórica e excessivo consumo de álcool. Os dois últimos fatores de risco são os que mais contribuem para o desenvolvimento de peso excessivo ou obesidade13, que estão diretamente relacionados à elevação da pressão arterial. O papel do teor de cálcio, magnésio e proteína da dieta na prevenção da pressão arterial ainda não está definido.

O estresse psicológico e o sedentarismo ainda aguardam provas mais definitivas de participação como fatores de risco, embora existam evidências de que sua modificação pode ser benéfica no tratamento da hipertensão arterial1.

O aumento do risco cardiovascular ocorre também pela agregação de outros fatores, tais como tabagismo e dislipidemias - alterações nos níveis de colesterol14 e triglicérides15, intolerância à glicose16 e diabetes mellitus17.

 


O que sente o portador desta condição?

Na maioria dos casos, não são observados sintomas18. Quando estes ocorrem, são comuns a outras patologias, tais como dor de cabeça, tonturas19, cansaço, enjôos, falta de ar e sangramentos nasais. Por isso, a hipertensão arterial1 é conhecida como uma doença silenciosa. Isto pode dificultar o diagnóstico20 ou fazer com que os pacientes esqueçam de usar os medicamentos necessários para controlar a pressão arterial.

 


Como o médico faz o diagnóstico20?

O diagnóstico20 é feito pela aferição (medida) cuidadosa da pressão arterial em mais de uma oportunidade. As medidas devem ser obtidas em ambos os membros superiores e, em caso de diferença, utiliza-se sempre o braço com o maior valor de pressão para as medidas posteriores.

A posição recomendada para a medida da pressão arterial é a sentada. A medida nas posições ortostática e supina deve ser feita pelo menos na primeira avaliação em todos os indivíduos e em todas as avaliações em idosos, diabéticos, portadores de disautonomias, alcoolistas e/ou em uso de medicação anti-hipertensiva.

As medidas devem ser realizadas por profissionais experientes e usando um equipamento devidamente calibrado.

Os médicos usam a tabela abaixo para classificar a hipertensão3:

Classificação da pressão arterial de acordo com a medida casual no consultório (> 18 anos):

 

 

Classificação da PA

PA sistólica (mmHg)

PA diastólica (mmHg)

Ótima

<120

<80

Normal

< 130

< 85

Limítrofe

130-139

85-89

Hipertensão3 estágio 1

140–159

90–99

Hipertensão3 estágio 2

160-179

100-109

Hipertensão3 estágio 3

> 180

> 110

Hipertensão3 sistólica isolada

> 140

< 90


Quando as pressões sistólica e diastólica de um paciente situam-se em categorias diferentes, a maior deve ser utilizada para classificar a pressão arterial.

 

Quais as opções de tratamento disponíveis?

Existem dois tipos de tratamento para os hipertensos: não-medicamentoso e medicamentoso.

Um estilo de vida saudável é fundamental para controlar fatores ambientais que influenciam negativamente a pressão arterial. Uma alimentação rica em frutas, verduras e vegetais, evitar a  ingestão excessiva de sal , combater o sedentarismo e a obesidade13, evitar o álcool e o cigarro colaboram para a redução da pressão arterial e para a diminuição do risco cardiovascular.

Quando essas medidas não são suficientes para controlar a pressão arterial, o médico pode optar por introduzir medicações hipotensoras com o objetivo de reduzir a morbidade21 e a mortalidade22 cardiovasculares. O tratamento medicamentoso deve estar sempre associado ao tratamento não-medicamentoso citado acima.

Existem vários medicamentos usados para controlar a hipertensão3, como diuréticos23, inibidores da ECA, bloqueadores do receptor AT1 e bloqueadores dos canais de cálcio. Às vezes, é necessário que o médico oriente uma associação de anti-hipertensivos.

O objetivo é reduzir a pressão arterial para valores inferiores a 140 mmHg de pressão sistólica24 e 90 mmHg de pressão diastólica25, respeitando-se as características individuais, a presença de outras doenças e a qualidade de vida dos pacientes.


