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Episiotomia - quando é necessário?

Wednesday, August 6, 2014
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Episiotomia - quando é necessário?

O que é episiotomia?

Episiotomia é um corte cirúrgico feito no períneo (área entre a vagina e o ânus), realizado com anestesia local, se a mulher ainda não estiver anestesiada, para alargar o canal do parto e, supostamente, ajudar o nascimento do bebê. A episiotomia só deve ser feita com o consentimento da mulher, o que nem sempre acontece, porque algumas mulheres consideram que a episiotomia é o aspecto mais traumatizante do parto. Muitas delas preferem fazer uma cesariana a uma episiotomia.

Como é feita a episiotomia?

A região onde será feito o corte deve ser localmente anestesiada. O corte cirúrgico é feito com um bisturi, perpendicularmente em direção ao ânus ou obliquamente em direção à coxa da mulher, no momento que precede a expulsão da cabeça do feto. O tamanho de uma episiotomia é bastante variável, apesar da média girar em torno de dez pontos cirúrgicos. Terminado o parto, deve ser feita a episiorrafia, que é a sutura da episiotomia.

Por que a episiotomia deve ou não deve ser feita?

Classicamente, a episiotomia visaria reduzir a probabilidade de lacerações graves do períneo, minimizar o risco de trauma fetal e prevenir a hipóxia fetal durante o nascimento, reduzindo significativamente a duração do período expulsivo, mas não há evidências de que esses benefícios efetivamente aconteçam. Nos partos feitos em casa ela nunca existia, mas com a hospitalização dos partos seu número cresceu rapidamente. Houve uma época, anterior à década de 70, em que a episiotomia tornou-se quase que uma rotina nos partos. As campanhas femininas em favor do parto natural fizeram com que diminuísse muito o número de episiotomia e hoje em dia ela só é usada em cerca de 10% dos partos. A concepção atualmente vigorante é de que ela deve ser usada apenas em casos específicos, em que seu uso seja justificado, como parto operatório, parto prematuro, parto pélvico, tamanho muito grande do feto ou ameaça de ruptura perineal grave. Em suma, não existem evidências inquestionáveis quanto às indicações da episiotomia. Parece que, na maioria das vezes, pelo menos, a episiotomia é uma cirurgia sem utilidade, feita mais por um hábito médico que por uma necessidade das parturientes.

Como evolui a episiotomia?

Algumas episiotomias cicatrizam rapidamente e a mulher volta a se sentir normal, mas outras têm problemas de longo prazo, às vezes por anos. Pode acontecer que tenham perda definitiva da sensibilidade perineal. Uma episiotomia muito extensa ou mal feita pode demandar uma cirurgia para sua correção.

Quais são as complicações possíveis da episiotomia?

Com a diminuição das episiotomias, diminuíram também as complicações que elas podem causar. Mas podem ocorrer sangramentos, infecções, dores, maior tempo de recuperação, enfraquecimento do assoalho pélvico, incontinência fecal ou urinária, dispareunia, deiscências das suturas, problemas de cicatrização, etc.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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