Quais são as complicações da doença?

O aumento contínuo da pressão arterial faz com que ocorram danos às artérias. Elas tornam-se mais espessadas e estreitadas, podem começar a ter placas de gordura26 aderidas a sua superfície, dificultando o fluxo sangüíneo. As artérias vão perdendo sua elasticidade, podendo entupir ou romper.

Essas complicações da hipertensão3 atingem mais freqüentemente o coração27, cérebro, rins28, olhos e artérias periféricas. Podendo levar ao infarto29 agudo30 do miocárdio (IAM), insuficiência cardíaca31, arritmias cardíacas, acidente vascular cerebral32, insuficiência renal33, problemas oculares como diminuição da visão e alterações na retina34 ou problemas circulatórios.

 

Perguntas que você pode fazer ao seu médico?

- Quais as conseqüências da hipertensão3 se não houver tratamento?
- Quais as chances dos filhos de indivíduos hipertensos apresentarem a doença?
- A hipertensão3 atinge com maior freqüência algum grupo específico de pessoas?
- Até quando vou fazer uso de medicamentos para controlar minha pressão arterial?
- Existem grupos de ajuda para pessoas com hipertensão3? Onde encontrá-los?
- Quais são os efeitos colaterais das medicações usadas no controle da pressão alta?



Fontes:


Manuais de Cardiologia
III Consenso Brasileiro de Hipertensão Arterial1
V Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial1

Comentários

17/12/2009 21:05 - Comentário feito por josé paulo de oliveira
Re: Hipertensão Arterial
sou hipertenso e tomo todos os dias um comprimido de benicar cht de 20 com 12/5 e faço caminhadas pedalo sempre...e no começo deste ano comprei um aparelho de musculaçâo que faz varios tipos de exercicios...só que apos os exercicios que sempre è a tarde a noite minha pressâo começou a subir....fui a um cardiologista e contei tudo pra ela que me proibiu de fazer os exercicios.....só que não párei e sim diminui os pêsos...e agora tá tudo normal de novo....a pergunta é :fiz mal em continuar..????hipertensos não podem fazer musculaçâo;;;???? me dá uma dica aí ....desde já muito obrigado.....
23/07/2009 15:08 - Comentário feito por José Gonçalves Teodoro
Re: Hipertensão Arterial
Foi a informação mais clara que tive sobre a hipertensão, principalmente com relação à classificação. Minha esposa apresentou uma pequena elevação de pressão após uma indigestão alimentar, e após levá-la ao médico fiquei confuso quanto aos níveis normais de pressão arterial. Como minha sogra era hipertensa, procuramos imprimir um estilo de vida saudável. Muito obrigado pelas informaçõs.
09/07/2009 09:05 - Comentário feito por lucia cunha de queiroz
Re: Hipertensão Arterial
Li com muita atenção esta publicação sobre pressão arterial.
Sou hipertensa moderada com ajuda de medicamento.
Faz-nos entender que o controle se faz muito melhor com um conjunto de medidas mais salutares.
parabéns.

Glossário

1 Hipertensão arterial: Aumento dos valores de pressão arterial acima dos valores considerados normais, que no adulto são de 140 milímetros de mercúrio de pressão sistólica e 85 milímetros de pressão diastólica.
2 Prevalência: Número de pessoas em determinado grupo ou população que são portadores de uma doença. Número de casos novos e antigos desta doença.
3 Hipertensão: Condição presente quando o sangue flui através dos vasos com força maior que a normal. Também chamada de pressão alta. Hipertensão pode causar esforço cardíaco, dano aos vasos sangüíneos e aumento do risco de um ataque cardíaco, derrame ou acidente vascular cerebral, além de problemas renais e morte.
4 Metabolismo: É o conjunto de transformações que as substâncias químicas sofrem no interior dos organismos vivos. São essas reações que permitem a uma célula ou um sistema transformar os alimentos em energia, que será ultilizada pelas células para que as mesmas se multipliquem, cresçam e movimentem-se. O metabolismo divide-se em duas etapas: catabolismo e anabolismo.
5 Vascular: Relativo aos vasos sangüíneos do organismo.
6 Renal: Relacionado aos rins. Uma doença renal é uma doença dos rins. Insuficiência renal significa que os rins pararam de funcionar.
7 Rim: Os rins são órgãos em forma de feijão que filtram o sangue e formam a urina. Os rins são localizados na região posterior do abdômen, um de cada lado da coluna vertebral.
8 Feocromocitoma: São tumores originários das células cromafins do eixo simpático-adrenomedular, caracterizados pela autonomia na produção de catecolaminas, mais freqüentemente adrenalina e/ou noradrenalina. A hipertensão arterial é a manifestação clínica mais comum, acometendo mais de 90% dos pacientes, geralmente resistente ao tratamento anti-hipertensivo convencional, mas podendo responder a bloqueadores alfa-adrenérgicos, bloqueadores dos canais de cálcio e nitroprussiato de sódio. A tríade clássica do feocromocitoma, associado à hipertensão arterial, é composta por cefaléia, sudorese intensa e palpitações.
9 Tumor: Termo que literalmente significa massa ou formação de tecido. É utilizado em geral para referir-se a uma formação neoplásica.
10 Taquicardia: Aumento da freqüência cardíaca. Pode ser devido a causas fisiológicas (durante o exercício físico ou gravidez) ou por diversas doenças como sepse, hipertireoidismo e anemia. Pode ser assintomática ou provocar palpitações.
11 Cefaléia: Sinônimo de dor de cabeça. Este termo engloba todas as dores de cabeça existentes, ou seja, enxaqueca ou migrânea, cefaléia ou dor de cabeça tensional, cefaléia cervicogênica, cefaléia em pontada, cefaléia secundária a sinusite, etc... são tipos dentro do grupo das cefaléias ou dores de cabeça.
A cefaléia tipo tensional é a mais comum (acomete 78% da população), seguida da enxaqueca ou migrânea (16% da população).
12 Sudorese: Suor excessivo
13 Obesidade: Condição em que há acúmulo de gorduras no organismo além do normal, mais severo que o sobrepeso. O índice de massa corporal é igual ou maior que 30.
14 Colesterol: Tipo de gordura produzida pelo fígado e encontrada no sangue, músculos, fígado e outros tecidos. O colesterol é usado pelo corpo para a produção de hormônios esteróides (testosterona, estrógeno, cortisol e progesterona). O excesso de colesterol pode causar depósito de gordura nos vasos sangüíneos.
Seus componentes são:
HDL-Colesterol: tem efeito protetor para as artérias, é considerado o bom colesterol.
LDL-Colesterol: relacionado às doenças cardiovasculares, é o mau colesterol.
VLDL-Colesterol: representa os triglicérides (um quinto destes).
15 Triglicérides: A principal maneira de armazenar os lipídeos no tecido adiposo é sob a forma de triglicérides. São também os tipos de lipídeos mais abundantes na alimentação. Podem ser definidos como compostos formados pela união de três ácidos graxos com glicerol. Os triglicérides sólidos em temperatura ambiente são conhecidos como gorduras, enquanto os líquidos são os óleos. As gorduras geralmente possuem uma alta proporção de ácidos graxos saturados de cadeia longa, já os óleos normalmente contêm mais ácidos graxos insaturados de cadeia curta.
16 Glicose: Uma das formas mais simples de açúcar.
17 Diabetes mellitus: Distúrbio metabólico originado da incapacidade das células de incorporar glicose. De forma secundária, podem estar afetados o metabolismo de gorduras e proteínas.Este distúrbio é produzido por um déficit absoluto ou relativo de insulina. Suas principais características são aumento da glicose sangüínea (glicemia), poliúria, polidipsia (aumento da ingestão de líquidos) e polifagia (aumento da fome).
18 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
19 Tonturas: O indivíduo tem a sensação de desequilíbrio, de instabilidade, de pisar no vazio, de que vai cair.
20 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
21 Morbidade: Morbidade ou morbilidade é a taxa de portadores de determinada doença em relação à população total estudada, em determinado local e em determinado momento.
22 Mortalidade: A taxa de mortalidade ou coeficiente de mortalidade é um dado demográfico do número de óbitos, geralmente para cada mil habitantes em uma dada região, em um determinado período de tempo.
23 Diuréticos: Grupo de fármacos que atuam no rim, aumentando o volume e o grau de diluição da urina. Eles depletam os níveis de água e cloreto de sódio sangüíneos. São usados no tratamento da hipertensão arterial, insuficiência renal, insuficiência cardiaca ou cirrose do fígado. Há dois tipos de diuréticos, os que atuam diretamente nos túbulos renais, modificando a sua atividade secretora e absorvente; e aqueles que modificam o conteúdo do filtrado glomerular, dificultando indiretamente a reabsorção da água e sal.
24 Pressão sistólica: É a pressão mais elevada (pico) verificada nas artérias durante a fase de sístole do ciclo cardíaco. É também chamada de pressão máxima.
25 Pressão Diastólica: É a pressão mais baixa detectada no sistema arterial sistêmico, observada durante a fase de diástole do ciclo cardíaco. É também denominada de pressão mínima.
26 Gordura: Um dos três principais nutrientes dos alimentos. Os alimentos que fornecem gordura são: manteiga, margarina, óleos, nozes, carnes vermelhas, peixes, frango e alguns derivados do leite. O excesso de calorias é estocado no organismo na forma de gordura, fornecendo uma reserva de energia ao organismo.
27 Coração: Órgão muscular oco localizado no tórax, sob o osso esterno, ligeiramente deslocado para a esquerda. Em um adulto, tem o tamanho aproximado de um punho fechado e pesa cerca de 400 gramas. O papel do coração é enviar sangue rico em oxigênio a todas as células do nosso organismo.
28 Rins: Órgãos em forma de feijão que filtram o sangue e formam a urina. Os rins são localizados na região posterior do abdômen, um de cada lado da coluna vertebral.
29 Infarto: Morte de um tecido por irrigação sangüínea insuficiente. O exemplo mais conhecido é o infarto do miocárdio, no qual se produz a obstrução das artérias coronárias com conseqüente lesão irreversível do músculo cardíaco.
30 Agudo: Descreve algo que acontece repentinamente e por curto período de tempo. O oposto de crônico.
31 Insuficiência Cardíaca: É uma condição na qual a quantidade de sangue bombeada pelo coração a cada minuto (débito cardíaco) é insuficiente para suprir as demandas normais de oxigênio e de nutrientes do organismo. Refere-se à diminuição da capacidade do coração suportar a carga de trabalho.
32 Acidente vascular cerebral: Conhecido popularmente como derrame cerebral, o acidente vascular cerebral (AVC) ou encefálico é uma doença que consiste na interrupção súbita do suprimento de sangue com oxigênio e nutrientes para o cérebro, lesando células nervosas, o que pode resultar em graves conseqüências, como inabilidade para falar ou mover partes do corpo. Há dois tipos de derrame, o isquêmico e o hemorrágico.
33 Insuficiência renal: Condição crônica na qual o corpo retém líquido e excretas pois os rins não são mais capazes de trabalhar apropriadamente. Uma pessoa com insuficiência renal necessita de diálise ou transplante renal.
34 Retina: Parte do olho responsável pela formação de imagens. É como uma tela onde se projetam as imagens: retém as imagens e as traduz para o cérebro através de impulsos elétricos enviados pelo nervo óptico. Possui duas partes: a retina periférica e a mácula.
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